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Entrevista com Domingos Soares Franco /José Maria da Fonseca
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joaoredrose



Registrado: Segunda-Feira, 5 de Março de 2007
Mensagens: 66
Localização: Douro Valley

MensagemEnviada: Qua Fev 18, 2009 2:07 pm    Assunto: Responder com Citação

DSF escreveu:
... Por outro lado, vinhos a esses preços esmagam a produção e restantes parceiros de negócio, colocando grande pressão sobre os agricultores, podendo, no limite, levar a que abandonem a vinha e cedam à pressão urbanística que alastra pelo nosso país.
Desde os tempos de José Maria da Fonseca que apoiamos e incentivamos os pequenos produtores agrícolas. Posso-lhe dizer que aqui na região somos das empresas que mais alto pagamos a uva. ...



Boa tarde Domingos,

imho, uma grande verdade, muito poucas vezes lida ou ouvida.
Voltando à ideia que é das boas uvas que se fazem os bons vinhos, quando se compram estes frutos tem que haver "comércio justo".
Não conheço a realidade doutras regiões, aqui no Douro há muita injustiça, abuso de posição dominante.
É que, para além das pressão urbanó-depressiva que referes, há um limite no empobrecer alegremente. Provavelmente já foi ultrapassado, nas últimas vindimas. Quem são os filhos de lavrador que vão querer ficar a trabalhar as vinhas familiares, quando o que recebem mal paga a vindima? Vamos ter vinhas abandonadas e/ou muito mal grangeadas.
De novo falando do que se passa neste Douro Valley, world heritage site, estamos à beira do precipício.

Uma coisa estranha neste país, onde tantos pensam que temos plantadas boas vinhas com boas castas, é não ser fácil (impossível?) ganhar a vida (meaning, com um rendimento razoável, que dê para as coisas básicas, um ocasional jantar mais gourmet, os filhos poderem estudar o que quiserem, ...) a cultivar e vender uvas.
Será que só escaparão as vinhas ligadas a marcas de vinho ou as de grande mecanização e extensão?

saludos,
joão roseira
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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
Mensagens: 1102
Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Qua Fev 18, 2009 3:34 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Engenheiro Domingos Soares Franco,

Continuando a saga, cá vamos...

É verdade que sai um pouco do contexto desta entrevista mas... não é tarde nem é cedo!

Já por diversas ocasiões falámos na eventualidade de se organizar um evento da José Maria da Fonseca com a Nova Crítica-vinho.

Ora, lanço-lhe publicamente o desafio de se organizar uma ida dos foristas da Nova Crítica-vinho à José Maria da Fonseca para aprendermos sobre vinhos... Moscatéis!

E, claro, provar, que os foristas não se contentam com palavras. Que lhe parece? É exequível? Obviamente que não exigimos o Trilogia mas... estes foristas não brincam em serviço!

Estava a pensar num Sábado (dá sempre mais jeito aos foristas) lá para meados de Abril. Mas, nessa matéria, e se as coisas forem marcadas com alguma antecedência, os foristas conseguirão adaptar-se ao calendário que mais vos convier.

Temos uma grande prova????

Lamento este imprevisto. Rapidamente retornarei às perguntas.

Um grande abraço e... até já!

Pedro
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Registrado: Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2009
Mensagens: 48
Localização: Azeitão

MensagemEnviada: Qua Fev 18, 2009 7:09 pm    Assunto: Responder com Citação

luiz otávio peçanha escreveu:
Caro Domingos Soares Franco,
Seus vinhos são muito conhecidos e apreciados aqui no Brasil. Parabéns.
Qual é a sua visão do mercado brasileiro?


O mercado brasileiro é um dos mercados de maior potencial para os vinhos portugueses. Há obviamente uma enorme afinidade cultural e emocional entre os dois Países e sendo um mercado com uma apetência cada vez maior para vinhos, representa uma oportunidade excelente para os produtores portugueses.
Agora há que ser profissional na abordagem ao mercado, o que não se passa ainda com muitíssimos produtores.


Citação:
A oferta de rótulos de Portugal no mercado brasileiro aumentou muito; e hoje o Periquita já tem que disputar o mercado com estes vinhos.
No meu modo de ver esta concorrencia é benefica ,pois mais do que tirar mercado, acaba fazendo uma sinergia de levar a um maior consumo de vinhos de Portugal. Esta visão está correta?.


A concorrência quando é boa é benéfica. O que se passa no mercado brasileiro é que há marcas que acrescentam valor e ajudam a construir a categoria Portugal e outras que apenas se tentam aproveitar dos sucessos alheios para tentar vender. Na JMF estimamos todos os nossos concorrentes que ajudam a contruir a imagem dos vinhos de Portugal. Somos amigos pessoais de muitos deles e consideramos que se trata de um esforço conjunto que deve ser realizado e que tem dado alguns frutos.

Citação:
Sempre questiono os produtores que aqui passam, se não é o momento indicado para ter uma politica mais agressiva de mostrar os seus variados vinhos aqui no Brasil; dá-los a conhecer, explicar as suas diferenças, ressaltar os seus pontos fortes?


Concordo perfeitamente. Considero o Brasil um dos mercados chave para o crescimento dos vinhos portugueses.

Citação:
Levando tudo isto em conta, está satisfeito com o atual momento da JMF aqui no Brasil?


O Periquita é o vinho europeu mais vendido no Brasil. Este facto é motivo de grande orgulho para nós.
No entanto nunca podemos ficar parados e temos sempre aspirações a crescer, quer através do Periquita quer através de novos vinhos que poderão ser lançados.

Citação:
O que que nós, enófilos brasileiros, precisamos aprender para que possamos a compreender melhor os vinhos da região de Setubal?


A região de Setúbal ainda é bastante desconhecida para o consumidor brasileiro. Acho que há muitas coisas a aprender (poderíamos escrever um livro sobre este assunto). O melhor é virem cá visitar in loco para se aperceberem das características de clima, solo e castas específicas desta região.

Citação:
O porque que os Moscateis de Setubal, só agora parecem estar tomando uma posição de destaque que a muito já deveriam ter conquistado aqui?


Os Moscatéis de Setúbal já tiveram no passado uma projecção muito maior no Brasil do que têm hoje. No início do séc. XIX o Brasil representava cerca de 90% das nossas vendas, sendo o Moscatel de Setúbal o vinho que mais vendíamos na altura. Depois houve a revolução do Getúlio Vargas e a importação de vinhos quase desapareceu. Passou-se então por um período de maior esquecimento para os Moscatéis de Setúbal até hoje em que estamos a tentar desenvolver um trabalho para tornar estes vinhos novamente conhecidos pelo consumidor brasileiro.


Citação:
Estas perguntas são de minha visão pessoal do mercado brasileiro, e posso estar totalmente equivocado, portanto me perdoe se estou dizendo algum disparate.


Nunca é disparate fazer perguntas. Obrigado por as ter feito

Citação:
Abraços,
Luiz Otávio


Abraços
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Registrado: Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2009
Mensagens: 48
Localização: Azeitão

MensagemEnviada: Qua Fev 18, 2009 7:19 pm    Assunto: Responder com Citação

joaoredrose escreveu:
DSF escreveu:
... Por outro lado, vinhos a esses preços esmagam a produção e restantes parceiros de negócio, colocando grande pressão sobre os agricultores, podendo, no limite, levar a que abandonem a vinha e cedam à pressão urbanística que alastra pelo nosso país.
Desde os tempos de José Maria da Fonseca que apoiamos e incentivamos os pequenos produtores agrícolas. Posso-lhe dizer que aqui na região somos das empresas que mais alto pagamos a uva. ...



Boa tarde Domingos,

imho, uma grande verdade, muito poucas vezes lida ou ouvida.
Voltando à ideia que é das boas uvas que se fazem os bons vinhos, quando se compram estes frutos tem que haver "comércio justo".
Não conheço a realidade doutras regiões, aqui no Douro há muita injustiça, abuso de posição dominante.
É que, para além das pressão urbanó-depressiva que referes, há um limite no empobrecer alegremente. Provavelmente já foi ultrapassado, nas últimas vindimas. Quem são os filhos de lavrador que vão querer ficar a trabalhar as vinhas familiares, quando o que recebem mal paga a vindima? Vamos ter vinhas abandonadas e/ou muito mal grangeadas.
De novo falando do que se passa neste Douro Valley, world heritage site, estamos à beira do precipício.


Concordo, uva mal paga conduz ao abandono das vinhas ou ao seu arranque. Temos que pagar o preço justo, tambem pela qualidade da fruta, mas tendo em atenção que a concorrencia lá fora é feroz!!

Um preço justo que dê para todos. Não vamos é pensar fazer piscinas á conta da uva numa altura destas. Tambem somo agricultores e sabemos o que é produzir uva. São perto de 750 ha que controlamos.

Citação:
Uma coisa estranha neste país, onde tantos pensam que temos plantadas boas vinhas com boas castas, é não ser fácil (impossível?) ganhar a vida (meaning, com um rendimento razoável, que dê para as coisas básicas, um ocasional jantar mais gourmet, os filhos poderem estudar o que quiserem, ...) a cultivar e vender uvas.
Será que só escaparão as vinhas ligadas a marcas de vinho ou as de grande mecanização e extensão?


Escaparam aqueles que produzão QUALIDADE A UM PREÇO RENTAVEL para todos

Citação:
saludos,
joão roseira

Abraço
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Registrado: Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2009
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Localização: Azeitão

MensagemEnviada: Qua Fev 18, 2009 7:53 pm    Assunto: Responder com Citação

Pedro Gomes escreveu:
Caro Engenheiro Domingos Soares Franco,


Como prometi aqui levanto o veu da pergunta de hoje de manhã.
O que vamos lançar será um rose sem alcool, produzido a partir do Lancers Rose, em tudo semelhante ao rose normal. Em provas cegas segundo o metodo "duo trio" ninguem até hoje descobriu o rose sem alcool.
Fizemos por responsabilidade social da empresa aos ataques que os activitas anti alcool teem feito á industria do vinho bem como a pedido de mercados de exportação.
Lanço o desafio aos foristas a realizar esta prova em JMF.
Chamar-se-á Lancers Free

Citação:
Continuando a saga, cá vamos...

É verdade que sai um pouco do contexto desta entrevista mas... não é tarde nem é cedo!

Já por diversas ocasiões falámos na eventualidade de se organizar um evento da José Maria da Fonseca com a Nova Crítica-vinho.

Ora, lanço-lhe publicamente o desafio de se organizar uma ida dos foristas da Nova Crítica-vinho à José Maria da Fonseca para aprendermos sobre vinhos... Moscatéis!

E, claro, provar, que os foristas não se contentam com palavras. Que lhe parece? É exequível? Obviamente que não exigimos o Trilogia mas... estes foristas não brincam em serviço!

Estava a pensar num Sábado (dá sempre mais jeito aos foristas) lá para meados de Abril. Mas, nessa matéria, e se as coisas forem marcadas com alguma antecedência, os foristas conseguirão adaptar-se ao calendário que mais vos convier.

Temos uma grande prova????

Concordo, mas para um numero limitado de foristas. Lá para fins de Abril em Azeitão

Citação:
Lamento este imprevisto. Rapidamente retornarei às perguntas.

Um grande abraço e... até já!

Pedro

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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
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MensagemEnviada: Qua Fev 18, 2009 9:41 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Engenheiro Domingos Soares Franco,

Excelente é o mínimo que posso dizer em relação à vossa disponibilidade em receber os foristas. A seu tempo veremos como se concretizará essa incursão por terras de Azeitão.

Voltando às pergunta... e aos clássicos:


1- Deixar de conviver com o d'Avillez Garrafeira foi para mim e, provavelmente, para muitos consumidores um dano irreparável. Porquê abdicar desse "emblema" alentejano? Era inevitável...?

2- Certamente que é um vinho em contra-ciclo, mas sempre gostei muito da suave rusticidade que percorre o José de Sousa Mayor. Sempre lhe encontrei uma vincada personalidade, em grande parte devido ao impacto do pez; e, sempre o achei um excelente parceiro para alguns dos tradicionais pratos de caça portugueses. Mas sinto que essa identidade, essa alma das "ânforas" se tem esbatido nos últimos anos. Estarei equivocado ou, por força das leis do mercado, corremos o risco de vir a perder o convívio com um "grande" do Alentejo?

3- É inegável que a José Maria da Fonseca tem bons vinhos brancos mas, sou daqueles que considera que tanto a longevidade como o prestígio da casa mereciam um branco que se equiparasse aos tintos de topo. Para quando esse branco? E com que castas? Já está na forja...?

Um grande abraço e... até já!

Pedro
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Registrado: Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2009
Mensagens: 48
Localização: Azeitão

MensagemEnviada: Qua Fev 18, 2009 10:41 pm    Assunto: Responder com Citação

Pedro Gomes escreveu:
Caro Engenheiro Domingos Soares Franco,

Excelente é o mínimo que posso dizer em relação à vossa disponibilidade em receber os foristas. A seu tempo veremos como se concretizará essa incursão por terras de Azeitão.

Voltando às pergunta... e aos clássicos:


1- Deixar de conviver com o d'Avillez Garrafeira foi para mim e, provavelmente, para muitos consumidores um dano irreparável. Porquê abdicar desse "emblema" alentejano? Era inevitável...?


Tambem comungo dessa opinião "dano irreparavel". Após anos de trabalho e olhando ao que eram e provando os nossos AP's garrafeiras do antigamente, chegamos ao d'Avillez Garrafeira. A empresa era de um primo meu que acabou por vender. Com muito desgosto meu, mas é a vida. Foi dos melhores topos de gama que nós em JMF produzimos. Considero uma região com qualidades fora de serie, especialmente aquelas vinhas na encosta da Serra de S.Mamede.
Acho que fechei o meu ciclo de Portalegre !!!

Citação:
2- Certamente que é um vinho em contra-ciclo, mas sempre gostei muito da suave rusticidade que percorre o José de Sousa Mayor. Sempre lhe encontrei uma vincada personalidade, em grande parte devido ao impacto do pez; e, sempre o achei um excelente parceiro para alguns dos tradicionais pratos de caça portugueses. Mas sinto que essa identidade, essa alma das "ânforas" se tem esbatido nos últimos anos. Estarei equivocado ou, por força das leis do mercado, corremos o risco de vir a perder o convívio com um "grande" do Alentejo?

Continuamos a fermentar parte em anforas. No entanto, elas não são "pezgadas" á uns anos, portanto aquela caracteristica ficou mais atenuada. Tambem a casta Grand Noir tem vindo a aumentar em %, pois acho esse o caminho para nos aproximarmos ao 1940 e 1945.
Não quero de todo perder o o tal convivio, mas temos que estar sempre "a mexer em algo". Continuará a ser "aquele alentejano" !!!

Citação:
3- É inegável que a José Maria da Fonseca tem bons vinhos brancos mas, sou daqueles que considera que tanto a longevidade como o prestígio da casa mereciam um branco que se equiparasse aos tintos de topo. Para quando esse branco? E com que castas? Já está na forja...?

Temos o Pasmados Branco que tem vindo a evoluir para esse topo. Nos ultimos 2 anos demos um grande salto, estamos quase lá...

No entanto outros estão em mente com aquelas castas estranhas..

Citação:
Um grande abraço e... até já!

Pedro


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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
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MensagemEnviada: Qua Fev 18, 2009 11:07 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Engenheiro Domingos Soares Franco,

E vai mais uma ronda... desta feita abordando aspectos menos entusiasmantes.

1- Como conhecedor que é da realidade vitivinícola nacional, como encara esta crise que agora se instala?

2- Vai acentuar-se esta tendência para o esmagamento dos preços? Será que vamos assistir ao desaparecimento de muitos rótulos e outras tantas marcas a emergir, seguindo estratégias de comunicação muito sofisticadas, mas onde aquilo que está em causa é "baralhar e dar de novo"?

3- Há muito "deslumbrado" que se precipitou em aventuras "taninosas" nos idos de 90 e que vai morrer? Ou sou eu que estou a ver mal o filme?

4- É plausível um cenário de "canibalização" no sector?

5- E como lidar com stocks acumulados? Será que vamos voltar aos tempos das destilações preventivas?

6- Com Porter ou sem Porter, em que se deve alicerçar uma estratégia nacional de afirmação externa dos nossos vinhos?

Um grande abraço e... até já!

Pedro
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Registrado: Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2009
Mensagens: 48
Localização: Azeitão

MensagemEnviada: Qui Fev 19, 2009 12:19 am    Assunto: Responder com Citação

Pedro Gomes escreveu:
Caro Engenheiro Domingos Soares Franco,

E vai mais uma ronda... desta feita abordando aspectos menos entusiasmantes.

Ok, vamos a elas..

1- Como conhecedor que é da realidade vitivinícola nacional, como encara esta crise que agora se instala?


Acho que a crise no sector não começou agora, já vem de trás, do inicio do seculo. Penso que será o culminar da selecção natural das coisas. Aconteceu á uns anos no mesmo sector na California, Mais recentemente na Australia, será que somos tão especiais para fugir ao mesmo precurso?
Acho que com o tempo tudo se ira esclarecer no sector a bem do mesmo. Temos que ser profissionais !!

Citação:
2- Vai acentuar-se esta tendência para o esmagamento dos preços? Será que vamos assistir ao desaparecimento de muitos rótulos e outras tantas marcas a emergir, seguindo estratégias de comunicação muito sofisticadas, mas onde aquilo que está em causa é "baralhar e dar de novo"?


O esmagamento é provocado por certos produtores que não teem mercado e se vem tão aflitos que vendem ao desbarato. Penso que é o "canto do cisne" para certos produtores !! Acho que se vai assistir ao desaparecimento de muitas marcas e á consolidação das mais antigas. O mercado já não vai acreditar em "baralhar e dar de novo". Existe muito barulho "na engranagem"
Citação:

3- Há muito "deslumbrado" que se precipitou em aventuras "taninosas" nos idos de 90 e que vai morrer? Ou sou eu que estou a ver mal o filme?

É o que aconteceu lá fora! Seremos tão bons ou melhor que os outros para que não se veja o desaparecimento de certos produtores?
Citação:

4- É plausível um cenário de "canibalização" no sector?´


É sim.
Citação:

5- E como lidar com stocks acumulados? Será que vamos voltar aos tempos das destilações preventivas?


Stocks acumulados não acredito que hajam devido ás quantidades pequenas de produção dos ultimos 2 anos.
Destilação preventiva? A nova OCM vai no caminho contrario!!
Citação:

6- Com Porter ou sem Porter, em que se deve alicerçar uma estratégia nacional de afirmação externa dos nossos vinhos?


DIFERENCIAÇÃO. Temos castas unicas no mundo que dão produtos diferentes dos Cabernets, Merlots, Chardonnays, etc,etc.
É altura de sermos mais crescidos no sentido de sabermos que castas cultivar, como cultivar, aonde cultiva-las, como fermenta-las, como estagia-las, quando e como comercializa-las (chega de infanticidios vinicos!!!). Qualquer dia nem deixamos acabar a fermentação alcoololica para lancarmos o produto no mercado...
Citação:

Um grande abraço e... até já!

Pedro
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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
Mensagens: 1102
Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Qui Fev 19, 2009 1:57 am    Assunto: Responder com Citação

Caro Engenheiro Domingos Soares Franco,

Entrámos num pingue pongue empolgante: a frontalidade com que fala e a franqueza das suas palavras dão que pensar. E, estou plenamente convencido de que as suas opiniões estão a encontrar eco em muitos foristas e leitores.

Estamos na recta final mas... não vou baixar a guarda!


1- Poucos consumidores o sabem mas, do ponto de vista vegetativo/vitícola (permita-se-me o exagero), Algeruz devia ser elevada à categoria de Património Mundial. Descreva-nos, em linhas muito gerais, o extraordinário trabalho que vem sendo desenvolvido pela José Maria da Fonseca nesse reduto da Península de Setúbal.

2- Península de Setúbal, Alentejo... e Domini! Qual a filosofia por detrás deste empreendimento duriense? Que podemos esperar da última colheita do Domini Plus?

3- Como é trabalhar "o Douro"? Como é lidar com uma realidade climática completamente diferente de Setúbal?

4- Para alguém que está profundamente familiarizado com o contexto geológico da Bacia Ceno-antropozóica do Tejo-Sado, como é conviver com o maciço galaico-duriense? Ou será que essa história da mineralidade é uma "ganda tanga"?

Um grande abraço e... até já!

Pedro
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Rui Lourenço Pereira



Registrado: Terça-Feira, 8 de Janeiro de 2008
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MensagemEnviada: Qui Fev 19, 2009 10:57 am    Assunto: Responder com Citação

Bom dia!

Confirmo já a minha presença na JMF em Abril. Pedro podes começar a fazer a lista.

Vamos a mais umas questões:

- Não sentem necessidade de afirmar o Moscatel como bebida de excelência, à semelhança do Porto, Jerez, Tokaj,...Porque é praticamente desconhecido além fronteiras? Como o fazer?
- Com o uso continuado dos solos nas várias regiões onde têm vinhas, não sente necessidade de os colocar por vezes em pousio (5-10 anos) de maneira a torná-los mais produtivos posteriormente?
- A colocação no mercado de um vinho sem alcóol visa acima de tudo conquistar novos mercados. Será uma experiência sem continuação, ou por outro lado, é também para aplicar aos tintos e brancos. Quais as quantidades produziudas?
- As vindimas de 2008 foram de uma maneira geral extremamente proveitosas em termos de qualidade. Corrobora desta opinião. Será que teremos Hexagon 2008 ou prevê algo melhor/diferente?

Hoje, na comemoração do meu aniversário, vou abrir, algumas garrafas que tenho guardadas. Para além de um Barca Velha 1981, um Chateneauf fu Pape ( não me lembro a colheita), um Moscatel de 1983 (Bacalhôa), um Alambre 20 anos, um Bastardinho e um Vintage 1970. Destes licorosos qual a ordem de degustação que me aconselha?

Abraço,
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joaorico



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MensagemEnviada: Qui Fev 19, 2009 11:35 am    Assunto: Responder com Citação

Pedro, Tiago e Engº Domingos Soares franco,

Também estou candiadto a estar presente neste evento.

Abraços,

JR
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João Rico

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goncas



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MensagemEnviada: Qui Fev 19, 2009 1:12 pm    Assunto: Responder com Citação

Viva Caro DSF,


O vinho Quinta de Camarate é um dos poucos vinhos no mercado a ter duas versões: seco e com açúcar residual (doce, pelo menos de forma assumida);
A Versão doce, "liga bem" com algumas comidas mais “especiadas e/ou picantes". As vendas corroboram esta ligação: vinho branco leve e com açúcar residual/comida “especiada”? I.e., notam que este segmento de restauração procura este tipo de vinho?

A questão do consumidor baralhado com tantas marcas, já foi aflorada nesta entrevista. Perdoe-me a confissão, mas eu próprio Confused também tenho alguma dificuldade em perceber as diferenças entre algumas marcas da JMF como a Vynia (T), Q. Camarate(T/B) e Pasmados (T/B).
Para além das casta, quais as diferenças do perfil de cada uma?

A Cova da Periquita é o berço do Castelão. A JMF já fez alguns vinhos Super Premium, com 100% Castelão (estou-me a lembrar do CO e do Periquita Clássico). Para quando o (ou um novo) "GRANDE" vinho 100% Castelão da vinhas da cova da Periquita?

Já agora, o Periquita Clássico é para continuar ou foi "substituído" pelo Periquita Reserva?

Tenho diversas colheitas do JRF "Tinto Velho" em casa (sem caixa Sad ). A partir de 80, o rótulo já indica o ano e refere ser engarrafado pela JMF, Mas, salvo erro:
- Tenho uma botella, sem indicação de ano, em que o rótulo é já semelhante ao de 80. Será de Setenta e muitos?
- Das outras sem indicação de ano no rótulo, acho que tenho garrafas com pelo menos dois rótulos diferentes. Não tendo as caixas, há hipóteses de saber pelo menos a que décadas pertencem?

PS1: Como consumidor, também já reparei na qualidade do Pasmados branco! Espero que o preço se mantenha Very Happy
PS2: Gosto imenso do FSF 2001. Para mim é o protótipo de definição de vinho “elegância”.
PS3: Como enófilo, mais uma vez obrigado por aquela prova especial dos "Tinto Velho" no ECV.

Obrigado e bem haja pela disponibilidade.

Saudações enófilas,
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Saudações enófilas,

Nuno Gonçalves
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joaoredrose



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MensagemEnviada: Qui Fev 19, 2009 2:11 pm    Assunto: Responder com Citação

Bom dia,

Another candidate p´rá visita.
Atrevo-me a sugerir, uma visita às vinhas com o Paulo Hortas seria um grande plus!
Como o Domingos disse, é mesmo de aplaudir (imho, de pé), na JMF também são lavradores a sério, tanto em quantidade (são? o maior viticultor de PT) como em qualidade (no trabalho vitícola).

Obrigado pelo tempo disponibilizado. Diria que foi bem empregue (egoismo, i know :-)

un saludo duriense,
joão roseira
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MensagemEnviada: Qui Fev 19, 2009 2:17 pm    Assunto: Responder com Citação

Pedro Gomes escreveu:
Caro Engenheiro Domingos Soares Franco,

Entrámos num pingue pongue empolgante: a frontalidade com que fala e a franqueza das suas palavras dão que pensar. E, estou plenamente convencido de que as suas opiniões estão a encontrar eco em muitos foristas e leitores.

Vamos a isto..

Estamos na recta final mas... não vou baixar a guarda!

É pena ser a recta final, agora que estavamos lançados!!

1- Poucos consumidores o sabem mas, do ponto de vista vegetativo/vitícola (permita-se-me o exagero), Algeruz devia ser elevada à categoria de Património Mundial. Descreva-nos, em linhas muito gerais, o extraordinário trabalho que vem sendo desenvolvido pela José Maria da Fonseca nesse reduto da Península de Setúbal.


Patrimonio Mundial é que não (please!!) já não se podia fazer lá nada.
Começou tudo em 1989 com a compra da terra á familia Briz. Foram 206.5 ha aonde decidimos plantar 13 brancas e 9 tintas. Algumas sabiamos que se aclimatavam bem, outras foram para ver a reacção á região. Tentamos na altura usar o que havia disponivel de clones destas castas. Tudo tem rega. Iniciciou se muitas tecnicas novas de viticultura i.e. estações metereologicas (as primeiras na altura), arrelvamento, podas muito inovadoras, etc.

Citação:
2- Península de Setúbal, Alentejo... e Domini! Qual a filosofia por detrás deste empreendimento duriense? Que podemos esperar da última colheita do Domini Plus?


Como já expliquei atrás resultou de uma 1ª conversa nos anos 80 com Cristiano van Zeller. Concretizou se em 2000. A parceria acabou em 2005.
Foram anos inesqueciveis durante os quais o Cristiano ensinou me muito sobre aquela maravilhosa região sobre tudo, a gostar dela.
Em 2005 decidimos continuar sózinhos.
O Domini Plus (proveniente da nossa vinha na Quinta de Mós em Freixo do Numão) teem nos surpreendido com a evolução dele. Queremos um vinho com elegância, com madeira integrada, com boa relação fruta /acidez. Com uma madeira de muito boa qualidade que não tape os aromas. Isto está patente no 2005

Citação:
3- Como é trabalhar "o Douro"? Como é lidar com uma realidade climática completamente diferente de Setúbal?


Trabalhar no Douro é como sempre ouvi dizer "o trabalho do homem contra a natureza". É totalmente diferente ambas as regiões. O terreno plano do é Douro é a pique aqui na Peninsula!

Citação:
4- Para alguém que está profundamente familiarizado com o contexto geológico da Bacia Ceno-antropozóica do Tejo-Sado, como é conviver com o maciço galaico-duriense? Ou será que essa história da mineralidade é uma "ganda tanga"?


Sendo curto e sussinto. O QUÊ ???????????

Citação:
Um grande abraço e... até já!

Pedro


Abraço
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