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Visita à Dão Sul

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Dão Sul
Autor:Tiago Teles
Data: 11 de Abril de 2005
Tema: Reportagem


A Dão Sul é uma empresa irreverente, ambiciosa. Em 1989 a confiança de três jovens levou à criação de uma sociedade com base na Quinta de Cabriz, situada em Carregal do Sal, em plena região do Dão. Este irreverente passo demonstrou a ideologia lutadora deste projecto - decidira-se investir numa propriedade a sul do rio Dão, de potencial discutível, normalmente associada a vinhos de menor qualidade. Reconvertidas as vinhas antigas, realizadas novas plantações, a empresa evoluiu, passo a passo, para a consolidação, bem visível na construção em 1998 de um grande complexo vinícola que conjuga produção e turismo. A aposta estava ganha. Outras seguiram-se, nomeadamente no Douro (Quinta Sá de Baixo e Quinta das Tecedeiras), na Bairrada (Quinta do Encontro), na Estremadura (Quinta do Gradil), no Alentejo (Monte da Cal) e no nordeste do Brasil (Rio Sol) - denominadas regiões unidas.

De forma natural surgiram também singulares "joint ventures" com produtores de renome mundial. A primeira, Dourat, é uma conjugação das palavras Douro e Priorat, esta última uma famosa região vinícola situada na Catalunha. Por outras palavras, Dourat é metade português, metade catalão, contribuindo a parte portuguesa com a Touriga Nacional, e a parte espanhola com a casta Cariñena, uma casta que se aclimatizou maravilhosamente bem na difícil região do Priorato. A segunda parceria em vista promete criar idêntico furor, chamando-se Pião, junção feliz entre as palavras Piemonte e Dão. Situada entre o Mediterrâneo e os Alpes, no noroeste da Itália, a região do Piemonte produz um amplo espectro de vinhos de uvas locais, com destaque para os austeros e potentes Barolo e Barbaresco, elaborados à base da misteriosa casta Nebbiolo.

Carlos Lucas, enólogo e sócio da empresa, recebeu-nos bem cedo no complexo vinícola da Dão Sul em Carregal do Sal. A visita começou na adega, dotada de ampla infra-estrutura, destacando a apelativa e espaçosa sala de prova que recria um ambiente histórico - os cascos de carvalho, as garrafas em estágio, perdidas no tempo, o clima fresco típico de uma cave, as traves em madeira, tudo serve para enaltecer esse espírito. A conversa fluía naturalmente. Um imponente portão de ferro dá acesso a um corredor sombrio, longo, ladeado por garrafas empilhadas, sem rótulo, que mantêm o vinho numa aparente serenidade. Ao fundo, escondido no espaço e no tempo, surge uma ante câmara isolada, lugar especial que salvaguarda o historial de vinhos que a empresa produz ao longo dos anos - o carinho por este espaço é evidente. Daqui saiu um ainda vigoroso Quinta de Cabriz Branco 1998 que mais tarde acompanhou o almoço.

Chegados ao final do "labirinto", percorremos em sentido inverso a serenidade dos corredores. A sala de prova dá acesso à unidade moderna de vinificação que dispõe de barricas em carvalho, laboratório, prensas pneumáticas, depósitos de fermentação em inox de capacidades múltiplas, permutador e central de frio/calor. Um mundo de aspecto tecnológico que permite ao enólogo idealizar os seus vinhos. O recurso a fermentações separadas para cada casta é defendido com afinco pelo pragmático Carlos Lucas. No seu entender, essa opção enológica garante resultados finais superiores, apesar de, por vezes, complicar a gestão das uvas no período que medeia entre a vindima e a fermentação. Resumindo, apenas conhecendo o desempenho de cada casta em separado é possível lotear com sucesso.

Saímos do edifício central em direcção a um pavilhão cercano. Um enorme armazém serve de base às tarefas de engarrafamento, rotulagem e acondicionamento de caixas preparadas para expedição. O trabalhar incessante desta "linha de montagem", mecanizada, de aspecto industrial, impressiona qualquer visitante prevenido. O rápido rodopiar por centenas de caixas empilhadas permitiu constatar algo caricato - para nossa surpresa, uma encomenda emparelhada com destino à Bélgica transparece uma distribuição de caixas marca Rio Sol, oriundas do Brasil, superior em número às caixas de vinho nacional!.

A descrição feita por Carlos Lucas do projecto brasileiro aponta o caminho do sucesso. Mais uma vez a irreverência do grupo manifestou-se ao decidirem investir no nordeste brasileiro, num local de duvidoso potencial vinícola. Devido à estabilidade climatérica e à riqueza do solo as videiras proporcionam duas colheitas por ano. O trabalho de gestão da videira através de rega e controlo de folhagem encarrega-se do resto, permitindo que independentes talhões dêem uva em diferentes meses. De certa forma, existe uma máquina continua de produção que garante colheitas durante quase todo o ano. A imagem da garrafa aproxima a perfeição garantindo, ao mesmo tempo, a exploração da exótica marca Brasil nos mercados globais. O vinho de 2003 que provámos (não sabemos de que meses...), era bastante agradável.

Seguiu-se a prova de alguns vinhos - pragmatismo e ambição são as palavras de ordem. Aqui os vinhos são elaborados com rigor, com sentido democrático, porque é importante que cheguem ao maior número de consumidores possível. A imagem cuidada dos rótulos e a boa relação qualidade/preço das diversas marcas reflecte, na perfeição, a postura idealizada por este produtor. O projecto consolida-se ano após ano, abrindo igualmente espaço à inovação. 2003 reserva três vinhos exclusivos de elevado potencial: Quinta de Cabriz Pé Franco (Dão), Quinta de Cabriz Four C (Dão) e Encontro I 2003 (Bairrada). O primeiro emana exotismo e exuberância, o segundo coloca-se no topo da hierarquia desta casa, por fim, o terceiro rompe com o perfil tradicional na Bairrada. O nome Four C faz alusão aos quatros sócios/colaboradores da Dão Sul, a saber, Carlos Lucas, Carlos Moura, Carlos Rodrigues e Casimiro Gomes. A sua constituição é mantida em segredo, sabendo-se apenas que cada sócio escolheu isoladamente uma casta do lote.

O almoço apetitoso, servido no restaurante da Quinta, foi bem vindo. Terminámos a visita com um singular passeio à histórica Vila de Santar, onde tomámos contacto com o novo "cartão de visita" da empresa - um lindíssimo solar no centro de Santar que funcionará como Hotel de Charme. Visitámos as recentes plantações na zona que darão origem a uma "polémica" marca denominada Paço de Santar. Muito ficou por visitar, especialmente as vinhas da Quinta de Cabriz. Mas uma coisa é certa, sem dúvida que vale a pena conhecer o universo abrangente e ambicioso deste produtor.

Dão Sul - Sociedade Vitinícola SA
Apartado 28
3430-909 Carregal do Sal

Bairrada Sul - Sociedade Vitinícola SA
Rua Elpidio Martins Semedo, Ferreiros
3780-473 Anadia

Encostas do Douro - Sociedade Vitinícola SA
Lugar de Sobre a Fonte
5040-532 Sedielos

Carlos Lucas / Catarina Simões
Tel: 351 232 960 140
Fax: 351 232 961 203
email: regioesunidas@daosul.com
www.daosul.com

 

 

Dados sobre o Produtor
 
Contactos: Apartado 15, 5031 Santa Marta de Penaguião; Fax: 259 372 440
Património: Quinta da Gaivosa; Quinta do Vale da Raposa; Quinta da Estação; Quinta das Caldas.
Dados naturais: 101 ha vinha plantada.
Enólogo: Anselmo Mendes.
 
Vinhos
 
Brancos: Quinta da Estação; Quinta do Vale da Raposa.
Tintos: Quinta da Estação; Quinta das Caldas; Quinta do Vale da Raposa; Domingos Alves Sousa monocastas (Touriga Nacional; Tinta Roriz; Tinto Cão; Tinta Barroca); Duetos Quinta da Estação; Quinta da Gaivosa; Quinta do Vale da Raposa Grande Escolha; Reserva Pessoal.