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Entrevista com Domingos Soares Franco /José Maria da Fonseca
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DSF



Registrado: Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2009
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Localização: Azeitão

MensagemEnviada: Ter Fev 17, 2009 10:40 am    Assunto: Responder com Citação

José Tomáz Mello Breyner escreveu:
Bom Dia Domingos

Gostava de saber se faz parte dos vossos planos fazer um grande vinho (já fazem vários mas este seria "aquele") ao qual dêem o nome de Duquesa de Palmela homenageando a GRANDE Senhora que foi a vossa Avó?. Tenho a certeza que este vinho seria um sucesso de vendas principalmente em Inglaterra

Um abraço

Zé Tomaz


Bom dia Zé
Já pensamos, mas o nome tem primeiro que ser registado pelo possuidor do titulo (o meu primo Pedro) e só depois se pode pensar em tal vinho

Um abraço
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Registrado: Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2009
Mensagens: 48
Localização: Azeitão

MensagemEnviada: Ter Fev 17, 2009 10:43 am    Assunto: Responder com Citação

José Tomáz Mello Breyner escreveu:
Já agora gostaria de lhes dar os meus parabens pelo melhor queijo de Azeitão que provei em toda a minha vida, e perguntar-lhes se esta produção é a chamada "produção de garagem" ou se tencionam incrementá-la .


Um abraço


Zé Tomaz


Obrigada Zé pelo elogio.
A produção tem que ficar como está (de garagem), para não ter que fechar a queijaria. Para a aumentar, teria que ir para quantidades muito grandes e então já não seria de produção artesanal

Abraço
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joaorico



Registrado: Sexta-Feira, 30 de Dezembro de 2005
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Localização: Peniche

MensagemEnviada: Ter Fev 17, 2009 10:53 am    Assunto: Responder com Citação

Citação:
Recebeu a minha resposta ao Jose de Sousa??



Não recebi. Como e para onde enviou?


JR
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João Rico

http://pumadas.blogspot.com
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Registrado: Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2009
Mensagens: 48
Localização: Azeitão

MensagemEnviada: Ter Fev 17, 2009 12:48 pm    Assunto: Responder com Citação

joaorico escreveu:
Voltando a mais umas questões......



Então vamos lá ver se desta vez consigo enviar as respostas


Citação:
A JMF não se encerra só na produção de vinhos nas Terras do Sado:

Arrow No ano 2000, fez um Vinho do Porto Vintage em parceria com um grande nome do Douro. Era algo que ansiava hà muito? Que conclusões retirou dessa aventura? Acabou por ali?


Em 2000, JMF fez uma parceria com um grande nome do Douro, Cristiano van Zeller. Já desde da decada de 80 que falavamos desta parceria. Ele deu me a mostrar o verdadeiro Douro e a qualidade dos vinhos da região. Daqui nasce a nossa gama Domini e Domini Plus. A parceria acaba em 2005. No entanto continuamos agarrados á região, para nossa satisfação


Citação:
Arrow Mais a sul, a JMF adquiriu a José Rosado Fernandes e com ela trouxe para o portefólio da JMF, algo novo. Numa fantástica e esclarecedora prova, no EVS, provávamos, se não estou em erro, o Tinto velho 1940 e o 1961, apercebi-me da capacidade de envelhecimento destes vinhos, ainda tinham frescura, ainda tinham tanino. Como caracteriza os actuais José de Sousa? São feitos com o respeito pelas técnicas anteriormente utilizadas? Pretende-se que tenham a mesma longevidade que os anteriores?


O actual Jose de Sousa mostra o que vale as vinhas da Herdade Monte da Ribeira, plantadas com Trincadeira, Aragonez e Grand Noir. No final da decada de 80 exprimentamos as 2 Tourigas e o Tinto Cão, mas os resultados não foram aquilo que esperavamos. Esta marca é fermentada em inox e em alguns potes.

O Jose de Sousa Mayor começou como Jose de Sousa Garrafeira com a colheita de '86, tentanto confirmar as castas e suas percentagens que existiam na vinha. Tinhamos uma ideia pois a vinha velha do Jose de Sousa ainda por lá continua.

Temos vindo acertar o passo ao longo deste tempo, tendo como "idolo" o Jose de Sousa de 1940 e o de '45. Assim, ele é produzido em talhas de barro e em lagares, conforme se fazia na altura. Esta marca tende a manter aquela caracteristicas dos vinhos do Alentejo de antigamente que era a frescura e grande potencial de envelhecimento.

Citação:
Arrow Ainda sobre os Tinto velho, e agora um pedido de esclarecimento, tenho em casa uma garrafa (eram 3) de um JRF Tinto velho de 1945 (não tem data de colheita) engarrafado em 1969. A indicação está escrita à mão pelo anterior proprietário. Confirma existir este vinho? Porque não tinham indicação de data de colheita?

Sim, confirmo a existência dessa colheita (temos algumas garrafas). No tempo do Sr. Jose de Sousa, o ano de colheita era colocado só na caixa e não na garrafa, não sei a razão

Citação:
Arrow Por ultimo, acredita que hoje em dia fazemos melhores vinhos? Acredita que terão a mesma longevidade que os antigos, aqueles que sempre soubemos serem trepadores de décadas?


Sim acredito que hoje em dia se faz melhores vinhos, para o que se pretende alcançar hoje em dia.
Penso que se os nossos antepassado viessem cá hoje, iriam ficar deveras desampontados pois a qualidade para eles seria algo diferente.
Quanto á longevidade, vai muito do querer do enologo e do mercado. Existe materia prima e tecnologia para se produzirem tais vinhos

Citação:
Ainda voltarei com questões...

Abraço,


Abraço
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Rui Lourenço Pereira



Registrado: Terça-Feira, 8 de Janeiro de 2008
Mensagens: 356
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MensagemEnviada: Ter Fev 17, 2009 2:24 pm    Assunto: Responder com Citação

Ora vamos lá:

- O Queijo de Azeitão da Quinta de Camarate é considerado dos melhores mas raramente se encontra no mercado. Eu pessoalmente só o encontro na furgoneta que está a beira da estrada. Há algum motivo para que tal aconteça?
- Para quando um azeite da JMF?
- Haverá algum interesse em fazer um monocasta Tannat ou será sempre utilizado em lote?
- Sendo um enólogo com a sua experiência, sente necessidade de ir todos os dias à vinha? Quem trabalha convosco na vinha? É a mesma pessoa para todas as regiões?
- Já se sentiram tentados em fazer um vinho Colheita Tardia, tão em voga nos dias de hoje?
- Quais os mercados que vos interessam e ainda não estão presentes? Há alguma razão para tal?
- Para quando um vinho feito por si do género australiano ou sul africano que tanto gosta? Teria saída em Portugal com a situação económica em que vivemos?
- Tendo a maior parte do vinho consumido em Portugal um preço a rondar os € 2,00, não se acham na obrigação de também ter produtos neste patamar?

Abraço,
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www.artmeetsbacchus.blogspot.com
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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
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MensagemEnviada: Ter Fev 17, 2009 3:22 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Engenheiro Domingos Soares Franco,

Como lhe disse antecipadamente, tinha a profunda convicção que a reacção dos foristas iria ser excelente. E, realmente, parece que não me enganei. Há aqui muita gente ávida de aprender e, verdade seja dita, esta entrevista não podia estar a correr melhor. Continuemos então...

1- Do ponto de vista ampelográfico, a casta Moscatel é do mais "ingrato" que pode haver; consultando a exaustiva sistematização proposta por Pierre Galet, no seu Dictionnaire Encyclopédique des Cépages, entre Moscatel e Muscat, o número de referências é de tal ordem que acabamos baralhados. Mas sempre me intrigou uma tal de Moscatel Doutor Soares Franco, um cruzamento entre a Tamarez e o Moscatel (presumo que de Alexandria). Que casta é esta? Existem encepamentos na região? É uma casta utilizada para a produção de vinhos? Quais são alguns dos seus elementos distintivos?

2- Ouço muita gente dizer que consegue distinguir, com a maior das facilidades, o Moscatel Roxo do Moscatel de Alexandria (nem falo na variedade de bago miúdo para não complicar). Confesso-lhe que na prova (cega obviamente) tenho imensa dificuldade em ser tão clarividente e conclusivo. Já fui tentado pela imagem de que o Roxo mostrava maior doçura no ataque; já me agarrei à ideia de que a acidez no final de boca é mais pronunciada no Roxo; e já me enganei muitas vezes! Em definitivo, na prova, como é isso de se ser Roxo... ou não?

3- Não chego aos extremos do Conde de Lur Saluces que dizia gostar de servir o seu Chateau d'Yquem a uma temperatura tal que o vinho devia chegar à mesa em cristais de gelo. Mas confesso-lhe que, sobretudo nos exemplares de entrada de gama, e como forma de compensar a sua menor riqueza ácida, acho crucial servir estes vinhos muito frescos, bem abaixo daquilo que consta nos manuais. Concorda com esta perspectiva? A que temperatura devem ser servidos os moscatéis novos? E os velhos?

4- Que acompanhamentos sugere para uma harmonização perfeita com o estilo Moscatel?

Um grande abraço e... até já!

Pedro


Editado pela última vez por Pedro Gomes em Ter Fev 17, 2009 9:52 pm, num total de 1 vez
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MensagemEnviada: Ter Fev 17, 2009 5:09 pm    Assunto: Responder com Citação

Rui Lourenço Pereira escreveu:
Ora vamos lá:

- O Queijo de Azeitão da Quinta de Camarate é considerado dos melhores mas raramente se encontra no mercado. Eu pessoalmente só o encontro na furgoneta que está a beira da estrada. Há algum motivo para que tal aconteça?


A razão é que a produção é tão pequena que não compensa ir ter com as grandes lojas.

Citação:
- Para quando um azeite da JMF?

Essa hipotese foi colocada á uns anos. Agora está em "banho-maria"

Citação:
- Haverá algum interesse em fazer um monocasta Tannat ou será sempre utilizado em lote?

Já a produzimos 2 vezes. Fico com pena de não a usar em lotes. É o sal e a pimenta..

Citação:
- Sendo um enólogo com a sua experiência, sente necessidade de ir todos os dias à vinha? Quem trabalha convosco na vinha? É a mesma pessoa para todas as regiões?


Não necessariamente, porque vivo no meio delas e depois tenho uma equipe da minha inteira confiança, 1 pelo ISA e 4 pela UTAD. Cada um é responsavel por certas vinhas e na vindima (adega) por certas castas

Citação:

- Já se sentiram tentados em fazer um vinho Colheita Tardia, tão em voga nos dias de hoje?


Já o fazemos há muitos anos mas só comercializamos uma vez. Todos os anos tentamos fazer, nem sempre dá. Quero ataque de 100% de podridão nobre ao cacho. A redução de rendimento por hectar mais o que se perde de mosto devido á desidratação é de tal ordem que o preço final não compensa. A casta é Sauvignon Blanc da vinha Grande de Algeruz. Em cada 10 anos resulta em 5 ou 6 anos.
Citação:


- Quais os mercados que vos interessam e ainda não estão presentes? Há alguma razão para tal?


Actualmente a JMF exporta para aproximadamente 40 países, existindo muitos países onde os nossos vinhos se encontram, apesar de não serem por nós exportados.
Certamente que existem países onde gostaríamos de ter um presença mais forte, tais como a China, a Rússia, a Índia ou outros países do leste da Europa.

Citação:

- Para quando um vinho feito por si do género australiano ou sul africano que tanto gosta? Teria saída em Portugal com a situação económica em que vivemos?


Já o produzi na vindima de 2007, sairá daqui a uns 3 ou 4 anos. Sim acho que teria saida em Portugal, pois sendo um topo de gama não será excessivamente caro. Tambem não são muitas garrafas.
Citação:

- Tendo a maior parte do vinho consumido em Portugal um preço a rondar os € 2,00, não se acham na obrigação de também ter produtos neste patamar?


Vinho a €2,00/gf nunca foi o campeonato da JMF. Não quer dizer que não venhamos a estar, mas sinceramente isso não está nos nossos horizontes. Acreditamos nas nossas marcas e na proposta qualidade/preço que elas apresentam no mercado. É uma estratégia de longo prazo, mas que tem sido uma das chaves para a existência da JMF há 175 anos.
Por outro lado, vinhos a esses preços esmagam a produção e restantes parceiros de negócio, colocando grande pressão sobre os agricultores, podendo, no limite, levar a que abandonem a vinha e cedam à pressão urbanística que alastra pelo nosso país.
Desde os tempos de José Maria da Fonseca que apoiamos e incentivamos os pequenos produtores agrícolas. Posso-lhe dizer que aqui na região somos das empresas que mais alto pagamos a uva.


Citação:
Abraço,


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Registrado: Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2009
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MensagemEnviada: Ter Fev 17, 2009 5:39 pm    Assunto: Responder com Citação

Pedro Gomes escreveu:
Caro Engenheiro Domingos Soares Franco,

Como lhe disse antecipadamente, tinha a profunda convicção que a reacção dos foristas iria ser excelente. E, realmente, parece que não me enganei. Há aqui muita gente ávida de aprender e, verdade seja dita, esta entrevista não podia estar a correr melhor. Continuemos então...

Obrigada Pedro, tenho tido imenso prazer em participar neste Forum. Tambem eu tenho aprendido muito !

Pedro Gomes escreveu:
1- Do ponto de vista ampelográfico, a casta Moscatel é do mais "ingrato" que pode haver; consultando a exaustiva sistematização proposta por Pierre Galet, no seu Dictionnaire Encyclopédique des Cépages, entre Moscatel e Muscat, o número de referências é de tal ordem que acabamos baralhados. Mas sempre me intrigou uma tal de Moscatel Doutor Soares Franco, um cruzamento entre a Tamarez e o Moscatel (presumo que de Alexandria). Que casta é esta? Existem encepamentos na região? É uma casta utilizada para a produção de vinhos? Quais são alguns dos seus elementos distintivos?

Isso de ampelografia é muito complicado e então em Portugal as sinonimias eram ás"dezenas". Agora já se pôs ordem na casa!
Esse moscatel foi um cruzamento feito pelo meu Tio Antonio há já bastantes anos. Deu-lhe o nome do meu Avô Antonio. Existem meia duzia de cepas na nossa colecção. O interesse é muito relativo, lembro do meu Pai fazer micro vinificações mas mais detalhes não sei. Se é para usarmos Moscatel então prefiro usar o de Setubal pois já sei com o que conto. Tambem não nos podemos debruçar sobre muitas castas ao mesmo tempo senão perdemo-nos

Pedro Gomes escreveu:
2- Ouço muita gente dizer que consegue distinguir, com a maior das facilidades, o Moscatel Roxo do Moscatel de Alexandria (nem falo na variedade de grão miúdo para não complicar). Confesso-lhe que na prova (cega obviamente) tenho imensa dificuldade em ser tão clarividente e conclusivo. Já fui tentado pela imagem de que o Roxo mostrava maior doçura no ataque; já me agarrei à ideia de que a acidez no final de boca é mais pronunciada no Roxo; e já me enganei muitas vezes! Em definitivo, na prova, como é isso de se ser Roxo... ou não?

Bom dizer que se consegue distinguir com a maior das facilidades castas, á prova, não é para toda a gente! O roxo tem a particularidade de ser uma casta rosada a puxar para o tinto aberto. Como tal tens presença de taninos muito, mas muito suaves, uma acidez natural mais elevada e uma harmonia muito maior que o branco. Como se diz em inglês, tem uma "fruit / acidity" muitissimo equilibrada em relação ao branco. É mais "senhor vinho".
Mas continuo a dizer que não é facil distinguir e então em prova cega !!!

Pedro Gomes escreveu:
3- Não chego aos extremos do Conde de Lur Saluces que dizia gostar de servir o seu Chateau d'Yquem a uma temperatura tal que o vinho devia chegar à mesa em cristais de gelo. Mas confesso-lhe que, sobretudo nos exemplares de entrada de gama, e como forma de compensar a sua menor riqueza ácida, acho crucial servir estes vinhos muito frescos, bem abaixo daquilo que consta nos manuais. Concorda com esta perspectiva? A que temperatura devem ser servidos os moscatéis novos? E os velhos?

Não, não concordo de todo pois a temoeraturas muito baixas estamos a mascarar defeitos, além que o vinho não agradeçe ser congelado.
Em minha opinião acho que os novos devem ser servidos a 7/8 ºC e consumidos a 10ºC. Os velhos servidos a 12/13ºC e consumidos a 16ºC

Pedro Gomes escreveu:
4- Que acompanhamentos sugere para uma harmonização perfeita com o estilo Moscatel?

Gambas como mencionou atrás. Quando fiz essa harmonização achei que não resultava mas resultou. Frutos secos e com sobremesa os velhos vencem o chocolate preto (boa harmonização)

Pedro Gomes escreveu:
Um grande abraço e... até já!

Pedro


Abraço e até já
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Pedro Gomes



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MensagemEnviada: Ter Fev 17, 2009 6:19 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Engenheiro Domingos Soares Franco,

Quem olhe de relance para a evolução da José Maria da Fonseca facilmente percebe que a empresa não tem estado parada. Muito pelo contrário...!

Para além da aposta nos "clássicos" da casa, só em novos vinhos tranquilos até finais do século passado, e se a memória não me atraiçoa, temos:

Domingos Soares Franco Colecção Privada Viosinho 1997
Domingos Soares Franco Colecção Privada Touriga Francesa 1997
Domingos Soares Franco Colecção Privada Trincadeira 1998
Domingos Soares Franco Colecção Privada 1999 (uma colecção de monovarietais que incluiu as variedades Aragonês, Trincadeira, Tannat, Tinto Cão e Syrah)
FSF - Fernando Soares Franco 1998
Hexagon 2000

1- Que importância teve, tanto para a José Maria da Fonseca como para o país, o "boom" monovarietal vivido em Portugal na segunda metade dos anos 90?

2- O Colecção Privada Trincadeira de 1998 tinha um encanto floral que só consegui encontrar nos primeiros vinhos nascidos na Casa Cadaval pelas mãos de João Portugal Ramos. Porque não deu continuidade a esse vinho?

3- Os "Colecção Privada" de 1999 são absolutamente desconcertantes e, pessoalmente, olho para o Tinto Cão e o Syrah como dois vinhos incríveis. Virtudes do ano? Qualidade das castas? Mérito dos clones seleccionados? Porque razão não houve reedições?

4- O Tannat de 1999 foi visto como um vinho algo violento, com os taninos muito "à flor da pele". Não poderia estar alí um corredor de fundo que, bebido com 20 ou 30 anos, serviria para engrandecer o nome da JMF? Foram guardadas algumas garrafas como stock estratégico? Quando está a pensar abri-las?

5- Ambos com os seus encantos mas, «ser-se Hexagon é diferente de ser-se FSF». Como definiria os dois estilos? Que tipo de pratos aconselha para um e para o outro?

Um grande abraço e... até já!

Pedro
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Registrado: Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2009
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MensagemEnviada: Ter Fev 17, 2009 7:06 pm    Assunto: Responder com Citação

Pedro Gomes escreveu:
Caro Engenheiro Domingos Soares Franco,

Quem olhe de relance para a evolução da José Maria da Fonseca facilmente percebe que a empresa não tem estado parada. Muito pelo contrário...!

Para além da aposta nos "clássicos" da casa, só em novos vinhos tranquilos até finais do século passado, e se a memória não me atraiçoa, temos:

Domingos Soares Franco Colecção Privada Viosinho 1997
Domingos Soares Franco Colecção Privada Touriga Francesa 1997
Domingos Soares Franco Colecção Privada Trincadeira 1998
Domingos Soares Franco Colecção Privada 1999 (uma colecção de monovarietais que incluiu as variedades Aragonês, Trincadeira, Tannat, Tinto Cão e Syrah)
FSF - Fernando Soares Franco 1998
Hexagon 2000

1- Que importância teve, tanto para a José Maria da Fonseca como para o país, o "boom" monovarietal vivido em Portugal na segunda metade dos anos 90?

Para JMF a importancia foi de dar a conhecer castas e como elas se comportam aqui na região. Acho que esse trabalho está concluido, portanto vamos continuar com o Verdelho, Roxo e ocasionalmente com outro, mas prefiro partir para outra.. acho que essa esta gasta.
O "boom" foi bom para Portugal pois mostrou o que por cá se produz e a noção alguns produtores teem por certas castas. Mas grandes vinhos apareceram nessa altura.
Isto é o que Portugal tem para mostrar, DIVERSIFICAÇÃO de castas

Pedro Gomes escreveu:
2- O Colecção Privada Trincadeira de 1998 tinha um encanto floral que só consegui encontrar nos primeiros vinhos nascidos na Casa Cadaval pelas mãos de João Portugal Ramos. Porque não deu continuidade a esse vinho?

Embora tenha sido um grande vinho para mim, decidi que certas castas dão melhor quando lotadas. É que 5.000 litros de clones muito bons fazem falta para lotear topos de gama

Pedro Gomes escreveu:
3- Os "Colecção Privada" de 1999 são absolutamente desconcertantes e, pessoalmente, olho para o Tinto Cão e o Syrah como dois vinhos incríveis. Virtudes do ano? Qualidade das castas? Mérito dos clones seleccionados? Porque razão não houve reedições?

Tem a ver com o ano, as castas e clones. Já agora, com os clones temos tido um excelente trabalho de quase 20 anos tanto com a equipe do Prof. Antero Martins como internamente. Os resultados começam a dar frutos.
Pela mesma razão da Trincadeira, não houve reedicção

Pedro Gomes escreveu:
4- O Tannat de 1999 foi visto como um vinho algo violento, com os taninos muito "à flor da pele". Não poderia estar alí um corredor de fundo que, bebido com 20 ou 30 anos, serviria para engrandecer o nome da JMF? Foram guardadas algumas garrafas como stock estratégico? Quando está a pensar abri-las?

Talvez não houvesse ali esse corredor de fundo, por isso não arrisquei. Se fosse hoje, acredito sim que haveria essa hipotese pois trabalhamos a casta de forma diferente (para melhor). O que temos em stock é para a garrafeira particular da JMF ou seja o que entra lá já não saí, portanto não haverá hipotese de as abrir

Pedro Gomes escreveu:
5- Ambos com os seus encantos mas, «ser-se Hexagon é diferente de ser-se FSF». Como definiria os dois estilos? Que tipo de pratos aconselha para um e para o outro?

Começando pelo FSF foi um vinho que imaginei fruto das castas preferidas do meu Pai, tendo em atenção que não queria nada de "blockbusters". É um vinho que aparece mais cedo que o Hexagon e com mais exuberância, com o tempo o Hexagon apanha-o e ultrapassa-o.
O Hexagon foi fruto de um sonho em 1980, quando iniciei a minha carreira, de um dia vir a fazer um topo, topo de gama com as caracteristicas que ele tem hoje. Na altura não pensei em castas mas só no estilo. Com o plantar de vinhas e com a construção do Centro de Vinificação FSF, mostrei em inicios de 2001 um lote de vinhos ao meu irmão que mais tarde viria a ser o Hexagon. Foi como andar para trás. Começar a construir a cas pelo telhado. Foram meses de trabalho na sala de provas e que acabou por me dar imensa felicidade aquando do seu lançamento

Acha que respondi ? Isto é o meu conceito de fazer topos de gama. São vinhos da minha assinatura muito pessoal.

Pedro Gomes escreveu:
Um grande abraço e... até já!

Pedro

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Pedro Gomes



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MensagemEnviada: Ter Fev 17, 2009 9:00 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Engenheiro Domingos Soares Franco,

Parece que não lhe vou dar tréguas. Não há outra hipótese!


Já no decurso deste ano tive o privilégio de abrir uma garrafa de RA 1985. Deparei-me com um belíssimo vinho, ainda muito vivo na boca, cheio de aromas primários e com uma frescura invejável. E com um contra-rótulo onde se lê "Envelhecido em cascos de carvalho novo durante seis meses e outro tanto em tonéis de carvalho..."

E isso levou-me a esta bateria de perguntas:

1- Como se posiciona face à quase "ditadura" das barricas novas de carvalho que nos foi imposta pela moderna enologia?

2- Não estaremos a abusar nas tostas?

3- Nalguns casos, não estaremos mesmo a levar à madeira massas vínicas que não têm estrutura para aguentar tal desafio? E em vez de provarmos vinhos estagiados em madeira... degustamos aduelas que tomaram banho no vinho?

4- Será que se perderam as virtudes da madeira usada (desde que devidamente salvaguardadas as condições de higiene)?

5- Quase parece que a madeira não presta se não for de 225 litros. Mas, estariam os nossos pais e avós equivocados quando recorriam a tonéis e grandes balseiros?

É que confesso-lhe, estou convencido que há hoje muito vivo cujo encanto e longevidade são comprometidos por erros que se prendem com a utilização indevida de madeiras.

Se preferir, porque as perguntas assim o permitem, pode perfeitamente fazer uma única resposta mostrando o seu ponto de vista e a filosofia que é seguida na José Maria da Fonseca quanto à utilização de madeiras.

Um grande abraço e... até já!

Pedro
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Registrado: Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2009
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MensagemEnviada: Ter Fev 17, 2009 11:42 pm    Assunto: Responder com Citação

Pedro Gomes escreveu:
Caro Engenheiro Domingos Soares Franco,

Parece que não lhe vou dar tréguas. Não há outra hipótese!


Já no decurso deste ano tive o privilégio de abrir uma garrafa de RA 1985. Deparei-me com um belíssimo vinho, ainda muito vivo na boca, cheio de aromas primários e com uma frescura invejável. E com um contra-rótulo onde se lê "Envelhecido em cascos de carvalho novo durante seis meses e outro tanto em tonéis de carvalho..."

E isso levou-me a esta bateria de perguntas:

1- Como se posiciona face à quase "ditadura" das barricas novas de carvalho que nos foi imposta pela moderna enologia?


Já nos meus tempos de estudante nos USA era contra o excesso de madeira nos vinhos. Gosto de madeira desde que seja bem integrada e qb.
Citação:

2- Não estaremos a abusar nas tostas?


Acho que cada vinho tem a madeira desejada, Por vezes as tostas ajudam a dar mais elegancia ao vinho
Citação:

3- Nalguns casos, não estaremos mesmo a levar à madeira massas vínicas que não têm estrutura para aguentar tal desafio? E em vez de provarmos vinhos estagiados em madeira... degustamos aduelas que tomaram banho no vinho?

Pois, isso é o problema de alguns enologos que ainda estão com uma visão um pouco antiquada e querem dar madeira só para estar na moda
Citação:

4- Será que se perderam as virtudes da madeira usada (desde que devidamente salvaguardadas as condições de higiene)?


A madeira usada mesmo desinfectada por dar problemas de "bretas". Há que tomar muito cuidado.
no entanto sinto a falta desse tipo de madeira pois fazia um efeito parecido com a microxigenação mas maisw natural e lento. O aroma e gosto a madeira é que já não dava

Citação:
5- Quase parece que a madeira não presta se não for de 225 litros. Mas, estariam os nossos pais e avós equivocados quando recorriam a tonéis e grandes balseiros?

Bons tempos os dos toneis e balseiros acompanhados de meias pipas de 225

É que confesso-lhe, estou convencido que há hoje muito vivo cujo encanto e longevidade são comprometidos por erros que se prendem com a utilização indevida de madeiras.


Plenamente de acordo !!!!!!!!!

Citação:
Se preferir, porque as perguntas assim o permitem, pode perfeitamente fazer uma única resposta mostrando o seu ponto de vista e a filosofia que é seguida na José Maria da Fonseca quanto à utilização de madeiras.

Um grande abraço e... até já!

Abraço

Citação:
Pedro

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Pedro Gomes



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MensagemEnviada: Qua Fev 18, 2009 2:06 am    Assunto: Responder com Citação

Caro Engenheiro Domingos Soares Franco,

Muito estimulante... no mínimo! Vamos então dar continuidade a esta conversa e situemo-nos no presente.

1- Como está a ser a reacção do mercado ao Colecção Privada Verdelho? Que pode o consumidor esperar do novíssimo 2008?

2- Ainda no âmbito dos "Colecção Privada", aventurou-se na elaboração de um clarete Malbec. A ideia é, num futuro próximo, vir a reproduzir "o melhor" da Argentina com a chancela José Maria da Fonseca? Fale-nos um pouco desse vinho.

3- E as novidades parece que não se ficam por aqui: vinho sem álcool? Como...? Será que vamos ter um Colecção Privada "Light"? Pode levantar um bocadinho do véu...?

Um grande abraço e... até já!

Pedro
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luiz otávio peçanha



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MensagemEnviada: Qua Fev 18, 2009 2:14 am    Assunto: Responder com Citação

Caro Domingos Soares Franco,
Seus vinhos são muito conhecidos e apreciados aqui no Brasil. Parabéns.
Qual é a sua visão do mercado brasileiro?
A oferta de rótulos de Portugal no mercado brasileiro aumentou muito; e hoje o Periquita já tem que disputar o mercado com estes vinhos.
No meu modo de ver esta concorrencia é benefica ,pois mais do que tirar mercado, acaba fazendo uma sinergia de levar a um maior consumo de vinhos de Portugal. Esta visão está correta?.
Sempre questiono os produtores que aqui passam, se não é o momento indicado para ter uma politica mais agressiva de mostrar os seus variados vinhos aqui no Brasil; dá-los a conhecer, explicar as suas diferenças, ressaltar os seus pontos fortes?
Levando tudo isto em conta, está satisfeito com o atual momento da JMF aqui no Brasil?
O que que nós, enófilos brasileiros, precisamos aprender para que possamos a compreender melhor os vinhos da região de Setubal?
O porque que os Moscateis de Setubal, só agora parecem estar tomando uma posição de destaque que a muito já deveriam ter conquistado aqui?

Estas perguntas são de minha visão pessoal do mercado brasileiro, e posso estar totalmente equivocado, portanto me perdoe se estou dizendo algum disparate.

Abraços,
Luiz Otávio
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De vinho em vinho vamos aprendendo um pouquinho.
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MensagemEnviada: Qua Fev 18, 2009 8:50 am    Assunto: Responder com Citação

Pedro Gomes escreveu:
Caro Engenheiro Domingos Soares Franco,

Muito estimulante... no mínimo! Vamos então dar continuidade a esta conversa e situemo-nos no presente.

Então vamos lá

1- Como está a ser a reacção do mercado ao Colecção Privada Verdelho? Que pode o consumidor esperar do novíssimo 2008?

A reacção está a ser de tal forma boa que o Verdelho veio para ficar na Colecção Privada. o 2008 está mais afinado na na boca. Bem mais perto daqueles que provei na Australia

Pedro Gomes escreveu:
2- Ainda no âmbito dos "Colecção Privada", aventurou-se na elaboração de um clarete Malbec. A ideia é, num futuro próximo, vir a reproduzir "o melhor" da Argentina com a chancela José Maria da Fonseca? Fale-nos um pouco desse vinho.

A ideia do Malbec surgui á uns ano quando visitei adegas na Nova Zelandia e provei Malbec extraordinarios (estranho Malbec na Nova Zelandia, não é?) Mas, foi onde os provei depois de os ter provado em França e em JMF no anos 70, proveniente duma vinha que tinhamos na altura. Só ultimamente tenho provado realmente Malbec's Argentinos muito bons. Portanto a ideia foi tornar a plantar uma vinha. Este foi o 2º ano de produção dela. Decidimos fazer um rosé, mas como a cor era bem carregada para um rose, seguimos o caminho de um clarete.

Pedro Gomes escreveu:
3- E as novidades parece que não se ficam por aqui: vinho sem álcool? Como...? Será que vamos ter um Colecção Privada "Light"? Pode levantar um bocadinho do véu...?

Isso é outro assunto! Voltarei mais logo a este assunto, prometo!
Não, não se ira chamar Colecção Privada ...
O veu vai-se levantar ...

Pedro Gomes escreveu:
Um grande abraço e... até já!

Pedro

Abraço
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