Fórum de Discussão Contactos

Últimos vinhos

arrow Bouchard Père & Fils Chassagne Montrachet 2006
arrow Brites de Aguiar 2006
arrow Casa de Santar Reserva branco 2007
arrow Casa do Lago Fernão Pires 2007
arrow Caves São João Reserva 2005
arrow Fiuza Premium Touriga Nacional / Cabernet Sauvignon 2006
arrow Fonseca 20 Anos (Engarrafado em 2007)
arrow Herdade de São Miguel Colheita Seleccionada 2007
arrow Hetszolo Tokaj Late Harvest 2006
arrow Muros Antigos Alvarinho 2007
arrow Pape 2006
arrow Poças Vintage 2005
arrow Quatro Caminhos Reserva 2005
arrow Quinta de Baixo Reserva branco 2006
arrow Quinta do Côro Cabernet Sauvignon 2005
arrow Quinta Vale da Raposa Tinto Cão 2004
arrow Remelluri Reserva 2003
arrow Terras de Lantano Albariño 2006
arrow Venâncio da Costa Lima Moscatel de Setúbal Reserva 2001
arrow Bacalhôa Moscatel Roxo 1998

O génio dos grandes brancos da Borgonha

divider
O génio dos grandes brancos da Borgonha
Autor: Tiago Teles
Data: 12 de Fevereiro de 2006
Tema: Reportagem

O génio dos grandes brancos da Borgonha foi uma prova orientada pelo crítico de vinho francês, Michel Bettane, inserida no evento Le Grand Tasting que se desenrolou em Paris nos finais de Novembro de 2006. Descobrir a forma como as principais casas borgonhesas conciliam a sua visão particular de um grande vinho com a expressão de um Terroir, foi o desafio proposto. Maison Joseph Drouhin, Maison Louis Latour, Maison Louis Jadot, Domaine Bouchard Père & Fils e Domaine Chanson, são referências incontornáveis no negócio de vinho de qualidade na região da Borgonha. A obra destes produtores reparte-se entre a gestão das diversas propriedades próprias e a compra de uva na região, representando, na base, uma actividade bem conhecida da maioria dos agentes de Vinho do Porto na região do Douro. A configuração parcelar das vinhas potencia produções pequenas e preços elevados. Por essa razão, nomes como Romanée Conti ou Leroy preenchem o sonho dos enófilos mas, na prática, poucos são os afortunados que têm a oportunidade de os provar. Quem efectivamente tem levado o gosto e o estilo dos grandes vinhos da Borgonha aos quatro cantos do mundo, tem sido este conjunto de produtores negociantes.

Com o objectivo de interpretarem os brancos de maior carácter que cada criador escolheu para o evento, estiveram também presentes os enólogos das cinco casas representadas nesta prova, a saber, Géraud Aurrendou (Domaine Brouchard Pere et Fils), Gilles de Courcel e Jean Pierre Confuron (Domaine Chanson), Jacques Lardière (Maison Louis Jadot), Véronique Boss-Drouhin (Maison Joseph Drouhin) e Louis-Fabrice Latour (Maison Louis Latour).

A base destes brancos é a famosa casta Chardonnay. O sumo desta uva é rico em açúcar não tendo, por essa razão, um perfume natural bem identificável como, por exemplo, o tem um moscatel. É ao longo da fermentação e da passagem por madeira que o vinho ganha progressivamente todo o seu carácter. Numerosas escolhas de vinificação são possíveis e legitimas nas distintas fases da sua elaboração, contudo, a dificuldade coloca-se quando existe uma "obrigação" de respeitar as diferenças de cada Terroir. A zona de excelência dos brancos da Borgonha situa-se em torno da vila de Beaune, na denominada Cote de Beaune. Os solos na Borgonha são resultado da sobreposição de camadas marinhas ricas em cálcio, acumuladas durante várias épocas geológicas. A erosão criou texturas distintas, enquanto as diferentes inclinações do terreno potenciaram a mistura de terras em proporções diferentes. Por exemplo, na Cote de Beaune, a rocha calcária é coberta por uma base de mármore, ou seja, uma mistura argilosa calcária. As comunas mais conhecidas na Cote de Beaune são Chassane-Montrachet, Puligny-Montrachet, Mersault, Volnay, Pommard e Aloxe-Corton.

É interessante notar que três dos cinco produtores tenham escolhido brancos com cerca de seis anos de idade para a demonstração. Um facto que não se estranha quando ouvimos falar Jacques Lardière, o enólogo chefe da casa Louis Jadot, defendendo que os grandes brancos desta região se exprimem melhor a partir do décimo ano de vida. Além disso, a resposta que forneceu a uma questão é reveladora da personalidade de alguns intervenientes desta região: Será possível que um vinho idealizado para viver longos anos em garrafa possa estar pronto a beber nos primeiros anos de vida? Entre outras explicações, ele avançou com a seguinte afirmação: “É impossível engarrafar a perfeição. Essa só se alcança com o passar dos anos...”. Sem dúvida, uma postura corajosa numa era comercial onde o segredo passa pela prontidão.

O nível dos brancos apresentados foi alto. Todos eles revelaram um cunho mineral muito próprio e cristalino. Os melhores associam um lado floral e complexas sensações a fruto seco. Na prova de boca, a evolução corrente revelou uma estrutura de sabores espessa e untuosa, apoiada no fruto seco, que abraça o paladar de forma suave e distinta. Em todos os vinhos provados, o final de boca é marcadamente fresco e mineral, com carácter, servindo quase de contraponto à consistência inicial sentida. Em síntese, são vinhos que aliam untuosidade com uma viva acidez, situação que os torna quase unânimes ao paladar de qualquer consumidor. Os brancos desta região conseguem, porventura, serem mais consensuais que os renomeados tintos. Não tenha receio – dentro da gama destes negociantes encontrará seguramente brancos que o surpreenderão.

Joseph Drouhin Beaune Premier Cru Clos des Mouches 2002
A propriedade que dá origem a este intrigante Clos des Mouches é preenchida por uma vinha com exposição sul. Reza a história que este local era escolhido pelas abelhas das redondezas para armarem as suas colmeias, razão pela qual, a parcela adquiriu o nome “Mouche”, um nome também utilizado para referir as abelhas. O solo, constituído por uma parte de pedra solta, produz nestes 6 hectares e meio um vinho branco bastante fino e elegante, resultante de uma cuidada selecção de uvas da casta Chardonnay. Em prova, o nariz é mineral, muito mineral na sua profundidade. No fundo sente-se a constituição de uma matéria gorda com tostados, flores e fruto seco. Boca impressionante, cheia, envolvente, viva. A intensidade mantém força por dilatado tempo, terminando num longo final, bem limpo pela mineralidade. 18

Louis Latour Corton-Charlemagne Grand Cru 2000
Corton-Charlemagne é a única parcela de vinha na Borgonha a ostentar o nome de dois imperadores : Curtis d’Orthon (mais tarde evoluindo para Corton) e o seu sucessor Carolus Magnus Charlemagne. A casa Louis Latour detém neste Terroir uma parcela de 9 hectares, bem exposta a meio de uma encosta com orientação sudeste. Na filosofia defendida pelo produtor, as uvas são vindimadas o mais tarde possível de forma a garantir uma maturação ideal dos açucares. No copo, o tempo de abertura liberta forte e profundo mineral a par de sensações a pastelaria e leve floral. Boca rica, forte, acabando por revelar algum desequilíbrio na evolução aromática. O final renasce num longo comprimento. 16

Louis Jadot Puligny Montrachet 1er Cru Clos de la Garenne 2000
Criado em 1859, a casa Louis Jadot controla cerca de 140 hectares repartidos por numerosas apelações. O respeito pelo Terroir é a palavra de ordem. Neste espírito, os rendimentos são limitados e as vindimas efectuadas à mão. Além disso, qualquer que seja a fase de trabalho, a intervenção do homem é abreviada ao mínimo indispensável para dar a possibilidade ao vinho de expressar as suas particulares. Este vinho é oriundo do mítico Domaine Duc de Magenta. A expressão aromática vai buscar muito à vinificação, através dos seus aromas a fruto seco, amêndoa, e pão cozido. Um toque a vegetal seco confere-lhe originalidade. Boca dinâmica, muito viva, cristalina. O final interminável junta dois mundos opostos, o da frescura mineral e o da espessura gorda de sabores. Muito apetecível. 17.5

Bouchard Père & Fils Chevalier-Montrachet Grand Cru 2000
O Chevalier-Montrachet é produzido numa parcela delimitada, situada na comuna de Puligny-Montrachet. A origem do nome remonta à idade média, aquando da transmissão desta parcela pelo Seigneur de Puligny ao seu filho primogénito, o Chevalier. A vinha, com uma extensão aproximada de 7 hectares, está situada no início do monte Rachet, num terroir inclinado e muito calcário. Hoje em dia a família Bouchard explora 2,56 hectares nesta apelação. O nariz é surpreendentemente floral, solto. Nas profundezas, encontramos mineral e manteiga. Boca muito harmoniosa, conjugando frescura e doçura num cenário de aromas que lembram flores numa manhã fria. Diferente? Seguramente… 17.5

Domaine Chanson Corton Vergennes 2004
Pertença do grupo Bollinger desde 1999, o domínio continua o seu desenvolvimento assente na autenticidade e no valor do terroir. Chanson é o principal proprietário, conjuntamente com os Hospices de Beaune, de uma pequena parcela de vinha de Corton Vergennes, situada numa parte da colina de Corton com exposição este. Nariz de cariz mineral, indo também no sentido de notas fumadas. Flores e boas anotações tostadas completam a sua amplitude. Boca espessa, elegante, evoluindo calmamente na direcção de um final fresco que consegue preservar a acidez e a diferença do cariz mineral. 16.5