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Entrevista com Miguel Louro (Quinta do Mouro)
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frexou



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
Mensagens: 1202
Localização: Porto

MensagemEnviada: Qui Jan 22, 2009 10:19 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Miguel Louro,

Fará algum sentido fazer um lote seu misturado com algum lote do Douro ou do Dão por exemplo?
Penso num lote do Dirk ou num lote do Alvaro...?

Em relação ao Cabernet Sauvignon, que cuidado tem na vinha e na adega com esta casta?
Isto porque acho que o seu Cabernet não tem muito Pimento Verde mas também não lhe noto extrema maturação e açucar a mais...
_________________
Um abraço
Paulo Silva
http://vinhodacasa.blogspot.com
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Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Qui Jan 22, 2009 10:54 pm    Assunto: Responder com Citação

Aproveito a recta final da entrevista para colocar "algumas" perguntitas. E, mais uma vez, obrigadíssimo pela cadência das respostas!

Provei recentemente os Quinta do Mouro 2002, 2003, 2004 e 2005.

14. No Quinta do Mouro 2002 encontrei uma madeira muito presente numa estrutura à prova do tempo. O tempo em garrafa diluirá esta contribuição? Quando poderemos começar a usufruir plenamente da complexidade deste vinho? Que perfil esperar numa fase mais marcada por aromas terciários?

15. O Quinta do Mouro 2003 é enigmático. Ao contrário de outros vinhos da quente colheita de 2003, e apesar de não esconder uma certa secura no final de boca, o vinho é menos evidente do que a colheita faria supor. Atinge mesmo uma personalidade e complexidade aromáticas singulares. Como vê este seu vinho e o seu potencial de longevidade?

16. As colheitas de 2004 e 2005 do Quinta do Mouro apresentam-se menos brutas e mais equilibradas, a última não escondendo uma suavidade diferente. Fale-nos das virtudes de cada um dos vinhos?

17. Monocasta ou lote? Virtudes e defeitos? Qual é a sua opinião sobre o potencial a solo da Touriga Nacional?

18. Vinhos brancos? Para quando um Quinta do Mouro branco? Faz parte dos seus sonhos?

19. O valor atribuído por um produtor ao vinho é contraditório ao confrontado pelo mercado de consumo. Naturalmente, as expectativas entre produtor e consumidor são divergentes e, no entanto, falamos do mesmo vinho! Como gere este dilema?

20. Como retirar pleno prazer de um vinho Quinta do Mouro?

21. Qual o discurso apropriado para o vinho?

22. É defensor da prova cega? Ou devemos contextualizar aquilo que bebemos?

E, finalmente, uma sequência final:

O que esperar de um produtor?
O que esperar de um distribuidor?
O que esperar de uma garrafeira?
O que esperar de um restaurante?
O que esperar de um crítico?
O que esperar do consumidor?

Um abraço e obrigadíssimo!
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
Mensagens: 20
Localização: Estremoz

MensagemEnviada: Qui Jan 22, 2009 11:56 pm    Assunto: Responder com Citação

1.
goncas escreveu:
Referiu alguns vinhos do Alentejo (Q. Carmo, Mouchão, T. Chaves, Paço dos Infantes – abri há pouco tempo um 89 e foi uma grata surpresa!, etc) que o entusiasmaram na altura a ser produtor. Tenho provado/bebido algumas colheitas desses vinhos nos últimos anos e continuam a ser vinhos que dão grande prazer a beber. Sendo assim, perguntava-lhe porque é que, no seu entendimento, se ouve dizer que os vinhos do Alentejo não têm longevidade
?

1- Se os vinhos actuais fossem feitos a pensar em longevidade é obvio que a teriam. No Alentejo está toda a gente a tentar produzir vinhos fáceis super agradáveis para beber enquanto novos, sem quererem correr os riscos de tentar fazer grandes vinhos. Para o tentar fazer é preciso, contar com grandes uvas o que só está acessível aos vitivinicultores mais exigentes. E alguns destes preferem o caminho mais fácil, vender vinhos novos. É claro que no Alentejo ao contrario de quase todas as outras regiões há potencial para fazer vinhos muito bons novos em grande quantidade por hectare e por bons preços, e isto também contribuiu para o arranque as vinhas velhas que naturalmente produziam essas marcas. Não nos esqueçamos também do marketing e que a algumas outras regiões convêm passar essa mensagem

2.
goncas escreveu:
IMHO, hoje o “mercado” está muito direccionado para a venda da “última colheita”, ou da última novidade. Considera que (ainda) é importante um produtor promover a boa “evolução” dos seus vinhos e de forma o pode fazer (para além das provas para profissionais e de provas especiais como o EVS) ? Por ex. faz sentido um produtor ter uma parceira com uns quantos restaurantes e poder-se beber uma gama mais alargada ?



Acho que aquilo que afirma tem todo o sentido. Mas veja, eu Alentejano estou a vender a colheita de 2004 há bem pouco tempo, ainda tinha à venda 2001, 2002, e 2003 e os vinhos das regiões com a tal ``grande longevidade´´ , já estão a vender o 2006. e os consumidores também já os beberam, é o Marketing. Quanto aos restaurantes o modo como trabalham impossibilita praticamente o que esta a perguntar, no entanto em Évora no Fialho ou no Luar de Janeiro eu promovo que isso aconteça

3.
goncas escreveu:
]Recentemente estive na Califórnia e observei que um dos objectivos de qualquer produtor/enólogo local é fazer uma grande Cab, que até costuma ser o (ou um dos) topo de gama de cada produtor. O “Cab” já esteve mais "na moda" em Portugal. No entanto, as vinhas de Cab em Portugal têm hoje mais anos, os produtores/enólogos têm hoje mais experiência. Não sei se as escolhas vitícolas foram as mais adequadas, mas acha que há condições para fazer um grande Cab em Portugal?


3 -sim eu acho que é possível um ``grande Cab`` em Portugal, mas não vejo do ponto de vista comercial interesse.



goncas escreveu:
4Desculpe se estou a ser muito directo, mas o que considera ser “o consumidor bimbo ou ignorante”?


considero que um ``consumidor bimbo e ignorante´´, é aquele que segue atrás cegamente de tudo o que o marketing ou a comunicação boca a boca lhe passam. Associada também por vezes a hábitos de novo riquismo e ignorância

goncas escreveu:
Qual o papel que um produtor deve ter em contribuir para que existam menos “consumidores bimbos e ignorantes”?


No meu caso passa por não utilizar a publicidade disfarçada de informação, pouca ou nenhuma comunicação e nem sequer poéticos contra-rotulos, por outro lado estar disposto a informar directamente quem me questiona sobre os meus vinhos.




6.
goncas escreveu:
A crise ainda não chegou e mas está sempre presente e penso que atravessa toda a cadeia de valor: produtor, distribuidor, retalho e consumidor e até o jornalismo. No seu entender, como é que um produtor pode manter o seu negócio saudável sem hipotecar o relacionamento com os outros agentes? Por ex, acha que a venda à porta da adega ou criar um clube de vinhos e vender directamente ao cliente final, colide com os outros agentes?


Não colide. A Historia recente da distribuição em Portugal, penso que prova, que o Produtor tem de usar todos os meios disponíveis para vender os seus vinhos dentro de uma estratégia de preços coerente.



7.
goncas escreveu:

Considera o enoturismo uma componente importante de negócio ou de comunicação importante para um produtor? Faz sentido no Alentejo explorar esta vertente? Nem que seja sazonalmente: verão, fins de semana?

Considero, infelizmente no Alentejo por razões de viabilidade económica não me parecem possíveis grandes investimentos, não há mercado. O tempo dirá se alguns já existentes terão consistência no tempo, ou se serviram apenas enquanto eram raros para lançar algumas marcas. Com trabalho sacrifícios e boa vontade talvez seja possível fazer enoturismo com a prata da casa, é o meu caso.
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
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Localização: Estremoz

MensagemEnviada: Sex Jan 23, 2009 12:09 am    Assunto: Responder com Citação

luiz otávio peçanha escreveu:
Eu sempre indago com os produtores portugueses, qual a visão do mercado brasileiro para eles e qual a importancia do mesmo para eles.
Qual a sua opinião?
Os bons vinhos portugueses quando são dados a provar aqui no Brasil, tem uma excelente aceitação.
Os seus vinhos tem tido uma boa divulgação aqui?


Efectivamente eu tinha no Brasil os meus vinhos desde a colheita de 97, em exclusivo com a distribuidora Expand, que comercializa os seus vinhos de uma forma muito redutora. A divulgação não foi a melhor e dado a importância que o mercado tem para qualquer produtor Português, e como diz excelente aceitação, mudei de facto, e agora sou representado pela Epice em São Paulo, que é muito dinâmica e os vai fazer representar em todo o Brasil
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frexou



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
Mensagens: 1202
Localização: Porto

MensagemEnviada: Sex Jan 23, 2009 12:20 am    Assunto: Responder com Citação

Caro Miguel Louro,

A vida é feita de impulsos... por isso...
Amanhã recomenda-me abrir um Quinta do Mouro 2001 ou um 2003?
_________________
Um abraço
Paulo Silva
http://vinhodacasa.blogspot.com
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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
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MensagemEnviada: Sex Jan 23, 2009 12:37 am    Assunto: Responder com Citação

Caro Miguel Louro,

No seguimento da sua última intervenção não resisti a mais uma ou duas questões. Aí vai...

1- Mencionou, e com todo o propósito, a existência de "rótulos poéticos". Esqueçamos esses casos e olhemos para quem trabalha o vinho com seriedade: não fará sentido dar algumas "pistas" ao consumidor?

2- E, dando sequência ao raciocínio anterior, gostaria de saber:

a) em termos médios, qual o tempo de decantação apropriado para um Quinta do Mouro que é bebido jovem?

b) duas propostas gastronómicas que realçam as virtudes dos seus "Quinta do Mouro"?

c) não a longevidade, mas a sua previsão em termos de intervalo temporal para apreciar os seus vinhos em pleno apogeu?

3- Termino com uma pergunta muito pessoal: tenho guardada uma garrafa do seu "Quinta do Mouro Rótulo Dourado 1999". Fi-lo pelo potencial que lhe encontrei e, juntando o útil ao agradável, pelo facto de se tratar do ano de nascimento do meu filho. Como compreenderá, é vinho que gostaria de abrir no dia do 18º aniversário dele. Pelo conhecimento que tem do vinho, acha que se aguenta até 2017?

Um grande abraço e... até já!

Pedro
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
Mensagens: 20
Localização: Estremoz

MensagemEnviada: Sex Jan 23, 2009 1:07 am    Assunto: Responder com Citação

Pedro Gomes escreveu:
"]- Acredita que faz sentido preservar/recuperar alguns elementos que marcaram a nossa vitivinicultura? É descabido voltar a apostar em vinhas com castas misturadas? Vê alguns benefícios em manter o uso de madeira usada (não velha)?


1- completamente.
Não é descabido. Na mesma parcela de vinha há transições enormes na mesma linha, e de umas linhas para as outras. Reenxertar plantas que estão no sitio errado e voltar a reexertar casos mal sucedidos, escolher uma segunda ou terceira casta que ate possa ligar bem em termos vitivinícolas com as precedentes para mim faz todo o sentido. E assim já eu tenho pelo menos 3 vinhas e estou muito contente. Não sei ate como já dei a entender nesta entrevista que os tais grandes vinhos com 13% vinham de vinhas com castas misturadas.
Vejo, quem quiser fazer o trabalho da barrica não marcando muito com notas de madeira e tosta, mantendo mais fruta. Cuidado com os defeitos. Alguns produtores que usam tonéis com grande capacidade e grande qualidade, ate mesmo de madeira muito velha conseguem grandes vinhos com esse estagio.




2-
Pedro Gomes escreveu:
;]]Nos últimos anos Portugal (sobretudo as regiões a Sul do Tejo) rendeu-se aos vinhos Syrah (Shiraz, na maior parte dos casos). Constato que ainda não trabalhou a casta, pelo menos em termos comerciais. Alguma razão em especial para não apostar
nela?[/b]

2- Não tenho a casta Syrah em casa, acho que dá grandes vinhos, a maior parte dos produtores que a usam, abusam e cuidado, ficam demasiado ´´Internacionais``, pior demasiado Novo Mundo.
Eu já uso algumas castas internacionais quero continuar a ter como base Aragonês, Alicante, Touriga Nacional e Cabernet, o Syrah já não cabe.



3-
Pedro Gomes escreveu:
E três vinhos portugueses inesquecíveis (os seus não contam)? E estrangeiros?


3- Barca Velha 66
Quinta do Carmo garrafeira 86
Quinta do Cotto grande escolha 82

Veja secillia único 83
Grange 82
Chateau Latour 85


4-
Pedro Gomes escreveu:
Acredito que como produtor viva em permanente inquietação, sempre ansioso por chegar mais longe. Nessa perspectiva, que novidades podemos esperar nos próximos anos vindas da Quinta do Mouro?


4- tem razão no que diz. No meio da inquietação se houver orçamento vou arriscar fazer vinhos cada vez com mais longevidade. Se tiver teso, o melhor é entrar na linha, bons mais redondinhos.
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
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MensagemEnviada: Sex Jan 23, 2009 1:30 am    Assunto: Responder com Citação

frexou escreveu:
Fará algum sentido fazer um lote seu misturado com algum lote do Douro ou do Dão por exemplo?
Penso num lote do Dirk ou num lote do Alvaro...?


Trabalhar com o Dirk e com o Álvaro não é trabalhar, é puro prazer. Do que me fala penso que tem algum sentido misturar Alentejo com o Dão ( poupe o Dirk). No ano de 2003 ensaiei misturar a minha touriga nacional com a do Antonio Canto Moniz ( Vinha Paz). Penso que a mistura era muito boa, mas a morte do Saudoso Magalhães Coelho naquela altura desentusiasmou-nos, mas continuo a achar o projecto aliciante, se bem que as minhas uvas, os meus vinhos, as minhas marcas terão que ser o objectivo fundamental.


frexou escreveu:
Em relação ao Cabernet Sauvignon, que cuidado tem na vinha e na adega com esta casta?
Isto porque acho que o seu Cabernet não tem muito Pimento Verde mas também não lhe noto extrema maturação e açucar a mais...

Eu não sei como é que provou o meu Cabernet, tenho 2 um clone Francês ( implantação antiga em Portugal), um clone Americano e um híbrido (coisa mais rara). O Francês tem mais tendência para Pimentos, mesmo com desfolha e muito maduro. O Americano nunca tem Pimento, e mesmo muito maduro o pH é muito baixo, e por isso não parece muito maduro, a raridade alterna de extraordinário a médio, e neste caso ca vem o pimento.
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frexou



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
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Localização: Porto

MensagemEnviada: Sex Jan 23, 2009 1:39 am    Assunto: Responder com Citação

MIGUEL LOURO escreveu:

Eu não sei como é que provou o meu Cabernet


Eu nunca provei o seu Cabernet a solo, provei-o no lote donos seus vinhos Quinta do Mouro.
No entanto, obrigado pela sua resposta, que acabou por ser completa.

Grande abraço.
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Um abraço
Paulo Silva
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
Mensagens: 20
Localização: Estremoz

MensagemEnviada: Sex Jan 23, 2009 2:55 am    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
14. No Quinta do Mouro 2002 encontrei uma madeira muito presente numa estrutura à prova do tempo. O tempo em garrafa diluirá esta contribuição? Quando poderemos começar a usufruir plenamente da complexidade deste vinho? Que perfil esperar numa fase mais marcada por aromas terciários?

Como sabe o Quinta do Mouro 2002 é um dos meus preferidos. O vinho tem realmente evoluído muito lentamente, de prova para prova, sugere aspectos diferentes o que prova que esta vivo e vai afinando. Se acha que a madeira ainda esta muito presente, a mim não me parece de qualquer modo, tal como tem acontecido com outras colheitas esperemos que apesar dos anos ainda apareça a fruta e a complexidade que a colheita de 99 apresenta. E que eu que sempre os achei parecidos não me engane.

Tiago Teles escreveu:
]b]15[/b]. O Quinta do Mouro 2003 é enigmático. Ao contrário de outros vinhos da quente colheita de 2003, e apesar de não esconder uma certa secura no final de boca, o vinho é menos evidente do que a colheita faria supor. Atinge mesmo uma personalidade e complexidade aromáticas singulares. Como vê este seu vinho e o seu potencial de longevidade?


A colheita de 2003 no principio parecia-nos com mais doçura e macieza do que é costume, no entanto o carácter ´´Quinta do Mouro`` esta lá , e mostra agora passados 5 anos uma austeridade, firmeza que não sugeria, e que você traduz como secura. Se for assim como parece esperamos por ele mais uns anos bons. Também eu acho a prova sucessiva e o imaginar a evolução dos vinhos o mais interessante.

Tiago Teles escreveu:
]]b]16[/b]. As colheitas de 2004 e 2005 do Quinta do Mouro apresentam-se menos brutas e mais equilibradas, a última não escondendo uma suavidade diferente. Fale-nos das virtudes de cada um dos vinhos?


2004 acho que é um Quinta do Mouro típico, é tudo isto junto do que falamos das colheitas anteriores.

2005 é talvez de todos o mais concentrado, um enigma, veremos o que vai dar, e não concordo consigo, porque o acho o mais bruto.




Tiago Teles escreveu:
]b]17[/b]. Monocasta ou lote? Virtudes e defeitos? Qual é a sua opinião sobre o potencial a solo da Touriga Nacional?

Lote. O lote tem mais potencial, mais complexidade, equilíbrio, por outro lado não realça nenhum factor exagerado de uma casta, é o caso da Touriga Nacional, super exuberante no nariz talvez ate um pouco enjoativa, mas internacionalmente pode vir a ter grandes fãs. É intensa e diferente de tudo o resto. Se calhar também pode ser completa, e muito estruturada.




Tiago Teles escreveu:
]18. Vinhos brancos? Para quando um Quinta do Mouro branco? Faz parte dos seus sonhos?


Ja respondido

[
Citação:
="Tiago Teles"]b]19[/b]. O valor atribuído por um produtor ao vinho é contraditório ao confrontado pelo mercado de consumo. Naturalmente, as expectativas entre produtor e consumidor são divergentes e, no entanto, falamos do mesmo vinho! Como gere este dilema?

Por isso é que o Quinta do Mouro, é o Topo de Gama mais barato do Alentejo. Exporta 50% da produção ao mesmo preço que vende no mercado interno. Lá fora compete com vinhos do mundo inteiro e Portugueses que cá custam o dobro do preço






Tiago Teles escreveu:
20. Como retirar pleno prazer de um vinho Quinta do Mouro?

Para mim vendendo, para vocês bebendo! Mas……………………………….comendo, eu acho esta relação fundamental.



Tiago Teles escreveu:
22. É defensor da prova cega? Ou devemos contextualizar aquilo que bebemos?


Sou defensor das duas, mas continuo a achar que as provas cegas devem ser durante refeições. O meu tipo de vinho é sempre gastronómico



Tiago Teles escreveu:
O que esperar de um produtor?

´´Loucura``
Tiago Teles escreveu:
O que esperar de um distribuidor?


Seriedade e que se sinta produtor
Tiago Teles escreveu:
O que esperar de uma garrafeira?

Sabedoria
Tiago Teles escreveu:
O que esperar de um restaurante?

Bom
Tiago Teles escreveu:
O que esperar de um crítico?

Conhecimento e Honestidade
Tiago Teles escreveu:
O que esperar do consumidor?

Gosto, dinheiro e amigos

Um abraço, obrigado eu
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MIGUEL LOURO



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MensagemEnviada: Sex Jan 23, 2009 12:45 pm    Assunto: Responder com Citação

frexou escreveu:
Caro Miguel Louro,

A vida é feita de impulsos... por isso...
Amanhã recomenda-me abrir um Quinta do Mouro 2001 ou um 2003?


2001
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
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MensagemEnviada: Sex Jan 23, 2009 1:14 pm    Assunto: Responder com Citação

Pedro Gomes escreveu:
1- Mencionou, e com todo o propósito, a existência de "rótulos poéticos". Esqueçamos esses casos e olhemos para quem trabalha o vinho com seriedade: não fará sentido dar algumas "pistas" ao consumidor?

Faz todo o sentido mas não através do contra-rotulo, gostava que o consumidor procurasse informação por qualquer outro meio. As regras burocráticas que condicionam a rotulagem dos vinhos, é desmotivante e chata.




Pedro Gomes escreveu:
a) em termos médios, qual o tempo de decantação apropriado para um Quinta do Mouro que é bebido jovem?


que eu e o meu filho Luis fazemos nesses casos, é de um dia para outro. E chega a ser por vezes interessante mais de 4 dias

Pedro Gomes escreveu:
b) duas propostas gastronómicas que realçam as virtudes dos seus "Quinta do Mouro"?

Cozido à Portuguesa
Feijoada, Favas Guisadas, desde que seja tudo com carne de porco preto.



Pedro Gomes escreveu:
c) não a longevidade, mas a sua previsão em termos de intervalo temporal para apreciar os seus vinhos em pleno apogeu?

Depende do gosto e da colheita, por vezes pensamos que já esta e não esta, outras vezes é ao contrario parece que já caiu e ressuscita. Entre 5 e 15 anos.



3-
Pedro Gomes escreveu:
]b]Termino com uma pergunta muito pessoal: tenho guardada uma garrafa do seu "Quinta do Mouro Rótulo Dourado 1999". Fi-lo pelo potencial que lhe encontrei e, juntando o útil ao agradável, pelo facto de se tratar do ano de nascimento do meu filho. Como compreenderá, é vinho que gostaria de abrir no dia do 18º aniversário dele. Pelo conhecimento que tem do vinho, acha que se aguenta até 2017?[/b]

Acho que sim, mas o ideal era ter mais duas garrafinhas para ir testando.

Obrigado a todos pelo interesse mostrado, mas apareçam que isto ao vivo tem mais graça.
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Tiago Teles



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MensagemEnviada: Dom Jan 25, 2009 10:29 pm    Assunto: Responder com Citação

MIGUEL LOURO escreveu:
Obrigado a todos pelo interesse mostrado, mas apareçam que isto ao vivo tem mais graça.

Nós é que agradecemos o privilégio desta conversa, deste debate, desta determinação e sinceridade que também acabamos por descobrir nos vinhos da Quinta do Mouro. Um forte abraço e esperemos um até breve ao vivo!
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Pedro Gomes



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MensagemEnviada: Seg Jan 26, 2009 12:36 am    Assunto: Responder com Citação

Não haverá muito para dizer que não seja um reforço das ideias deixadas pelo Tiago.

O nosso muito obrigado pela sua disponiblidade. Foi fantástico...!

E, claro está está, temos que marcar para muito em breve esse contacto... ao vivo!

Um grande abraço e... até já!

Pedro Gomes
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