A garrafeira Caves Legrand (http://www.caves-legrand.com/), situada em Paris, organizou no passado dia 6 de Março uma interessante vertical de Chateau Haut Bailly, um Grand Cru Classe de Graves (Bordéus). A apaixonante iniciativa surgiu inserida nas “Provas de Terça-Feira” organizadas por este belo espaço de referência em Paris. As condições e o ambiente de prova foram ideais e a apaixonante prova foi conduzida por Véronique Sanders, responsável pela gestão desta propriedade conceituada e muito apreciada pelos enófilos versados.
A prova iniciou-se com três colheitas do segundo vinho, La Parde de Haut Bailly 2004, 2003 e 2002, terminando com uma surpreendente vertical do primeiro vinho Chateau Haut Bailly 2004, 2003, 2002, 2001, 1998, 1978 e 1975. A sua história remonta ao começo do século Dezassete! Como tantas outras propriedades históricas da região, ela conheceu os seus altos e baixos. É já no final do século dezanove que as suas cotações atingem finalmente o nível dos Premiers Cru do Médoc. Em 1955 a família Sanders entra em cena, marcando um novo renascimento de uma propriedade que contava apenas com 10 hectares de vinha plantada. E, apesar da venda em 1998 ao americano Robert Wilmers, a propriedade continua a ser gerida pela família Sanders. Depois dessa aquisição, Robert Wilmers confere a gestão do domínio a Veronique Sanders, uma jovem entusiasta, discreta, detentora de um raro charme capaz de influenciar o estilo dos vinhos produzidos, situação que levou a própria a comentar “se Haut Bailly não ficou na família foi a família que ficou em Haut Bailly”.
Entre 1998 e 2001 a vinha e o solo foram estudados de forma meticulosa e pedagógica pelo Professor Denis Debourdieu. Cada parcela foi investigada ao detalhe, descobrindo-se então que o terroir de Haut Bailly reserva, na prática, um vasto mosaico de solos e condições ecológicas e climáticas que criam na propriedade diferentes tipos de micro terroirs. Actualmente a propriedade conta com 28 hectares de vinha plantada inteiramente consagrados às castas tintas. A topografia prenuncia uma colina elevada 48 metros da planície típica de Pessac-Leognan, beneficiando de uma drenagem crucial nesta zona de Bordéus onde a pluviosidade anual atinge em média os 850 mm, contra, por exemplo, os 620 mm sentidos na região do Alentejo. A origem dos solos mostra uma mistura de areias e pedras oriundas do período terciário, que formam um mosaico de características complementares, onde cada casta encontra o seu equilíbrio. O sub solo é especial, ostentando fósseis petrificados, situação que também contribui para o carácter mineral dos seus vinhos.
A distribuição de castas em Haut Bailly contempla 60% de Cabernet Sauvignon, 25% de Merlot e 10% de Cabernet Franc. A idade média das vinhas ronda os 35 anos mas um quarto dessa superfície atinge idades entre os 80 e 90 anos, um símbolo antigo dentro da apelação. Ainda existe uma parcela de vinhas misturadas, ao bom estilo de algumas vinhas velhas Durienses, que compreende castas como a Carmenère, o Malbec e o Petit Verdot.
O trabalho na vinha e na adega é orientado num espírito de autenticidade. Não existem regras ou receitas miraculosas. Cada colheita é uma colheita distinta e os vinhos devem reflectir o temperamento que a natureza reservou nesse ano – a técnica aplica-se ao serviço do vinho e não o contrário. A filosofia de vinificação é orientada à imagem duma estética do “nada em excesso”.
Depois de 1998, 50% da colheita é sistematicamente desclassificada para o segundo vinho que também ele usufrui de uma terceira marca para manter o seu nível admirável.
Raramente vistoso, antes refinado, de um equilíbrio supremo e de um charme absoluto, este vinho é quase sempre subavaliado na sua juventude. A sua "finesse" e sobriedade induzem em erro de apreciação, sobretudo num mercado faminto por jovens mais exuberantes, jovens mais excessivos e espampanantes.
Mas, à imagem de Véronique Sanders, os vinhos de Haut Bailly são um hino à elegância e à finesse, contendo um charme secreto muito especial, impossível de contextualizar por palavras. As colheitas de 2004, 2002 e 2001 são o reflexo dessa imagem enigmática, dessa sensação calma e harmoniosa que encerram dentro da sua alma durante a juventude. Enquanto as imensas colheitas de 1998 e 1978 espelham uma grandeza e uma dimensão inesperadas, confirmando a extraordinária capacidade que estes vinhos têm para vencer o passar dos anos, além da inteligência que têm para se reinventarem. São vinhos plenos de carácter, hábeis, maliciosos na juventude. Mas o que fica no nosso subconsciente é, invariavelmente, a memória de um grande vinho. Comovente a colheita de 1978, com os seus aromas a chá, flores e cedro…30 anos de vida, 30 anos de charme.
La Parde de Haut Bailly 2004
La Parde de Haut Bailly 2003
La Parde de Haut Bailly 2002
Château Haut Bailly 2004
Château Haut Bailly 2003
Château Haut Bailly 2002
Château Haut Bailly 2001
Château Haut Bailly 1998
Para mais detalhes consulte a página Internet: http://www.chateau-haut-bailly.com/
Em Portugal, poderá encontrar os vinhos do Chateau Haut Bailly no site: www.winept.com
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