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Entrevista com Domingos Soares Franco /José Maria da Fonseca
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valtercosta72



Registrado: Segunda-Feira, 5 de Março de 2007
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MensagemEnviada: Seg Fev 16, 2009 7:59 pm    Assunto: Responder com Citação

Pertenço à região e sou um dos que adora os vossos vinhos.
Prefere os vinhos da região da Arrábida ou da vinha de Algeruz?
Tirando aquela edição especial da caixa dos 100 anos, vão ter no mercado moscateis de 10 anos?
Tenho em casa uma aguardente velha da região dos vinhos verdes de seu nome "BHB". Foi engarrafada pela JMF em 1974. O que é que me pode dizer desta aguradente, que me foi deixada por um tio.
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Registrado: Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2009
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MensagemEnviada: Seg Fev 16, 2009 9:03 pm    Assunto: Responder com Citação

joaorico escreveu:
Caro Engº Domingos Soares Franco,

Em primeiro lugar gostaria de o felicitar, e à sua equipa, pelo reconhecimento do Hexagon, no evento da passada Sexta feira. Eu bebi-o durante o jantar e confesso que estáva num momento fantástico.

Muito obrigado pelo elogio

joaorico escreveu:
As perguntas:

Arrow Confesso que sou um devoto pelos vinhos da Madeira, no entanto, tenho provado moscatéis geniais, principalmente da vossa Casa. Tal como o Madeira, o moscatél é um vinho ainda com pouco reconhecimento, muitos desconhecem o valor real do Moscatél de Setúbal. A JMF integra no seu património mais de 90% dos melhores moscatéis feitos na região. A que se deve tanta diferença?

Talvez pelo metodo que são feitos e tambem pelo stocks que temos guardado desde do tempo do Jose Maria da Fonseca e que ainda continuamos a fazer

joaorico escreveu:
à antiguidade da Casa? Ao stock de lotes velhos que foram sendo guardados? O que pensa ter de ser feito para internacionalizar mais, o Moscatel de Setúbal?

Não é facil, pois consumidores de vinhos geneorosos são bem menos que os de vinho de mesa. Quem o exprimenta, fica a adora lo, mas depois de regresso ao seu pais, o vinho é esquecido.

joaorico escreveu:
Arrow Dos vinhos mais fantásticos que bebi, e na altura acabei por ligar-lhe, foi o tal velhissimo licoroso à base de Castelão. O Palmella Superior. Já não existem condições para reeditar um vinho assim?

Esses vinhos para adquirirem aquela qualidade vinham de certeza de vinhas muito velhas e depois essas preciosidades eram guardadas durante muitas dezenas de anos antes do seu lançamento. Hoje em dia acho um pouco dificil fazer isso

joaorico escreveu:
Arrow Como empresa familiar que é, apesar da sua grandeza, como tem encaminhado as gerações vindouras, as que ainda agora se estão a formar? Costuma dar alguns conselhos para o futuro do conteúdo da maravilhosa Adega dos Teares Velhos?

Tanto eu como o meu irmão nunca obrigamos os nossos filhos a estudarem algo com o intuito de irem trabalhar em JMF. Dos 8 descendentes, 2 estão em JMF, outros 3 estão em outro empregos e os restantes 3 ainda estão a estudar. Para enologia ainda não há ninguem.
Quanto ao conteudo dos Teares Novos aconselho a preservar o que herdamos, colocando no mercado só o essencial, mas estando sempre a refazer stocks

joaorico escreveu:
Arrow Por falar nesse local unico e mágico. Sei que não passa por lá muitas vezes, mas o que sente quando lá entra?

Uma paz e uma energia extraordinaria. Vem me á memoria o meu Pai e o meu Tio Antonio

joaorico escreveu:
Arrow Finalmente, um pouco de curiosidade.....Tem provado as recentes edições dos Torna Viagem? Como se estão a portar?

Provei os 2 vezes. Realmente a viagem faz diferença para melhor, tornando os mais subtis, macios, complexos e ...


joaorico escreveu:
Abraço,

Abraço
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Registrado: Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2009
Mensagens: 48
Localização: Azeitão

MensagemEnviada: Seg Fev 16, 2009 9:34 pm    Assunto: Responder com Citação

Rui Lourenço Pereira escreveu:
Vamos a mais uma leva:

- João, acabaste de focar um ponto que também me interessava. Palmella Superior. Para quando algo semelhante? E possível?

Como já o referi, não vejo como seja possivel

Rui Lourenço Pereira escreveu:
- Estando os dois irmãos à frente da JMF, o Eng. e o seu irmão, António, dá-me a impressão que a sucessão está bem garantida. Tem sido um cuidado vosso transmitir todos os conhecimentos adquiridos ao longo dos anos? Eles têm motivação para continuar?

Todos os conhecimentos são transmitidos sempre que possivel. Estão cheios de motivação

Rui Lourenço Pereira escreveu:
- Quando será possível ao comum dos mortais provar esse mito chamado Torna Viagem?

UUUHHMM

Rui Lourenço Pereira escreveu:
- Como estão a correr as experiências no Douro? O Dominus Plus está a satisfazer as vossas expectativas? Está a ser muito diferente trabalhar os vinhos das Terras do Sado e Alentejo relativamente ao Douro?

Estamos muito satisfeitos com os resultados até agora atingidos. O Domini Plus está a seguir o trajecto por nós delineado. Trabalhar nestas 3 regiões é sempre interessante e diferente

Rui Lourenço Pereira escreveu:
- O Hexagon, considerado o topo de gama da JMF em termos de vinhos de mesa, é aquilo que sempre quis criar ou por outro lado ainda não atingiu o seu "sonho"?

Houve uma altura era o que eu sonhava. Quando o sonho se tornou realidade, arranjei algo mais alto..

Rui Lourenço Pereira escreveu:
- Não tendo a região das Terras de Sado" grande projecção em Portugal em termos de notoriedade comparada com Douro, Alentejo, Dão entre outras, porque não actuam as empresa da região em maior parceria? Haverá assim tão grandes diferenças entre as empresas da região? Do G7, G6 ou G5 das empresas produtores de vinho em Portugal, duas encontram-se a escassos metros em Azeitão. Costumam actuar em parceria em defesa da região, ou serão sempre, concorrentes?

Sim existe diferença entre as empresas da região. A Bacalhoa e JMF estão noutro patamar em relação ás outras, talvez a que se aproxime mais seja a Casa Ermelinda de Freitas. Depois temos 2 Adegas Cooperativas, que entre elas tambem são diferentes. No entanto, quanto toca em defesa da região, todos unimos esforços e caminhamos lado a lado

Rui Lourenço Pereira escreveu:
- Tendo em casa várias vinhos vossos, como Bastardinho, Alambre, Alambre 20 anos, Colecção Privada para além de algumas referências em vinhos de Mesa (ex: 1 caixinha de Hexagon onde ninguém toca Smile Smile Smile ), noto que no Alambre vulgo corrente, do qual penso que tenho todos desde 1995, reparo que há alguma evolução destes na garrafa. Valerá a pena guardar estes vinhos?

Vinhos Moscateis de Setubal em garrafa, não devem ter alterações em garrafa, a não ser se forem de lotes diferentes. Agora, 2 garrafas engarrafadas uma a seguir á outra e mantidas em condições iguais, não devem ser diferentes. Este tipo de vinho não se altera na garrafa, mesmo depois de aberta (nada de exageros !!)

Rui Lourenço Pereira escreveu:
Nota: Aproveito para lhe dizer que a título pessoal não gosto da nova imagem do Alambre, apesar de compreender que gostos não se discutem. Qual o porquê da mudança?

Resultado de estudos de consumidor .....

Rui Lourenço Pereira escreveu:
Voltarei mais tarde.

Abraço


Abraço
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Registrado: Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2009
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MensagemEnviada: Seg Fev 16, 2009 9:47 pm    Assunto: Responder com Citação

joaoredrose escreveu:
Boa tarde Domingos,

Eu também estou um pouco como o João e o Rui, quanto mais provo e conheço os Moscateis, y, sem sombra de pecado :-), os JMF more than any other, mais siderado fico.
Pegando no que dizias numa resposta mais em cima, "No entanto, não temos os melhores do mundo ", apetece discordar e dizer que alguns dos vossos Moscateis estão no top mundial.

Eu não me referia aos moscateis mas aos vinhos de mesa

joaoredrose escreveu:
E, de novo como diz o João, sente-se mesmo que estamos num "local único e mágico" na Adega dos Teares Velhos. Tive a sorte de fazer a visita com o João Vila Maior, que nos faz vibrar ainda mais com o seu entusiasmo.
Enfim, tudo isto para dizer que, sem patriotismo balofo, todos nós do mundo do vinho PT, profissionais ou enófilos, temos que olhar com mais respeito, carinho e orgulho para estes Grandes Vinhos. Por exemplo, terminar aquela refeição especial com eles. Nem sempre o Porto tem que ser a chave d'ouro, perdoe-se o clixé.

Concordo totalmente com o que dizes "Temos seguido muito (talvez demais) as modas do Novo Mundo. Temos que saber trabalhar as nossas castas, saber aonde plantas e como.".

joaoredrose escreveu:
No entanto, y sorry pela ousadia, às vezes tenho ficado com a impressão que a JMF faz um pouco isso. Essa ideia de "O estilo de vinho vou adaptando ao gosto do consumidor" que me parece tão Novo Mundo, como se o mais importante não fossem as uvas.

Não posso concordar de todo "JMF faz um pouco isso". Talvez nós não divulgamos os trabalhos e ensaios de viticultura e enologia. Quem tem a colecção amplografica que temos? Só agora os Estado possui algo maior.
Quem no final dos anos 70 já tinha vinhas no Sul de castas tipo Touriga Nacional e Francesa? Temos arrancado pequenas parcelas de vinhas pois essas castas ou clones não se adaptam a essa zona.
"Sem ovos não se fazem omoletes", sem boas uvas não se fazem bons vinhos. Sempre dei um valor de peso á viticulrura. Agora se quero vender garrafas tenho que adaptar certas marcas ao gosto do consumidor, sem para no tempo

joaoredrose escreveu:
Claro, a prespectiva é diferente quando, como eu, se fazem pequenos ou grande volumes. Mas, e esta é a minha dúvida, mesmo o mercado dos vinhos mais "industriais" não está a evoluir para menos manipulação?

Manipulação é uma palavra perigosa!!

joaoredrose escreveu:
Quase como nos restaurantes, respeito pelo produto?

Y nada, gracias y saludos desde el Douro,
joão roseira

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Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Seg Fev 16, 2009 10:40 pm    Assunto: Responder com Citação

Domingos Soares Franco,

Reforço as palavras do Pedro. É para nós um enorme prazer e orgulho poder “ouvir” a sua escrita neste fórum. Avanço então para umas pequenas perguntas.

É visível a transição para a modernidade operada na José Maria da Fonseca. Os vinhos foram revistos na imagem tal como no conteúdo que se adaptou à procura de mercado. Criou-se um Periquita Reserva de perfil moderno, mundializou-se a casta Castelão e atingiu-se uma compreensão surpreendente de castas como a Syrah.
1. Quais as principais diferenças com o passado?
2. Que balanço faz da evolução da enologia e dos vinhos da JMF nos últimos 20 anos?
3. Que balanço faz do trajecto da região de Setúbal, em especial quando confrontada com o ressurgimento em força de Alentejo e Douro?
4. Alegrias e desilusões do seu percurso?

O património de castas da JMF é fascinante e único. E muitos dos vinhos DSF Colecção Privada têm aberto horizontes.
5. Qual é o propósito desta Colecção Privada?
6. O Trincadeira 1998 (0,5l) foi um vinho que sempre me seduziu. O que significou esta experiência? Qual é a sua visão da casta Trincadeira? Potencial?
7. Moscatel Roxo rosé 2007, um rosé com princípio meio e fim. Como surgiu esta ideia? Porquê esta casta?
8. Tem alcançado uma compreensão fascinante da casta Syrah. Dos poucos que repete com frequência na denominação Colecção Privada. Qual é a sua visão desta casta? Virtudes?
9. A Touriga Nacional surgiu inevitavelmente. De que forma procura expressar o carácter desta casta na região de Setúbal? O perfil é muito diferente de um Douro ou Dão? Diferenças?
10. Tinta Barroca?
11. E a Touriga Franca?
12. Tannat! Alguns vinhos franceses oriundos da região do Madiran são absolutamente surpreendentes, mas encontrar um exemplar em Portugal é notável. Fale-nos um pouco desta “especialidade”?
13. Nos brancos já assistimos a exemplares de Sauvignon Blanc, Viognier, Verdelho, Alvarinho. Porquê estas castas? Qual é a sua visão e potencial de cada uma delas na região de Setúbal?

E finalmente, lote ou monocasta? FSF ou Colecção Privada? Virtudes e defeitos de cada interpretação? Monocasta que prefira ao lote? Lote que prefira à monocasta? Exemplos?

Um abraço,


Editado pela última vez por Tiago Teles em Seg Fev 16, 2009 10:52 pm, num total de 3 vezes
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Registrado: Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2009
Mensagens: 48
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MensagemEnviada: Seg Fev 16, 2009 10:44 pm    Assunto: Responder com Citação

Arnaud escreveu:
Boa tarde,

Obrigado por ter aceite responder as nossas perguntas.

- Quais são do seu ponto de vista as características e a especificidade da região Terras do Sado e dos seus vinhos?

Bom, esta pergunta dava para escrever um livro mas resumidamente é uma região com duas zonas distintas:
A serra da Arrabida com uma influencia no clima muito acentuada, com solos maioritariamente argilocalcarios e a zona de Palmela, plana e aberta ao Atlantico com solos arenonoso. Estas e outras caracteristicas produzem vinhos dentro da mesma casta com teor de alcool diferente, riqueza aromatica, acidez e paladar diferentes

Arnaud escreveu:
- Além das tradicionais Castelão, Moscatel e Fernão Pires, quais são as castas que se dão melhor na região?

Trincadeira, Aragonez, Shiraz, Tannat, Touriga Nacional e Francesa e mais.
Nas brancas temos o Verdelho, Viozinho, Viognier, etc

Arnaud escreveu:
- Houve nos ultimos anos muitas novidades no portefólio da José Maria da Fonseca (Periquita Branco e Rosé, DSF Verdelho, DSF Moscatel Roxo Rosé, DSF Clarete Malbec). Será que podemos esperar ainda mais novidades, mais monocastas exóticos?

Sim, monocastas exoticas sim mas para já não irei divulgar por razões obvias.
Outras ideias irão aparecer a seu tempo

Arnaud escreveu:
- Fala-se muito da importância do terroir, ou pelo menos da personalidade nos vinhos. Será que isto ajuda a vender ou não passa duma visão poética para 'wine lovers' e produtores de garagem?

Eu não sou adepto do termo "terroir", ele existe mas para mim é muito raro. Será uma maneira facil de explicar algumas caracteristicas de certas regiões

Arnaud escreveu:
Em que medida as castas nacionais podem ajudar a vender lá fora por proporcionarem essa diferença e personalidade?

Sem duvida que as castas nacionais nos ajudam a vender lá fora desde que apresentadas devidamente e com qualidade. É uma mais valia para Portugal. Temos que nos diferenciar e quanto antes, pois se não tivermos cuidado, outros paises viram com essas castas que são nossas

Arnaud escreveu:
Não serão a imagem de marca (Periquita) ou o nome do país/região preponderantes?

A imagem de marca vende muito. Já o da região não tanto

Arnaud escreveu:
Será que as práticas enológicas modernas deixam ainda a lado varietal exprimir-se?

Claro, acho que é possivel exprimi las ainda mais

Arnaud escreveu:
- Qual é o peso das vossas marcas nas outras regiões para o mercado exterior?

Exportamos 75% da nossa produção

Arnaud escreveu:
Somos capazes de ver um dia um Periquita Alentejo ou um Periquita Douro?

Não, achamos que só iria confundir o consumidor ainda mais

Muito obrigado.

Abraço

Arnaud
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Registrado: Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2009
Mensagens: 48
Localização: Azeitão

MensagemEnviada: Seg Fev 16, 2009 10:51 pm    Assunto: Responder com Citação

valtercosta72 escreveu:
Pertenço à região e sou um dos que adora os vossos vinhos.
Prefere os vinhos da região da Arrábida ou da vinha de Algeruz?

É um prazer ter alguem da região !!

Ambas as zonas teem as suas particularidades que vão bem em conjunto ou em separado. Hoje em dia prefiro fazer lotes de ambas para assim ir buscar o melhor de cada

valtercosta72 escreveu:
Tirando aquela edição especial da caixa dos 100 anos, vão ter no mercado moscateis de 10 anos?

Não, já temos o suficiente de marcas. Não podemos confundir o consumidor

valtercosta72 escreveu:
Tenho em casa uma aguardente velha da região dos vinhos verdes de seu nome "BHB". Foi engarrafada pela JMF em 1974. O que é que me pode dizer desta aguradente, que me foi deixada por um tio.

É originaria dos Vinhos Verdes (tem o selo da região) e é um lote de aguardentes do inicio dos anos 60.
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msoares



Registrado: Domingo, 13 de Abril de 2008
Mensagens: 134

MensagemEnviada: Seg Fev 16, 2009 11:08 pm    Assunto: Responder com Citação

Viva.

Queria dar-lhe os parabens pela apresentação que fez aqui nos Açores no Jantar da garrafeira "A vinha".

Que vinhos deliciosos nos presentou, eu gostei especialmente do FSF. Sem esquecer os outros, era tudo bom!

Espero que volte e nos ensine mais.

Muitos anos de vida e muitos bons vinhos, eu espero por eles.
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joaorico



Registrado: Sexta-Feira, 30 de Dezembro de 2005
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Localização: Peniche

MensagemEnviada: Seg Fev 16, 2009 11:14 pm    Assunto: Responder com Citação

Voltando a mais umas questões......

A JMF não se encerra só na produção de vinhos nas Terras do Sado:

Arrow No ano 2000, fez um Vinho do Porto Vintage em parceria com um grande nome do Douro. Era algo que ansiava hà muito? Que conclusões retirou dessa aventura? Acabou por ali?


Arrow Mais a sul, a JMF adquiriu a José Rosado Fernandes e com ela trouxe para o portefólio da JMF, algo novo. Numa fantástica e esclarecedora prova, no EVS, provávamos, se não estou em erro, o Tinto velho 1940 e o 1961, apercebi-me da capacidade de envelhecimento destes vinhos, ainda tinham frescura, ainda tinham tanino. Como caracteriza os actuais José de Sousa? São feitos com o respeito pelas técnicas anteriormente utilizadas? Pretende-se que tenham a mesma longevidade que os anteriores?

Arrow Ainda sobre os Tinto velho, e agora um pedido de esclarecimento, tenho em casa uma garrafa (eram 3) de um JRF Tinto velho de 1945 (não tem data de colheita) engarrafado em 1969. A indicação está escrita à mão pelo anterior proprietário. Confirma existir este vinho? Porque não tinham indicação de data de colheita?

Arrow Por ultimo, acredita que hoje em dia fazemos melhores vinhos? Acredita que terão a mesma longevidade que os antigos, aqueles que sempre soubemos serem trepadores de décadas?

Ainda voltarei com questões...

Abraço,
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João Rico

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joaorico



Registrado: Sexta-Feira, 30 de Dezembro de 2005
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MensagemEnviada: Seg Fev 16, 2009 11:29 pm    Assunto: Responder com Citação

Peço desculpa se estou a ser chato mas são tantas as perguntas que lhe gostava de fazer.......

Arrow Ainda há pouco conversava sobre um vinho, que também tenho um único exemplar, e que nem sabia ser do vosso domínio. Um P63. Ao que sei este vinho provém da Quinta da Passarela no Dão. Pode-me elucidar um pouco mais sobre ele? O que esperar deste vinho?

Arrow Com tantas ramificações que a JMF tem, e teve, foi adquirindo muito conhecimento neste seu trajecto como enólogo. Não só os vinhos mas também decerto existirão pessoas que o marcaram na sua carreira. Existe alguém a quem deva muito para ter chegado onde hoje chegou?

Arrow Sendo um estudioso do vinho, como acredito que seja, concerteza que prova vinhos de todas as regiões do mundo, para se manter actualizado e também por gosto. Que tipos de vinhos prefere? Existe alguma região estrangeira pela qual nutre um carinho especial? Dos vinhos que já bebeu, que vinho o marcou mais em toda a sua vida.


Abraço,
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João Rico

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Registrado: Quinta-Feira, 12 de Fevereiro de 2009
Mensagens: 48
Localização: Azeitão

MensagemEnviada: Seg Fev 16, 2009 11:48 pm    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
Domingos Soares Franco,

Reforço as palavras do Pedro. É para nós um enorme prazer e orgulho poder “ouvir” a sua escrita neste fórum. Avanço então para umas pequenas perguntas.


Obrigado Tiago pelo vosso convite para este Forum.

Citação:
É visível a transição para a modernidade operada na José Maria da Fonseca. Os vinhos foram revistos na imagem tal como no conteúdo que se adaptou à procura de mercado. Criou-se um Periquita Reserva de perfil moderno, mundializou-se a casta Castelão e atingiu-se uma compreensão surpreendente de castas como a Syrah.
1. Quais as principais diferenças com o passado?


Talvez a minha formação ter sido nos USA. Tambem tanto a Viticultura e a Enologia evoluiram muitissimo a nivel mundial nos últimos 40 anos

Citação:
2. Que balanço faz da evolução da enologia e dos vinhos da JMF nos últimos 20 anos?


Tem sido muito grande, embora sem muita divulgação. Consegui criar uma equipe de enologia e viticultura da qual me orgulho todos os dias. Assim, tambem me permite hoje em dia trabalhar mais para o marketing divulgando por esse mundo fora os nossos vinhos e os vinhos de Portugal

Citação:
3. Que balanço faz do trajecto da região de Setúbal, em especial quando confrontada com o ressurgimento em força de Alentejo e Douro?
4. Alegrias e desilusões do seu percurso?


Tem havido algumas desilusões pois considero que somos poucos na região. Concorrencia é bem vinda. Alegrias, embora poucos conseguimos de uma certa forma por a região a ser comentada tanto em Portugal como por vezes lá fora

Citação:
O património de castas da JMF é fascinante e único. E muitos dos vinhos DSF Colecção Privada têm aberto horizontes.

5. Qual é o propósito desta Colecção Privada?


No inicio era só divulgar castas e como elas se comportavam na nossa região. Hoje em dia é o lugar em que a equipe de enologia e viticultura se pode exprimir livremente com as suas "loucuras ocasionais"


Citação:
6. O Trincadeira 1998 (0,5l) foi um vinho que sempre me seduziu. O que significou esta experiência? Qual é a sua visão da casta Trincadeira? Potencial?


Geralmente só deixo lançar vinhos deste tipo de vinhas com mais de 10 anos. Esta Trincadeira foi uma das poucas excepções. Era o 3º ano de produção da vinha. Pode ver quanto acredito nesta casta!
É uma casta muito importante para lote. Tem um "pequeno grande problema" não gosta de chuva e nem de muito calor
Citação:

7. Moscatel Roxo rosé 2007, um rosé com princípio meio e fim. Como surgiu esta ideia? Porquê esta casta?


Lá está, uma daquelas loucuras! Moscatel Roxo não é uma casta branca, logo se pode fazer rosé. Como já não a considero em extinção, então vamos mostrar as potencialidades desta casta e fazer um rosé "sui generis" com aromas a moscatel


Citação:
8. Tem alcançado uma compreensão fascinante da casta Syrah. Dos poucos que repete com frequência na denominação Colecção Privada. Qual é a sua visão desta casta? Virtudes?


Sou grande apreciador desta casta. Tenho provado dos melhores vinhos do mundo feitos a partir desta casta. Consegue uma complexidade, suavidade, ao mesmo tempo auster, uma subtileza fora do normal


Citação:
9. A Touriga Nacional surgiu inevitavelmente. De que forma procura expressar o carácter desta casta na região de Setúbal? O perfil é muito diferente de um Douro ou Dão? Diferenças?


Tento que ela se exprima da melhor forma para esta região. Dando todo o seu potencial, daí trabalharmos sobretudo com todos os clones que existem dela, para ver quais os melhores nas diversas vinhas que possuimos. Só os melhores 4 ficam em determinada vinha.
É evidente que as diferenças existem de região para região, mas e sua "impressão digital" tem que estar presente. Não pretendemos ser piores ou melhores que as outras regiões.
Citação:

10. Tinta Barroca?



Temos uma vinha mas não estou contente com os resultados, portanto tem os dias contados. Não é a zona certa para ela. É boa para lotes mas varia muito de ano para ano


Citação:
11. E a Touriga Franca?


A minha FAVORITA das portuguesas. Tem uma capacidade evolutiva impar, tanto só como em lote. Muito,mas muito dificil de cultivar. Na nossa região, só se dá em determinadas zonas. Nada de humidade e pouca água!!


Citação:
12. Tannat! Alguns vinhos franceses oriundos da região do Madiran são absolutamente surpreendentes, mas encontrar um exemplar em Portugal é notável. Fale-nos um pouco desta “especialidade”?


Vem do tempo do meu Pai. Era uma das suas favoritas e passou-me o "bichinho". É o que eu chamo o sal e a pimenta. Por vezes 0,5% no lote é o suficiente, mas cuidado ao vinifica-la, pode-se tornar o inimigo. Se vinificada da melhor maneira pode-se usar em grandes percentagem. O meu mestre desta casta foi o Sr. Alan Brumont. Durante varias Vinexpo's me deu dicas de como vinifica-la

Citação:

13. Nos brancos já assistimos a exemplares de Sauvignon Blanc, Viognier, Verdelho, Alvarinho. Porquê estas castas? Qual é a sua visão e potencial de cada uma delas na região de Setúbal?


Essas castas ? porque acredito no valor delas e para tal vou fazendo experiencias das suas potencialidades. Hoje são estas, amanhã serão outras. Assim vamos sabendo a aptidão de cada uma delas. Como disse anteriormente, elas teem que mostrar a sua "impressão digital"


Citação:
Um abraço,


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MensagemEnviada: Seg Fev 16, 2009 11:52 pm    Assunto: Responder com Citação

msoares escreveu:
Viva.

Queria dar-lhe os parabens pela apresentação que fez aqui nos Açores no Jantar da garrafeira "A vinha".

Que vinhos deliciosos nos presentou, eu gostei especialmente do FSF. Sem esquecer os outros, era tudo bom!

Espero que volte e nos ensine mais.

Muitos anos de vida e muitos bons vinhos, eu espero por eles.


Muito obrigado, voltarei brevemente. Fiquei com optimas memorias dessa apresentação assim como do convivio e de Ponta Delgada
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MensagemEnviada: Ter Fev 17, 2009 12:36 am    Assunto: Responder com Citação

joaorico escreveu:
Peço desculpa se estou a ser chato mas são tantas as perguntas que lhe gostava de fazer.......


Recebeu a minha resposta ao Jose de Sousa??


Citação:
Arrow Ainda há pouco conversava sobre um vinho, que também tenho um único exemplar, e que nem sabia ser do vosso domínio. Um P63. Ao que sei este vinho provém da Quinta da Passarela no Dão. Pode-me elucidar um pouco mais sobre ele? O que esperar deste vinho?


Era um vinho feito de vinhas muito velhas, com grande aptidão para longo envelhecimento. Se guardado em boas condições, penso que irá ter uma verdadeira surpresa. O que se pretendia na altura era produzir e engarrafar o melhor que se produzia na região



Citação:
Arrow Com tantas ramificações que a JMF tem, e teve, foi adquirindo muito conhecimento neste seu trajecto como enólogo. Não só os vinhos mas também decerto existirão pessoas que o marcaram na sua carreira. Existe alguém a quem deva muito para ter chegado onde hoje chegou?


Sim ao meu Pai e ao meu Tio Antonio (este, formado em enologia e viticultura por Montpellier nos anos 20) e aquem este pais tanto deve. Foi ele que iniciou a colecção ampelografica que temos, tendo trazido naquela altura para Azeião, castas que hoje são muito faladas tanto nacionais como internacionais

Citação:
Arrow Sendo um estudioso do vinho, como acredito que seja, concerteza que prova vinhos de todas as regiões do mundo, para se manter actualizado e também por gosto. Que tipos de vinhos prefere? Existe alguma região estrangeira pela qual nutre um carinho especial? Dos vinhos que já bebeu, que vinho o marcou mais em toda a sua vida.

Sim, viajo bastante por todo o mundo, especialmente pelo Novo Mundo. Tenho provado coisas extraordinarias. Hoje em dia prefiro vinhos sem serem "brutos" ou "bolckbusters", com madeira integrada, alcool por volta dos 13 nos tintos e nos 12 nos brancos, com taninos presentes mas suaves ou seja vinhos com subtileza. Gosto por exemplo da região de Coonawarra na Australia, de Paarl na Africa do Sul e muitas outras por esse mundo fora.
São muitos os vinhos que me teem marcado e dado ideias


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Abraço,


Abraço
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José Tomáz Mello Breyner



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MensagemEnviada: Ter Fev 17, 2009 9:50 am    Assunto: Responder com Citação

Bom Dia Domingos

Gostava de saber se faz parte dos vossos planos fazer um grande vinho (já fazem vários mas este seria "aquele") ao qual dêem o nome de Duquesa de Palmela homenageando a GRANDE Senhora que foi a vossa Avó?. Tenho a certeza que este vinho seria um sucesso de vendas principalmente em Inglaterra

Um abraço

Zé Tomaz
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José Tomáz Mello Breyner



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MensagemEnviada: Ter Fev 17, 2009 9:54 am    Assunto: Responder com Citação

Já agora gostaria de lhes dar os meus parabens pelo melhor queijo de Azeitão que provei em toda a minha vida, e perguntar-lhes se esta produção é a chamada "produção de garagem" ou se tencionam incrementá-la .


Um abraço


Zé Tomaz
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