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Entrevista com Miguel Louro (Quinta do Mouro)
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Autor Mensagem
Luciano



Registrado: Quarta-Feira, 24 de Outubro de 2007
Mensagens: 1
Localização: Porto Alegre, RS, Brasil

MensagemEnviada: Ter Jan 20, 2009 5:48 pm    Assunto: Responder com Citação

Olá Dr Miguel,

Não vou fazer perguntas, vou somente aproveitar para lhe mandar um abraço e lembranças. Eu sou aquele gordinho brasileiro que fez estágio aí na Quinta do Mouro em 2001. Infelizmente nunca mais tivemos contato.
Anote aí meu e-mail: luciano_franquias@grandcru.com.br.

Abraço,

Luciano Neto
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Luciano Neto
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Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Ter Jan 20, 2009 10:17 pm    Assunto: Responder com Citação

De volta a uma entrevista irreverente e estimulante!

8- Fale-nos um pouco das colheitas que ainda “não” provámos, incluindo 2006? Como correram as vindimas de 2007 e 2008 na Quinta do Mouro? Rótulo Dourado em todas elas? Poderemos esperar alguma novidade na gama?

9. Percebi que defende, em certa medida, as virtudes de um estágio em madeira nova, pelo menos na versão Rótulo Dourado. Porque razão? Fale-nos um pouco desta ligação sensível entre vinho e madeira, qual a importância desse estágio no seus vinhos. De que forma encara esta relação?

10. Um vinho do Alentejo tem de ostentar, por regra, 14% (ou mais) de álcool quando até há bem pouco tempo andavam em volta dos 12,5%-13% (porventura como os “excepcionais vinhos das colheitas 79, 82,83, 85,86,87” que já citou)? Não é possível obter uma boa maturação fenólica em torno dos 12,5%? Rendimentos? Qual é a consequência na longevidade dos vinhos? Quais os atributos que considera mais importantes para a longevidade de um vinho tinto? Acidez? Álcool? Taninos?

11. Utiliza rega gota a gota nas suas vinhas? Como encara esta ajuda à videira? Quais são os desafios futuros da viticultura no Alentejo?

12. Qual é a sua visão sobre práticas biológicas, incluindo biodinâmica? Esta tentativa de respeito pela natureza do solo e da planta é um caminho inevitável na afirmação da identidade dos vinhos em geral? Faz parte dos seus intentos?

13. Qual é a melhor forma de colocar em evidência o Terroir dos vinhos que produz? Qual é o papel do homem nesta relação com a natureza?

abraços,
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
Mensagens: 20
Localização: Estremoz

MensagemEnviada: Ter Jan 20, 2009 11:48 pm    Assunto: Responder com Citação

joaoredrose escreveu:
Hola Señor Don Viegas Louro,

En primer lugar, felice 2009 para usted y toda la familia.

Pues de sus estupendas respuestas me gustaría destacar la crema de la crema:
"utilizo o vinho como anestésico desinfectante, e indutor de tratamento de branqueamento".
Esa es la mas brillantes solución para la crisis que vivemos.
Mi pregunta es:
Puede usted, Sr. Dr. Don Viegas, hacerla obligatoria en todas y cualquiera silla de medico dentista?
Y, además, puede usted recomendar, tambien, para eso tratamiento los vinos de los amigos durienses?
Quizá una especie de DouLen, con su Trinkadera y la nuestra (o, bien mejor, la miña) Tinta Amarilla (la que se vuelve rota después de las primeras lluvias).

Aguardo, esperanzado e fervoroso, sus estimados comentarios,

saludos respetuosos desde ese Duero (aunque PT) helado,
joão


feliz año compañero.

Crisis, qual crisis?? Ya recomende a my orden profissional, pero me an dicho que en el Duero la gente no trata los dentes. Tu Tinta amarilla te va para pintar casas, y mismo asi creo que es la razon del salitre en las paredes.

Fuerte abrazo, como siempre esperando una ideia tuya
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jsalavessa



Registrado: Sexta-Feira, 30 de Junho de 2006
Mensagens: 341
Localização: Lisboa / Cebolais de Cima

MensagemEnviada: Qua Jan 21, 2009 12:17 am    Assunto: Responder com Citação

Caro Dr. Louro,

Como comenta o artigo, julgo que do jornal de negócios, referente ao estudo elaborado pela Nielsen acerca da evolução do mercado nacional de vinho em 2008.
Resumo as passagens mais relevantes:

“Portugueses estão a beber mais vinho por menos dinheiro.”
“O mercado dos vinhos cresceu 9,5% em volume no ano passado.”
“O mercado dos vinhos subiu 6,4% em valor no ano passado.”
“A perder ficam os designados vinhos de qualidade...”
“Os portugueses não parecem querer poupar na quantidade...”
“Os consumidores de vinhos de qualidade estão envelhecidos...”
“Quem consome fora de casa pede vinhos de gama baixa....”
“Quebra de 11% de vinhos vendidos na restauração...”

Sinceros votos de felicidades e continuação de boas colheitas
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
Mensagens: 20
Localização: Estremoz

MensagemEnviada: Qua Jan 21, 2009 12:48 am    Assunto: Responder com Citação

Goliardo escreveu:
Boa tarde, Sr. Dr., e obrigado pelas suas respostas iluminadas.
Temos mais umas perguntitas:
1- Numa visita à Borgonha, falámos com um produtor sobre a atenção dada nos últimos anos às praticas de cultivo da vinha (lavrar ou não, adubos, densidade de plantação, ...) em detrimento do material vegetativo, que resultou na aparição de doenças da videira que enfraqueceram muito o vinhedo nessa zona. Sabendo que foi buscar o seu Aragonês num produtor de la Ribera del Duero (no en el Duero de RedRose, más frio todavia), qual a sua opinião sobre o trabalho de selecção das vinhas nesse sentido em Portugal e particularmente na sua quinta?

1- Adubos não ponho, densidade das plantas, é a clássica na região ( 3300 pes/ha), tenho apenas uma vinha com 2000pes/há, que esta formada a 1,2m de altura em solos de xisto muito pobres, e mesmo com esta fraca densidade tem muito pouco vigor, e acaba por produzir 3 ton/ha. Quanto à mobilização de solos fazemos 2 vezes por ano.

Goliardo escreveu:
2- Não é novidade para ninguém que não nutre de especial carinho por parte do jornalismo em Portugal, sendo por isto um tema quente. Gostaríamos de saber como acha que deveria ser feita uma boa crítica? sob que princípios se deveria reger, o que deveria ser um bom jornalista de vinhos por excelência, que temas deveria abordar? Acha importante manter um tom sério e grave quando se fala de vinho na imprensa para garantir consistência no conteúdo?

2- O ambiente dos vinhos em Portugal, que apareceu à cerca de 20 anos deve-se em grande parte ao jornalismo. No mundo inteiro, o jornalismo directa ou indirectamente tem interesses comerciais. Numa sociedade de consumo isto é completamente inevitável, mas os interessados aprendem com o tempo a ler nas entrelinhas do que eles escrevem, e sendo assim prefiro a vida com pecado do que uma vida santa sem nada. Apesar disto por vezes é difícil ver confundir publicidade com artigos de opinião.

Goliardo escreveu:
3- Que tipo de medidas e apoios públicos e/ou privados seriam importantes em Portugal para incentivar qualidade em produtores independentes?

3- Acabar com as burocracias, de qualquer penso que o sector tem sido muito apoiado por todos ultimamente, com excepção para os Filhas da P……dos vidreiros ( Saint Gobain), mon cher ami.

Goliardo escreveu:
4- Sempre que colocamos os seus vinhos em prova cega em sessões para o público, as pessoas nunca o identificam como Alentejano. Como explica isto? O que é peculiar na forma de fazer os seus vinhos? Estremoz é diferente? A Quinta do Mouro é especial? O produtor é peculiar? Como se consegue na Quinta do Mouro uma acidez que falta muitas vezes em outros vinhos, sem comprometer a maturação fenólica das uvas?

Se as pessoas comprassem regularmente umas garrafinhas, isso não aconteceria, por um lado, não comprando ainda me vão obrigar a parecer Alentejano. Aquilo que afirmas é verdade, a acidez dos vinhos vem do terroir, também vem de castas e clones com essa propensão. Nem todos os vinhos ácidos têm maturação fenolica, como nem todos os vinhos com muito grau também a têm. Os blends é que têm que trazer estas características a conjunto.

Goliardo escreveu:
5- Uma das coisas que julgamos de elogiar na Quinta do Mouro é o conjunto dos vinhos, ao longo dos anos mas também desde o vinho mais acessível ao topo. Encontrar vinhos interessantes em Portugal acima dos 20 euros é possível, mas vinhos até 7 euros que dêem prazer já parece uma missão mais difícil. O Vinha do Mouro é de facto muito bom dentro desta gama. Então porque se fala tão pouco dele ou com tão pouco destaque (ou com qualificativos como "o pequeno mouro" que gosta tanto)?

5- O Vinha do Mouro é um vinho que foi pensado. Nunca foi sonhado não me preocupa nada, a não ser que me ocupa muita logística e que tem sido de certa forma a prova daquilo a que eu chamo o consumidor bimbo ou ignorante .

Goliardo escreveu:
6- O seu filho Luís estudou enologia, estagiou fora, viaja para feiras, encontra-se com outros malucos do vinho pelo mundo fora…O que é que o Luís, tal como outros da nova geração, tem a aprender consigo que fez um percurso mais de auto-aprendizagem, empírico, menos escolar e mais situado em Estremoz? E o que é que o senhor tem a aprender com ele?
(Parece-nos por exemplo que têm exigências de limpeza da adega diferentes…Faz parte do estilo geração clássica e do estilo nova geração?)

6- O que eles têm a aprender comigo é, querer é poder. Efectivamente pode-se realizar um sonho de produtor com muito pouco dinheiro, e talvez que o essencial é ser diferente. Com eles convinha-me, fazer tudo o que eles fazem agora, sem aprender.

Goliardo escreveu:
7- E a propósito, numa perspectiva de uma visita durante a próxima vindima, gostaríamos de saber quais são as medidas previstas para evitar os ataques ferozes de mosquitos na sala acima da adega, onde costuma hospedar luxuosamente os seus visitantes?

7- Enquanto os mosquitos os chateiam a vocês, não me chateiam a mim. Vamos tentar mudar a malta para um quartinho melhor

Goliardo escreveu:
8- O que é para si o Mouro? O Mouro é um vinho árabe, luso-holandês ou da nova Reconquista?

8- Luso holandês. Com ideias na Borgonha

Goliardo escreveu:
9-O Doulen será também vendido no formato pasta de dentes?

9- Só elixir
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
Mensagens: 20
Localização: Estremoz

MensagemEnviada: Qua Jan 21, 2009 12:57 am    Assunto: Responder com Citação

frexou escreveu:
Caro Miguel Louro,

Não tenho a honra de o conhecer, no entanto vou tentando conhecer aos poucos a história e o perfil dos seu vinhos.

1 - Qual é o seu perfil de vinhos preferidos?
Tem alguma região/produtor/estilo de vinho que o completa?

2 - Mais especificamente, nos tintos Franceses, prefere Borgonha, Bordéus ou Ródano?

3 - O estilo dos Quinta do Mouro apenas espelham o carácter do seu local e de quem o faz, ou são inspirados nalgum estilo de vinho, como por exemplo os vinhos de Bordéus?

4 - Quem é o seu "provador/crítico/jornalista" a nível mundial que mais se identifica? E em Portugal?

5 - O que acha do Robert Parker?

Um abraço


1- Clássicos, austeros, gastronómicos, essencialmente com personalidade. Douro
2- Bordéus
3- Tem alguma razão
4- Jancis Robinson; Luis Antunes
5- Incontornável, para o bom e para o mau. Um produtor não se pode deixar Parkerizar, o consumidor tambem não.
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
Mensagens: 20
Localização: Estremoz

MensagemEnviada: Qua Jan 21, 2009 1:48 am    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
8- Fale-nos um pouco das colheitas que ainda “não” provámos, incluindo 2006? Como correram as vindimas de 2007 e 2008 na Quinta do Mouro? Rótulo Dourado em todas elas? Poderemos esperar alguma novidade na gama?

8- 2006, foi uma colheita, mais umas das mal amadas,,, primeira colheita em que sairá Rotulo Dourado e Touriga Nacional. De qualquer modo é uma colheita diferente de todas as outras ate agora, taninos diferentes, talvez mais elegância. 2007 colheita excepcional, até a trincadeira foi boa. Talvez uma novidade; 2008 grande Alicante, grande Aragonês, ……veremos após 1 ano de barrica

Tiago Teles escreveu:
9. Percebi que defende, em certa medida, as virtudes de um estágio em madeira nova, pelo menos na versão Rótulo Dourado. Porque razão? Fale-nos um pouco desta ligação sensível entre vinho e madeira, qual a importância desse estágio no seus vinhos. De que forma encara esta relação?

9- Aquilo que as barricas novas fazem aos vinhos esta mais que descrito, o importante é saber se o vinho que vai para a barrica, e que vai la estar 1 ano ou 2, quanto é que aguenta ganhando qualidades ao ponto de depois de casado conseguir passar por cima da barrica.

Tiago Teles escreveu:
10. Um vinho do Alentejo tem de ostentar, por regra, 14% (ou mais) de álcool quando até há bem pouco tempo andavam em volta dos 12,5%-13% (porventura como os “excepcionais vinhos das colheitas 79, 82,83, 85,86,87” que já citou)? Não é possível obter uma boa maturação fenólica em torno dos 12,5%? Rendimentos? Qual é a consequência na longevidade dos vinhos? Quais os atributos que considera mais importantes para a longevidade de um vinho tinto? Acidez? Álcool? Taninos?

10- no Alentejo actualmente, com o aquecimento global, os vinhos vão cada vez mais ter maturação fenolica com maior grau alcoólico. mesmo as colheitas que referiu tinham todas mais de 13%, nessa altura não havia rega, havia vinhas velhas, não se fazia mondas de cachos e as vinhas tinham castas misturadas. Como vê a diferença é tão grande para hoje que voltar para trás seria a ruína económica para a maioria dos produtores.
A longevidade depende do equilíbrio das varias características do vinho. As que considero mais importantes são os taninos e acidez. E o mercado quereria beber em novos vinhos com 12,5%? Verdes, herbáceos

Tiago Teles escreveu:
11. Utiliza rega gota a gota nas suas vinhas? Como encara esta ajuda à videira? Quais são os desafios futuros da viticultura no Alentejo?

11- So tenho rega em duas parcelas, é para ver se a vinha não morre, e se as uvas amadurecem. o Alentejo para competir internacionalmente vai ter que regar.

Tiago Teles escreveu:
12. Qual é a sua visão sobre práticas biológicas, incluindo biodinâmica? Esta tentativa de respeito pela natureza do solo e da planta é um caminho inevitável na afirmação da identidade dos vinhos em geral? Faz parte dos seus intentos?

12- não faço a mais pequena ideia, se for para as vinhas morrerem todas dentro de poucos anos, discordo. No entanto eu também ca tenho as minhas experiencias malucas na vinha

Tiago Teles escreveu:
13. Qual é a melhor forma de colocar em evidência o Terroir dos vinhos que produz? Qual é o papel do homem nesta relação com a natureza?

- é isso mesmo sou eu a mandar, e as condicionantes da vinha e da adega serem imutáveis.
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
Mensagens: 20
Localização: Estremoz

MensagemEnviada: Qua Jan 21, 2009 2:29 am    Assunto: Responder com Citação

jsalavessa escreveu:
menta o artigo, julgo que do jornal de negócios, referente ao estudo elaborado pela Nielsen acerca da evolução do mercado nacional de vinho em 2008.
Resumo as passagens mais relevantes:
“Portugueses estão a beber mais vinho por menos dinheiro.”
“O mercado dos vinhos cresceu 9,5% em volume no ano passado.”
“O mercado dos vinhos subiu 6,4% em valor no ano passado.”

Existe uma concorrência muito grande, que faz baixar os preços principalmente na grande distribuição, não deixa de ser bom porque também prepara os produtores para a globalização.
Os Portugueses estão a beber mais 9,5% , e houve decréscimo de acidentes rodoviários, ´´se conduzir não beba``, e a malta bebe mais porque a vida em Portugal esta para esquecer.
Os 6,4% em valor é lógico.

jsalavessa escreveu:
“A perder ficam os designados vinhos de qualidade...”

Os vinhos de qualidade que ficam a perder serão só alguns, porque em minha casa o mais caro é o que se esgota primeiro

jsalavessa escreveu:
“Os portugueses não parecem querer poupar na quantidade...”
“Os consumidores de vinhos de qualidade estão envelhecidos...”

Não concordo, para vinhos de qualidade há cada vez mais compradores jovens.

jsalavessa escreveu:
“Quem consome fora de casa pede vinhos de gama baixa....”
“Quebra de 11% de vinhos vendidos na restauração...”

Fora de casa é de tal modo caro beber vinho que, quem quer beber vinhos bons bebe-os calmamente em casa. Os restaurantes teimam em não perceber que o serviço de vinhos e o preço praticado são completamente estúpidos, e também contraproducente para os seus interesses. Para alem disto as limitações legais ao consumo justificam a quebra.
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alentejano



Registrado: Domingo, 27 de Outubro de 2002
Mensagens: 4168
Localização: Vila Viçosa

MensagemEnviada: Qua Jan 21, 2009 3:11 am    Assunto: Responder com Citação

Caro Dr. Miguel Louro

1 - No actual panorama da região, fala-se muito sobre os Vinhos de Estremoz, quase como se fosse uma das 8 Zonas Vitivinícolas que fazem parte do Alentejo, no entanto todos os ''vinhos de Estremoz'' fazem parte da zona vitivinícola de Borba.
Mudava o nome da zona para Estremoz, ou é uma questão que simplesmente não considerada de grande importância ?

2 - Dos vinhos do Alentejo do antigamente, quais os vinhos de que guarda melhor memória ?
Até que ponto esses mesmos vinhos, serviram de inspiração para os vinhos da Quinta do Mouro ?

3 - A crítica pode influenciar nas vendas de uma determinada colheita ?

4 - De 1994 para cá, a qualidade dos vinhos da Quinta do Mouro tem vindo a subir de ano para ano. Essa subida deve-se à cada vez maior idade das vinhas ou ao cada vez maior conhecimento do produtor ?

5 - No que toca à Gastronomia, e sabendo de antemão o gosto que tem pela caça, quais os pratos de caça que sugere para acompanhar cada um dos seus vinhos ?

Cumprimentos desde Vila Viçosa
_________________
João Pedro Carvalho
Alentejo, uma paixão.
http://copod3.blogspot.com
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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
Mensagens: 1102
Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Qua Jan 21, 2009 3:46 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Miguel Louro,

Sei que não é fácil conciliar a actividade profissional com a voragem dos foristas mas... não há volta a dar-lhe. E, pedindo desculpa pelo tempo de sono que lhe vou retirar, aí vai:

1- A dado momento da entrevista menciona que também faz "... experiências malucas na vinha". Embora o segredo seja a alma do negócio, é possível levantar um bocadinho do véu sobre esse trabalho "de bastidores"?

2- E como estamos de brancos? Está completamente fora dos seus planos ou, é possível vir a brindar o mercado com um "Mouro branco"?
A fazê-lo, seguiria a linha em voga na região, com a aposta no Antão Vaz (eventualmente complementada com Arinto)? Haveria espaço para o Roupeiro? Apostaria numa linha mais internacional indo buscar o inevitável Chardonnay? Ou seria mais arrojado e...?


3- Depreende-se das suas palavras que valoriza a continuidade e, nessa medida, vê no seu filho um trunfo para perpetuar o projecto por si iniciado. Como produtor de vinhos, que valores procura incutir no seu filho?

4- E o que é que não gostaria de o ver fazer (vitivinicolamente falando)?

Um grande abraço e.... até já!

Pedro
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
Mensagens: 20
Localização: Estremoz

MensagemEnviada: Qua Jan 21, 2009 11:32 pm    Assunto: Responder com Citação

1 -
alentejano escreveu:
No actual panorama da região, fala-se muito sobre os Vinhos de Estremoz, quase como se fosse uma das 8 Zonas Vitivinícolas que fazem parte do Alentejo, no entanto todos os ''vinhos de Estremoz'' fazem parte da zona vitivinícola de Borba.
Mudava o nome da zona para Estremoz, ou é uma questão que simplesmente não considerada de grande importância ?


1- Sou a favor do Alentejo ser todo uma região, e que cada produtor pudesse usar o nome do concelho em que tem as suas vinhas, e portanto, já o faço e ponho ESTREMOZ nos rótulos.




2 -
alentejano escreveu:
Dos vinhos do Alentejo do antigamente, quais os vinhos de que guarda melhor memória ?


2- Garrafeiras da Quinta do Carmo 86 e 87 e algumas colheitas anteriores, Cooperativa Granja 82 e 83, Paço dos Infantes 82 e 84 e alguns José de Sousa, Mouchão, Tapada de Chaves.

alentejano escreveu:
Até que ponto esses mesmos vinhos, serviram de inspiração para os vinhos da Quinta do Mouro ?

Foram estes mesmos vinhos que me levaram a entusiasmar no projecto e depois ate na escolha das castas e filosofia de trabalho na adega.



3 -
alentejano escreveu:
A crítica pode influenciar nas vendas de uma determinada colheita ?

3- é evidente, mas no entanto já há muita gente, principalmente para os vinhos de referencia que pensa pela própria cabeça.


4 -
alentejano escreveu:
De 1994 para cá, a qualidade dos vinhos da Quinta do Mouro tem vindo a subir de ano para ano. Essa subida deve-se à cada vez maior idade das vinhas ou ao cada vez maior conhecimento do produtor ?

4- Deve-se ao conhecimento do produtor e de todos os que com ele trabalham.

5 -
alentejano escreveu:
No que toca à Gastronomia, e sabendo de antemão o gosto que tem pela caça, quais os pratos de caça que sugere para acompanhar cada um dos seus vinhos ?


5- Sinceramente estou um bocado enjoado de caça, no entanto acho que qualquer dos meus vinhos vai bem com qualquer tipo de caça. Estou-me a lembrar agora de um jantar de vinhos no Hotel da Lapa em que um cozinheiro Francês, não sei o nome, para acompanhar o QM Touriga Nacional 2003 resolveu fazer codornizes. Eu pensei ´´ olha a sacanice do Franciu`` , estavam cerca de 100 pessoas e foi uma loucura.
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
Mensagens: 20
Localização: Estremoz

MensagemEnviada: Qua Jan 21, 2009 11:56 pm    Assunto: Responder com Citação

1-
Pedro Gomes escreveu:
A dado momento da entrevista menciona que também faz "... experiências malucas na vinha". Embora o segredo seja a alma do negócio, é possível levantar um bocadinho do véu sobre esse trabalho "de bastidores"?[/
b]

1- aquilo a que eu me referia tem mais a ver com sistemas de Condução, Empa e Desfolha, e na vindima com vindimas unilaterais, parciais e para o chão com reaproveitamento ao fim de uns dias. Reenxartias de partes de linhas etc.. sinto tê-los desapontado


2- [b]
Pedro Gomes escreveu:
]E como estamos de brancos? Está completamente fora dos seus planos ou, é possível vir a brindar o mercado com um "Mouro branco"?
A fazê-lo, seguiria a linha em voga na região, com a aposta no Antão Vaz (eventualmente complementada com Arinto)? Haveria espaço para o Roupeiro? Apostaria numa linha mais internacional indo buscar o inevitável Chardonnay? Ou seria mais arrojado e...?


2- Não tenho nenhuma vinha branca, para quem fala na tal autenticidade …
No futuro mais ou menos 5 anos talvez, e o que posso dizer hoje é que seriam sempre castas Portuguesas, mas lá esta a tal falta de universidade, e investigação portanto penso que ninguém sabe o comportamento das óptimas castas Portuguesas aqui em Estremoz. Veremos




3-
Pedro Gomes escreveu:
]Depreende-se das suas palavras que valoriza a continuidade e, nessa medida, vê no seu filho um trunfo para perpetuar o projecto por si iniciado. Como produtor de vinhos, que valores procura incutir no seu filho?


Personalidade, Seriedade

4-
Pedro Gomes escreveu:
o que é que não gostaria de o ver fazer (vitivinicolamente falando)?[/


Andar cá apenas pelo negocio.
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goncas



Registrado: Quinta-Feira, 16 de Junho de 2005
Mensagens: 303
Localização: Carcavelos

MensagemEnviada: Qui Jan 22, 2009 1:59 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Miguel Louro,

Antes de mais, o meu agradecimento pelo vinhos que tem produzido e pela sua evolução e longevidade (incluindo os anteriores a 99, pelo menos o 94 e 97, provados o ano passado e ainda cheios de saúde e muito “prazeirosos”).

1. Referiu alguns vinhos do Alentejo (Q. Carmo, Mouchão, T. Chaves, Paço dos Infantes – abri há pouco tempo um 89 e foi uma grata surpresa!, etc) que o entusiasmaram na altura a ser produtor. Tenho provado/bebido algumas colheitas desses vinhos nos últimos anos e continuam a ser vinhos que dão grande prazer a beber. Sendo assim, perguntava-lhe porque é que, no seu entendimento, se ouve dizer que os vinhos do Alentejo não têm longevidade?

2. IMHO, hoje o “mercado” está muito direccionado para a venda da “última colheita”, ou da última novidade. Considera que (ainda) é importante um produtor promover a boa “evolução” dos seus vinhos e de forma o pode fazer (para além das provas para profissionais e de provas especiais como o EVS) ? Por ex. faz sentido um produtor ter uma parceira com uns quantos restaurantes e poder-se beber uma gama mais alargada ?

3. Recentemente estive na Califórnia e observei que um dos objectivos de qualquer produtor/enólogo local é fazer uma grande Cab, que até costuma ser o (ou um dos) topo de gama de cada produtor. O “Cab” já esteve mais "na moda" em Portugal. No entanto, as vinhas de Cab em Portugal têm hoje mais anos, os produtores/enólogos têm hoje mais experiência. Não sei se as escolhas vitícolas foram as mais adequadas, mas acha que há condições para fazer um grande Cab em Portugal?

4.
Citação:
Goliardo escreveu:
5- Uma das coisas que julgamos de elogiar na Quinta do Mouro é o conjunto dos vinhos, ao longo dos anos mas também desde o vinho mais acessível ao topo. Encontrar vinhos interessantes em Portugal acima dos 20 euros é possível, mas vinhos até 7 euros que dêem prazer já parece uma missão mais difícil. O Vinha do Mouro é de facto muito bom dentro desta gama. Então porque se fala tão pouco dele ou com tão pouco destaque (ou com qualificativos como "o pequeno mouro" que gosta tanto)?

5- O Vinha do Mouro é um vinho que foi pensado. Nunca foi sonhado não me preocupa nada, a não ser que me ocupa muita logística e que tem sido de certa forma a prova daquilo a que eu chamo o consumidor bimbo ou ignorante.


Desculpe se estou a ser muito directo, mas o que considera ser “o consumidor bimbo ou ignorante”?
Qual o papel que um produtor deve ter em contribuir para que existam menos “consumidores bimbos e ignorantes”?

6. A crise ainda não chegou e mas está sempre presente e penso que atravessa toda a cadeia de valor: produtor, distribuidor, retalho e consumidor e até o jornalismo. No seu entender, como é que um produtor pode manter o seu negócio saudável sem hipotecar o relacionamento com os outros agentes? Por ex, acha que a venda à porta da adega ou criar um clube de vinhos e vender directamente ao cliente final, colide com os outros agentes?

7. Considera o enoturismo uma componente importante de negócio ou de comunicação importante para um produtor? Faz sentido no Alentejo explorar esta vertente? Nem que seja sazonalmente: verão, fins de semana?

Saudações enófilas,
_________________
Saudações enófilas,

Nuno Gonçalves
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luiz otávio peçanha



Registrado: Quarta-Feira, 19 de Janeiro de 2005
Mensagens: 1403
Localização: piracicaba/sp/brasil

MensagemEnviada: Qui Jan 22, 2009 5:26 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Miguel Louro,
Eu só provei a Quinta do Mouro 2001, então não tenho muito a comentar, a não ser lhe dar os parabéns pelo belo vinho.
Espero que a nota tenha sido condizente com o vinho.

Eu sempre indago com os produtores portugueses, qual a visão do mercado brasileiro para eles e qual a importancia do mesmo para eles.
Qual a sua opinião?
Os bons vinhos portugueses quando são dados a provar aqui no Brasil, tem uma excelente aceitação.
Os seus vinhos tem tido uma boa divulgação aqui?
Grato.
Saudações,
Luiz Otávio
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De vinho em vinho vamos aprendendo um pouquinho.
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Pedro Gomes



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MensagemEnviada: Qui Jan 22, 2009 10:11 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Miguel Louro,

Estamos na recta final mas não queria perder a oportunidade de lhe colocar mais uma ou duas questões (recordo-lhe que poderá responder durante todo o dia de amanhã).


1- Acredita que faz sentido preservar/recuperar alguns elementos que marcaram a nossa vitivinicultura? É descabido voltar a apostar em vinhas com castas misturadas? Vê alguns benefícios em manter o uso de madeira usada (não velha)?

2- Nos últimos anos Portugal (sobretudo as regiões a Sul do Tejo) rendeu-se aos vinhos Syrah (Shiraz, na maior parte dos casos). Constato que ainda não trabalhou a casta, pelo menos em termos comerciais. Alguma razão em especial para não apostar nela?

3- E três vinhos portugueses inesquecíveis (os seus não contam)? E estrangeiros?

4- Acredito que como produtor viva em permanente inquietação, sempre ansioso por chegar mais longe. Nessa perspectiva, que novidades podemos esperar nos próximos anos vindas da Quinta do Mouro?

Um grande abraço e... até já!

Pedro
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