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Deixámos Lisboa em direcção à Figueira da Foz, num dia solarengo de "Primavera" preparado a preceito pela natureza. A viagem foi calma e rápida. Após os 150 km de auto-estrada, saímos em direcção à Figueira da Foz. A proximidade à localidade da Marinha das Ondas é sentida ao penetrar nos densos pinhais da região. Esta barreira de vegetação, criada para conter o avanço das areias do mar, indica-nos a proximidade do oceano. Estamos a 10 km do mar, e a aragem fresca vinda de noroeste já se nota.
Para nos receber com um espumante rosé ( colheita 2001, ainda não comercializada) estava José Mendonça , o responsável pelo arrojado projecto da Quinta dos Cozinheiros. Seguiu-se a visita às vinhas, divididas em três parcelas diferentes. Começámos por conhecer as mais velhas, com aproximadamente 50 anos de idade, "responsáveis" pelo tinto Quinta dos Cozinheiros Lagar e pelo branco Quinta dos Cozinheiros. Não existe uma separação física entre as diferentes castas plantadas, onde predominam a Baga (ou Poeirinho, como é conhecida localmente) nos tintos, e a Maria Gomes (ou Fernão Pires) nos brancos. Nas suas explicações o produtor revelou um profundo domínio do processo produtivo, do tratamento da vinha e do trabalho enológico. Apesar da difícil localização geográfica da Quinta, o empenho e conhecimentos técnicos do produtor, que conta com a colaboração técnica de Luís Pato, prometem conduzi-lo a bom porto.
A "educação" da vinha, na Quinta dos Cozinheiros, quebra com a tradicional condução utilizada na região. Os braços da vinha são conduzidos ao longo do arame inferior, crescendo a folhagem através dos arames superiores. Dessa forma evitam-se os elevados graus de humidade que em bagos fechados e compactos, fazem com que a podridão grasse.
Para visitar a segunda parcela de vinha foi necessário recorrer ao carro. Esta parcela, com aproximadamente 5 ha, está inserida num pequeno vale rodeado por um pinhal. As castas predominantes continuam a ser a Baga nos tintos e a Maria Gomes nos brancos. Esta vinha dá origem ao tinto Quinta dos Cozinheiros Poeirinho e ao branco Quinta do Cozinheiros Maria Gomes. Visitámos, também, uma parcela nova de vinha, com 3 anos, plantada exclusivamente com Touriga Nacional, e que ocupa sensivelmente 3 ha. O produtor deposita grande esperança nos resultados que a Touriga Nacional poderá ter nesta zona de influência atlântica. No total, estão plantados cerca de 12 ha de vinha.
Seguiu-se uma visita à adega. A tecnologia está bem presente, com máquinas e sistemas modernos a suportarem o tratamento enológico das uvas. A sala das cubas inox, os lagares e as caves de estágio, comprovaram a excelente organização e higiene das instalações enológicas deste produtor. Mas sobretudo existem uma combinação curiosa entre tecnologia e tradição. Senão veja-se o exemplo dos lagares, tradicionais, mas com controlo de temperatura e rigoroso controlo sanitário.
Entretanto, era chegado o momento para o almoço. O magnífico arroz de lampreia foi acompanhado por diversos vinhos, dos quais já não recordo a sequência. Apesar da colheita de 1998 representar o primeiro lançamento comercial, o Quinta dos Cozinheiros Lagar 1998 revelou ter qualidades de envelhecimento. O Quinta dos Cozinheiros Lagar 2000 e o Quinta dos Cozinheiros Poeirinho 2000 bateram-se bem com a comida, um excelente arroz de lampreia, embora sejam vinhos um pouco mais rústicos.
Destaque para o excelente branco Quinta dos Cozinheiros 2001 que, com o seu aroma mineral e frutado, completado por uma boca untuosa e saborosa, marcou um estilo bastante apetecível e original. Pareceu ser uma boa aposta.
Tivemos também o privilégio de provar a "Utopia" do produtor. O vinho é da colheita de 2001 (segundo José Mendonça, uma excelente colheita na zona), realizado com 100% Baga (o futuro promete um lote com a Touriga Nacional), e que terá o nome Utopia. Provado em amostra de barrica, o vinho revela uma força aromática impressionante. Na boca, a sua austeridade é evidente, revelando a necessidade de tempo em garrafa para harmonizar. A produção será reduzida a 1000 garrafas mas promete ser uma excelente aposta. Terminámos com dois ensaios interessantes , duas Jeropigas - uma branca, feita de Maria Gomes, e outra tinta, feita de Água Santa. Interessante de aromas a Maria Gomes, a oscilar entre o doce e o seco, menos conseguida a de Água Santa, demasiado doce e incaracterística. O regresso a Lisboa fez-se pela noite dentro.
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| Dados sobre o Produtor |
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| Contactos: Quinta dos Cozinheiros, Marinha das Ondas, 3080-485 |
| Património: Quinta dos Cozinheiros e diversas parcelas de terreno espalhadas. |
| Dados naturais: 12 ha vinha plantada. |
| Enólogo: Como enólogo conselheiro Luís Pato, como viticultor conselheiro César Almeida e como enólogo residente Ângelo de Jesus. |
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| Vinhos |
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| Brancos: Quinta dos Cozinheiros; Quinta dos Cozinheiros Maria Gomes. |
| Tintos: Quinta dos Cozinheiros Lagar; Quinta dos Cozinheiros Poeirinho, Utopia. |
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