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Le Grand Tasting

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Le Grand Tasting
Autor: Tiago Teles
Data: 12 de Fevereiro de 2006
Tema: Reportagem

O evento Le Grand Tasting decorreu nos dias 24 e 25 de Novembro de 2006 no ambiente especial do Carrossel do Louvre em Paris. A organização conjunta deste acontecimento esteve a cargo da dupla de críticos de vinho, Bettane&Desseuve, e da empresa Event International. O certame decorreu com o lema de “provar os melhores vinhos de França e do mundo, cruzando aqueles que o fazem”. E, realmente, o local vestiu-se a rigor para juntar alguns grandes nomes da indústria mundial do vinho que conseguiram, com os seus vinhos, expressar a capacidade que estes têm de, através do gosto, dos aromas, e da paixão de quem os faz, exprimirem uma emoção autêntica. 

Michel Bettane e Thierry Desseuve foram, durante vários anos, críticos da Revue du Vin de France tendo, analogamente, sido responsáveis pela publicação de inúmeros guias anuais sob a marca desta Revista. Em 2004 enveredaram por um projecto pessoal, novamente em simbiose, que se apoia num site Internet para difusão do seu relatório mensal, chamado TAST, e num futuro guia anual de vinhos franceses que, ao que tudo indica, iniciará a sua carreira durante 2007. A colaboração que mantêm com o jornal Le Monde e com a Revista Elle à table, e o recente lançamento do livro “Les plus grands vins du monde”, espelha a identidade e a personalidade dos dois autores, significando também um posicionamento claro na cena internacional, arrojo nunca antes empreendido por um crítico francês.

Além dos stands de cada produtor, o evento incluía diversas provas temáticas e ateliers de gastronomia (as provas temáticas, O génio dos grandes brancos da Borgonha, e O génio dos grandes tintos da Borgonha, farão parte de uma publicação à parte neste site). Foram mais de 200 produtores de topo mundial que responderam ao desafio, incluindo nomes sonantes franceses mas também doces surpresas vindas de Itália, Argentina, Chile, Austrália, entre outros. De Portugal surgiu o grupo Taylor que, a par de diversas iniciativas levadas a cabo na capital francesa, mostra ser um grupo português activo e reconhecido na cena gaulesa.

Porque em eventos desta dimensão é complicado contactar com tudo e com todos, a minha prioridade centrou-se em criadores de referência menos conhecidos do consumidor português, oriundos, em alguns casos, de zonas francesas menos mediáticas. A escolha seguinte representa o que de melhor provei e aqueles que, pela sua diferença e personalidade, justificam uma descoberta segura para os consumidores portugueses.

Clos de Fées – Roussillon – França
A descoberta da gama de vinhos produzida por Hervé Bizeul do Roussillon foi uma experiência intensa. Essa particular série abrange no currículo um vinho de garagem enigmático chamado La Petite Sibérie. Este nome irónico define uma parcela de vinhas velhas de Grenache localizadas numa área um pouco mais fresca deste Terroir banhado pelo sol. O seu corpo, de tal forma colossal, apesar de longo na expressão aromática, transporta-nos para um inesperado excesso de sensações tácteis “ainda” fora de moda. É um estilo muito próprio no panorama francês, apesar de mais familiar aos portugueses. São vinhos que transbordam uma paixão limite, excessiva, que baseia a sua interpretação numa componente aromática explosiva e compacta de fruta bem madura, e numa prova de boca carregada e possante. Mas, apesar desta magnitude, os vinhos conseguem o seu equilíbrio no medir de forças entre os diversos elementos estruturais do vinho. Inúmeros enófilos sonhariam com o percurso deste produtor. Inicialmente sommelier, Hervé Bizeul acabou mais tarde por deter um restaurante e por ser editor e jornalista, antes de se aventurar apaixonadamente no universo da produção de vinho.

Charles Joguet – Chinon – França
Na região de Chinon deparei-me com outra revelação, a do viticultor Charles Joguet. Este produtor, baseado no vale do Loire, dedica-se a elaborar tintos à base da original casta Cabernet Franc, detendo algumas das referências incontornáveis da região como o Clos de La Dioterie (2 hectares de vinhas octogenárias plantadas em solo argiloso calcário), o Clos du Chêne Vert e o Varenne du Grand Clos. Provei a gama completa de 2004 e 2005, que incluía um tinto oriundo de vinhas plantadas em pé franco, de numa fracção de 1 hectare plantada em 1982. Ambas as colheitas revelaram vincada personalidade e estrutura. Ainda é cedo para serem provados, mas o exemplar de 2005 do Clos de La Dioterie, oriundo de um ano de clima muito seco, mas sem calor excessivo na região, revelou uma estrutura e uma profundidade excepcional, apesar de alguma falta de fineza. Mas tudo indica estarmos perante uma colheita na região que fará história em termos de longevidade. Em parte devido à fermentação maloláctica efectuada na barrica, o Varenne du Grand Clos mostrou-se mais equilibrado e mais típico.

Clos de Tart – Borgonha – França
Este domínio lendário de Morey-Saint-Denis é conhecido por elaborar dos vinhos tintos mais completos da Borgonha. A excelente exposição solar da parcela Grand Cru Clos de Tart, pertencente exclusivamente a este proprietário, e um trabalho exemplar produzido na vinha, contribuem para a sua fama. Tanto a colheita de 2000 como a de 2004 revelaram um vinho da Borgonha moderno que, ainda assim, não perde a complexidade excepcional de uns taninos profundos e de uma textura fina. Este carácter táctil é um milagre.

Chateau de La Tour – Borgonha – França
Com 6 hectares de vinha em torno do Chateau de La Tour, este proprietário é o mais importante e representativo deste famoso Grand Cru Clos Vougeot. Localizado na famosa Cote de Nuits, entre as vilas de Dijon e Beaune, esta parcela Grand Cru Clos Vougeot tem cerca de 50 hectares divididos por 80 proprietários. Segundo a Revue du Vin de France, a cuvée Vieille Vigne iguala os grandes vinhos do domaine Romanée Conti. E, efectivamente, o VV 2004, apesar de alguma dificuldade na vinha com alguma podridão, devido às chuvas de Agosto, como nos explicou François Labet, proprietário deste domínio, provou ser um vinho de uma dimensão inesperada, especialmente pela profundidade e delicadeza de textura dos seus taninos, fazendo mesmo pensar estarmos perante algo interminavelmente sedoso.