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Entrevista com Leonor de Sousa Bastos (Flagrante Delícia)
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flagrantedelicia



Registrado: Terça-Feira, 19 de Agosto de 2008
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MensagemEnviada: Sex Dez 11, 2009 11:37 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Pedro,

Eu é que agradeço a vossa proposta...

1-O problema da sobrenutrição deve-se a um conjunto de factores e não apenas aos doces/sobremesas. Radica principalmente numa má educação alimentar e na crescente falta de tempo para comer e cozinhar, fruto de vidas regidas por horários apertados e cheias de stress. Tudo isto, aliado à invasão de cadeias de fast food, de refeições congeladas, pré-cozinhadas, de snacks e bolos embalados e de milhares de bolachas, biscoitos, molhos e afins que vão inundando as prateleiras dos supermercados e com os quais a publicidade nos persegue.
Ao mesmo tempo que nos querem passar a imagem da pessoa magra e saudável, não nos ensinam a comer e a seleccionar o que comemos.
A tentação é enorme...Quando chegamos a casa cansados de um dia de trabalho é mais fácil ligar para pizza hut, pôr uma lasanha no forno, fazer umas batatas pré-fritas (fritas em quê?!...normalmente na gordura mais barata do mercado) ou passar num mcdrive...
Quando queremos um doce, é simples passar na padaria do lado e comprar qualquer coisa, coisas essas elaboradas com os pós já referidos e com substâncias que nos prejudicam bem mais do que o simples açúcar que contêm.
Uma alimentação correcta deve ser equilibrada, sem excessos, mas com direito a alguns pecados...afinal, não há ser humano que não caia em tentação.
Não devemos comer demasiado açúcar ou demasiados fritos mas, a regra é confirmada por excepções...
Afinal, o que é que escolhemos para comer? Quais doces/sobremesas?
Há uns tempos li um artigo no Público sobre gelados em que se dizia que eram melhores os gelados industriais do que os caseiros porque tinham um rótulo onde vinham indicadas as calorias e tornava mais fácil controlar o que se estava a comer. Fiquei indignada com tamanha barbaridade... Será que as pessoas medem tudo por calorias? Nem sempre as coisas menos calóricas são as mais saudáveis...calorias não são nenhum equivalente a saúde e nem seria preciso ler o maior especialista do mundo em gelados (Angelo Corvitto) para rir às gargalhadas.
Acho que toda gente sabe que uma farinha integral é mais calórica do que uma farinha refinada ou que o azeite é pura gordura, mas faz um bem imenso...
O texto é claro...por muitas voltas que se dêem, a verdade é apenas uma.

2-Não sei se me fiz entender mal, mas nunca quis transmitir tal ideia. A pastelaria não evoluiu da mesma forma, mas não há nada que a impeça de chegar ao mesmo grau do que a cozinha. Aliás, referi o nome de alguns grandes chefs de pastelaria que são excepcionais naquilo que fazem.

3-Na minha opinião, essa postura é mais do que correcta e nada tem a ver com chauvinismo, muito menos bacoco.
Acho que há falta de quem defenda o que é nosso com “unhas e dentes” e a doçaria conventual portuguesa é, de facto, um exclusivo... há doçaria conventual noutros países, mas a portuguesa é apenas nossa.
Desde que vim para Palma de Maiorca que sempre que vou ao supermercado vejo marcados os produtos maiorquinos com destaque, que ouço os maiorquinos dizerem várias vezes “vamos levar o produto x porque é de cá” ou os vendedores dizerem-me “temos y e z, mas este é de Maiorca”.
Porque é que não somos sempre assim?
Eu deliro quando vejo aqui à venda “pêra Rocha” e cheguei a dar um beijo a uma embalagem de quejo Palhais!

4-A pastelaria não é um sector estanque e nem pode ser olhada dessa forma.
Qualquer sobremesa, tal como qualquer comida, é amiga do vinho. O problema é saber qual o vinho correcto para acompanhá-la.
Na pós-graduação tive algumas aulas de enologia, mas o vinho escolhido pelo enólogo para acompanhar as sobremesas era extremamente doce e, para mim, “apagava-as” completamente.
Penso que para criar uma harmonia perfeita é necessário conhecer muito bem os dois mundos ou trabalhar em conjunto com um enólogo competente.
Apesar de tudo , nunca bebo vinho...confesso que é um mundo inteiro por descobrir.
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flagrantedelicia



Registrado: Terça-Feira, 19 de Agosto de 2008
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MensagemEnviada: Sex Dez 11, 2009 11:44 pm    Assunto: Responder com Citação

Olá Helena,

Obrigada pelas suas felicitações!
Para já a pastelaria em Portugal não passa de uma ideia sem qualquer plano concreto.
Quero poder aprender muito antes de investir em alguma coisa minha... quando tal acontecer, quero que seja a pastelaria dos meus sonhos! 

Beijinhos!
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Spice Girl



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
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MensagemEnviada: Sáb Dez 12, 2009 3:51 am    Assunto: Responder com Citação

Leonor, já só falta um dia e eu ainda para aqui tenho uma lista de assuntos...

Voltemos aos blogs... tendo um blog com o sucesso do seu certamente, certamente que se interessou por conhecer outros, que reflectiu um pouco sobre o papel dos blogs, sobre as causas do sucesso.


1 - O fenómeno dos blogs é relativamente recente, mas cresceu muito. Democratizou a crítica, a opinião, fez com que a informação passe mais rapidamente. Centrando-se nos blogs relacionados com cozinha, o que considera que são as consequências mais marcantes deste fenómeno?

2 - O que faz o sucesso de um blog?


3 -Quais são os seus blogs favoritos?


Passando agora a algo que me é particularmente caro, livros de cozinha ou sobre cozinha.

4 - Compra muitos livros de cozinha? O que procura num livro de cozinha?

5 - Quais são os seus livros de cozinha favoritos?


Amanhã há mais... agora são mesmo horas de ir dormir...

Mas antes só uns comentários, a algumas coisas que disse. Eu sei que é uma entrevista, mas apetece-me uma conversita diferente por um bocadinho.

Citação:
Eu deliro quando vejo aqui à venda “pêra Rocha” e cheguei a dar um beijo a uma embalagem de quejo Palhais!

Quanto estamos fora estas coisas têm um significado grande... num ano que estive fora vi-me a fazer coisas que nunca imaginei. Até bacalhau levei na mala (e não é coisa de que goste muito)...
Sobretudo dá para nos apercebermos da variedade e complexidade de funções da comida. Não é?

Citação:
nunca bebo vinho...confesso que é um mundo inteiro por descobrir

Tenho reparado que é muito frequente as pessoas que se interessam por comida e cozinha, não terem um particular interesse por vinhos (e vice-versa). As aproximações são tão diferentes, a relação com a comida e com o vinho pode ser tão diferente... andar por aqui tem-me feito pensar muito nisso. Também interessar-me mais pelo vinho, mas compreender cada vez melhor como são coisas tão diferentes e vividas de forma tão diferente.
Quem gosta muito de comida e cozinha tem a possibilidade de cozinhar, criar, expressar emoções através daquilo que faz. Quem se interessa por vinho raramente tem esta componente. Analisa algo que está feito, emociona-se com isso, mas a componente de criar não existe.
Não sente às vezes quase uma necessidade física de cozinhar?
Nunca-lhe aconteceu ter uma enorme resistência a que alguém de quem não gosta coma algo que cozinhou? Sentir que há muito de nós no que se cozinha, sentimentos forte, coisas que não são de todo para algumas pessoas?

Mais logo volto.
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flagrantedelicia



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MensagemEnviada: Sáb Dez 12, 2009 12:47 pm    Assunto: Responder com Citação

Paulina,

1-Além da rapidez de circulação da informação, criou um espírito de partilha e interajuda que não havia. Penso que isso é a parte mais emocionante de todo o fenómeno.

2-O sucesso de um blog faz-se pela sua originalidade e pelos conteúdos de qualidade que contém. Há que saber dar a informação e, principalmente, saber como seleccioná-la.
Também é importante a honestidade...não há paciência para doutores “honoris causa” que se dizem conhecedores de tudo quando não ensinam absolutamente nada.
A imagem (design e fotografias) deve estar em harmonia com os conteúdos e não deve ser o elemento central. Não há nada mais triste do que a beleza vazia, aparente.

3-Não sei se sou uma pessoa um bocadinho atípica, mas não sou fiel a nenhum blog. Há blogs em inglês muito bons mas aos quais vou parar por acaso...não aponto nomes, não os fixo e, normalmente, só volto por alguma coincidência...
Em português é diferente.Vou a blogs que me vão comentando e que acabam por ser os que visito e acompanho mais... Não tenho favoritos e, embora me surpreenda a mim mesma, no meu top estão alguns blogues dedicados à Bimby.

4-Adoro o livro “Renovación” de Enric Rosich, o “PH10” de Piérre Hermé ou outros livros de autores que citei previamente...todos os livros de bons profissionais entram na minha lista. Não compro livros comerciais.


Paulina, eu sou a verdadeira emigrante! 
A minha mala vem sempre cheia de comida! O bacalhau e castanhas e o vinho do Porto já são obrigatórios mas, além disso, já trouxe várias vezes alheiras, queijo da serra, conservas, frascos de doce, marmelada...até pêssegos e maçãs! Venho sempre com o peso no limite e, nesta altura do Natal, o contrabando torna-se problemático a somar às prendas que temos para trazer.
Há comidas que matam saudades, que evocam boas recordações e nos trazem energias positivas. É o conceito de “comfort food” no seu melhor... não vivo sem ela!

Eu estou constantemente a pensar em comida e não consigo estar sem cozinhar durante muito tempo. Às vezes sinto-me tão cansada que declaro “greve à cozinha”, mas acabo sempre por me ficar pelas palavras e ser arrastada por uma força maior. Parece, como disse outro dia no flagrante delícia, que as minhas mãos têm vida própria.
Por sorte, nunca me aconteceu achar que alguém não é merecedor da minha comida. Não há ninguém de quem não goste ao ponto de me negar, ou fazer um sacrifício, para lhe dar de comer.
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Spice Girl



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MensagemEnviada: Sáb Dez 12, 2009 1:56 pm    Assunto: Responder com Citação

E para começar o nosso último dia nada melhor do que o fazer com um assunto que acho extremamente relevante - a presença das mulheres nas cozinha profissionais.

Difícil entrarem... muitas razões se dão... do meu ponto de vista muitas delas extremamente discutíveis. Mais, não é só nas cozinhas que não entram... no jornalismo gastronómico são poucas, na crítica pouquíssimas... E, também do meu ponto de vista, tudo está organizado para as tornar praticamente invisíveis, lhes tirar a credibilidade - não fosse este um mundo de homens...

Leonor, atrás dizia uma coisa que achei muito bonita e corajoso:
Citação:
É um trabalho pesado, exigente e rigoroso sem horário de saída…
Cheguei a chorar algumas vezes no primeiro ano, mas com o tempo aprendi a conter-me. Na cozinha, só aguentam os mais fortes.


É verdade que é um trabalho duro, mas nunca me apercebi que as mulheres sejam menos fortes (antes pelo contrário)...

1 - Do seu ponto de vista, quais são as razões para uma presença tão reduzida?

2 - Como é na escola que frequentou, a presença de mulheres é significativa?

3 - Tem idéia se em pastelaria a percentagem de mulheres é diferente da que existe na cozinha em geral?

4 - Sente que as mulheres para poderem "entrar" nas cozinha têm obstáculos extra a ultrapassar?

5 - Do seu ponto de vista há uma abordagem masculina e feminina da cozinha?
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MensagemEnviada: Sáb Dez 12, 2009 3:29 pm    Assunto: Responder com Citação

1-Quando uma mulher como eu, com 1.60 de altura e 46 quilos, tem que transportar um gastronorm de comida com vários quilos, empurrar um carro de pedidos ou passar uma tarde a esculpir gelo...é extremamente duro. Quando temos que coar um bechamel e não temos força para aguentar uma panela sozinhas,não conseguimos virar uma tortilla porque a frigideira é enorme e pesada ou temos que partir uma peça de carne com um machado e mal podemos aguentar com o peso, a cozinha torna-se desesperante.
O mesmo se passa com a limpeza...são fogões e fogões, mudar os óleos, limpar balcões, organizar a dispensa ou passar uma tarde a limpar um congelador a -18ºC e a fazer o inventário de tudo... Não podemos perder a postura, as costas sempre direitas e nunca estar apoiados sobre nada...
O meu trabalho estava muitas vezes dependente da ajuda de colegas porque era impossível fazer determinadas coisas sozinha.
Isso prejudica-nos, atrasa as nossas tarefas e impede-nos, em determinadas circunstâncias, de ser tão eficazes.
Não sei se será pelos homens serem educados a camuflar melhor os sentimentos mas eu, que nunca me considerei uma pessoa “choramingas”, chorei e tive vontade de chorar inúmeras vezes... Ouvir alguém gritar que “não vales nada” quando estamos a dar o nosso melhor, além de humilhante, é frustrante.
São momentos de extremo cansaço, de algumas injustiças e poucas contemplações.
Não acho que sejamos menos competentes, mas temos menos força física e somos mais emocionais.
Além disso, para uma mulher que tenha que cuidar da família, os horários da cozinha são um obstáculo incontornável.


2-No ano em que entrei, eramos muito poucas mulheres em relação aos homens e, a meio do ano, metade tinham desistido.
Ou te adaptas rapidamente e ignoras determinadas coisas, ou tens que fugir o quanto antes.

3-Há cada vez mais mulheres em pastelaria. A pastelaria oferece horários mais compatíveis com uma vida familiar.

4-Paulina, acho que isso ficou claro nas minhas anteriores respostas.

5-Eu acho que há uma abordagem pessoal e que depende de muitos factores, tais como o nível de conhecimentos, momento de inspiração, criatividade, cultura e sensibilidade de cada um.
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Spice Girl



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
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Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Sáb Dez 12, 2009 4:37 pm    Assunto: Responder com Citação

Leonor

Voltando aos doces... já atrás referiu o pastel de nata. Um doce que aparentemente agrada a muita gente, um doce praticamente impossível de se fazer em casa. Um doce que faz imenso sucesso fora de Portugal, mas que cá cada vez comemos mais dos congelados que a pastelaria só tem que meter no forno... Não sei se há alternativa economicamente viável. Mas como já referimos é pena.

O pastel de nata é um bolo que encontramos em Londres em qualquer feira e com bom aspecto (não provei, mas da próxima talvez prove...). Uma bolo aparentemente com grande potencial para, se devidamente explorado, dar a conhecer e "internacionalizar" a nossa cozinha.

1 - Concorda? Que outros doces portugueses escolheria para o mesmo? E salgados?

2 - Uma curiosidade... Já fez pastéis de nata?

3 - Referiu há pouco os foruns da Bimby. Frequentemente estes electrodomésticos (não só a Bimby, mas muitas das coisas que tornam o trabalho na cozinha mais fácil), são referidos com desdém... como algo que torna a cozinha menos verdadeira, para quem não sabe cozinhar... Como vê estas ajudas "tecnológicas" na cozinha?

4 - As receitas que tem no blog, umas serão suas outras de outros - como em todo o lado. Mas onde vai buscar as idéias e inspiração?

5 - Por cada post do blog há muitas expriências que não são relatadas ou em geral os resultados são dignos de serem relatados?
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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
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MensagemEnviada: Sáb Dez 12, 2009 7:50 pm    Assunto: Responder com Citação

Cara Leonor de Sousa Bastos,

Uma última sequência de perguntas:

1- Falou-se em voltar a Portugal e na eventual abertura de uma pastelaria. Não teme ficar refém de uma área a que não é dada uma grande visibilidade mediática? Não seria preferível a opção por um restaurante, com uma imagem fortemente alicerçada na doçaria/sobremesas?

2- É um pressuposto comum na esfera comercial que «o cliente tem sempre razão!» Cingindo-se à área da restauração/pastelaria como se relaciona com esta máxima? E como proceder se, efectivamente, a razão não estiver do lado do cliente?

3- No mundo dos vinhos em geral, e dos doces em particular, o papel da acidez é considerado essencial para compensar o açucar, conferindo equilíbrio ao conjunto. Ora, muito embora os citrinos sejam elementos recorrentes na doçaria, nem sempre encontro essa busca de harmonia e, muitos doces idolatrados pelo grande público surgem-me enjoativos. Estou errado na análise?

4- E que tal se nos sugerisse duas ou três propostas que possam funcionar muito bem com os nossos vinhos generosos (Porto, Madeira, Moscatel e Carcavelos)?


Um grande abraço e... até já!

Pedro
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Rolarola



Registrado: Sábado, 12 de Dezembro de 2009
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MensagemEnviada: Sáb Dez 12, 2009 10:55 pm    Assunto: Responder com Citação

Boa Noite Leonor,

Duas ou três questões para lhe pôr:

1.Que opiniãp tem da nossa pastelaria popular. Refiro-me à variedade e qualidade de produtos ( e das matérias primas que são usadas para os elaborar) e aos espaços ( e forma) em que estes produtos são vendidos ?

2.Qual a sua opinião quanto à formação nesta área ministrada em Portugal em comparação com aquela que se pode obter em alguns ateliers em Espanha ou França ?

3.Há uma nova pastelaria ? Há um novo conceito? Há que mudar a maneira de a pensarmos ? Tem que se alterar o paradigma ? Teremos que mudar radicalmente a perspectiva de a ver? De que forma? Renovando a nossa pastelaria popular, tradicional, conventual portuguesa, ou abrindo portas às paslelarias que se fazem noutros países?

Um abraço de parabéns aos empreendedores.
Mário
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Spice Girl



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
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MensagemEnviada: Dom Dez 13, 2009 12:19 am    Assunto: Responder com Citação

Leonor.... estamos a chegar o fim do período para perguntas e chegou a hora das minhas perguntas patetas... aquele tipo de perguntas que quando leio noutras entrevistas acho mesmo patetas... Mas a que no final destas entrevistas não resisto...
(Pode dizer: Mas que patetice... não quero responder a isto... Laughing )

- Quais os seus "guilty pleasures" gastronómicos?

- Se fosses um sobremesa qual escolhia?

- Se fosses uma especiaria qual escolhia?

- Quais eram os três produtos que levava para uma ilha deserta?

- Nada melhor para aular o stress que uma boa sobremesa... tanto que desserts é a palavra stressed lida do fim para o princípio, que doces come para combater o stress?
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Rolarola



Registrado: Sábado, 12 de Dezembro de 2009
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MensagemEnviada: Dom Dez 13, 2009 12:47 am    Assunto: Responder com Citação

Ainda mais uma....

Os nutricionistas não gostam nada do açucar. Também não gostam nada das gorduras e corantes usados em pastelaria....acha que a pastelaria tal como é feita tem possibilidades de sobreviver a longo prazo ?
As preocupações com a saúde por parte dos consumidores aumentam. Não deveria a pastelaria também adequar-se a um conceito de produto de mais ligeiro e menos agressivo?Uma pastelaria prébiótica, probiótica, com omegas ? Usar matérias primas de maior qualidade , e de substituição, diferentes das que se usam hoje em dia ?
No seguimento do stress e compensação.... não acabará a pastelaria a fazer de "farmácia" e a vender "antidepressivos" aos mesmo clientes...e apenas a esses ?
Foi um prazer.
Abraço.
Mário
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Abílio Neto



Registrado: Quinta-Feira, 1 de Setembro de 2005
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MensagemEnviada: Seg Dez 14, 2009 12:29 am    Assunto: Responder com Citação

Caros,

Cheguei tarde, mas a tempo de dizer que o vosso blog é mesmo delicioso, leitor assumido pré-hype NYT. Parabéns!
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Abraços,

Abílio Neto
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flagrantedelicia



Registrado: Terça-Feira, 19 de Agosto de 2008
Mensagens: 16

MensagemEnviada: Sex Dez 18, 2009 12:39 am    Assunto: Responder com Citação

Spice Girl escreveu:
Leonor

O pastel de nata é um bolo que encontramos em Londres em qualquer feira e com bom aspecto (não provei, mas da próxima talvez prove...). Uma bolo aparentemente com grande potencial para, se devidamente explorado, dar a conhecer e "internacionalizar" a nossa cozinha.

1 - Concorda? Que outros doces portugueses escolheria para o mesmo? E salgados?


Claro que concordo. Já recebi vários pedidos em inglês para publicar uma receita de pastéis de nata...é um doce português muito apreciado lá fora.
Acho maravilhosos os pastéis de feijão, os pastéis de Tentúgal ou os pastéis de Santa Clara.
Quanto a salgados é mais difícil porque há muitas coisas de que não gosto, mas tenho a certeza que um arroz de cabidela, uns rojões ou uma feijoada seriam concerteza muito apreciados.

Spice Girl escreveu:


2 - Uma curiosidade... Já fez pastéis de nata?


Já. Há uma receita da minha avó que se entitula “legítimos pastéis de belém” e que é excelente.

Spice Girl escreveu:


3 - Referiu há pouco os foruns da Bimby. Frequentemente estes electrodomésticos (não só a Bimby, mas muitas das coisas que tornam o trabalho na cozinha mais fácil), são referidos com desdém... como algo que torna a cozinha menos verdadeira, para quem não sabe cozinhar... Como vê estas ajudas "tecnológicas" na cozinha?


Não me referia aos fóruns da bimby, mas a blogs que se centram em receitas adaptadas à bimby.
Sou a favor de todas as ajudas técnologicas possíveis. Pode elaborar-se um doce tradicional sem que seja preciso um trabalho totalmente manual. Em todas as cozinhas profissionais há uma bimby...é um robot de cozinha muito completo e que permite preparar certas elaborações culinárias muito mais facilmente, já que se pode controlar a temperatura e a velocidades ao mesmo tempo.
Para mim, tudo o que possa ajudar e facilitar o trabalho na cozinha é aceitável.

Spice Girl escreveu:

4 - As receitas que tem no blog, umas serão suas outras de outros - como em todo o lado. Mas onde vai buscar as idéias e inspiração?


Leio muitos livros de cozinha. Ler é fundamental para aprender, abrir horizontes e estimular a criatividade...em cozinha, tal como em todas as áreas.
Normalmente, adormeço a pensar em doces e é nessa altura que tenho mais ideias. De resto, as ideias podem nascer a partir de diversos estímulos...algo que provei em algum restaurante, um ingrediente que me desperta a atenção, um dia de chuva ou uma música...
Sinceramente, não há nada em especial que me faça sentir mais ou menos inspirada.

Spice Girl escreveu:

5 - Por cada post do blog há muitas expriências que não são relatadas ou em geral os resultados são dignos de serem relatados?


Não sou perfeita e ainda tenho muito para aprender. Obviamente há muitas experiências que não são bem sucedidas. Por exemplo, para o livro, fiz 4 a 5 sobremesas por dia para tentar encontrar aquilo que procurava... ainda tenho muito pouco tempo de experiência profissional para ter armazenadas 50 receitas originais.
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MensagemEnviada: Sex Dez 18, 2009 12:44 am    Assunto: Responder com Citação

Pedro Gomes escreveu:
Cara Leonor de Sousa Bastos,

Uma última sequência de perguntas:

[b]1- Falou-se em voltar a Portugal e na eventual abertura de uma pastelaria. Não teme ficar refém de uma área a que não é dada uma grande visibilidade mediática? Não seria preferível a opção por um restaurante, com uma imagem fortemente alicerçada na doçaria/sobremesas?


Pedro, não procuro e nem nunca procurei mediatismo. O que eu sempre procurei foi aquilo que gostava de fazer e isso não passa por cozinha, mas apenas pelos doces.
Penso que as pessoas querem tudo aquilo que seja bem feito, e no campo da pastelaria ainda há muito para trabalhar.
Ultimamente tenho sido surpreendida com algumas pastelarias em Portugal que desconhecia e que, aparentemente, me pareceram excelentes. No Porto, ainda não conheço nenhum local onde ir comprar ou comer um bom bolo...nem na loja gourmet do Corte Inglés os bolos do Torreblanca são vendidos em condições.

Pedro Gomes escreveu:

2- É um pressuposto comum na esfera comercial que «o cliente tem sempre razão!» Cingindo-se à área da restauração/pastelaria como se relaciona com esta máxima? E como proceder se, efectivamente, a razão não estiver do lado do cliente?


Em qualquer caso, o cliente tem que ser tratado da melhor forma possível. Mesmo que este não tenha razão, há que fazê-lo sentir-se como a pessoa mais importante do mundo, ouvi-lo e ser o mais prestável e educado possível. O sucesso faz-se a partir de uma cooperação perfeita entre a cozinha e o serviço.
A boa educação e a simpatia são sempre contagiantes. Nada pode acabar mal desta forma.

Pedro Gomes escreveu:

3- No mundo dos vinhos em geral, e dos doces em particular, o papel da acidez é considerado essencial para compensar o açucar, conferindo equilíbrio ao conjunto. Ora, muito embora os citrinos sejam elementos recorrentes na doçaria, nem sempre encontro essa busca de harmonia e, muitos doces idolatrados pelo grande público surgem-me enjoativos. Estou errado na análise?


O equilíbrio é fundamental para o sucesso de um prato, mas além de combinar sabores, é importante combinar quantidades.
Tal como não se bebe um copo cheio de Porto, há doces que devem ser doseados.

Pedro Gomes escreveu:

4- E que tal se nos sugerisse duas ou três propostas que possam funcionar muito bem com os nossos vinhos generosos (Porto, Madeira, Moscatel e Carcavelos)?


Pedro, peço imensas desculpas mas, tal como já lhe disse desconheço o mundo dos vinhos e por isso não me sinto capaz de indicar nenhuma sobremesa que possa estar em harmonia com eles.
Não tenho por hábito beber vinho...só bebo água.
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MensagemEnviada: Sex Dez 18, 2009 12:49 am    Assunto: Responder com Citação

Spice Girl escreveu:
Leonor.... estamos a chegar o fim do período para perguntas e chegou a hora das minhas perguntas patetas... aquele tipo de perguntas que quando leio noutras entrevistas acho mesmo patetas... Mas a que no final destas entrevistas não resisto...
(Pode dizer: Mas que patetice... não quero responder a isto... Laughing )

- Quais os seus "guilty pleasures" gastronómicos?


Não resisto a um bom pão e a queijos e não passo sem um ovo estrelado.

Spice Girl escreveu:
- Se fosses um sobremesa qual escolhia?


O coulant de Michel Bras.

Spice Girl escreveu:
- Se fosses uma especiaria qual escolhia?


A baunilha...

Spice Girl escreveu:
- Quais eram os três produtos que levava para uma ilha deserta?


Suponho que a água não conta!  Pão, queijo e maçãs.

Spice Girl escreveu:
- Nada melhor para aular o stress que uma boa sobremesa... tanto que desserts é a palavra stressed lida do fim para o princípio, que doces come para combater o stress?


Chocolate... Nada melhor do que uma “chocoterapia”:tem efeitos estimulantes e euforizantes.
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