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O génio dos grandes tintos da Borgonha

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O génio dos grandes tintos da Borgonha
Autor: Tiago Teles
Data: 12 de Fevereiro de 2006
Tema: Reportagem

O génio dos grandes tintos da Borgonha foi uma prova orientada pelo crítico de vinho francês, Michel Bettane, inserida no evento Le Grand Tasting que se desenrolou em Paris nos finais de Novembro de 2006. A degustação sucedeu a prova dedicada aos vinhos brancos já publicada no site da Nova Crítica-vinho. As referências incontornáveis no negócio de vinhos de qualidade na região da Borgonha voltaram a marcar presença por intermédio da Maison Joseph Drouhin, da Maison Louis Latour, da Maison Louis Jadot, do Domaine Bouchard Père & Fils e do Domaine Chanson.

Os tintos desta região são elaborados à base da imprevisível casta Pinot Noir. Para muitos vinificadores, alcançar um bom vinho à base desta casta é o coroar de uma carreira, mas também um ensaio misterioso. A prática tem indiciado que, muitas vezes, o Pinot Noir necessita mais de intuição e de sorte que propriamente de ciência. O seu local de eleição é a Borgonha onde, à diversidade do terroir, se associam práticas de vinificação próprias, colocadas ao serviço da expressão de estilos muito personalizados. O extraordinário é que, apesar do seu temperamento incerto, os tintos da Borgonha dão uma noção de simplicidade e de rusticidade. A explicação, além das próprias características do solo e da casta, é igualmente histórica. A maioria dos grandes domínios pertencia à Igreja antes de serem divididos na época napoleónica. A divisão foi tal que, actualmente, a Borgonha é a região mais fragmentada de França, com uma tradição vínica que remonta a uma época anterior ao cristianismo. Como seria de esperar, esta divisão cria alguma imprevisão. Se associarmos a esta irregularidade, preços, por vezes, demasiado elevados, ficamos a compreender a razão pela qual muitos consumidores não se aventuram por estas bandas setentrionais.

Como também não é difícil de compreender, a palavra Terroir encontra nesta região a sua maior legião de seguidores. Por isso, não é de estranhar que os exemplos extremos da especificidade de um Terroir venham da Borgonha, onde o outro lado da rua pode mostrar muitas caras. E, verdade seja dita, esta região tem sabido lutar contra a tendência da globalização, apostando na diversidade e defendendo alguns princípios seculares. A imagem de Hubert de Montille no filme Mondovino, é o espelho da perseverança de muitos produtores desta região. Mas, apesar desta defesa do Terroir, é importante não esquecer que na Borgonha o nome do produtor é tão importante como o da vinha…

Para dar uma noção da complexidade que esta zona encerra, existem cerca de 100 apelações controladas na Borgonha. A classificação da qualidade dos solos na principal faixa, a Cote d’Or (Cote de Nuits e Cote de Beaune), é a mais elaborada que se encontra no mundo. É o resultado de um trabalho desenvolvido pelo instituto Nacional de Apelações de Origem (INAO) baseado em classificações com mais de 100 anos. As vinhas são repartidas em quatro classes. Os Grand Cru constituem a classe mais importante, ostentando apenas o nome exclusivo da vinha. Os Premier Cru constituem a classe seguinte, com direito a utilizar o nome da comuna (concelho) seguido pelo nome da vinha. Depois seguem-se a denominação da comuna, ostentando o respectivo nome, e no final da hierarquia, os Borgonha genéricos.

A prova dos tintos, contrariamente à dos brancos, acabou por colocar a descoberto a personalidade incerta do Pinot Noir. Os vinhos oriundos da colheita de 2003 revelaram os sintomas de um ano particularmente quente que obrigou a iniciar as vindimas no final de Agosto. Apesar da completa maturidade que os produtores defendem ter alcançado nesse ano, um dos exemplares de 2003 revelou mais secura e desequilíbrio que complexidade e suavidade. Mas o mistério e o encanto destes vinhos surgiram com dois apaixonantes exemplares, o intrigante Gevrey Chambertin Premier Cru Clos Saint Jacques Louis Jadot 1998 e o raro e original Griotte Chambertin Grand Cru Joseph Drouhin 1999. Dois vinhos que libertaram uma complexidade aromática penetrante, deixando terra e cogumelos na memória, e uma textura de taninos admirável que continua sem equivalente no mundo. A aproximação com a seda ganha uma dimensão real. Escolher um tinto será sempre um ensaio difícil nesta região. Mas a associação do nome Grand Cru ou Premier Cru ao nome de um destes produtores é uma aposta segura e desafiante. E, olhando a interpretação dada por cada um dos produtores presentes ao branco e tinto que trouxeram para prova, diria que a Maison Louis Jadot e a Maison Drouhin ganham uma originalidade especial.

Maison Louis Latour Corton Grancey 2003
As vinhas que dão origem a este vinho têm uma média de idades de 23 anos. As vindimas são manuais e um processo de vinificação tradicional é utilizado, estagiando o vinho cerca de 18 meses em carvalho. O nariz é intensamente afável, carnudo, com distinta profundidade de fruto vermelho. Uma leve envolvência mineral associa-se a rosas, dando uma imagem arrebatadora do nariz. Na boca a entrada é equilibrada por uma acidez elegante. Os sabores são consonantes com a frescura sentida, deixando a evolução uma longa envolvência a fruta e fina textura de taninos. Sensual. 16.5

Domaine Chanson Beaune Bressandes Premier Cru 2003
A vinha, de dois hectares, onde é produzido este vinho, está situada numa parte superior de uma encosta voltada a este. A atípica colheita de 2003 revela muito do seu temperamento neste vinho. Na prova, a boa definição e soltura aromática, a lembrar frutos vermelhos, flores e laranja, deixam um rasto concreto na memória. A entrada, ligeiramente seca, consegue bom envolvimento e expressão de sabores. O final revela taninos com vontade de fugirem à estrutura apesar da boa riqueza de sabores a fruta e madeira. 15

Bouchard Pere et Fils Volvay Caillerets Ancienne Cuvée Carnot 1999
Os vinhos de Volnay são conhecidos por aliarem raça com feminidade, oferecendo um bouquet de aromas incomparáveis. O domaine Bouchard Pere et Fils é proprietário de 4 hectares nesta parcela de excepção classificada como Premier Cru, situada num solo constituído por uma camada argilosa calcária sobreposta sobre um fundo rochoso. Ao nariz, um fio profundo de fumo marca a expressão aromática que encontra boa profundidade de fruta. O perfil da prova de boca revela-se discreto, apesar do bom desempenho dos suaves sabores a fruta. No final renasce de forma surpreendente, assente numa estrutura de taninos cativante. 16

Maison Louis Jadot Gevrey Chambertin Premier Cru Clos Saint Jacques 1998
Apenas cinco proprietários partilham este prestigiado Clos Saint Jacques, uma parcela de vinha muito bem exposta a sudeste. Nariz maravilhosamente fresco e mineral, puramente cristalino. A complexidade surge progressivamente para se encaixar na memória com aromas a cogumelo e marmelo doce. Boca limpa, macia, mineral, amorosa. É um grande prazer sentir o longo comprimento e a textura sedosa no final de boca. Os aromas retro olfactivos são impressionantes. 17.5

Maison Drouhin Griotte Chambertin Grand Cru 1999
É o mais pequeno dos Grand Cru de Gevrey-Chambertin, são menos de 3 hectares de vinha. Esta dimensão torna-o quase uma raridade, enquanto a sua finura e a sua voluptuosidade ultrapassam, por vezes, a do seu conhecido vizinho, O Chambertin. A vinificação assenta numa fermentação longa e num estágio de cerca de 24 meses em madeira, da qual cerca de 30% é nova. Nariz complexo, harmonioso e encantador na forma como transporta para dentro da nossa memória sensações a cogumelo, couro e terra. A boca tem um perfil de evolução em leque, abrindo num final tão harmonioso que quase temos a sensação de fragilidade. Aromas persistentes e textura de taninos admirável libertam-se num longo final, saboroso, muito saboroso. 18