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Entrevista com Miguel Louro (Quinta do Mouro)
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Registrado: Segunda-Feira, 22 de Janeiro de 2007
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MensagemEnviada: Seg Jan 19, 2009 12:16 am    Assunto: Entrevista com Miguel Louro (Quinta do Mouro) Responder com Citação

Caros foristas,

Miguel Louro foi a personalidade escolhida para dar início ao ciclo de entrevistas que vai marcar o ano de 2009.

Sediado em Estremoz, e dentista de profissão, Miguel Louro decide em 1989 tornar-se produtor de vinhos, lançando-se no projecto Quinta do Mouro, tendo como ponto de partida 6 ha de vinha, repartidos pelas variedades Aragonês, Castelão, Alicante Bouschet, Trincadeira e Cabernet Sauvignon.

Os primeiros resultados surgiriam em 1992 mas seria com a colheita de 1994 que nasceria o primeiro Quinta do Mouro comercializado.

A receptividade da crítica e do mercado foram imediatas e logo em 1998 são plantados mais 8 hectares de vinhedos; simultaneamente, o Castelão (que nunca chegou a proporcionar os resultados desejados) é substituído pela casta Touriga Nacional. Ainda nesse ano é construída um adega de raíz e criada a marca Casa dos Zagalos.

O sucesso alcançado acabou por determinar a expansão da área de cultivo com mais 6 hectares em 2002 e 5 hectares em 2008. Entretanto, o portefolio da casa alargava-se com o aparecimento da marca Vinha do Mouro.

Se o Vinha do Mouro se pretende dentro de uma linha mais fácil, mais focado no fruto, começando a ser comercializado no ano seguinte ao da colheita, já o Casa dos Zagalos e o Quinta do Mouro mostram-se mais ambiciosos, com estágio em barrica nunca inferior a 1 ano e com um potencial de envelhecimento que leva a que só sejam colocados no mercado 2/3 anos após a colheita.

Miguel Louro e o seu projecto "Quinta do Mouro" são hoje referências incontornáveis do Alentejo e nomes seguros no panorama vitivinícola nacional.

E, é para nós um privilégio poder contar com esta entrevista.

Não perca a oportunidade e participe!

Nova Crítica-vinho
Tiago Teles
Pedro Gomes
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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
Mensagens: 1102
Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Seg Jan 19, 2009 12:41 am    Assunto: Responder com Citação

Caro Miguel Louro,

Queria começar por lhe agradecer a amabilidade por nos conceder esta entrevista. Sei que está com uma agenda sobrecarregada e que os afazeres profissionais condicionam a sua intervenção neste fórum mas, mesmo assim, não quisemos perder a oportunidade de poder conhecer melhor o projecto "Quinta do Mouro". E, sem perder mais tempo, vamos então às perguntas:

1- Como é que um dentista acaba por "dar de caras" com o mundo do vinho? Conte-nos como tudo se passou.

2- Para alguém que vai comemorar duas décadas como produtor, que comentário lhe merece a evolução dos vinhos alentejanos?

3- Em seu entender, quais são os grandes trunfos da região? E os seus principais estrangulamentos?

4- Como definiria o estilo dos seus "Quinta do Mouro"?

Um grande abraço e... até já!


Pedro Gomes
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Abílio Neto



Registrado: Quinta-Feira, 1 de Setembro de 2005
Mensagens: 3677

MensagemEnviada: Seg Jan 19, 2009 11:24 am    Assunto: Responder com Citação

Caro Dr. Miguel Louro,

Antes das perguntas, tenho de lhe agradecer o prazer que tem sido beber os vinhos por si produzidos e a forma aberta e disponível como nos recebeu no dia 07.12.2008 (um domingo) na sua Quinta em Estremoz.

(As poucas horas que passei a ouvi-lo atentamente foram uma autêntica lição sobre o que é, hoje, ter carácter no mundo do Vinho.)

As perguntas:

- Como vive com a fama de «rebelde» que tem no mundo do Vinho?

- Tem alguma coisa contra a casta «Trincadeira»? A pergunta tem muito que ver com um já mítico episódio que personalizou e que é muito comentado pela enofilia. Cool

- Vê-se a fazer vinho fora do Alentejo?

Obrigado.

-
_________________
Abraços,

Abílio Neto
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Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Seg Jan 19, 2009 1:17 pm    Assunto: Responder com Citação

Miguel Louro,

Queria, desde já, agradecer imenso o facto de ter aceite este desafio. O seu contributo será de enorme interesse para o mundo enófilo que navega neste espaço. Avanço então para o primeiro grupo de perguntas.

1. Porquê o Alentejo? Que balanço faz dos 16 anos de projecto?

2. O Quinta do Mouro é um vinho especial, porventura encerrando inúmeras personalidades e perfis. Há um ideal que procura neste vinho? Considera-o um 100% Alentejano?

3. A saga Quinta do Mouro iniciou-se em 1994. Fez recentemente alguma vertical Quinta do Mouro? Como têm evoluído os vinhos da Quinta do Mouro? De que forma avalia o potencial de envelhecimento dos vinhos elaborados na Quinta do Mouro? O que recomendaria ao consumidor para cada uma das colheitas que já produziu?

4. Nutre algum carinho especial por alguma das colheitas? Porque razão? O que tem mudado nos Quinta do Mouro ao longo dos anos?

5. O Quinta do Mouro Ensaio para Rótulo Dourado 1999 foi um dos vinhos que mais marcou o meu percurso de provador. Como nasceu esta ideia? Qual foi a motivação? O que significa “Rótulo Dourado”? O que o diferencia da versão normal?

6. Hoje concentra-se em castas como Aragonês, Alicante Bouschet, Trincadeira, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon? Qual é a importância que dá às castas? Qual é o papel da casta na expressão de um local? Qual é o contributo de cada uma delas nos lotes da Quinta do Mouro? Quais os adjectivos que utilizaria para descrever as “suas” castas?

7. Porquê a Touriga Nacional no Alentejo?

Um abraço e até já com mais perguntas!
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Ellon



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Abril de 2008
Mensagens: 28

MensagemEnviada: Seg Jan 19, 2009 3:16 pm    Assunto: Responder com Citação

Bem haja por aceder a estar presente neste forum....

Não nego que a Qta. do Mouro é o meu produtor de eleição no Alentejo - versão normal ou dourada Smile -

Gostaria de lhe perguntar...

qual a expectativa de guarda do Qta. do Mouro normal/dourado ?

a belissima imagem que os seus rótulos ostentam é para manter?

e

podemos esperar no futuro uma Qta. do Mouro que só faça concessões à qualidade deixando para 2º plano as agruras do mercado (isto em relação aos rótulos de topo)?

Obrigado e até já....
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
Mensagens: 20
Localização: Estremoz

MensagemEnviada: Seg Jan 19, 2009 11:29 pm    Assunto: Responder com Citação

Pedro Gomes escreveu:
Caro Miguel Louro,

Queria começar por lhe agradecer a amabilidade por nos conceder esta entrevista. Sei que está com uma agenda sobrecarregada e que os afazeres profissionais condicionam a sua intervenção neste fórum mas, mesmo assim, não quisemos perder a oportunidade de poder conhecer melhor o projecto "Quinta do Mouro". E, sem perder mais tempo, vamos então às perguntas:

1- Como é que um dentista acaba por "dar de caras" com o mundo do vinho? Conte-nos como tudo se passou.

2- Para alguém que vai comemorar duas décadas como produtor, que comentário lhe merece a evolução dos vinhos alentejanos?

3- Em seu entender, quais são os grandes trunfos da região? E os seus principais estrangulamentos?

4- Como definiria o estilo dos seus "Quinta do Mouro"?

Um grande abraço e... até já!


Pedro Gomes



1- começou, por ser proprietario de uma Quinta onde antigamente havia vinha e adega, para alem disso era possivel imaginar que tinha um grande potencial para a produção de vinhos. Foi tambem motivado amizade pessoal com Paulo Lourenço, (para quem não sabe foi um Enologo que fez quase todos os vinhos do Alentejo nas decadas de 50 a 70), João Portugal Ramos, e outros produtores da epoca, como Julio Bandeira Bastos e Jose Maria Almodovar. Personalidades que nessa epoca produziram expecionais vinhos das colheitas 79, 82,83, 85,86,87 com marcas tão conhecidas como Quinta do Carmo, Mouchão, Tapada do Chaves, Paço dos Infantes, e por que não incluir tambem a alta gama das cooperativas de Portalegre, Borba, Granja, que ganhavam constantemente os concursos de vinho da produção do IVV. Era um entusiasmo delirante......

2- A maior parte onde ha autenticidade, ha sucesso, infelizmente em todas as gamas ha a invasão da ``bimbalhada´´, e porque não tambem dizer dos ´´Chicos espertos``.

3- trunfos:
Condicões viticolas propicias à produção de qualquer tipo de vinho, a preços concorenciais relativamente a qualquer região nacional ou estrangeira.
coincidencia com o tipo de gosto internacional que é moda neste momento.

estrangulamentos:
Falta de Universidade, Investigação, Conhecimento e acrescentaria o que respondi na segunda pergunta.

4- Classicos e Autenticos, vinhos em que se tentou na vinha que fossem ao mesmo tempo poderosos e elegantes, e que tivessem no minimo uma longevidade media a longa.
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
Mensagens: 20
Localização: Estremoz

MensagemEnviada: Seg Jan 19, 2009 11:44 pm    Assunto: Responder com Citação

Abílio Neto escreveu:
Caro Dr. Miguel Louro,

Antes das perguntas, tenho de lhe agradecer o prazer que tem sido beber os vinhos por si produzidos e a forma aberta e disponível como nos recebeu no dia 07.12.2008 (um domingo) na sua Quinta em Estremoz.

(As poucas horas que passei a ouvi-lo atentamente foram uma autêntica lição sobre o que é, hoje, ter carácter no mundo do Vinho.)

As perguntas:

- Como vive com a fama de «rebelde» que tem no mundo do Vinho?

- Tem alguma coisa contra a casta «Trincadeira»? A pergunta tem muito que ver com um já mítico episódio que personalizou e que é muito comentado pela enofilia. Cool

- Vê-se a fazer vinho fora do Alentejo?

Obrigado.
-


1- é uma das coisas que me tranquiliza

2- as pessoas que sabem disto mais do que eu dizem que é uma casta muito boa, e com grande potencial. Não dizem é que isso so acontece em muito poucas condições , e tambem não explicam quais, nunca conseguiram fazer um trabalho de investigação e selecção da casta.
A casta esta disseminada em sitios errados, muito generalizadamente no Alentejo, e os vinhos por ela produzidos, maioritariamente não têm qualidade para competir com as outras castas. isto é muito grave por ser a casta mais plantada no Alentejo, e por não haver ignorantes ou ´´bimbos´´ que não queira ´´produzir um Pera Manca´´(casta fundamental neste vinho)

3- so por razões de posse de alguma propriedade com as condiçoes parecidas as que tenho aqui.
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Goliardo



Registrado: Segunda-Feira, 12 de Novembro de 2007
Mensagens: 17

MensagemEnviada: Ter Jan 20, 2009 12:44 am    Assunto: Responder com Citação

Boa noite, Sr. Dr.
É sempre um prazer falar consigo, nem que seja à distância. Quem diria que era tão desembaraçado na informática...Smile

E aqui vão umas perguntas...

1 - Se considerarmos que a qualidade de um produtor vem de uma sequência de vinhos bons ao longo dos anos, acha que os seus vinhos foram bons desde a primeira colheita?
Se não desde quando?
O que mudou com a aprendizagem empírica na sua vinha desde essa primeira colheita até agora? E na adega?

2- Quando começou a produzir, onde foi buscar o conhecimento para o fazer?

3 – Quando um produtor tem uma ideia clara e segura dos vinhos que pretende, qual a função do enólogo?

4 - Sendo o Alentejo uma região tão vasta, não faria sentido tal como no Vale do Ródano criar sub denominações de origem que permitiriam definir melhor as nuances do Alentejo e ajudar na revelação de diferentes terroirs (castas seleccionadas consoante a sub-região,etc)?

Neste caso, e se concorda, que sub denominações de origem se poderiam identificar?

5 - A semana demos a provar em prova cega numa sessão sobre a evolução dos vinhos do Alentejo o Casa de Zagalos 2002 que estava ainda fresco e longo. Nos Casa de Zagalos seguintes (03,04,05) não se encontra essa mesma frescura. Esta característica está relacionada com o ano ou com a evolução do vinho?

6 - No Douro fala-se muito do património de vinhas velhas a preservar. Em relação às suas vinhas, qual a sua opinião sobre a evolução do fruto ao longo dos anos? Qual a projecção que faz sobre o produto das suas vinhas dentro de 20/30/40 anos quando estas serão vinhas velhas?

7 - Uma especificidade da Quinta do Mouro, para além do carácter do produtor, é o facto de possuir um solo parcialmente xistoso. Qual acha ser o impacto do solo no vinho?

Plantar vinhas não seria numa interpretação freudiana uma forma de compensação por ter arrancado dentes a tanta gente?

Muito obrigado pelas suas respostas e continuamos na esperança de um dia o trazer a Lisboa.

Nadir e Sílvia
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
Mensagens: 20
Localização: Estremoz

MensagemEnviada: Ter Jan 20, 2009 1:13 am    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
Miguel Louro,

Queria, desde já, agradecer imenso o facto de ter aceite este desafio. O seu contributo será de enorme interesse para o mundo enófilo que navega neste espaço. Avanço então para o primeiro grupo de perguntas.

1. Porquê o Alentejo? Que balanço faz dos 16 anos de projecto?


Ja respondido, Extraordinario, começar do ´´nada´´ vender vinho no mundo inteiro, ter aumentado consistentemente area de vinha, e portanto produção e continuar a vender. Ver reconhecido e procurados vinhos de colheitas mais antigas. e ter filhos envolvidos neste projecto e em projectos proprios com vinte e tal anos. não se pode querer mais.
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
Mensagens: 20
Localização: Estremoz

MensagemEnviada: Ter Jan 20, 2009 2:20 am    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
Miguel Louro,

Queria, desde já, agradecer imenso o facto de ter aceite este desafio. O seu contributo será de enorme interesse para o mundo enófilo que navega neste espaço. Avanço então para o primeiro grupo de perguntas.

1. Porquê o Alentejo? Que balanço faz dos 16 anos de projecto?

2. O Quinta do Mouro é um vinho especial, porventura encerrando inúmeras personalidades e perfis. Há um ideal que procura neste vinho? Considera-o um 100% Alentejano?

3. A saga Quinta do Mouro iniciou-se em 1994. Fez recentemente alguma vertical Quinta do Mouro? Como têm evoluído os vinhos da Quinta do Mouro? De que forma avalia o potencial de envelhecimento dos vinhos elaborados na Quinta do Mouro? O que recomendaria ao consumidor para cada uma das colheitas que já produziu?

4. Nutre algum carinho especial por alguma das colheitas? Porque razão? O que tem mudado nos Quinta do Mouro ao longo dos anos?

5. O Quinta do Mouro Ensaio para Rótulo Dourado 1999 foi um dos vinhos que mais marcou o meu percurso de provador. Como nasceu esta ideia? Qual foi a motivação? O que significa “Rótulo Dourado”? O que o diferencia da versão normal?

6. Hoje concentra-se em castas como Aragonês, Alicante Bouschet, Trincadeira, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon? Qual é a importância que dá às castas? Qual é o papel da casta na expressão de um local? Qual é o contributo de cada uma delas nos lotes da Quinta do Mouro? Quais os adjectivos que utilizaria para descrever as “suas” castas?

7. Porquê a Touriga Nacional no Alentejo?
Experimenta provar o Quinta do Mouro Touriga Nacional 2003

Um abraço e até já com mais perguntas!


2-È 100% Alentejano na medida em que é feito 100% com uvas da Quinta do Mouro. No que refere aquilo que eu penso que esta a perguntar, trabalhamos as vinhas muitas castas com vários sistemas de condução, muita experiencias, muitos insucessos, mas no final as uvas chegam a adega, notoriamente mais acidas, pH muito baixo e outras características que as diferenciam das demais. Na adega é tudo feito à mão com muito critério e das 150 barricas , porventura 75 vinhos diferentes há muita escolha…..dá trabalho..

3-Fazemos algumas vezes em casa , e fizemos no EVS 2006. de 99 para ca muito bem com grande potencial, os anteriores têm se portado bem.
Em termos médios podemos falar em 15 anos.
Recomendaria que cada um comprasse 12 garrafas de cada uma das colheitas independentemente das ´´vozes``, e até da própria opinião, e acompanhassem anualmente. Certo de que não teriam nenhuma desilusão ate porque só assim se aprende sobre vinhos. Há grandes surpresas, façam comentários escritos para comparar.

4-99 e 2002 anos mal amados. Foram anos generalizadamente maus, mas um produtor ´´autentico´´ , mesmo num ano mau pode ter conseguido fazer um vinho especial, que o consumidor pode aprender, que nem tudo o que os opinion makers dizem se confirma.

Na ideia nada. Na pratica a partir de 99 a adega própria. . Para tentar fazer um vinho especial é preciso sonhar, para um sonho especial é preciso loucura, e os loucos não devem sair de casa.
Tiago Teles escreveu:
O Quinta do Mouro Ensaio para Rótulo Dourado 1999 foi um dos vinhos que mais marcou o meu percurso de provador. Como nasceu esta ideia? Qual foi a motivação? O que significa “Rótulo Dourado”? O que o diferencia da versão normal?
Como nasceu esta ideia?

Fazer um Quinta do Mouro com 100% barrica nova em vez de 50%.
Tiago Teles escreveu:
Qual foi a motivação?

Criar um produto novo, um produto diferente, avaliar o potencial dos vinhos, e avaliar o mercado para este tipo de vinho e para este tipo de preços.

Tiago Teles escreveu:
O que significa “Rótulo Dourado”?

Um Quinta do Mouro diferente,, menos consensual.

Tiago Teles escreveu:
O que o diferencia da versão normal?

Nem tudo o que luz é ouro
Trincadeira no Quinta do Mouro Zero, Aragonês e Alicante é a base 75%, Touriga e o Cabernet são o ´´sal e a pimenta``.

Aragonês e Alicante – Equilíbrio, Estrutura
Touriga Nacional e Cabernet – Classe e Elegância

7-Experimenta provar o Quinta do Mouro Touriga Nacional 2003
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
Mensagens: 20
Localização: Estremoz

MensagemEnviada: Ter Jan 20, 2009 2:25 am    Assunto: Responder com Citação

Ellon escreveu:
Bem haja por aceder a estar presente neste forum....

Não nego que a Qta. do Mouro é o meu produtor de eleição no Alentejo - versão normal ou dourada Smile -

Gostaria de lhe perguntar...

qual a expectativa de guarda do Qta. do Mouro normal/dourado ?

a belissima imagem que os seus rótulos ostentam é para manter?

e

podemos esperar no futuro uma Qta. do Mouro que só faça concessões à qualidade deixando para 2º plano as agruras do mercado (isto em relação aos rótulos de topo)?

Obrigado e até já....


1- depende da colheita, diria 10 a 15 anos

2- Sim

3- O Quinta do Mouro não produz em função de mercado, mas sim da qualidade
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MIGUEL LOURO



Registrado: Terça-Feira, 13 de Janeiro de 2009
Mensagens: 20
Localização: Estremoz

MensagemEnviada: Ter Jan 20, 2009 2:55 am    Assunto: Responder com Citação

Goliardo escreveu:
Boa noite, Sr. Dr.
É sempre um prazer falar consigo, nem que seja à distância. Quem diria que era tão desembaraçado na informática...Smile

E aqui vão umas perguntas...

1 - Se considerarmos que a qualidade de um produtor vem de uma sequência de vinhos bons ao longo dos anos, acha que os seus vinhos foram bons desde a primeira colheita?
Se não desde quando?
O que mudou com a aprendizagem empírica na sua vinha desde essa primeira colheita até agora? E na adega?

2- Quando começou a produzir, onde foi buscar o conhecimento para o fazer?

3 – Quando um produtor tem uma ideia clara e segura dos vinhos que pretende, qual a função do enólogo?

4 - Sendo o Alentejo uma região tão vasta, não faria sentido tal como no Vale do Ródano criar sub denominações de origem que permitiriam definir melhor as nuances do Alentejo e ajudar na revelação de diferentes terroirs (castas seleccionadas consoante a sub-região,etc)?

Neste caso, e se concorda, que sub denominações de origem se poderiam identificar?

5 - A semana demos a provar em prova cega numa sessão sobre a evolução dos vinhos do Alentejo o Casa de Zagalos 2002 que estava ainda fresco e longo. Nos Casa de Zagalos seguintes (03,04,05) não se encontra essa mesma frescura. Esta característica está relacionada com o ano ou com a evolução do vinho?

6 - No Douro fala-se muito do património de vinhas velhas a preservar. Em relação às suas vinhas, qual a sua opinião sobre a evolução do fruto ao longo dos anos? Qual a projecção que faz sobre o produto das suas vinhas dentro de 20/30/40 anos quando estas serão vinhas velhas?

7 - Uma especificidade da Quinta do Mouro, para além do carácter do produtor, é o facto de possuir um solo parcialmente xistoso. Qual acha ser o impacto do solo no vinho?

Plantar vinhas não seria numa interpretação freudiana uma forma de compensação por ter arrancado dentes a tanta gente?

Muito obrigado pelas suas respostas e continuamos na esperança de um dia o trazer a Lisboa.

Nadir e Sílvia


1- Sim, sobretudo de 99 em diante. Na vinha equilibrar a produção em função da parcela e do ano., e desfolhar. Na adega adaptar a vinificação as características da colheita.

2- Em 1994. conversando, lendo ouvindo, e sobretudo,,imaginando.

3- Ideias claras, claras, claras…nunca tive. O papel do Enólogo é se puder não deixar fazer asneiras irreversíveis.

4- Eu acho que o Alentejo deveria ser uma região única, toda com direito a Denominação de Origem, independentemente de cada produtor querer referir a sua Zona. Deveria haver a possibilidade de trabalhar com qualquer casta Portuguesa + Alicante e Cabernet, que já ca estão há mais de 100 anos, para vinhos DOC e para vinhos Regionais poder utilizar qualquer casta estrangeira.

5- Julgo que com o ano, é o tal ano mau….

6- As vinhas mais velhas têm 20 anos, nenhuma destas vinhas tem melhores uvas que outras da mesma casta mais novas. A qualidade depende da parcela independentemente da idade.

7- Não faço a mais pequena ideia. Com a qualidade do material vegetativo, que os grandes cientistas, investigadores, de superior honestidade põem ao dispor do mercado, mais a qualidade dos produtos fitossanitários que dispomos, talvez daqui a 20 anos as vinhas novas já estejam velhas e as velhas mortas.

8- É uma característica fundamental.

9- Se fosse assim tinha antes plantado alhos…no entanto utilizo o vinho como anestésico desinfectante, e indutor de tratamento de branqueamento.
Os que bebem demasiados copos, também ajudam ás fracturas de dentes. É o fechar do ciclo.
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joaoredrose



Registrado: Segunda-Feira, 5 de Março de 2007
Mensagens: 66
Localização: Douro Valley

MensagemEnviada: Ter Jan 20, 2009 12:21 pm    Assunto: Responder com Citação

Hola Señor Don Viegas Louro,

En primer lugar, felice 2009 para usted y toda la familia.

Pues de sus estupendas respuestas me gustaría destacar la crema de la crema:
"utilizo o vinho como anestésico desinfectante, e indutor de tratamento de branqueamento".
Esa es la mas brillantes solución para la crisis que vivemos.
Mi pregunta es:
Puede usted, Sr. Dr. Don Viegas, hacerla obligatoria en todas y cualquiera silla de medico dentista?
Y, además, puede usted recomendar, tambien, para eso tratamiento los vinos de los amigos durienses?
Quizá una especie de DouLen, con su Trinkadera y la nuestra (o, bien mejor, la miña) Tinta Amarilla (la que se vuelve rota después de las primeras lluvias).

Aguardo, esperanzado e fervoroso, sus estimados comentarios,

saludos respetuosos desde ese Duero (aunque PT) helado,
joão
_________________
comidinha p'ró papinho
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Goliardo



Registrado: Segunda-Feira, 12 de Novembro de 2007
Mensagens: 17

MensagemEnviada: Ter Jan 20, 2009 3:14 pm    Assunto: Responder com Citação

Boa tarde, Sr. Dr., e obrigado pelas suas respostas iluminadas.
Temos mais umas perguntitas:

1 - Numa visita à Borgonha, falámos com um produtor sobre a atenção dada nos últimos anos às praticas de cultivo da vinha (lavrar ou não, adubos, densidade de plantação, ...) em detrimento do material vegetativo, que resultou na aparição de doenças da videira que enfraqueceram muito o vinhedo nessa zona. Sabendo que foi buscar o seu Aragonês num produtor de la Ribera del Duero (no en el Duero de RedRose, más frio todavia), qual a sua opinião sobre o trabalho de selecção das vinhas nesse sentido em Portugal e particularmente na sua quinta?

2 - Não é novidade para ninguém que não nutre de especial carinho por parte do jornalismo em Portugal, sendo por isto um tema quente. Gostaríamos de saber como acha que deveria ser feita uma boa crítica? sob que princípios se deveria reger, o que deveria ser um bom jornalista de vinhos por excelência, que temas deveria abordar? Acha importante manter um tom sério e grave quando se fala de vinho na imprensa para garantir consistência no conteúdo?

3 - Que tipo de medidas e apoios públicos e/ou privados seriam importantes em Portugal para incentivar qualidade em produtores independentes?

4 - Sempre que colocamos os seus vinhos em prova cega em sessões para o público, as pessoas nunca o identificam como Alentejano. Como explica isto? O que é peculiar na forma de fazer os seus vinhos? Estremoz é diferente? A Quinta do Mouro é especial? O produtor é peculiar? Como se consegue na Quinta do Mouro uma acidez que falta muitas vezes em outros vinhos, sem comprometer a maturação fenólica das uvas?

5 - Uma das coisas que julgamos de elogiar na Quinta do Mouro é o conjunto dos vinhos, ao longo dos anos mas também desde o vinho mais acessível ao topo. Encontrar vinhos interessantes em Portugal acima dos 20 euros é possível, mas vinhos até 7 euros que dêem prazer já parece uma missão mais difícil. O Vinha do Mouro é de facto muito bom dentro desta gama. Então porque se fala tão pouco dele ou com tão pouco destaque (ou com qualificativos como "o pequeno mouro" que gosta tanto)?

6 - O seu filho Luís estudou enologia, estagiou fora, viaja para feiras, encontra-se com outros malucos do vinho pelo mundo fora…O que é que o Luís, tal como outros da nova geração, tem a aprender consigo que fez um percurso mais de auto-aprendizagem, empírico, menos escolar e mais situado em Estremoz? E o que é que o senhor tem a aprender com ele?
(Parece-nos por exemplo que têm exigências de limpeza da adega diferentes…Faz parte do estilo geração clássica e do estilo nova geração?)

7 - E a propósito, numa perspectiva de uma visita durante a próxima vindima, gostaríamos de saber quais são as medidas previstas para evitar os ataques ferozes de mosquitos na sala acima da adega, onde costuma hospedar luxuosamente os seus visitantes?

8 - O que é para si o Mouro? O Mouro é um vinho árabe, luso-holandês ou da nova Reconquista?

9 - O Doulen será também vendido no formato pasta de dentes?

Mais uma vez obrigado pelas suas respostas.

Cumprimentos mouros,
Nadir e Sílvia
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frexou



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
Mensagens: 1202
Localização: Porto

MensagemEnviada: Ter Jan 20, 2009 4:56 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Miguel Louro,

Não tenho a honra de o conhecer, no entanto vou tentando conhecer aos poucos a história e o perfil dos seu vinhos.

1 - Qual é o seu perfil de vinhos preferidos?
Tem alguma região/produtor/estilo de vinho que o completa?

2 - Mais especificamente, nos tintos Franceses, prefere Borgonha, Bordéus ou Ródano?

3 - O estilo dos Quinta do Mouro apenas espelham o carácter do seu local e de quem o faz, ou são inspirados nalgum estilo de vinho, como por exemplo os vinhos de Bordéus?

4 - Quem é o seu "provador/crítico/jornalista" a nível mundial que mais se identifica? E em Portugal?

5 - O que acha do Robert Parker?

Um abraço
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Um abraço
Paulo Silva
http://vinhodacasa.blogspot.com
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