Méo-Camuzet é um produtor mítico no universo dos enófilos borgonheses. A forma como os seus vinhos se reinventam com o passar dos anos tem garantido um fiel grupo de consumidores que escoam a pequena produção mesmo antes de ela chegar ao mercado. Controlada pela família desde 1959, o nome Méo-Camuzet alcança o seu estatuto actual no final da década de 80, trabalhando parcelas míticas como Échezeaux, Richebourg, Clos Vougeot e Corton Clos Rognet. Profundamente inspirado por Henry Jayer, um dos grandes nomes da viticultura no século XX na Borgonha, Jean Nicolas Méo é uma figura atípica numa região influenciada por “artesões”, é um parisiense exilado na Borgonha. A sua aparência aristocrata, a sua forma calma e pensada de se exprimir, o seu pragmatismo, deixam antever uma educação cuidada, uma educação pensada para o sucesso e para os desafios da sociedade moderna.
Iniciou o seu percurso há cerca de 20 anos, "numa época favorável". Faz parte de uma geração que reformou a imagem Borgonha, que inovou, que trouxe um espírito mais actual à região que emergia de um período mais difícil vivido durante as décadas de 60 e 70. "A região é complexa, essencialmente devido ao capricho da casta Pinot Noir, que começamos agora a perceber ser difícil de trabalhar fora da região". Efectivamente, a casta tem dificuldade em viajar. Trabalha-la é um ensaio misterioso. A prática tem indiciado que o Pinot Noir necessita mais de intuição que propriamente de ciência. Ouvir Jean Nicolas Méo é sentir a herança das referências humanas que o rodearam no seu percurso. “Segui um percurso progressivo, solitário mas apoiado e inspirado em duas fortes personalidades, Christian Fenoy e Henry Jayer”. Procura o equilíbrio entre natureza e civilização. “Tentar ser o mais biológico possível mas de forma pragmática é um bom compromisso. Não consigo seguir a norma biológica em todas as vinhas e em especial em alguns anos mais difíceis. A biodinâmica não me tenta".
Em 1999 iniciou uma actividade paralela de negociante, com a particularidade de idealizar contratos com base na superfície de exploração e não no rendimento. Para garantir o objectivo primordial de qualidade nos vinhos de negócio, as uvas compradas são, na íntegra, tratadas e colhidas pelo Domaine Méo-Camuzet. Uma espécie de acordo “chave na mão”. Conhece também os limites práticos desta actividade. Por isso não estende a actuação de negociante a parcelas classificadas de Grand Cru porque “isso implica níveis qualitativos difíceis de alcançar no molde de compra da uva”. Defende um trabalho de equipa e um envolvimento sem concessões. "Não há uma equipa dedicada exclusivamente à vinha e outra à adega. Toda a gente se implica em tudo". É optimista apesar do fundo pragmático. Os anos são sempre bons, nem que seja porque "estamos sempre contentes de vindimar. É uma descompressão enorme depois da vindima". Compreendemo-lo melhor quando fala de algumas colheitas recentes (Henry Jayer também colocava em valor a explicação de cada colheita!). "O ano de 2006 é equilibrado, perto do nível de uma grande colheita. Falta-lhe apenas um toque de concentração para alcançar o nível superior. O ano de 2007 é complicado na Borgonha mas a prova reserva algumas surpresas. É necessário sentir a evolução". Um pouco como 2004, enigmaticamente interessante. "Ambos os anos foram difíceis, com chuva e tempo fresco, um Agosto problemático no sentido de obrigar à presença na vinha num período de férias. Mas Setembro foi óptimo, com vento do quadrante norte, apanágio de bons vinhos na Borgonha. Em 2003 o ciclo vegetativo foi curto, ao invés do longo ciclo vivido em 2004 com 104 dias entre a flor e a vindima. O ano de 2001 é fresco, representando o classicismo com perfumes que apenas a Borgonha consegue reproduzir. A colheita de 1999 bate um recorde de luminosidade. Mas as noites frescas garantiram a acidez necessária. Abundante, sem necessidade de selecção. Homogénea. O controlo do rendimento foi importante". Na qualidade de um ano "conta muito o prazer que tivemos a vindimar. Em 2005 sentimos uma loucura do mercado". Terão sido as notas elevadas atribuídas pelos críticos? Troça de forma aprimorada, "fizemos o que tínhamos a fazer para acalmar essa loucura. Aumentámos os preços". Jean Nicolas Méo emana uma visão extremamente pragmática do equilíbrio necessário entre criador e Terroir, entre natureza e mercado. Um modelo de seriedade profissional, um exemplo de “nem tanto á terra nem tanto ao mar”!
Os vinhos
A prova decorreu no dia 04 de Dezembro 2007 na Caves Legrand (www.caves-legrand.com) em Paris. Os vinhos do Domaine Méo-Camuzet acabam por reflectir as convicções do seu criador. Reflectem impecavelmente o carácter e a especificidade de cada colheita, mantendo um nível qualitativo assinalável e uma identidade indispensável. Nos anos mais equilibrados, com maturações criteriosas, 1999, 2002 e 2004, os tintos alcançam uma harmonia e uma classe apenas possíveis de atingir nas enigmáticas parcelas da Côte de Nuits. Em colheitas mais maduras, como 2000, os vinhos tornam-se porventura demasiado dóceis e suaves. O único vinho branco disponível na gama é o Clos Saint Philibert, uma parcela situada em terra de tintos (Côte de Nuits) a uma altitude de 380m. Surpreendeu pela mistura de perfil entre Chablis e Merseault, surpreendeu pelo pragmatismo que desprendeu da sua alma. Com exepção do branco (20€), a principal dificuldade com os vinhos do Domaine Méo-Camuzet, no fundo com os grandes vinhos da Borgonha, continua a ser o seu preço limitativo. Para mais informação sobre os vinhos deste produtor aceder ao Site Internet: www.meo-camuzet.com.
Méo-Camuzet Clos Saint Philibert Hautes Côtes de Nuits blanc 2004
Méo-Camuzet Chambolle-Musigny 1er Cru Feusselottes 2004
Méo-Camuzet Vosne-Romanée 2004
Méo-Camuzet Vosne-Romanée 2001
Méo-Camuzet Vosne-Romanée 1999
Méo-Camuzet Clos Vougeot Grand Cru 2004
Méo-Camuzet Clos Vougeot Grand Cru 2002
Méo-Camuzet Clos Vougeot Grand Cru 2000
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