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Entrevista com Jorge Moreira (Poeira/Enólogo)
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jorge moreira



Registrado: Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008
Mensagens: 35
Localização: douro

MensagemEnviada: Qua Dez 10, 2008 2:02 pm    Assunto: Responder com Citação

Rui Lourenço Pereira escreveu:
Estou de volta.

Bem vindo

Rui Lourenço Pereira escreveu:
Actualmente quando se fala de Douro, fala-se, com toda a justiça dos vinhos dos Douro Boys, apesar de na minha modesta opinião, haver algumas diferenças entre os 5 produtores envolvidos. Contudo acho que há produtos que mereciam igualmente destaque. Posso mesmo referir que tenho provado vinhos que surpreenderiam o mais atento enófilo.

Relativamente aos vinhos Poeira, Pó, J, Quinta de La Rosa, todos nós que os conhecemos, verificamos que são vinhos de elevada qualidade, mas cuja afirmação internacional custa a chegar. Sei, que, segundo estudos recentes a afirmação de uma marca demora 25 anos, mas será que se consegue aguardar tanto tempo? Para quando a sua verdadeira internacionalização? Para quando a verdadeira abertura do Douro ao mercado internacional e o alcance dos seus vinhos às melhores garrafeiras, restaurantes,...?

Temos que trabalhar muito e ter alguma paciência, mas os primeiros passos estão a ser dados por exemplo o Poeira e o La rosa tem uma venda em exportação de 50% da produção e o “J” vendeu 65% na exportação. Precisamos para dar o salto de conquistar a critica internacional multiplicar o que já alguns produtores conseguiram por 50!!!

Rui Lourenço Pereira escreveu:
Para quando a produção em massa de vinhos de elevada qualidade que todos possam aceder? Será que tal é possível e.......desejável?

No Douro estamos continuamente a aumentar a produção de vinhos de qualidade, para dar uns exemplo do La rosa 2007 tinto vamos produzir mais de 150000 garrafas, o Dialogo penso que está a produzir 600 000 litros. Estes valores para o Douro são interessantes mas se os mostrarmos a produtores do novo mundo ou mesmo do Alentejo eles vão-se rir. Somos uma região com apetência para produzir vinhos diferenciados e especiais para nichos de mercado que os valorizem, não para a produção em massa que só pela nossa topografia não nos permite competir em preço.

Rui Lourenço Pereira escreveu:
Não estarão os vinhos em Portugal demasiado caros quando comparados com vinhos de outros Países tão bons ou melhores a preços muito inferiores? Tenho comprado verdadeiras pérolas lá fora a preços muito inferiores. Por vezes compro igualmente vinhos portugueses lá fora a metade do preço do que encontro em Portugal. É isto que se pretende?

A generalidade dos vinhos de qualidade portugueses quando comparados com vinhos de qualidade semelhante franceses, espanhóis ou italianos não são caros. E tenho a certeza que há muito francês a comprar pérolas em Portugal. Para lhe dar mais um exemplo o La rosa 2004 (92) foi considerado pela winespectator a segunda melhor compra do mundo. Penso que se podem fazer boas compras e más em toda a parte.

Em relação aos preços, os meus são iguais para todo o mundo. Se os vinhos estão à venda a metade do preço quer dizer que alguém está a perder dinheiro, o que claro é péssimo.

Rui Lourenço Pereira escreveu:
Tenho falado com muitos produtores na região duriense e reparo que apesar de larga maioria preferir a região do Cima Corgo, começa a haver algumas opiniões a divergir para o Douro Superior. Será que um blend entre as duas regiões não fará um melhor vinho?

Penso que com as vinhas que tenho no Douro superior e no cima corgo poderia talvez fazer um vinho mais comercial mas com menos carácter e esse não é o caminho que procuro. Admito que outros produtores possam ter opinião ou resultados diferentes.

Um abraço

Jorge
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jorge moreira



Registrado: Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008
Mensagens: 35
Localização: douro

MensagemEnviada: Qua Dez 10, 2008 2:05 pm    Assunto: Re: vindima 07 Responder com Citação

Um grande abraço para ti também.

Jorge
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Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Qua Dez 10, 2008 5:53 pm    Assunto: Responder com Citação

Parece que o Jorge esgotou as perguntas! A entrevista tem sido fantástica e a forma como tem respondido inacreditável. Parabéns e um enorme obrigado pelo tempo e esforço dispendidos. Vou deixar as minhas últimas perguntas...a entrevista já está bem composta!

22. Quais são os desafios futuros da viticultura no Douro? A irrigação será determinante? A rega gota a gota será um objectivo?

23. Qual é a sua visão sobre práticas biológicas, incluindo biodinâmica? Esta tentativa de respeito pela natureza do solo e da planta é um caminho inevitável na afirmação da identidade dos vinhos do Douro? Faz parte dos seus intentos?

24. Qual é a melhor forma de colocar em evidência o Terroir dos vinhos que produz? Qual é o papel do homem nesta relação com a natureza?

25. Para quando um rosé oriundo do seu projecto pessoal? E um generoso?

26. Qual é o resultado da casta Cabernet Sauvignon no "seu" hectare? Poderia ser utilizada como em Ribera del Duero, para dar uma subtil pitada de frescura aos lotes?

27. Como vive o enólogo as mudanças do mercado? O enólogo faz sempre vinhos com a finalidade de corresponder à expectativa de gosto do mercado?

Novamente, muito obrigado.
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Chapim



Registrado: Sexta-Feira, 22 de Setembro de 2006
Mensagens: 622
Localização: Lisboa/Porto

MensagemEnviada: Qua Dez 10, 2008 7:04 pm    Assunto: Responder com Citação

Jorge,
obrigado pelas prontas respostas.
Só mais umas perguntas:

1 - O que o levou ao mundo do vinho? Família, Acaso, ou é vocação desde miúdo?

2 - Sendo o Douro um mundo de vinhas, exposições, altitudes e solos e dando isto tudo com a ajuda humana imensos Douros diferentes, qual é para si o factor que mais identifica ou deveria identificar um vinho do Douro? Ou deveríamos identificar antes um vinho do Cima Corgo? Ou do Douro Superior?

Obrigado e Boas Provas!
_________________
Rui Figueiredo

pelo vinho!
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joaoredrose



Registrado: Segunda-Feira, 5 de Março de 2007
Mensagens: 66
Localização: Douro Valley

MensagemEnviada: Qua Dez 10, 2008 9:50 pm    Assunto: Responder com Citação

Hey Jorge,

Un saludo, aki das Covas del Douro.

Mais do k fazer perguntas, e, não pode haver dúvidas, tus vinos dão muitas respostas, queria dizer que aqui (nesta entrevista) vai uma grande poeirada :-).
De boas, excelentes talvez, ideias, muita atenção (mais a necessária reflexão, que é o que faz aprender, penso eu d k) e uma simplicidade só ao alcance dos grandes.

Keep essas uvas rockin', ya know, p'ró nosso prazer.

obrigado,
joão
_________________
comidinha p'ró papinho
www.gotaepinga.blogspot.com
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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
Mensagens: 1102
Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Qui Dez 11, 2008 3:31 am    Assunto: Responder com Citação

Caro Jorge,

A entrevista está a correr... fantástica! É um entendimento pessoal, mas estou convencido que a opinião da generalidade dos foristas não andará muito distante...

Vamos então forçar mais um bocadinho:


1- Muitos dos grandes vinhos nacionais, la Rosa e Poeira incluídos, apresentam-se com contra-rótulos escassos na informação, comprometendo em meu entender os laços de "proximidade/fidelidade" com o consumidor final. Concorda com este ponto de vista? Que razões levam a esse desfazamento entre produtor e consumidor?


E, no seguimento da questão anterior não posso deixar de lhe perguntar:


2- Que tempo de decantação aconselha para quem se proponha beber as colheitas iniciais de Poeira?


3- Que período de arejamento sugere para as colheitas mais recentes (2005 e 2006)?


4- Qual a temperatura de serviço que melhor potencia as virtudes de um Poeira? E para os tintos da Quinta de la Rosa?


Para finalizar por hoje, e mudando completamente de rumo:


5- Assim como se sentiu impelido a ir buscar a casta Alvarinho, não coloca a hipótese de "importar" a casta Baga?


6- Julgo ser consensual a existência de alguns pontos de contacto entre o Douro e o Priorat; nessa perspectiva não faria algum sentido tentar avaliar o comportamento de castas como a Garnacha e a Cariñena? Já existem experiências em curso?

Um grande abraço e... até já!

Pedro
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Spice Girl



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
Mensagens: 6060
Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Qui Dez 11, 2008 3:35 am    Assunto: Responder com Citação

Caro Jorge Moreira

O Pedro e o Tiago já fizeram as honras da casa, mas quero também agradecer-lhe ter aceite este nosso desafio, assim como a sua participação nesta entrevista que acredito lhe tem dado muito trabalho . Very Happy

Apesar de ainda não ter dito nada, tenho estado a acompanhar a entrevista e está a ser muito interessante.

Aqui ficam algmas questões:

1 - Tanto quanto me tenho apercebido na produção de vinho há uma mistura de diversos factores a considerar, de que se podem destacar a criatividade individual (arte), os aspectos científicos e técnicos (ciência) e os aspectos económicos.
Como avalia a % desejável de cada um destes factores?

2 -Eu teria tendência a pensar, relativamente aos dois primeiros aspectos que referi (arte e ciência), que deveria haver uma ligação forte entre eles. Tenho tendência a imaginar que para produzir vinhos com qualidade e personalidade, ou seja para que o "artista" consiga expressar o que pretende, tem que dispor das condições técnicas necessárias e dominá-las com algum à vontade. Por outro lado, tanto quanto percebo, por vezes é referido que o desenvolvimento técnico pode reduzir a personalidade dos vinhos.
Como vê isto?

3 - Independentemente da resposta anterior, como se lida com o assunto do ponto de vista do consumidor? Eu explico melhor. Há dias uma pessoa (independentemente de entender alguma coisa de vinhos ou não, não faço ideia se entendia), dizia-me que "não gostava" do uso de tecnologia mais avançada na produção de vinho, que tirava magia.

4 - É gratificante trabalhar para o consumidor português? Ou seja o nível de conhecimentos e a sensibilidade permite-lhe compreender o que lhe quer transmitir com os seus vinhos?
_________________
"Inquisitiveness was a key feature." Heston Blumenthal
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jorge moreira



Registrado: Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008
Mensagens: 35
Localização: douro

MensagemEnviada: Qui Dez 11, 2008 10:19 am    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
Parece que o Jorge esgotou as perguntas! A entrevista tem sido fantástica e a forma como tem respondido inacreditável. Parabéns e um enorme obrigado pelo tempo e esforço dispendidos. Vou deixar as minhas últimas perguntas...a entrevista já está bem composta!

Eu sabia que ontem e hoje de tarde não iria poder responder a nada portanto tentei responder o mais possível logo no inicio. Mas realmente isto não é fácil... Laughing

Tiago Teles escreveu:
22. Quais são os desafios futuros da viticultura no Douro? A irrigação será determinante? A rega gota a gota será um objectivo?

Os grandes desafios da viticultura do Douro são a reconversão da vinha para termos maior volume de vinhos de qualidade de forma consistente, sem perder a diversidade e personalidade que torna os nossos vinhos únicos no mundo.

A rega é uma ferramenta que será mais importante numa vinhas do que noutras. No douro superior temos todas as vinhas com rega, na minha quinta não uso rega em vinhas já formadas.

Tiago Teles escreveu:
23. Qual é a sua visão sobre práticas biológicas, incluindo biodinâmica? Esta tentativa de respeito pela natureza do solo e da planta é um caminho inevitável na afirmação da identidade dos vinhos do Douro? Faz parte dos seus intentos?

A agricultura biológica obriga a um conhecimento e acompanhamento da vinha enorme, o que por si só é uma garantia de qualidade. A preservação do ambiente é uma obrigação de todos, mas maior ainda para quem vive do que a natureza nos dá.

Tentamos todos os anos caminhar para uma agricultura mais biológica mas de uma forma responsável que não comprometa a qualidade das nossas vinhas. Com as inclinações que temos, com vinhas com patamares de 2 bardos sem acesso ao talude, o controlo das infestantes é extremamente difícil. As novas vinhas que plantamos estão já preparadas para uma agricultura biológica.

Não penso que se passar para biológico na minha vinha vá mudar muito em termos da sua identidade, mas a verdade é que não tenho experiencia portanto não sei. Daqui a uns anos poderemos falar.

Nos princípios da biodinâmica não acredito.

Tiago Teles escreveu:
24. Qual é a melhor forma de colocar em evidência o Terroir dos vinhos que produz? Qual é o papel do homem nesta relação com a natureza?

O papel do homem é interpretar a natureza e ajuda-la a exprimir-se, pode passar por uma quase não intervenção (2005) ou por um papel muito activo (2006).

Tiago Teles escreveu:
25. Para quando um rosé oriundo do seu projecto pessoal? E um generoso?

Não sou grande apreciador de rosé já fiz alguns mas nunca engarrafei, quem sabe se algum dia vou gostar de algum... Generoso com as vinhas que tenho actualmente não vou fazer.

Tiago Teles escreveu:
26. Qual é o resultado da casta Cabernet Sauvignon no "seu" hectare? Poderia ser utilizada como em Ribera del Duero, para dar uma subtil pitada de frescura aos lotes?

Eu gosto muito de cabernet mas é uma casta que marca muito os lotes, com 20% num lote é impossível esconde-lo e descaracteriza completamente os nossos vinhos. Sinceramente penso que no Douro não precisamos do cabernet, só para brincar.

Tiago Teles escreveu:
27. Como vive o enólogo as mudanças do mercado? O enólogo faz sempre vinhos com a finalidade de corresponder à expectativa de gosto do mercado?

Desde 2002 não ligo absolutamente nada às mudanças do mercado, os meus vinhos são feitos de acordo com o que eu gosto e acredito. Isto acontece porque tenho tido a sorte do mercado ter aceite o que tenho feito e claro que trabalhar com pequenos volumes para nichos ajuda! Se um dia não conseguir vender os meus vinhos no meu projecto pessoal paro de fazer vinhos, como enólogo profissional terei de me adaptar.

De qualquer forma acredito que se estivermos de olhos abertos ao que se passa no mundo nós próprios evoluímos e mudamos em sintonia com ele, podemos assim ter uma carreira longa e de sucesso sem termos de estar sempre a trocar de casaca para acompanhar a moda.

Um abraço

Jorge
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jorge moreira



Registrado: Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008
Mensagens: 35
Localização: douro

MensagemEnviada: Qui Dez 11, 2008 10:37 am    Assunto: Responder com Citação

Chapim escreveu:
Jorge,
obrigado pelas prontas respostas.
Só mais umas perguntas:

Tem sido um prazer

Chapim escreveu:
1 - O que o levou ao mundo do vinho? Família, Acaso, ou é vocação desde miúdo?

Gostava de ter uma história mais bonita mas a verdade é que fui para enologia por acaso e falta de outra vocação. Quando terminei o curso comecei logo a trabalhar com o meu cunhado numa empresa de aquecimento e recuperadores de calor e andava feliz da vida a ganhar os meus primeiros dinheiros. Foi graças ao meu Pai que não se conformou que eu não seguisse enologia e que quase me obrigou a fazer uma vindima na Real companhia velha. A partir dai foi como nos filmes “amor à primeira vista” Laughing

Chapim escreveu:
2 - Sendo o Douro um mundo de vinhas, exposições, altitudes e solos e dando isto tudo com a ajuda humana imensos Douros diferentes, qual é para si o factor que mais identifica ou deveria identificar um vinho do Douro? Ou deveríamos identificar antes um vinho do Cima Corgo? Ou do Douro Superior?

Penso que não, todas as regiões do mundo tem sub-regiões que produzem vinhos diferentes basta olharmos para a Borgonha ou Bordéus. Há um fio condutor a todos os vinhos do douro, um perfil aromático com uma combinação de fruta madura, com toques florais e vegetais. Mas o que penso ser mais singular nos nossos vinhos é terem uma boca gorda e estruturada mas com uma acidez e taninos que dão um equilíbrio e dimensão única no mundo.

Um abraço

Jorge
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jorge moreira



Registrado: Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008
Mensagens: 35
Localização: douro

MensagemEnviada: Qui Dez 11, 2008 10:38 am    Assunto: Responder com Citação

Olá João,

Ainda bem que estás a gostar.

Um abraço

Jorge
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jorge moreira



Registrado: Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008
Mensagens: 35
Localização: douro

MensagemEnviada: Qui Dez 11, 2008 11:02 am    Assunto: Responder com Citação

Pedro Gomes escreveu:
Caro Jorge,

A entrevista está a correr... fantástica! É um entendimento pessoal, mas estou convencido que a opinião da generalidade dos foristas não andará muito distante...

Vamos então forçar mais um bocadinho:


Vamos a isso...

Pedro Gomes escreveu:
1- Muitos dos grandes vinhos nacionais, la Rosa e Poeira incluídos, apresentam-se com contra-rótulos escassos na informação, comprometendo em meu entender os laços de "proximidade/fidelidade" com o consumidor final. Concorda com este ponto de vista? Que razões levam a esse desfazamento entre produtor e consumidor?

Eu penso que dar muitas informações técnicas ou de localização num contra-rótulo não é muito importante. O que tento fazer é criar uma ligação com o consumidor tentando de forma simples dizer-lhe o que o vinho é para mim, tento transmitir a “emoção” (não encontrei outra palavra) que está por trás do vinho e não dados que nos dias de hoje ele poderá encontrar com facilidade. Quando por exemplo eu escrevi no contra-rótulo do J “ este vinho foi feito para dar prazer e não impressionar” disse mais sobre o vinho do que se explicasse todas as técnicas de vinificação

Pedro Gomes escreveu:
E, no seguimento da questão anterior não posso deixar de lhe perguntar:

2- Que tempo de decantação aconselha para quem se proponha beber as colheitas iniciais de Poeira?

Uma hora e meia nos 2001 e 2004 e uma hora nos 2002 e 2003

Pedro Gomes escreveu:
3- Que período de arejamento sugere para as colheitas mais recentes (2005 e 2006)?

Duas horas no 2005 e uma hora no 2006


Pedro Gomes escreveu:
4- Qual a temperatura de serviço que melhor potencia as virtudes de um Poeira? E para os tintos da Quinta de la Rosa?

Como regra 16ºC é uma boa temperatura. Nos anos 01, 02 e 05 especialmente no inverno podem ser bebidos um pouco mais quentes, nos outros anos podem ser bebidos um pouco mais frios. Claro que tal como o arejamento depende muito do gosto pessoal e cada um de nós deve descobrir como gosta dos vinhos.

Pedro Gomes escreveu:
Para finalizar por hoje, e mudando completamente de rumo:

5- Assim como se sentiu impelido a ir buscar a casta Alvarinho, não coloca a hipótese de "importar" a casta Baga?

Não, penso que temos suficientes castas tintas no Douro para explorar.

Pedro Gomes escreveu:
6- Julgo ser consensual a existência de alguns pontos de contacto entre o Douro e o Priorat; nessa perspectiva não faria algum sentido tentar avaliar o comportamento de castas como a Garnacha e a Cariñena? Já existem experiências em curso?

Podia fazer sentido mas temos mais de 20 castas no douro que penso deveriam ter prioridade sobre essas, penso ser muito importante defendermos e preservarmos o nosso património. Não tenho conhecimento mas acredito que sim.

Um abraço

Jorge
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jorge moreira



Registrado: Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008
Mensagens: 35
Localização: douro

MensagemEnviada: Qui Dez 11, 2008 11:24 am    Assunto: Responder com Citação

Spice Girl escreveu:
Caro Jorge Moreira

O Pedro e o Tiago já fizeram as honras da casa, mas quero também agradecer-lhe ter aceite este nosso desafio, assim como a sua participação nesta entrevista que acredito lhe tem dado muito trabalho . Very Happy

Muito trabalho mas também muito prazer

Spice Girl escreveu:
Apesar de ainda não ter dito nada, tenho estado a acompanhar a entrevista e está a ser muito interessante.

Aqui ficam algmas questões:

1 - Tanto quanto me tenho apercebido na produção de vinho há uma mistura de diversos factores a considerar, de que se podem destacar a criatividade individual (arte), os aspectos científicos e técnicos (ciência) e os aspectos económicos.
Como avalia a % desejável de cada um destes factores?

Penso que ter uma base científica e técnica é fundamental para fazer um vinho de qualquer gama, é preciso ter dinheiro para ter e manter boas vinhas, boas adegas, boas rolhas e boas barricas, para fazer vinhos com alma é preciso ter realmente sensibilidade e criatividade.

Como sem uvas não há vinho vou colocar 50% nos aspectos financeiros, como com vinho estragado não há arte que lhe valha 40% para a técnica e para a Arte apenas 10%. Só que todos sabemos que em tudo na vida são as pequenas coisas que fazem a diferença...

Spice Girl escreveu:
2 -Eu teria tendência a pensar, relativamente aos dois primeiros aspectos que referi (arte e ciência), que deveria haver uma ligação forte entre eles. Tenho tendência a imaginar que para produzir vinhos com qualidade e personalidade, ou seja para que o "artista" consiga expressar o que pretende, tem que dispor das condições técnicas necessárias e dominá-las com algum à vontade. Por outro lado, tanto quanto percebo, por vezes é referido , que o desenvolvimento técnico pode reduzir a personalidade dos vinhos.
Como vê isto?

Concordo, não há grandes escritores que não saibam escrever, ou grande pintores que não saibam pintar. Temos que dominar a técnica para fazer Arte. Se formos apenas técnicos, não pararmos para nos interrogáramos, para pensar ou provar, os vinhos vão ficar cada vez mais iguais.

Ao reler este paragrafo, reparei que pode ficar a impressão que me considero um artista o que não é verdade.

Spice Girl escreveu:
3 - Independentemente da resposta anterior, como se lida com o assunto do ponto de vista do consumidor? Eu explico melhor. Há dias uma pessoa (independentemente de entender alguma coisa de vinhos ou não, não faço ideia se entendia), dizia-me que "não gostava" do uso de tecnologia mais avançada na produção de vinho, que tirava magia.

Pegando na resposta que dei ao Pedro Gomes, não escrevendo nada no contra-rótulo e deixar o vinho falar por nós.

Spice Girl escreveu:
4 - É gratificante trabalhar para o consumidor português? Ou seja o nível de conhecimentos e a sensibilidade permite-lhe compreender o que lhe quer transmitir com os seus vinhos?

Quando comecei a trabalhar não era, houve uma evolução enorme nos consumidores e hoje em dia, como se pode ver pelas perguntas que me têm colocado, é muito gratificante.

Jorge
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luiz otávio peçanha



Registrado: Quarta-Feira, 19 de Janeiro de 2005
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Localização: piracicaba/sp/brasil

MensagemEnviada: Qui Dez 11, 2008 4:10 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Jorge,
Muito obrigado pelas respostas e pela excelente entrevista.

Luiz Otávio
_________________
De vinho em vinho vamos aprendendo um pouquinho.
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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
Mensagens: 1102
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MensagemEnviada: Qui Dez 11, 2008 4:42 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Jorge,

Lamento se porventura as pestanas já queimem mas, tem que ser...

1- Em termos genéricos, que opinião tem relativamente ao modo como a nossa restauração trata o vinho, sobretudo os de melhor qualidade? Em que aspectos urge adoptar uma nova atitude?

2- Por vezes esquecemo-nos, mas o vinho começa por ser uma questão cultural. E confesso que me sinto apreensivo perante a rapidez com que se instalou a "geração shot". Vamos assistindo impávidos e serenos a este reposicionamento de gostos e hábitos de consumo dos mais novos e esquecemo-nos de que eles são o mercado... de futuros! E, claro está, um dia a casa vem abaixo...

Concorda com esta perspectiva? As entidades com competência nessa matéria mostram-se actuantes? Que papel pode e deve ser exigido aos produtores?

3- Este frenesim do dia-a-dia leva a que estejamos a consumir os nossos melhores vinhos excessivamente novos, ainda longe do seu apogeu. Isso parece-me perigoso porque interfere com aspecto culturais que desde cedo demarcaram o vinho das demais bebidas: perde-se o encanto do ser vivo que, tal como as pessoas, só com o tempo moldam a sua personalidade, perde-se o encanto da complexidade aromática, perde-se o encanto com o carácter secular de certos vinhos (Porto incluído), perde-se o encanto da garrafeira. Enfim...

Como inverter este estado de coisas ou esta é uma batalha perdida? Que estratégias para combater esta tendência? Constitui uma reserva estratégica dos seus vinhos (pequena é claro) para só a deixar chegar ao mercado no seu apogeu?

4- Achei muito curiosa a sua descrença face aos príncipios da biodinâmica.

É legítimo retirar das suas palavras que há muito marketing por detrás dessa filosofia? Como se justifica então a postura de total comprometimento com esses príncipios por parte de nomes como Anne-Claude Leflaive (Domaine Leflaive) e Lalou-Bize Leroy (Domaine Leroy), dois nomes incontornáveis da Borgonha... e do mundo!?

Um grande abraço e... até já!

Pedro
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Gus



Registrado: Segunda-Feira, 16 de Abril de 2007
Mensagens: 181
Localização: Dão/Douro

MensagemEnviada: Qui Dez 11, 2008 10:23 pm    Assunto: Responder com Citação

luiz otávio peçanha escreveu:
Caro Jorge,
Muito obrigado pelas respostas e pela excelente entrevista.

Luiz Otávio


Subscrevo as palavras do Luis Otávio.
_________________
O vinho é paixão!
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