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Entrevista com David Guimaraes/The Fladgate Partnership
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NCritica
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Registrado: Segunda-Feira, 22 de Janeiro de 2007
Mensagens: 212
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MensagemEnviada: Sex Mai 08, 2009 3:46 pm    Assunto: Entrevista com David Guimaraes/The Fladgate Partnership Responder com Citação

Caros foristas e demais leitores,

O nosso próximo entrevistado é David Guimaraens, Director Técnico e enólogo do grupo de The Fladgate Partnership.

De nacionalidade inglesa, e com 42 anos de idade, David Guimaraens viu a sua educação dividida entre Portugal e o Reino Unido. Os 18 anos e a correspondente emancipação viriam a traduzir-se no encanto com o mundo do vinho. A passagem pelos estados do Oregon e da California, bem como a licenciatura em Ciências Aplicadas em Enologia, pela Roseworthy Agricultural College, na Austrália, acabariam por constituir o corolário lógico de um trajecto em torno do vinho.

Volta a Portugal em 1991, ano em que começa o seu trajecto como director técnico, assumindo igualmente a liderança das equipas de viticultura e enologia. E, não menos importante, torna-se responsável pela gestão dos stocks dos Tawnies de Idade, Vintages e outros Portos envelhecidos em madeira, que a companhia possui.

Para além da gestão das diversas quintas do grupo, localizadas no vale do Douro, David Guimaraens conduz ainda uma equipa de provadores que procura afincadamente preservar o estilo próprio e autêntico de cada uma das Casas. E para isso muito contribui o trabalho que desenvolve em estreita relação com um selecto grupo de 70 produtores que fornecem as uvas para cada uma das designadas marcas de Portos.

Adepto da inovação e consciente dos crescentes desafios impostos pela modernidade, David Guimaraens tem conduzido um contínuo programa de desenvolvimento e pesquisa com o intuito de melhorar e desenvolver as técnicas de viticultura aplicadas às quintas da companhia. O melhor exemplo deste seu esforço é, porventura, o sistema mecânico denominado de “Port Toes”, desenvolvido na década de 90, e que visa replicar os elementos positivos conferidos pela pisa tradicional, e que é actualmente adoptado na produção de todos os estilos de Porto, à excepção do Vintage (categoria onde continua a prevalecer a tradicional pisa a pé).

Para além do seu vínculo ao prestigiado grupo The Fladgate Partnership, detentor de marcas com reputação mundial como Taylor's, Fonseca e Croft, David Guimaraens representa a sexta geração da secular Casa de Vinho do Porto Fonseca Guimaraens. Sobre os seus ombros recai a enorme responsabilidade de dar continuidade ao trabalho desenvolvido por seu pai, o saudoso e carismático Bruce Guimaraens, uma figura incontornável do Vinho do Porto. E, por inerência, do panorama vitivinícola mundial.


Será já a partir da próxima segunda-feira que teremos oportunidade de satisfazer a nossa curiosidade. Participem...

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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
Mensagens: 1102
Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Seg Mai 11, 2009 12:23 am    Assunto: Responder com Citação

Caro David Guimaraens,

Em primeiro lugar, queria agradecer-lhe em meu nome pessoal e em nome da Nova Crítica - Vinho & Gastronomia, a sua receptividade e pronta disponibilidade para nos conceder esta entrevista.

É um privilégio imenso poder captar, na primeira pessoa, a sua forma de sentir e viver a "coisa vínica". Muito obrigado...

Vamos então começar... pelo princípio!

1- Como foi a sua infância duriense? E, até que ponto essa experiência viria a condicionar as suas opções de vida?

2- Sente uma responsabilidade acrescida por ser filho de Bruce Guimaraens, uma personalidade única e incontornável no panorama do Vinho Porto? Como definiria seu pai enquanto "Homem da terra e do vinho"? De que forma é que ele viria a marcar a sua visão do Douro, da vinha... e do vinho?

3- Presumo que não terá sido fácil harmonizar uma visão, chamemos-lhe clássica, com um trajecto académico alicerçado numa perspectiva "Novo Mundo". Confirma? Ou, muito pelo contrário, esse confronto e choque de abordagens foi crucial para "alargar horizontes"?


Um grande abraço e... até já!

Pedro
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Rui Lourenço Pereira



Registrado: Terça-Feira, 8 de Janeiro de 2008
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MensagemEnviada: Seg Mai 11, 2009 11:00 am    Assunto: Responder com Citação

Bom dia David,

Apesar de já saber alguma coisa sobre a "casa", vou aproveitar a oportunidade para enriquecer o meu conhecimento.

- Depois de vir da Austrália sentiu que tinha "mãozinhas" para tomar conta de um império?
- Fazendo parte da geração Fonseca Guimaraes como é trabalhar com outras marcas com um perfil muito menos seco (característica ímpar da Fonseca)?
- Sendo a Taylor's a marca bandeira do grupo a nível internacional pela sua notoriedade, porque não consegue a "sua" marca chegar a este patamar? Não passam todos pelas suas mãos? É política da casa?
- O que fazer para convencer as pessoas a consumirem mais Porto de melhor qualidade?
- Estarão marcas como a Romariz ou a Croft atrás da Fonseca e da Taylor's em qualidade, ou tudo tem a ver com notoriedade da marca e segmentação de mercado?
- A Quinta da Nogueira onde têm o vosso centro de recebimento de uva, desengace e onde têm algumas dezenas/centenas de cubas, balseiros e barricas satisfaz todas as vossas pretensões?
- Numa recente prova de Vintages da Taylor's tive a oportunidade de provar ícones como o 1994? Contudo, e na minha modesta opinião, penso que o 1992 mexeu mais comigo? Qual a sua opinião sobre este vinho?
- Estão satisfeitos com a Hermitage? Os vinhos do Porto da Faldgate aumentaram a sua distribuição com a criação desta empresa?
- Os encepamentos feitos nas várias quintas que possuem são orientados por pessoas diferentes em termos de viticultura. Têm alguma orientação especial da sua parte ou apenas prolongam o trabalho que vem sendo feito ano após ano?
- Depois de declarem ano vintage no passado dia de São Jorge o ano de 2007, à semelhança de 2000 e 2003 será que esta década ainda vamos ter mais algum? E se 2008 ou 2009 forem soberbos?
- Como se portam algumas das marcas que vocês apenas criam para o mercado de exportação? Têm um peso muito grande na rentabilidade da empresa ou são apenas "commodities"?
- Nas várias visitas que fiz às vossas propriedades, em tempo de vindima ou não, reparei que uma característica de todas elas, e que bastante louvo, é que as adegas estão constantemente imaculadas (há muita gente que deve levar na cabeça para que tal aconteça Very Happy Very Happy Very Happy). Sabendo que é uma das suas exigências, fá-lo porque gosta de ver tudo limpo, ou porque, e também, não quer que os vinhos possam apanhar qualquer malefício enquanto estão a fermentar?
- Utiliza nos vinhos do Porto, alguma casta sem serem as tradicionais do Douro? Se não, já pensou fazer essa experiência utilizando outras castas em blend?
- Agora que os seus "vizinhos" do grupo Symington vão lançar um DOC do Vesúvio, já lhe passou pela cabeça fazer o mesmo com Vargellas, Panascal ou Rôeda? Se sim, para quando podemos provar isso? Se não, porquê?
- Sendo um apaixonado pelo vinho do Porto, uma das imagens que guardo com grande satisfação, foi ter podido visitar o laboratório onde o David e o seu pai tantas horas passaram. Dá-lhe mais prazer o trabalho de laboratório, vinha ou adega?

Voltarei mais tarde.

Grande abraço e obrigado. Em breve voltarei ao Douro para mais uma visita.

E como digo: Em cada Porto há uma surpresa
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Abílio Neto



Registrado: Quinta-Feira, 1 de Setembro de 2005
Mensagens: 3677

MensagemEnviada: Seg Mai 11, 2009 10:53 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro David Guimaraes,

Bom, depois da bateria de questoes do Rui Lourenço Pereira estou na dúvida se restará alguma por fazer... Very Happy ?

Vou tentar responder a minha pergunta:

- O que falta a Fonseca's e a Taylor para serem também marcas de tao grandes tawnys como sao de vintages?

- Que vinhos portugueses bebe normalmente? E estrangeiros, quais merecem a sua preferencia?

- Há algum outro generoso ou outros vinhos de sobremesa que lhe seduzam?

- Estará o Douro a "agonizar" os Porto?

- Sendo o Vinho do Porto uma marca portuguesa forte, num país pequeno, mas, por opçao (e natureza) estrategica, um país virado para o turismo... porque carga de água é tao difícil beber um copo de Porto, em taças adequadas, à temparaturas adequadas num qualquer café, bar ou o que seja, duma qualquer cidade deste país?

- Também é do FCP ou é do Sporting, como devia ser?
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Abraços,

Abílio Neto
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Rui Lourenço Pereira



Registrado: Terça-Feira, 8 de Janeiro de 2008
Mensagens: 356
Localização: Algures...

MensagemEnviada: Ter Mai 12, 2009 12:16 pm    Assunto: Responder com Citação

Olá David, sou eu novamente. Fui preparando as perguntas ao longo da semana passada.

- Haverá razão para tanta especulação sobre o preço dos vinhos do Porto?
- Porque nunca foi a Fladgate uma casa que se afirmasse pelo estilo "tawny". Não houve interesse e apenas se especializaram em "rubies"?
- Vargellas está numa das melhores encostas do vale do douro ao contrário da Terra Feita que está num local completamente diferente. Sendo dois locais tão díspares a característica do bend da Taylor's deve-se a esta diferença, ou por acaso usam uvas de mais outras quintas?
- E os vinhos da Fonseca. Vêm todos do Panascal ou utilizam vinhos de outras Quintas?
- A que se deve a secura dos vinhos da Fonseca. Como é constituído o solo do Panascal?
- Sendo para mim a prinicpal característica do Porto da Taylor's a concentração de fruta, da Fonseca os frutos secos, da Croft alperce, mel, laranja, noz, avelã. No caso da Romariz distingo maioritarimente especiarias. Estarei correcto? É este o perfil pretendido para os vinhos?
- Qual a estratégia do grupo para o mercado internacional? Manter e consolidar os mercados onde estão presentes ou explorar novos mercados?
- A compra de vinho do Porto em Portugal representa que percentagem no total das vossas vendas?
- Costumam os portugueses representar um grande volume na aquisição das vossas categorias superiores?
- Esta pergunta será mais para o Adrian, mas, será que o The Yeatman representará um novo e grande folego no continuar da afirmaçaão das vossas marcas? Terão os portugueses capacidade para o frequentar ou o interesse está mais dirigido para o mercado internacional. Haverá alguma ligação ou promoção do vinho do Porto dentro do mesmo, como por exemplo, provas, cursos, ....? Estará ligado a todas as marcas, ou como está a ser construído onde eram as Caves da Croft fará apenas referência a esta marca?
- Onde se encontram as vinhas mais velhas que possuem? Conseguem fazer a distinção das castas presentes? São usadas maioritarimente em que vinhos?
- Qual o futuro do sector (vinho do Porto) face à conjuntura que atravessamos?
- Sabendo que o consumo de vinho em Portugal tem vindo a diminuir sendo que o vinho do Porto não é excepção, como é que os preços continuam a subir? Não irá esta atitude levar a que as empresas comecem a acumular muito stock dificil de comportar para a maioria das casas? Será que se justifica as margens praticadas?
- Qual o vinho do Porto (acessível a todos nós) que mais gosta? Isso consegue-se comprar/encontrar? Onde?
- E vinho de mesa? O que costuma beber nacional/estrangeiro?

Voltarei mais tarde.

Abraço,
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Guimaraens



Registrado: Terça-Feira, 12 de Mai de 2009
Mensagens: 7

MensagemEnviada: Ter Mai 12, 2009 3:54 pm    Assunto: Re: Entrevista com David Guimaraes/The Fladgate Partnership Responder com Citação

NCritica escreveu:
Caros foristas e demais leitores,

O nosso próximo entrevistado é David Guimaraens, Director Técnico e enólogo do grupo de The Fladgate Partnership.

De nacionalidade inglesa, e com 42 anos de idade, David Guimaraens viu a sua educação dividida entre Portugal e o Reino Unido. Os 18 anos e a correspondente emancipação viriam a traduzir-se no encanto com o mundo do vinho. A passagem pelos estados do Oregon e da California, bem como a licenciatura em Ciências Aplicadas em Enologia, pela Roseworthy Agricultural College, na Austrália, acabariam por constituir o corolário lógico de um trajecto em torno do vinho.

Volta a Portugal em 1991, ano em que começa o seu trajecto como director técnico, assumindo igualmente a liderança das equipas de viticultura e enologia. E, não menos importante, torna-se responsável pela gestão dos stocks dos Tawnies de Idade, Vintages e outros Portos envelhecidos em madeira, que a companhia possui.

Para além da gestão das diversas quintas do grupo, localizadas no vale do Douro, David Guimaraens conduz ainda uma equipa de provadores que procura afincadamente preservar o estilo próprio e autêntico de cada uma das Casas. E para isso muito contribui o trabalho que desenvolve em estreita relação com um selecto grupo de 70 produtores que fornecem as uvas para cada uma das designadas marcas de Portos.

Adepto da inovação e consciente dos crescentes desafios impostos pela modernidade, David Guimaraens tem conduzido um contínuo programa de desenvolvimento e pesquisa com o intuito de melhorar e desenvolver as técnicas de viticultura aplicadas às quintas da companhia. O melhor exemplo deste seu esforço é, porventura, o sistema mecânico denominado de “Port Toes”, desenvolvido na década de 90, e que visa replicar os elementos positivos conferidos pela pisa tradicional, e que é actualmente adoptado na produção de todos os estilos de Porto, à excepção do Vintage (categoria onde continua a prevalecer a tradicional pisa a pé).

Para além do seu vínculo ao prestigiado grupo The Fladgate Partnership, detentor de marcas com reputação mundial como Taylor's, Fonseca e Croft, David Guimaraens representa a sexta geração da secular Casa de Vinho do Porto Fonseca Guimaraens. Sobre os seus ombros recai a enorme responsabilidade de dar continuidade ao trabalho desenvolvido por seu pai, o saudoso e carismático Bruce Guimaraens, uma figura incontornável do Vinho do Porto. E, por inerência, do panorama vitivinícola mundial.


Será já a partir da próxima segunda-feira que teremos oportunidade de satisfazer a nossa curiosidade. Participem...

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Boa tarde,

é um prazer enorme ser convidado a participar neste Forum e vou tentar responder ao maximo de perguntas, excepto as do Futebol. Se vir que existem perguntas de mais de uma pessoa com o mesmo tema, irei tentar numa resposta cobrir os pedidos.

Todas as casas de vinho do Porto que se especialisam em Vintage tambem dedicam-se aos Tawnies de todas as idades. Se no caso do Vintage são os terroirs das Quintas que caracterizam o estilo de cada casa, nos Tawnies é a filosofia da casa e dos seus provadores que definem o seu estilo. Nos meus ultimos 18 anos aqui no Vinho do Porto, tenho visto este segmento a crescer mais de 5 vezes em volume. Este crescimento, vem não só do mercado Norte Americano, mas tambem um pouco por todos os mercados em que estamos implantados. Este crescimento é a prova que o vinho do Porto de Qualidade está em forte crescimento, o que as vezes não é percebido quando se analise as vendas do sector no global. Este crescimento cria um grande desafio quanto aos stocks que temos, e a necessidade de adquirir dentro do sector vinhos mais velhos para permitir acompanhar este crescimento. No fim da decada de 90 e inicio de 2000, adquirimos grandes stocks de vinhos velhos dentro do sector. Um trabalho cuidadoso e dedicado tanto na sala de provas como no armazem tem permitido acompanhar este crescimento, mas mantendo os estilos de cada casa. Vejo os proximos anos com muito optimismo quanto a qualidade dos nossos vinhos velhos, e dentro do estilo das nossas casas que tende a manter estes vinhos com mais frescura de fruta a acompanhar a velhice.
Esta characteristica de manter um certo nivel de fruta nos Tawnies velhos é muito importante para garantir o prazer de beber estes vinhos. Infelizmente, demasiadas vezes confunde-se o amarello com velhice. É fundamental que um tawny velho mantem o equilibrio de velhice e doçura com um fim de boca fresco e que não seja enjoativamente doce.
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Chapim



Registrado: Sexta-Feira, 22 de Setembro de 2006
Mensagens: 622
Localização: Lisboa/Porto

MensagemEnviada: Ter Mai 12, 2009 4:05 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro David Guimaraens,
antes de mais agradeço a disponibilidade para nos responder a estas perguntas e felicito-o pelos fantásticos vinhos que produz.
Aproveito também a oportunidade para o felicitar pelo prémio Bes Biodiversidade deste ano!

Será que nos podia explicar sucintamente este Projecto - "Um Novo Modelo de Vinha na Região do Douro"?

Um dos vinhos que mais marcou até hoje foi um Vintage Fonseca Guimaraens de 1976. Um espectáculo de vinho. Porque não foi este Vintage Fonseca e sim Fonseca Guimaraens?

Voltarei com mais perguntas.
Obrigado e boas provas!
_________________
Rui Figueiredo

pelo vinho!
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Guimaraens



Registrado: Terça-Feira, 12 de Mai de 2009
Mensagens: 7

MensagemEnviada: Ter Mai 12, 2009 7:08 pm    Assunto: Re: Entrevista com David Guimaraes/The Fladgate Partnership Responder com Citação

Venho a responder a uma questão levantada sobre a influencia das Quintas de Vargellas e Terra Feita nos Vintage da Taylor. Os vintage Classicos de qualquer uma das casa tradicionais de Vinho do Porto sempre foram compostos de vinhos de varias Quintas. Num Vintage Taylor, a Qta de Vargellas vem contribuir com o seu estilo proprio de elegancia e floral no aroma, e tanninos muito firmes e densos, e é o principal componente. Os vinhos da Qta de Terra Feita vem contribuir com frutas silvestres de aroma, e com bocas muito redondas e veludadas, characteristico dos vinhos do porto produzidos no vale do Rio Pinhão. A Quinta do Junco, mais proximo da Vila do Pinhão tambem é um dos componentes dos Vintage da Taylor, e produz Portos com muita dimensão e complexidade.
Os Vintage classicos Taylor não serião o que são sem esta combinação de origens, e todos com uma qualidade fantastica.

Q. A origem dos Vintage da Fonseca?
A Fonseca produz os seus Vintage classicos das suas tres Quintas. Quinta do Cruzeiro e Qta de Stº Antonio, no vale do rio Pinhão, e a Quinta do Panascal no rio Tavora. As Quintas do StºAntonio e Cruzeiro fazem parte dos vintage da Fonseca desde o inicio do seculo passado. A Quinta do Panascal entrou nos Vintage da Fonseca desde a sua aquisição em 1977. O estilo Fonseca deve o seu character de robustez e frutas silvestres a localização destas Quintas.
É uma boa opportunidade para referir aqui que a Fonseca destingue os anos classicos dos anos bons através da designação de Vintage Fonseca (Classicos) e Vintage Fonseca Guimaraens. A filosofia da composição dos lotes é identica, sendo só o ano que differencia.
A questão colocada por "Chapim" sobre o Fonseca Guimaraens 1976 é pertinente. Eu gosto imenso do 1976, tem muita dimensão e complexidade, e está a envelhecer maravilhosamente. Na altura o meu pai optou pelo 1977 por este ser um ano extraordinario, especialmente pela sua frescura e elegancia. Mesmo hoje, tendo o 1976 mais cor do que o 1977, este ultimo tem mais qualidade e complexidade, pelo qual estou de acordo com a decisão tomada. Nestes casos os consumidores tem a oprtunidade de adquirir Vintage magnificos (os Guimaraens) no estilo Fonseca, mas a preços mais atrativos. Aproveitem! O Guimaraens 2001 é outro exemplo de dois anos muito bons, lado a alado.
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Guimaraens



Registrado: Terça-Feira, 12 de Mai de 2009
Mensagens: 7

MensagemEnviada: Ter Mai 12, 2009 9:53 pm    Assunto: Re: Entrevista com David Guimaraes/The Fladgate Partnership Responder com Citação

Respostas a perguntas do Pedro Gomes:

1. A minha infancia foi muito feliz em relação a experiençia com o Douro. Quando eu era pequeno, o meu pai passava mais de 6 mêses do ano a viajar pelo mundo a vender o vinho do Porto. Sempre que estava cá e ia para o Douro, eu agarrava qualquer oportunidade para ir com ele. Ainda me lembro de quando a viagem era feita por entre-os-rios e Baiao. Eram quase 5 horas de carro até ao Pinhão.
Aos 8 anos tive a minha primeira experiencia de Vindima, quando o meu pai pos-me a passar 2 semanas de vindima na Quinta de Terra Feita, a viver com a familia do caseiro, Sr Julio. Foram momentos que me marcaram muito. Deu-me a paixão pelo Douro, e as recordações enquanto mais jovem de passar largos momentos na altura da Vindima a percorrer as vinhas e a provar as uvas, para sentir quando é que elas estavam prontas para vindimar.
2. O meu pai, Bruce Guimaraens, era uma personagem no mundo do Vinho do Porto, que como poucos, era um mestre do nosso negocio, desde a vinha, a vinificação, a sala de provas, o armazem e os mercados. Foi sempre uma pessoa muito a frente do seu tempo, e inovador. A somar a estes atributos, era uma pessoa com uma personalidade unica, a quem ninguem ficava indiferente ao conhecer. Como filho, tenho a sorte de ter aprendido com ele muita coisa, e até aos ultimos dias era uma pessoa a quem conversava muito e trocava impressões sobre a nossa area.
Eu sou o que sou, e sei que já contribui muito nestes ultimos 18 anos, acrescentando ao muito que ele fez. Tem sido um periodo de muitas transformações no nosso sector, e sinto-me priveligiado por poder ter passado por ele nesta altura.
O meu pai sempre me incentivou a inovar e por em causa o que era feito, mas ao mesmo tempo soube mostrar-me o que era importante de perceber naquilo que os muitos anos do nosso sector nos ensinou.

3. A minha formação no Novo Mundo foi a mais importante lição que tive na minha vida. Muitas vezes se diz que é preciso sair de casa para ver o bom que temos dentro dela.
O novo mundo ensinou-me a ver as coisas de uma forma differente, e ensinou-me a pensar por mim, e não pelo que o nosso vizinho está a fazer. Nos anos 70 e 80 o Douro já tinha abandonado muitas das praticas tradicionais, sem saber bem as consequencias do que estavam a fazer.
Depois de regressar de Australia, cheguei a re-introduzir praticas antigas (enferrar de cascos, utilização da prensas tradicionais), mas ao mesmo tempo, soube identificar aquilo que podia ser modernizado em tarefas que não tinham consequencias negativas nem na qualidade nem no estilo dos nossos vinhos.
Tenho a certeza que essa abordagem foi a certa. Hoje as nossa adegas em que recebemos muitas boas uvas dos nossos viticultores, e em que produzimos os LBV's e Bin27, são ultra modernas e com cubas pisadoras que iniciei em 1995. Mas ao mesmo tempo os nossos Vintage continuam a ser produzidos em lagares tradicionais de granito com as uvas das nossas Quintas, mantendo assim a nossa referencia e estilo pelo qual os nossos consumidores nos apreciam.
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Rui Lourenço Pereira



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MensagemEnviada: Ter Mai 12, 2009 10:11 pm    Assunto: Responder com Citação

Já agora David, onde se podem comprar os vossos produtos a bom preço para os lados de Lisboa? É que anda alguém a praticar margens colossais....
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MensagemEnviada: Ter Mai 12, 2009 11:27 pm    Assunto: Responder com Citação

Olá David,

Algumas questões:

1. Hoje olhamos para o Vinho do Porto com orgulho do que foi feito nos séculos XIX e XX. Mas duzentos anos é muito tempo...
Em que é que a tradição condiciona o futuro? O que pode ser inventado?

2. O Douro é um bom exemplo do que o homem pode fazer respeitando a natureza mas, habitualmente, as pessoas referem os melhores anos/colheitas como dádiva da natureza.
Onde se situa a fronteira entre o que o homem pode fazer e a natureza autoriza.

3. Cada Casa tenta sublinhar e preservar o seu estilo. Ressalvadas as diferenças entre vinhos datados e não datados,
Do ponto de visto enológico, qual a dependência da matéria prima vitícola anual e dos stocks existentes?

4. O Vinho do Porto não tem um consumo interno minimamente condizente com o seu estatuto.
O que é necessário fazer para que o povo português efectivamente consuma Vinho do Porto e não se limite a oferecê-lo e a guardá-lo?
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Rui Lourenço Pereira



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MensagemEnviada: Qua Mai 13, 2009 10:30 am    Assunto: Responder com Citação

Bom dia,

Já passaram pelos olhos milhares de garrafas de vinho do Porto (em Portugal e no estrangeiro), contudo tanto quanto me lembro, e corrija-me se disser alguma asneira, apenas conheço no caso da Taylor's, Vintages não clássicos de Vargellas e da Terra Feita. As outras quintas não proporcionam eventuais vintages de qualidade? As suas uvas apenas dão para blends? E no caso da Fonseca? E da Croft, só temos Roêda?
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MensagemEnviada: Qui Mai 14, 2009 11:06 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro David Guimaraens

Em primeiro lugar gostaria de lhe agradecer ter aceite este nosso desafio.

Tanto quanto me tenho apercebido na produção de vinho há uma mistura de diversos factores a considerar, de que se podem destacar a criatividade individual (arte), os aspectos científicos e técnicos (ciência) e os aspectos económicos. Relativamente aos dois primeiros aspectos (arte e ciência), há certamente uma ligação forte entre eles. Imagino que para produzir vinhos com qualidade e personalidade, ou seja para que o "artista" consiga expressar o que pretende, tem que dispor das condições técnicas necessárias e dominá-las com algum à vontade. Como pensa que se posiciona a indústria de vinhos portuguesa, nesta época de grande inovação tecnológica, por comparação com a mesma indústria noutros países?
O que pensa do state of the art do conhecimento científico relacionado com a produção de vinhos?
Há uma aplicação satisfatória deste conhecimento na produção de vinhos em Portugal?

Um dos assuntos que tem sido discutido frequentemente aqui no fórum tem sido o dos vedantes usados no vinho, e em particular a utilização ou não de rolhas de cortiça. São discussões geralmente com uma grande carga emotiva. Qual é o seu ponto de vista em relação a este assunto? Como está a indústria de vinhos a lidar com este problema?

A um país/região produtor de vinhos está geralmente associado uma componente turística que, tendo em conta o interesse que o vinho actualmente desperta um pouco por todo o mundo, pode ter uma grande expressão económica. Este aspecto de “valor acrescentado” da produção de vinhos, tanto quanto me apercebo, não tem sido suficientemente explorado em Portugal. Qual a sua opinião sobre este assunto e sobre as suas potencialidades?
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Guimaraens



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MensagemEnviada: Qui Mai 14, 2009 11:53 pm    Assunto: Responder com Citação

mlpaiva escreveu:
Olá David,

Algumas questões:

1. Hoje olhamos para o Vinho do Porto com orgulho do que foi feito nos séculos XIX e XX. Mas duzentos anos é muito tempo...
Em que é que a tradição condiciona o futuro? O que pode ser inventado?

2. O Douro é um bom exemplo do que o homem pode fazer respeitando a natureza mas, habitualmente, as pessoas referem os melhores anos/colheitas como dádiva da natureza.
Onde se situa a fronteira entre o que o homem pode fazer e a natureza autoriza.

3. Cada Casa tenta sublinhar e preservar o seu estilo. Ressalvadas as diferenças entre vinhos datados e não datados,
Do ponto de visto enológico, qual a dependência da matéria prima vitícola anual e dos stocks existentes?

4. O Vinho do Porto não tem um consumo interno minimamente condizente com o seu estatuto.
O que é necessário fazer para que o povo português efectivamente consuma Vinho do Porto e não se limite a oferecê-lo e a guardá-lo?


Boa Noite,

Ontem não me foi possivel responder a mais perguntas por ter passado todo o dia no Douro. Ontem tive a opportunidade de visitar a colecção de castas do na Subvidouro. Um projecto iniciado pela Casa do Douro no incio da decada de 80, esta Quinta, que o principal objectivo é destilar vinhos e tratar os sub-produtos vinicos da Região, tem uma colecção de quase 300 castas da Região. Um trabalho magnifico, que corremos o risco de perder dado a perda de importançia e qualidade que esta instituição tem hoje. A Casa do Douro teve um papel fundamental na orientação e acompanhamento da Região, e seria importante que esta importante Instituição se ergesse novamente, mas actualmente como representante dos viticultores do Douro, e local onde o desenvolvimento e acompanhamento da viticultura Duriense fosse a sua principal vocação.

Questões colocados por mlpaiva:

1. A Região do Douro e o Vinho do Porto tem uma tradição e conhecimento empirico invejavel. No entanto os ultimos 30 anos tem sido dos mais pioneiros de qualquer das regiões viticulas do mundo. A nivel de viticultura, foi necessário re-desenhar-la para poder ultrapassar os desafios de uma viticultura de montanha, nos tempos que se correm hoje de escassez e elevado custo da mão de obra. No Douro desenvolveu-se novos modelos de vinha que hoje são referencia para outras regiões de montanha pelo mundo fora. Nas castas, onde outras regiões utilizam uma ao duas individualmente, o Vinho do Porto continua a utilizar uma combinação de varias das suas castas para produzir os seus vinhas, dando uma complexidade impar. Na enologia, tomamos o método tradicional da pisa como referncia, mas desenvolovemos varios tipos de cubas pisadores, que pegaram nos principios tradicionais, e aplicaram-se a estas cubas modernas de fermentação.
O Douro hoje tecnicamente utiliza muita inovação como no novo munda, mas tirando sempre por base aquilo que a experiençia de muitas gerações nos ensinou.

2. O homem tem um papel muito importante em tirar proveito daquilo que a natureza nos dá para produzir bons vinhos do porto, e é necessário muito cuidado e pericia para fazer uma boa viticultura, ao para transformar as uvas num bom vinho. Mas a verdade é que os grandes anos (como os Vintage classicos) são quando a natureza deu as condições especiais para ter uvas na sua perfeição de maturação.
Eu como enologo respeito muito os principios da vinificação tradicional em lagar, em que o método foi aperfeiçoado ao longo de varios seculos, tendo muito pouca variação de um ano para o outro. Sendo assim, o que differencia os vinhos de uma Quinta para outra, é o terroir (o local), e os anos differentes deixam a sua marca no vinho.

3. Quando falamos do estilo de cada casa, temos de distinguir entre um vintage e os tawnies.
O que determina o estilo de um vintage de uma casa é o local das suas vinhas e a opção de utilização das castas dentro delas. Esta questão das castas é particularmente relevante agora, e no caso dos 2007, há uma nitida tendencia de reduzir o numero de castas utilizadas, principalmente concentrando na Touriga Nacional, Touriga Francesa e Souzão, para produzir Vintage com muita extração e cor. Eu não sou apologista desta tendencia, dado que perde-se complexidade nos vinhos (a cor não é tudo). Nas nossas Quintas trabalho com castas como o Tinto Cão, Tinta Amarella, Rufete, Tinta Francisca, que em percentagens menores são fundamentais para aumentar a complexidade e qualidade dos Vintage. Afinal, as tão reveradas Vinhas Velhas de que todos admiram são sempre uma mistura de mais de 10 castas.

No caso dos tawnies velhos o que define o estilo de cada casa é a maneira de lotar e envelhecer os vinhos, e aqui é o provador que orienta o estilo através da suas decisões.

4. Eu tenho imensa pena que em Portugal não se consome e aprecia mais o Vinho do Porto. Julgo que isto é uma tendencia nacional de muitas vezes dar mais importancia ao que vem do estrangeiro. No entanto, tambem é importante dizer que nunca se bebeu tanto vinho do Porto de Qualidade em portugal como hoje.
Para mudar a actual situação, é necessário que os Portugueses tem mais orgulho no que é seu, e passe a consumir-lo, e não só falar dele. tambem é fundamental que as empresas e o IVP invistam muito esforço e mostrar aos consumidores nacionais como beber o vinho do Porto, e como sentir confortavel com as categorias differentes.
Felizmente, tem se feito muito pelos que estão ainda interessados em Vinho do Porto e o Instituto do Vinho do Porto (IVP), mas infelizmente a moda para todos no Douro passarem a produzir vinhos de mesa leva a que há queda vez menos pessoas a levar o Vinho do Porto aos consumidores.
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Guimaraens



Registrado: Terça-Feira, 12 de Mai de 2009
Mensagens: 7

MensagemEnviada: Sex Mai 15, 2009 12:08 am    Assunto: Responder com Citação

Chapim escreveu:
Caro David Guimaraens,
antes de mais agradeço a disponibilidade para nos responder a estas perguntas e felicito-o pelos fantásticos vinhos que produz.
Aproveito também a oportunidade para o felicitar pelo prémio Bes Biodiversidade deste ano!

Será que nos podia explicar sucintamente este Projecto - "Um Novo Modelo de Vinha na Região do Douro"?

Um dos vinhos que mais marcou até hoje foi um Vintage Fonseca Guimaraens de 1976. Um espectáculo de vinho. Porque não foi este Vintage Fonseca e sim Fonseca Guimaraens?

Voltarei com mais perguntas.
Obrigado e boas provas!



É como muito orgulho que o trabalho de viticultura desenvolvido ao longo dos ultimos 18 anos na nossa empresa com o nosso mestre de viticultura, Antonio Magalhães, foi reconhecida atrvás do prémioBES da Biodiversidade.
Este trabalho vem de duas origens destintas. A primeira foi o desenvolver a partir de 1992 uma vinha em viticultura Biologica na nossa Quinta do Panascal. Aqui aprendemos como "viver com ervas", e quanto as empresas de quimicos nos tinham enganado ao longo dos ultimos 30 anos. A maioria das receitas tradicionais e naturais não só são mais que suficientes na nossa região, como tambem são as mais apropriadas. A segunda tem haver com a inquietação que os modelos de vinha desenvolvidos nos anos setenta e oitenta nos davam em questões de erosão e utilização massiva de herbicidas.
este modelo eleminou 100% a utilização dos herbicidas residuais, e 90% dos herbicidas de contacto. Ao deixar crescer as ervas de inverno nos taludes das vinhas, e cortar-las mecanicamente na primavera, não só impedimos o crescimento das ervas dificeis de verão, como reduzimos a erosão pelo efeito da massa vegetal ainda fixa na terra. O outro aspecto inovador a nivel mundial, foi a utilização de um sistema lazer de nivelação na construção dos patamares de vinha para permitir escoar o excesso de agua da chuva, que nos modelos anteriores, tantos problemas de erosão criaram.
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