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Entrevista com Mário Sérgio Alves Nuno (Quinta das Bágeiras)
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Arnaud



Registrado: Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2007
Mensagens: 134
Localização: Parede

MensagemEnviada: Qui Fev 04, 2010 3:09 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Mário Sérgio,

Sou fã do seu branco Garrafeira, um vinho com muito carácter, um grande branco portugês.

Quais são as características respectivas das castas Bical e Maria Gomes?
Tenho a sensação que o carácter bairradino vem da Bical. Será errado ver as coisas assim?
E quais são os terrenos onde se dão melhor na Bairrada?
Tenciona voltar a fazer monocastas?
Não usa Arinto ou Cercial? Porque?

Acho que a casta Bical é uma das grandes castas brancas portuguesas mas encontra-se principalmente na Bairrada e no Dão. Tem uma explicação para o facto de não ser mais difundida? É uma casta difícil de trabalhar na vinha? Porque resulta melhor na Bairrada do que no Dão?

A casta Maria Gomes/Fernão Pires é muito difundida no Ribatejo, Estremadura e nas Terras de Sado, mas sem nunca resultar em grandes vinhos (que eu saiba). Será que se exprime melhor na Bairrada por causa das condições de solo ou de clima mais adequadas da região? Ou será que a casta é injustiçada por não ser suficientemente bem trabalhada? Acha possível fazer um grande Maria Gomes?

Quais são os seus Bageiras Garrafeira branco preferidos? E recomenda de os guardar quanto tempo?

Obrigado

Arnaud
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Spice Girl



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
Mensagens: 6060
Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Qui Fev 04, 2010 3:38 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Mário Sérgio

Obrigada por ter aceite o nosso desafio e pela sua disponibilidade por participar nesta entrevista.

Aqui ficam algumas questões:

1 - Diz numa resposta anterior que os vinhos da Bairrada, e consequentemente os seus, são vinhos fundamentalmente gastronómicos, pois só aí revelam todo o seu esplendor.
Frequentemente diz-se que normalmente os vinhos de uma dada região emparelham bem com os pratos dessa região, embora tal afirmação não seja consensual.
Considera que os vinhos da Bairrada e os pratos da sua gastronomia regional fazem uma boa combinação?

2 - Que pratos sugere para alguns dos seus vinhos e que considera que são óptimas combinações?

3 - Qual é a sua opinião quanto à forma como os vinhos são tratados na restauração?

4 - É gratificante trabalhar para o consumidor português?
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"Inquisitiveness was a key feature." Heston Blumenthal
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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
Mensagens: 1102
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MensagemEnviada: Qui Fev 04, 2010 4:26 pm    Assunto: Responder com Citação

Olá Mário Sérgio,

Bem sei que os tempos são outros, mas não resisto a trazer à baila as sábias palavras de António Augusto de Aguiar, concretamente um excerto das suas famosas "Confererências sobre Vinhos". Passo a transcrever:

"A Bairrada, como já referi, tem como a Beira Alta uma casta predilecta. É a baga, refractaria ao oidium e a todas as influencias atmosphericas. A baga, porém, é uma casta de qualidade inferior. Podia tirar-se d'ella mais algum partido, se fosse vindimada no tarde, mas, como isto não succeda, quasi sempre entra para o lagar sem estar bem madura. Se o amor do vinhateiro continuar como até aqui, por esta cepa, não está longe a época em que os vinhos da Bairrada se façam de uma casta só."


E em função do exposto, não resisto a perguntar-lhe:


1- O aquecimento global, que tão nefasto está a ser para certas regiões meridionais, não pode estar a servir de âncora para que aumente a frequência de uvas da casta Baga com níveis de maturação muito mais aptos à produção de grandes vinhos?

2- E, por contraponto, já sentiu que esse aumento das temperaturas pode estar a beliscar os níveis de acidez (na prática frescura) dos vinhos brancos bairradinos?

3- Os tempos mais recentes vieram contrariar a visão de monodependência ampelográfica vaticinada por António Augusto de Aguiar: o exemplo mais flagrante será, porventura, o do produtor Campolargo. Como olha para a diversidade de castas que invadiu a Bairrada e está na origem de vinhos de perfil pouco tradicional?

4- O local e o tempo não são os mais apropriados para debater o tema mas, é com alguma perplexidade que vejo a lenta extinção dos famigerados Bairrada "puro e duros". Uma vez que muitos dos produtores regionais se renderam ao chamado gosto do consumidor, pergunto-lhe se vai manter-se fiél ao respeito pela tradição ou admite render-se ao mercado?


Um grande abraço e... até já!

Pedro
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Paulina Mata
Pedro Gomes


Editado pela última vez por Pedro Gomes em Qui Fev 04, 2010 5:58 pm, num total de 1 vez
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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
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MensagemEnviada: Qui Fev 04, 2010 5:06 pm    Assunto: Responder com Citação

Olá Mário Sérgio,

Porque o dead line está próximo, aí vão mais duas ou três perguntas, não sem antes fazer uma breve introdução aos vinhos de dupla fermentação:

Tirando dois ou três produtores, confesso que não sou grande adepto dos espumantes nacionais. Na esmagadora maioria dos casos falta-lhes o carácter autolítico, um atributo que segundo os franceses faz toda a diferença entre Champagne... e os outros.

Serve isto de introdução para as perguntas que se seguem:

1- Há neles alguma robustez mais vincada (não seria muito diferente de dizer que lhes falta alguma finura) mas, mesmo sendo mais difíceis no estilo, reconheço que os seus espumantes emanam alma, garra... personalidade. E, mais do que para aperitivo, são vinhos para comida. Como reage o mercado nacional a um estilo de espumante menos "óbvio"?

2- Não coloca a hipótese de vir a apostar no plantio de Chardonnay e/ou Pinot Noir para tentar reproduzir o estereótipo de Champagne?

3- É possível sugerir dois ou três acompanhamentos para os seus espumantes?

4- Tenho muita dificuldade em estabelecer "amizade" com os espumantes tintos. Em boa verdade o meu palato não gosta da associação entre bolhinhas e taninos. Será uma falha minha? À mesa, há forma de contrariar esta impressão? O que me propõe para ultrapassar esta dificuldade?


Um grande abraço e... até já!

Pedro
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Editado pela última vez por Pedro Gomes em Qui Fev 04, 2010 5:52 pm, num total de 1 vez
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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
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MensagemEnviada: Qui Fev 04, 2010 5:43 pm    Assunto: Responder com Citação

Olá Mário Sérgio,

Uma vez que as respostas podem prolongar-se até ao fim-de-semana, vou esticar-me para mais uma ou duas questões. E vamos avançar para vinhos brancos.

1- Salvo raríssimas excepções, sou dos que defende que Portugal nunca será um "paraíso" para apreciadores/conhecedores de vinho brancos. Mais, nunca fui um grande fã da casta Maria Gomes (também conhecida por Fernão Pires noutras latitudes). Mas, isso não invalida que não dê a "mão à palmatória" perante o seu "Quinta das Bágeiras Maria Gomes 1994", recentemente saído em formato magnum. Que vinho é esse? Intencional? Uma sorte da natureza? Há mais alguma colheita na calha? Em termos de prova, como era esse vinho à nascença?

2- Julgo que é unânime no meio enófilo o elogio perante o seu "Quinta das Bágeiras Garrafeira Branco", fruto de um blend entre as castas Bical e Maria Gomes. O que é que cada uma das castas contribui para o lote final? Para além da sua forte propensão para acompanhar queijos, que mais se lhe pode associar à mesa?


Um grande abraço e... até já!

Pedro
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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
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MensagemEnviada: Qui Fev 04, 2010 6:50 pm    Assunto: Responder com Citação

Olá Mário Sérgio,

Tornou-se recorrente dizer que a Touriga Nacional é a melhor casta portuguesa. Confesso que tenho algumas reservas face a uma posição tão peremptória. E, se há casta que me leva a questionar esse ponto de vista, a Baga é seguramente uma delas.

Mais, sou constantemente fustigado com algo do género: A Bairrada não vende, a casta Baga é só taninos e acidez, aquilo não tem fruta, mais ríspido não podia haver. And so on...!

Ora, acontece que a minha experiência pessoal vai noutro sentido. Passo a explicar: a casta Baga é uma presença frequente nos meus cursos e, uma vez realçadas as virtudes da casta, são poucos aqueles que adoptam uma posição de rejeição. Muito pelo contrário...


E, face ao exposto, sou assolado por uma ou duas inquieações:


1- Estarão os produtores da região e a respectiva comissão vitivinícola a passar a "mensagem" adequada?

2- Será que distribuidores e retalhistas estarão a seguir estratégias de comunicação adequadas ao produto "Baga"?

3- No momento em que "escrevinho" este texto, confronto os seus "Quinta das Bágeiras Garrafeira", nas versões 2003 e 2005. E, contrariamente à versão de 2003, constato que o 2005 integra 20% de Touriga Nacional. Alguma razão especial para isso? Essa opção é para manter ou foi meramente circunstancial? No futuro, vai optar por editar as duas versões?


Um grande abraço e... até já!

Pedro
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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
Mensagens: 1102
Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Qui Fev 04, 2010 7:24 pm    Assunto: Responder com Citação

Olá Mário Sérgio,

Podem parecer questões menores mas, se calhar...?!


1- Qual o tipo de copo mais indicado para provar e/ou beber os seus "Quinta das Bágeiras Garrafeira Branco"? São brancos que beneficiam com decantação ou o copo correcto é suficiente?

2 E nos tintos "Quinta das Bágeiras Garrafeira"como é que é? Quanto tempo de decantação? E a temperatura ideal de consumo? E com que pratos poderemos realçar esses vinhos?

3- Julgo que é inquestionável o "novo folgo" que Luís Pato trouxe à Bairrada (às vezes Beiras), sobretudo a partir de 1995. Imagina-se a fazer um Baga mais dócil, porventura com desengalce e com recurso a madeira nova? Porquê?


Um grande abraço e... até já!

Pedro
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frexou



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
Mensagens: 1202
Localização: Porto

MensagemEnviada: Sex Fev 05, 2010 12:15 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Mário Sergio,

Vou colocar umas questões um pouco mais light, depois da resma de questões complexas que aqui tem para responder!

1 - Qual o vinho das Bageiras que melhor liga com o Leitão?


Como a Borgonha é uma região que respeita muito...:

2 - Porque não planta Chardonnay nas suas vinhas?

3 - Touriga Nacional, porquê? A Baga não lhe permite fazer o que pretende? Acredita que um vinho de Touriga Nacional possa envelhecer e evoluir com nobreza, tal como a Baga?



um forte abraço e espero vê-lo em breve, na Fogueira é claro!


Venho editar o meu post pois não reparei que nas 16 perguntas do Pedro Gomes está uma pergunta semelhante à minha nº3...
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Um abraço
Paulo Silva
http://vinhodacasa.blogspot.com
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goncas



Registrado: Quinta-Feira, 16 de Junho de 2005
Mensagens: 303
Localização: Carcavelos

MensagemEnviada: Sex Fev 05, 2010 8:24 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Mário Sérgio,

Espero ainda ir a tempo….

Antes de mais obrigado pela coragem e perseverança de manter um rumo e uma “forma de fazer o vinho”, ao longo de mais de 20 anos, sem alinhar (muito) pelos facilitismos de “estar na moda”. Por exemplo, o Bageiras Colheita Branco (que por sinal tem um excelente preço) também não tem estado muito alinhado com o perfil dos brancos neste segmento (tem uma fruta menos evidente, é seco e tem um acidez elevada quando comprada com o perfil actual (fruta exuberante, uma certa doçura na boca e um final de boca marcado por uma acidez “mais macia”). Eu agradeço, que gosto dele assim e ainda mais pelo PVP que tem (<4 €) Smile Smile

1. Referiu a freguesia de Ancas como uma localização privilegiada para vinhos tintos. Tenho ideia das “vinhas do Garrafeira” estarem lá localizadas, mas gostava de perguntar se a “Baga” no Garrafeira vêm só de uma vinha/parcela ou de diferentes parcelas?

2. Em tempos, creio que chegou mesmo a fazer uma “experiência” de “Colheita Tardia”. Pensa voltar a repetir? (Não me importava nada de conhecer o “brinquedo” ;-))

3. Sendo um “produtor/engarrafador” tem de desdobrar-se nas tarefas de gestão da vinha, adega, armazém, área comercial, eventos, etc. Se existir, qual é a área que lhe dá mais satisfação?

4. Como vê o desempenho da Estação Vitivinícola de Anadia? Tem contribuído para ajudar os produtores da região? Em quê?

5. Correntemente é comum questionar-se a longevidade dos vinhos actuais e há quem defenda que, em geral, mesmo os “topos de gama” são para ser bebidos “novos” 3-5 anos. Partilha desta opinião?

6. A Tendência do mercado tem sido de colocar e consumir os vinhos cada vez mais cedo. Acredita que esta tendência se vai manter ou tem a perspectiva que a guarda e o “envelhecimento” na garrafeira vão voltar a ser valorizados pelo “mercado”?

7. O portfolio dos vinhos da Quinta das Bageiras tem-se mantido mais ou menos constante ao longo dos anos: tinto (colheita, Reserva Garrafeira), Branco (Colheita e Garrafeira), Espumantes (Reserva, Super e Grande Reserva), se não estou em erro. Castas: Nos tintos essencialmente Baga + TN para temperar e Bical e Maria Gomes (Porventura com uns pozinhos de Cerceal aqui ou acolá ?). Tudo debaixo da marca “Quinta das Bageiras”. Entendo que quanto menos se “confundir o consumidor”, melhor. Mas a "Quiinta da Bageiras" dispõe de diferentes parcelas localizadas em locais distintos e sendo um “adepto” do vinho de terroir, não faria sentido as Bageiras terem vinhos identificados por essas parcelas?

8.Nos tempos "áureos" as “Caves da Bairrada” produziram muitos vinhos do Dão e da Bairrada. Inspirado nesta tradição, imagina-se a produzir um “BaiDão"?

9. Em tempos existiu o “Grupo do 8” na Bairrada (Penso que já não existe, ou pelo menos já não engarrafam com esta marca). O objectivo deste “movimento” não seria propriamente promover conjuntamente os vinhos do grupo, mas não considera que existe uma certa falta de “massa-crítica” nos produtores da região e que estes se deveriam organizar para dinamizar comercialmente os seus vinhos?

10. Como imagina o projecto “Quinta das Bageiras” daqui a 10 ou 15 anos?

Obrigado por ao longo destes anos ter”perdido “algum tempo” a conversar e ajudar-me a compreender as idiossincrasias da região.
Saudações enófilas,
_________________
Saudações enófilas,

Nuno Gonçalves
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Eduardo Silva Santos



Registrado: Quinta-Feira, 1 de Setembro de 2005
Mensagens: 413
Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Sáb Fev 06, 2010 6:00 pm    Assunto: Responder com Citação

Já que tem algumas questões por responder vou aproveitar para esclarecer uma duvida.

Já por diversas vezes ouvi entendidos compararem a Bairrada com "Italia". Ora, quando ouvia estas comparações vinha-me à cabeça o Brunello (talvez porque era o que melhor conhecia e sabia da sua longevidade). Mais recentemente (inclusivé numa prova consigo), percebi que pelos vistos, a ser comparável, será mais com Barolo. Gostava de perceber melhor esta comparação mais piemontesa. É a casta ? Clima ? Solo ? Produção ?


Agradeço este tempo connosco. Parabéns pelos excelentes vinhos.
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mario sergio



Registrado: Quinta-Feira, 21 de Janeiro de 2010
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Dom Fev 07, 2010 7:08 pm    Assunto: Responder com Citação

joels.carvalho escreveu:
Mário Nuno, é um prazer fazer-lhe as seguintes perguntas:

Arrow Como produtor antigo nessa região, conhece bem os pontos fracos e fortes da casta Baga. O que levará tanto produtor a desistir da casta Baga? Ou ainda, se fosse no seu caso, que motivo lhe levaria a fazer isso?

Alguns produtores desistem da casta baga, e bem, porque não a têm instalada no sitio mais correcto. Outros vão pela via mais facil, influenciados por uma moda em outras castas, pagas por alguns agentes economicos de forma mais elevada. A mim, o que me levaria a substitui-la, sería somente a primeita razão que invoquei. Contudo não significa que não veja em outras castas grande potencial.

Citação:
Arrow Sabemos que a casta Baga produz vinhos muito taninosos e vegetais, logo necessitam de estagio prolongado em garrafeira. Isso trás grandes prejuizos, visto o vinho estar "parado" na adega ou cave. Como consegue gerir todo esse stock ao longo dos anos? Tem tido mais vantagens ou desvantagens com esse procedimento? Qual a sua opinião sobre aqueles produtores que têm "pressa" em escoar o vinho para o mercado, mesmo quando o mesmo precisa de tempo, para que possa dar uma boa prestação no futuro (?)

Uma grande empresa não se constroi num dia.
Um grande vinho também não. Por isso, dimensionei a minha empresa numa perspectiva de qualidade.
Cada produtor define a sua estratégia. A minha, obriga-me a algum esforço financeiro, abdicando do lucro imediato.


Citação:
Aguardo Wink
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mario sergio



Registrado: Quinta-Feira, 21 de Janeiro de 2010
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Dom Fev 07, 2010 7:11 pm    Assunto: Responder com Citação

mario sergio escreveu:
joels.carvalho escreveu:
Mário Nuno, é um prazer fazer-lhe as seguintes perguntas:

Arrow Como produtor antigo nessa região, conhece bem os pontos fracos e fortes da casta Baga. O que levará tanto produtor a desistir da casta Baga? Ou ainda, se fosse no seu caso, que motivo lhe levaria a fazer isso?

Alguns produtores desistem da casta baga, e bem, porque não a têm instalada no sitio mais correcto. Outros vão pela via mais facil, influenciados por uma moda em outras castas, pagas por alguns agentes economicos de forma mais elevada. A mim, o que me levaria a substitui-la, sería somente a primeita razão que invoquei. Contudo não significa que não veja em outras castas grande potencial.

Citação:
Arrow Sabemos que a casta Baga produz vinhos muito taninosos e vegetais, logo necessitam de estagio prolongado em garrafeira. Isso trás grandes prejuizos, visto o vinho estar "parado" na adega ou cave. Como consegue gerir todo esse stock ao longo dos anos? Tem tido mais vantagens ou desvantagens com esse procedimento? Qual a sua opinião sobre aqueles produtores que têm "pressa" em escoar o vinho para o mercado, mesmo quando o mesmo precisa de tempo, para que possa dar uma boa prestação no futuro (?)

Uma grande empresa não se constroi num dia.
Um grande vinho também não. Por isso, dimensionei a minha empresa numa perspectiva de qualidade.
Cada produtor define a sua estratégia. A minha, obriga-me a algum esforço financeiro, abdicando do lucro imediato.


Citação:
Aguardo Wink
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mario sergio



Registrado: Quinta-Feira, 21 de Janeiro de 2010
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Dom Fev 07, 2010 7:38 pm    Assunto: Responder com Citação

Arnaud escreveu:
Caro Mário Sérgio,

Sou fã do seu branco Garrafeira, um vinho com muito carácter, um grande branco portugês.

Quais são as características respectivas das castas Bical e Maria Gomes?
Tenho a sensação que o carácter bairradino vem da Bical. Será errado ver as coisas assim?
E quais são os terrenos onde se dão melhor na Bairrada?
Tenciona voltar a fazer monocastas?
Não usa Arinto ou Cercial? Porque?

O caracter Bairradino vem do terroir e do clima, porque estas castas (como todas) em outras regiões têm um comportamento diferente.
Neste caso, a Bical transmite-lhe maior estrutura e a Maria Gomes mais delicadeza e aroma.
Dependendo do objectivo pretendido, estas castas poderão ter comportamentos diferentes e ao mesmo tempo de grande qualidade.
No caso dos meus garrafeiras, estão instaladas em argilo-calcareo.
Poderemos fazer sempre algumas experiências, embora nos brancos a tendência seja a utilização de mais do que uma casta.
Tenho algum cercial. Não estou a pensar utilizar o arinto. Porque domino melhor as castas com que trabalho.

Citação:
Acho que a casta Bical é uma das grandes castas brancas portuguesas mas encontra-se principalmente na Bairrada e no Dão. Tem uma explicação para o facto de não ser mais difundida? É uma casta difícil de trabalhar na vinha? Porque resulta melhor na Bairrada do que no Dão?

Na região da Bairrada, a Bical é uma grande casta. Noutras regiões, não conheço o seu comportamento.
Citação:
A casta Maria Gomes/Fernão Pires é muito difundida no Ribatejo, Estremadura e nas Terras de Sado, mas sem nunca resultar em grandes vinhos (que eu saiba). Será que se exprime melhor na Bairrada por causa das condições de solo ou de clima mais adequadas da região? Ou será que a casta é injustiçada por não ser suficientemente bem trabalhada? Acha possível fazer um grande Maria Gomes?

Penso que o meu Maria Gomes 1994 é um grande vinho. Voltamos à mesma resposta de outras ocasiões: Terroir e produtividade.

Citação:
Quais são os seus Bageiras Garrafeira branco preferidos? E recomenda de os guardar quanto tempo?

Até agora, os meus preferidos (embora diferentes) são: 2004 e 2007. São vinhos com uma grande capacidade de envelhecimento. Exemplo disso, é o meu vinho branco 1989, ainda em grande forma.

Citação:
Obrigado

Arnaud
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mario sergio



Registrado: Quinta-Feira, 21 de Janeiro de 2010
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Dom Fev 07, 2010 7:52 pm    Assunto: Responder com Citação

Spice Girl escreveu:
Caro Mário Sérgio

Obrigada por ter aceite o nosso desafio e pela sua disponibilidade por participar nesta entrevista.

Aqui ficam algumas questões:

1 - Diz numa resposta anterior que os vinhos da Bairrada, e consequentemente os seus, são vinhos fundamentalmente gastronómicos, pois só aí revelam todo o seu esplendor.
Frequentemente diz-se que normalmente os vinhos de uma dada região emparelham bem com os pratos dessa região, embora tal afirmação não seja consensual.
Considera que os vinhos da Bairrada e os pratos da sua gastronomia regional fazem uma boa combinação?

Sim, uma combinação excelente.

Citação:
2 - Que pratos sugere para alguns dos seus vinhos e que considera que são óptimas combinações?

Brancos garrafeira - Peixes assados no forno e pratos de bacalhau. Tintos - chanfana, cabidela de leitão, cabrito assado no forno.
Espumantes - leitão e muitos outros pratos, porque o espumante Bruto Natural é muito versátil e excelente para a mesa.

Citação:
3 - Qual é a sua opinião quanto à forma como os vinhos são tratados na restauração?

Algumas vezes, bastante mal. Pelo preço e pela qualidade de serviço.

Citação:
4 - É gratificante trabalhar para o consumidor português?

Todos os consumidores me merecem o maior respeito.
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mario sergio



Registrado: Quinta-Feira, 21 de Janeiro de 2010
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Dom Fev 07, 2010 8:12 pm    Assunto: Responder com Citação

Pedro Gomes escreveu:
Olá Mário Sérgio,

Bem sei que os tempos são outros, mas não resisto a trazer à baila as sábias palavras de António Augusto de Aguiar, concretamente um excerto das suas famosas "Confererências sobre Vinhos". Passo a transcrever:

"A Bairrada, como já referi, tem como a Beira Alta uma casta predilecta. É a baga, refractaria ao oidium e a todas as influencias atmosphericas. A baga, porém, é uma casta de qualidade inferior. Podia tirar-se d'ella mais algum partido, se fosse vindimada no tarde, mas, como isto não succeda, quasi sempre entra para o lagar sem estar bem madura. Se o amor do vinhateiro continuar como até aqui, por esta cepa, não está longe a época em que os vinhos da Bairrada se façam de uma casta só."


E em função do exposto, não resisto a perguntar-lhe:


1- O aquecimento global, que tão nefasto está a ser para certas regiões meridionais, não pode estar a servir de âncora para que aumente a frequência de uvas da casta Baga com níveis de maturação muito mais aptos à produção de grandes vinhos?

Salvo condições climatéricas muito adversas, a maturação certa consegue-se com boas práticas vitícolas as e uma vindima na data correcta.

Citação:
2- E, por contraponto, já sentiu que esse aumento das temperaturas pode estar a beliscar os níveis de acidez (na prática frescura) dos vinhos brancos bairradinos?

Até ao momento não. Serve também como resposta o que referi na pergunta anterior.

Citação:
3- Os tempos mais recentes vieram contrariar a visão de monodependência ampelográfica vaticinada por António Augusto de Aguiar: o exemplo mais flagrante será, porventura, o do produtor Campolargo. Como olha para a diversidade de castas que invadiu a Bairrada e está na origem de vinhos de perfil pouco tradicional?

Penso que a Bairrada se pode melhor afirmar com as suas castas. No entanto, com outras também podemos fazer bons vinhos.
Citação:

4- O local e o tempo não são os mais apropriados para debater o tema mas, é com alguma perplexidade que vejo a lenta extinção dos famigerados Bairrada "puro e duros". Uma vez que muitos dos produtores regionais se renderam ao chamado gosto do consumidor, pergunto-lhe se vai manter-se fiél ao respeito pela tradição ou admite render-se ao mercado?

Para ter uma identidade propria, não posso andar sempre atrás de modas. Como vitivinicultor-engarrafador, tenho só uma marca, um estilo e sobretudo uma preocupação constante com a qualidade e imagem dos meus vinhos.

Citação:
Um grande abraço e... até já!

Pedro
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