NovaCrítica-vinho.com - Índice do Fórum NovaCrítica-vinho.com
Forum de Discussão
 
 FAQFAQ   PesquisarPesquisar   MembrosMembros   GruposGrupos   RegistrarRegistrar 
 PerfilPerfil   Entrar e ver Mensagens ParticularesEntrar e ver Mensagens Particulares   EntrarEntrar 

Entrevista com Jorge Moreira (Poeira/Enólogo)
Ir à página Anterior  1, 2, 3, 4, 5  Próximo
 
Novo Tópico   Este Tópico está Bloqueado. Você não pode editar mensagens ou responder    NovaCrítica-vinho.com - Índice do Fórum -> Entrevistas On-line
Exibir mensagem anterior :: Exibir próxima mensagem  
Autor Mensagem
dirk niepoort



Registrado: Segunda-Feira, 14 de Janeiro de 2008
Mensagens: 82

MensagemEnviada: Ter Dez 09, 2008 5:53 pm    Assunto: Responder com Citação

- Quando por aí se fala nos Poeira, raramente vejo referências ao 2002, que será talvez aquele que mais me agradou até ao momento (não conheço o 2006), levando-me a pensar que será da opinião geral que terá sido o menos bem conseguido (talvez por causa do ano). Qual é a sua opinião?



para mim o 02 tambem e o poeira que gosto mais.
dirk
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
jorge moreira



Registrado: Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008
Mensagens: 35
Localização: douro

MensagemEnviada: Ter Dez 09, 2008 6:14 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Abílio Neto

Abílio Neto escreveu:
Um pequeno enquadramento para que entenda as minhas perguntas: para mim, o Poeira é o tinto de Portugal que mais apaixona (dentro de algumas outras grandes paixões), o único que tenho garrafas repetidas (algumas) de todas colheitas na minha garrafeira!

Fico muito contente e espero que os meus vinhos nunca o decepcionem.

Abílio Neto escreveu:
E ainda agora na Prova Especial do EVS, fazendo a vertical, percebi melhor as razões do meu gosto, razões que vou tentar transmitir implicitamente nas minhas perguntas:

- Deve a Touriga Nacional predominar em todos os «grandes vinhos» de Portugal? Justifique, por favor.

Penso que nenhuma casta deve predominar em nenhum grande vinho de Portugal. Penso que os grandes vinhos devem ser misteriosos, complexos, deve ser necessário tempo e algum esforço para os completamente compreender. Estas características não são compatíveis com vinhos monocasta. Dito isto, a Touriga Nacional é uma casta de excepcional qualidade capaz de produzir grandes vinhos e há alguns bons exemplos no mercado, mas mesmo nestes produtores que fazem grandes vinhos de touriga eu normalmente prefiroos vinhos de lote.

Para além disso se todos usarmos só touriga Nacional a perda de diversidade e de interesse por esse tipo de vinhos a médio prazo irá acontecer necessariamente.

Abílio Neto escreveu:
- Deve um «grande vinho» manter a todo o custo o seu perfil , colheita atrás de colheita, sem que nele se «sinta» as influencias contigentes (tudo, incluindo a disposição do enólogo) do ano em que foi produzido? Particularize o «caso Poeira», por favor.

No meu caso claramente não, o meu vinho deve ser um reflexo da minha vinha nesse ano. Quero ao fazer uma prova vertical contar a história da minha vinha ao longo dos anos através da prova dos vinhos.

Admito que em grandes empresas com volumes maiores e mercados diferentes, tenha sentido fazer um esforço maior para manter um perfil.

Abílio Neto escreveu:
- Acha que deve pensar em fazer um varietal Tinta Roriz, considerando que, 2º encontro nos seus vinhos (posso estar muito enganado), a casta sai-lhe bem?

Não sou adepto de vinhos variatais pelo que já expliquei anteriormente

Abílio Neto escreveu:
- Faz o Poeira para envelhecer bem em garrafa? É que começa a circular entre os enófilos uma certa desconfiança relativamente a durabilidade dos «Novos Douro», coisa que não partilho quando colocada como generalização, mas que me intriga quando particularizo algumas experiências vividas.

É uma das minhas principais preocupações, penso que um grande vinho só é grande quando passado pelo menos 10 anos está melhor do que quando foi engarrafado. Fiz recente provas verticais de Poeira, Pintas e vale meão de 2001 até agora e todos os vinhos sem excepção estavam novos.

Abílio Neto escreveu:
- O preço do Poeira é justo, face aos mega-preços pagos por alguns vinhos do Douro que, logo, na 1ª edição custam o dobro e valem o dobro de menos?

Fiz o preço do Poeira pensando na rentabilização do meu investimento a médio prazo e num valor com que eu me sinta confortável face à qualidade do vinho. Penso que tendo em consideração estes pontos o preço é justo.

Um abraço

Jorge
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
jorge moreira



Registrado: Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008
Mensagens: 35
Localização: douro

MensagemEnviada: Ter Dez 09, 2008 8:17 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Pedro,

Eu é que agradeço a possibilidade de participar neste espaço de entrevistas. Como não consegui recuperar a resposta original envio uma nova resposta resumida porque muito do que tinha respondido originalmente já foi falado.

Pedro Gomes escreveu:
1- Quais os traços que considera mais relevantes na evolução da vitivinícultura duriense, no decurso da última década?

Penso que a maior evolução da viticultura duriense foi a percepção generalizada da necessidade de equilíbrio da videira, uma correcta nutrição, uma poda equilibrada, uma boa condução da vegetação, uma boa relação entre peso da fruta e a superfície foliar, um vigor equilibrado. Quando comecei a trabalhar do Douro, apesar de estarmos numa região tão quente, a minha principal dificuldade era a falta de maturação das uvas.

Na última década com o aparecimento de imensos novos produtores, aumentou a quantidade de pessoas que se preocupam com ter vinhas equilibradas que produzam uvas bem maduras que permitam a produção de vinhos de qualidade.

Claro que cada vez construímos melhores vinhas, com melhores plantas, com preocupações ambientais maiores, temos uma utilização mais racional dos produtos fitofarmacos, um conhecimento maior das nossas castas, etc... Mas esta mudança de mentalidade da passagem de muitos produtores de uvas vendidas ao peso para produtores de uvas para fazer vinho penso ter sido o mais importante

Pedro Gomes escreveu:
2- Em seu entender, que aspectos merecem uma atenção redobrada tendo em vista a afirmação externa dos vinhos tranquilos durienses?

Já respondi

Pedro Gomes escreveu:
3- Para alguém que "arquitectou" o estilo Poeira, não resisto a perguntar-lhe como encara o futuro de muitos dos tintos negros, alcoólicos, sobremaduros e desequilibrados que se fazem em Portugal?

Nós trabalhamos numa região muito quente, com pouca água e com produções muito baixas, estas condições dão origem a vinhos com muita concentração e com álcool elevado, agora isto não quer dizer que estejamos obrigados a produzir vinhos sobremaduros ou desiquilibrados. Penso que podemos aliar a concentração e potência com frescura e equilíbrio, vinhos que dêem prazer a beber e com capacidade de evolução. Para o estilo alcoólico e sobremaduro não vejo grande futuro.

Pedro Gomes escreveu:
4. Com seis colheitas no activo, será que se pode falar num perfil "Poeira"? Como o definiria?

O Poeira é um vinho que pretende ser equilibrado e subtil, mas de personalidade vincada. Por ter origem numa vinha com exposição Norte tem sempre bastante acidez e não é muito encorpado. È um vinho com alguma austeridade e mistério que espero se vá revelando ao longo dos tempos.

Um grande abraço,

Jorge
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Ter Dez 09, 2008 11:19 pm    Assunto: Responder com Citação

Bom, este primeiro dia teve pouco de “Poeira” e mais de “Potência”. Agradeço-lhe imenso a forma apaixonada e vivida como encarou este impacto inicial. Sei que vamos perder um pouco de “disponibilidade” nos próximos dias mas deixo, desde já, mais algumas perguntas para que possa ir fermentando respostas!

16. Provei este ano pela primeira vez o Sirga (o da colheita de 2006). E tenho que reconhecer que foi um vinho que me intrigou. Mostrou-se tão comunicativo e enérgico que pensei estar perante um vinho que "gozava com a minha cara”. Fale-nos um pouco deste projecto, das vinhas, dos vinhos e das ambições?

17. Fale-nos também das colheitas que ainda “não” provámos? Como correram as vindimas de 2007 e 2008 nas propriedades onde trabalha? O que esperar do Poeira 2007? E do Poeira 2008, arrisca desde já algum “prognóstico”? Poderemos esperar alguma novidade?

18. Fale-nos um pouco da ligação sensível entre vinho e madeira, qual a importância desse estágio nos tintos e nos brancos, de que forma o Jorge Moreira a utiliza por exemplo no Poeira? Madeira nova ou usada? Sem madeira? De que forma encara esta relação?

19. Porque razão os vinhos ostentam hoje em dia, por regra, 14% de álcool quando até há bem pouco tempo andavam em volta dos 12,5%? Não é possível obter uma boa maturação fenólica em torno dos 12,5%? Qual a consequência na longevidade dos vinhos? Quais os atributos que considera mais importantes para a longevidade de um vinho tinto? Acidez? Álcool? Taninos? Pode-se fazer no Douro um vinho que desafie, por exemplo, a longevidade de um bom Bordeaux?

20. Interessante o facto de referir numa das suas respostas: “Quando comecei a trabalhar do Douro, apesar de estarmos numa região tão quente, a minha principal dificuldade era a falta de maturação das uvas”. No seguimento da pergunta anterior questiono se será possível voltar um pouco atrás, trabalhando a vinha no sentido de voltar a baixar o grau médio?

21. Apesar de viver os holofotes do mundo do vinho de forma mais discreta, como encara o facto de actualmente um grupo de consumidores dar imensa importância ao papel do enólogo? Ela justifica-se? Qual é para si o papel do enólogo?

Um abraço,
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail Visitar a homepage do Usuário
frexou



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
Mensagens: 1202
Localização: Porto

MensagemEnviada: Qua Dez 10, 2008 12:17 am    Assunto: Responder com Citação

Jorge tudo bem contigo?

Como sabes, o Poeira é para mim um vinhão. No estilo, na sobriedade, na complexidade e sobretudo na satisfação que proporciona.
Que tipo de pratos gostas de acompanhar com o Poeira Tinto?

Em relação ao panorama mundial, que vinhos te dão realmente prazer a beber?

Eu noto algumas semelhanças entre o Jota e o Pó, embora assuma que não é o meu estilo de vinho preferido, pelo menos para beber em novo. Achas que o vinho é mesmo feito para a gastronomia Portuguesa, para beber ligeiramente fresco (15º) em novo, ou pensas que com o tempo o vinho vai melhorar?


grande abraço para Provezende
_________________
Um abraço
Paulo Silva
http://vinhodacasa.blogspot.com
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail Visitar a homepage do Usuário MSN Messenger
falmeida



Registrado: Quinta-Feira, 4 de Dezembro de 2008
Mensagens: 12

MensagemEnviada: Qua Dez 10, 2008 12:49 am    Assunto: Responder com Citação

Boa noite. Sou fã do Poeira. Para mim é um dos melhores vinhos portugueses.

Se não se importa algumas perguntas.
Esta geracção fez uma coisa que ninguém fez antes, foi viver para o Douro. É fácil viver no Douro?

Porque é que lancou o Pó de Poeira em 2006? Pergunto porque todos dizem que o ano é fraco e é uma marca nova.

Tem planos para fazer uma terceira marca? Um Poeira Reserva?

Uma pergunta estúpida. Se dantes as vinhas eram plantadas misturadas e todos dizem bem dessas vinhas porque é que hoje já não se plantam vinhas misturadas?

O que acha das castas estrangeiras no Douro? Syrah, Cabernet Sauvignon, Chardonnay, etc. É verdade que á cada vez mais destas uvas no Douro? Plantaria estas castas na sua vinha?

O desenho do rótulo tem algum significado escondido?

Onde é que vai buscar inspiração para as frases do contrarótulo do Pó de Poeira? São extraordinárias.

Vai voltar a haver J?

Muito obrigado e parabéns.
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
Abílio Neto



Registrado: Quinta-Feira, 1 de Setembro de 2005
Mensagens: 3677

MensagemEnviada: Qua Dez 10, 2008 9:44 am    Assunto: Responder com Citação

Caro Jorge Moreira,

Obrigado pelas respostas. Volto.

- Se um estrangeiro lhe pedisse que lhe indicasse 5 vinhos portugueses da sua preferência que não fossem do Douro, quais seriam? E se o mesmo estrangeiro lhe pedisse o mesmo nº de vinhos portugueses, ainda fora do Douro, para guarda, quais indicaria?

- Faz sentido fazer-se Colheitas Tardias em Portugal, eu acho que sim, qual é a sua opinião?
_________________
Abraços,

Abílio Neto
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
jorge moreira



Registrado: Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008
Mensagens: 35
Localização: douro

MensagemEnviada: Qua Dez 10, 2008 12:15 pm    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
Bom, este primeiro dia teve pouco de “Poeira” e mais de “Potência”. Agradeço-lhe imenso a forma apaixonada e vivida como encarou este impacto inicial. Sei que vamos perder um pouco de “disponibilidade” nos próximos dias mas deixo, desde já, mais algumas perguntas para que possa ir fermentando respostas!

16. Provei este ano pela primeira vez o Sirga (o da colheita de 2006). E tenho que reconhecer que foi um vinho que me intrigou. Mostrou-se tão comunicativo e enérgico que pensei estar perante um vinho que "gozava com a minha cara”. Fale-nos um pouco deste projecto, das vinhas, dos vinhos e das ambições?

A quinta onde nascem as uvas para o sirga chama-se Quinta do Requeijo e situa-se na zona de transição entre o Douro Superior e o Cima Corgo junta à Nossa Srª da Ribeira. É uma Quinta com cerca de 40 há junto ao rio com uma localização lindíssima. Um dos proprietários é meu amigo e pediu-me para lhe fazer o vinho, como eu não sou muito dado a consultadorias aceitei com a condição de fazer-mos apenas 5000 litros e o vinho ser vinificado em minha casa.

No primeiro ano em 2004 tentei fazer o vinho mais bonito e sedutor de que era capaz, muito porque as uvas assim o pediam, mas também porque me agradava o contraste com o resto dos vinhos que fazia na adega.

É também um projecto com imenso potencial mas nem eu nem os proprietários da Quinta temos tido tempo para o fazer crescer, este ano de 2009 penso que poderá ser um ano importante para o Sirga.

Tiago Teles escreveu:
17. Fale-nos também das colheitas que ainda “não” provámos? Como correram as vindimas de 2007 e 2008 nas propriedades onde trabalha? O que esperar do Poeira 2007? E do Poeira 2008, arrisca desde já algum “prognóstico”? Poderemos esperar alguma novidade?

As vindimas em 2007 correram muito bem e ensinaram-nos muito, estamos muito habituados no Douro ao stress hídrico, vinhas com folhas amarelas ou mesmo sem folhas, e acreditamos que este “sofrimento” da planta é muito importante para a qualidade das uvas. No ano de 2007 tivemos sempre água no solo, as folhas sempre verdes até à vindima e boa produção. Para surpresa de todos as uvas amadureceram muito bem, dando origem a vinhos com bom corpo, estrutura, boa fruta e concentração. Principalmente no Passagem e no Sirga os vinhos têm uma intensidade e pureza de fruta incríveis. Os La rosa são ricos e gulosos e os Poeira um pouco mais “civilizados” do que os 2006. Estou a pensar lançar uma “brincadeira” talvez com os projectos do Dirk com um 2007.

O 2008 para não fugir à regra foi um ano também muito peculiar, tempo frio e chuvoso durante a floração diminuíram a produção e provocaram uma heterogeneidade na vinha da qual ela (devido também ao verão fresco) nunca recuperou. No inicio de Setembro com vinhas ainda verdes e previsões de chuva intensa para o resto de Setembro, fizeram com que o inicio de vindima fosse um dos mais preocupantes de sempre. Mas felizmente tudo correu bem, não choveu, temos vinhos concentrados mas com uma acidez como nunca tive desde que estou a trabalhar. Os brancos parecem fantásticos e os tintos um equilíbrio e potencial de evolução enormes.

Tiago Teles escreveu:
18. Fale-nos um pouco da ligação sensível entre vinho e madeira, qual a importância desse estágio nos tintos e nos brancos, de que forma o Jorge Moreira a utiliza por exemplo no Poeira? Madeira nova ou usada? Sem madeira? De que forma encara esta relação?

O meu objectivo é sempre expressar ao máximo o meu “terroir” (à falta de palavra melhor), portanto tento evitar tudo o que contribua para uma diluição dessa expressão, uvas sobremaduras ou verdes, extracções excessivas, defeitos, madeira a mais, etc...

A madeira é fundamental para a evolução e desenvolvimento dos vinho, através de um micro oxigenação , tanto com madeira nova como usada. A madeira nova pode trazer uma complexidade e um suporte suplementar mas deve ser utilizada criteriosamente para ser mais um dos componentes do vinho e não o principal. A % de utilização de madeira nova varia imenso de vinho para vinho e de tanoaria para tanoaria.

No Poeira já utilizei 50% de madeira nova mas também já utilizei 0%.

Tiago Teles escreveu:
19. Porque razão os vinhos ostentam hoje em dia, por regra, 14% de álcool quando até há bem pouco tempo andavam em volta dos 12,5%? Não é possível obter uma boa maturação fenólica em torno dos 12,5%? Qual a consequência na longevidade dos vinhos? Quais os atributos que considera mais importantes para a longevidade de um vinho tinto? Acidez? Álcool? Taninos? Pode-se fazer no Douro um vinho que desafie, por exemplo, a longevidade de um bom Bordeaux?

No Douro uma boa maturação fenólica varia muito de ano para ano, por exemplo comparando 2004 com 2005 há um diferença de 1% porque em 2004 houve desidratação e em 2005 não. O vinho faz-se de equilíbrios um vinho com 12,5% pode parecer chato e um com 14% pode ser fresco e vivo, penso que o mais importante é procurar ano após ano esse equilíbrio quer ele se encontre com 12,5 ou 14,5%.

O que permite a um vinho ter longevidade é a pergunta de 1 milhão de euros, que penso que poucos podem responder. Pessoalmente penso ser uma combinação de numerosos factores, em que os analíticos nem serão dos mais importantes. Mas acredito que um vinho sem acidez não evolui bem.

Estamos a trabalhar para conseguir provar que um Douro pode evoluir como um Bordeaux, se o vamos conseguir ou não o futuro o dirá. Os 2008 penso serem um passo na direcção certa.

Tiago Teles escreveu:
20. Interessante o facto de referir numa das suas respostas: “Quando comecei a trabalhar do Douro, apesar de estarmos numa região tão quente, a minha principal dificuldade era a falta de maturação das uvas”. No seguimento da pergunta anterior questiono se será possível voltar um pouco atrás, trabalhando a vinha no sentido de voltar a baixar o grau médio?

Voltar a trás não porque hoje estamos a fazer muito melhor, mas estamos todos a trabalhar não só na vinha para tentar baixar o grau sem diminuir a qualidade dos nossos vinhos.

Tiago Teles escreveu:
21. Apesar de viver os holofotes do mundo do vinho de forma mais discreta, como encara o facto de actualmente um grupo de consumidores dar imensa importância ao papel do enólogo? Ela justifica-se? Qual é para si o papel do enólogo?

Penso que sim, para quem gosta de vinho tentar interpretar o trabalho de diferentes enólogos pode ser tão interessante como estudar diferentes regiões. Penso que o papel do enólogo é dar a conhecer ao consumidor a sua interpretação das vinhas com que trabalha e um pouco de si próprio em cada vinho que faz.

Um abraço

Jorge
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
Chapim



Registrado: Sexta-Feira, 22 de Setembro de 2006
Mensagens: 622
Localização: Lisboa/Porto

MensagemEnviada: Qua Dez 10, 2008 12:19 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Jorge,
obrigado desde já por esta fantástica entrevista.
O Poeira é de facto um vinho que me preenche e é para mim um excelente exemplo de um dos muitos perfis que eu acho a que o Douro pode chegar. Não posso deixar de salientar o que afirmou ao tentar fixar o preço do Poeira no intervalo que ele ocupa, ao pensar no investimento a médio prazo e não em loucuras como muitos outros novos produtores.

Algumas questões:
1 - Porquê escolher o Alvarinho como uma das castas brancas plantadas? Quando o visitei (em Agosto de 2007) fiquei fascinado com um vinho feito de Alvarinho (na altura referiu que eram cerca de 350 garrafas se não me engano). Haverá algo do género de 2007 ou 2008?

2 - O J (confesso que não achei o Pó assim tão semelhante ao J mas pode ser somente da colheita) é outro vinho com o qual me identifico e que utilizo normalmente para comidas difíceis (para mim cai ou caiu perfeitamente bem com uma cabidela por exemplo). O Pó nos próximos anos terá um perfil semelhante ao J de 2005?

3 - O primeiro contacto que tive com o Poeira foi através do excelente livro 12 vinhos 12 histórias editado pelo Público com organização geral do Luis Ferreira. Fiquei logo fascinado. Imaginando que se fazia agora outra edição quais seriam alguns dos vinhos que gostaria de ver lá retratados?

4 - A vertical do EVS foi belíssima. Parabéns. Adorei sentir a empatia entre os 2 projectos Pintas e Poeira. Acha que faria algum sentido tentarem um projecto a 2 ou seria algo sem sentido?

Um abraço e mais uma vez obrigado pela disponibilidade.
Boas provas!
_________________
Rui Figueiredo

pelo vinho!
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
Rui Lourenço Pereira



Registrado: Terça-Feira, 8 de Janeiro de 2008
Mensagens: 356
Localização: Algures...

MensagemEnviada: Qua Dez 10, 2008 12:22 pm    Assunto: Responder com Citação

Jorge,

Estou de volta.

Actualmente quando se fala de Douro, fala-se, com toda a justiça dos vinhos dos Douro Boys, apesar de na minha modesta opinião, haver algumas diferenças entre os 5 produtores envolvidos. Contudo acho que há produtos que mereciam igualmente destaque. Posso mesmo referir que tenho provado vinhos que surpreenderiam o mais atento enófilo.

Relativamente aos vinhos Poeira, Pó, J, Quinta de La Rosa, todos nós que os conhecemos, verificamos que são vinhos de elevada qualidade, mas cuja afirmação internacional custa a chegar. Sei, que, segundo estudos recentes a afirmação de uma marca demora 25 anos, mas será que se consegue aguardar tanto tempo? Para quando a sua verdadeira internacionalização? Para quando a verdadeira abertura do Douro ao mercado internacional e o alcance dos seus vinhos às melhores garrafeiras, restaurantes,...?

Para quando a produção em massa de vinhos de elevada qualidade que todos possam aceder? Será que tal é possível e.......desejável?

Não estarão os vinhos em Portugal demasiado caros quando comparados com vinhos de outros Países tão bons ou melhores a preços muito inferiores? Tenho comprado verdadeiras pérolas lá fora a preços muito inferiores. Por vezes compro igualmente vinhos portugueses lá fora a metade do preço do que encontro em Portugal. É isto que se pretende?

Tenho falado com muitos produtores na região duriense e reparo que apesar de larga maioria preferir a região do Cima Corgo, começa a haver algumas opiniões a divergir para o Douro Superior. Será que um blend entre as duas regiões não fará um melhor vinho?

Por agora me fico.

Abraço,
_________________
rlp

www.artmeetsbacchus.blogspot.com
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Visitar a homepage do Usuário
jorge moreira



Registrado: Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008
Mensagens: 35
Localização: douro

MensagemEnviada: Qua Dez 10, 2008 12:31 pm    Assunto: Responder com Citação

frexou escreveu:
Jorge tudo bem contigo?

Olá Paulo,

Tudo obrigado, estou a dever-te uma visita...

frexou escreveu:
Como sabes, o Poeira é para mim um vinhão. No estilo, na sobriedade, na complexidade e sobretudo na satisfação que proporciona.

Que tipo de pratos gostas de acompanhar com o Poeira Tinto?

A Olga cozinhou ultimamente um rosbife de carne maronesa que casou na perfeição com um poeira 05

frexou escreveu:
Em relação ao panorama mundial, que vinhos te dão realmente prazer a beber?

Todos os que tenham identidade própria e sejam bem feitos. Mas prefiro claramente vinhos do velho Mundo com alguma idade, principalmente franceses (brancos e tintos), Italianos (tintos) e alemães e austríacos (brancos)

frexou escreveu:
Eu noto algumas semelhanças entre o Jota e o Pó, embora assuma que não é o meu estilo de vinho preferido, pelo menos para beber em novo. Achas que o vinho é mesmo feito para a gastronomia Portuguesa, para beber ligeiramente fresco (15º) em novo, ou pensas que com o tempo o vinho vai melhorar?

Penso que são realmente vinhos muito gastronómicos que “pedem” comida. Acho que o “J” está bom para beber já mas ainda vai melhorar e o Pó ainda está novo tem vindo a encontrar o seu equilíbrio e penso vai evoluir muito bem.

Grande abraço
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
jorge moreira



Registrado: Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008
Mensagens: 35
Localização: douro

MensagemEnviada: Qua Dez 10, 2008 12:59 pm    Assunto: Responder com Citação

falmeida escreveu:
Boa noite. Sou fã do Poeira. Para mim é um dos melhores vinhos portugueses.

Bom dia, muito obrigado.

falmeida escreveu:
Se não se importa algumas perguntas.
Esta geracção fez uma coisa que ninguém fez antes, foi viver para o Douro. É fácil viver no Douro?

Na verdade não é muito fácil para quem vem da cidade viver no Douro, especialmente no meu caso que vivo numa casa isolada, com uma estrada de terra com grande inclinação, no meio da minha vinha, com a minha mulher e uma bebé. Implica muito planeamento e muitos Km de carro, há também uma necessidade de habituação para lidar com pessoas com experiencias e formas de encarar a vida muito diferentes da nossa.

Mas na primeira manhã de primavera ou num almoço com a família debaixo de uma laranjeira com vista para o Vale todas as dificuldades são esquecidas

falmeida escreveu:
Porque é que lançou o Pó de Poeira em 2006? Pergunto porque todos dizem que o ano é fraco e é uma marca nova.

Na verdade eu lancei o Pó em 2005 mas com a marca “J” mas como não consegui o registo definitivo da marca e também por outras razões decidi mudar para o Pó em 2006.

falmeida escreveu:
Tem planos para fazer uma terceira marca? Um Poeira Reserva?

Não, o Poeira é o melhor que consigo fazer. Posso é fazer algumas brincadeiras de pequeno volume mas mais marcas penso que não.

falmeida escreveu:
Uma pergunta estúpida. Se dantes as vinhas eram plantadas misturadas e todos dizem bem dessas vinhas porque é que hoje já não se plantam vinhas misturadas?

Porque só se fala das vinhas de castas misturadas que são boas, das que são más (e são muitas!) não vale a pena falar. Não há é vinhas velhas sem ser de castas misturadas.

falmeida escreveu:
O que acha das castas estrangeiras no Douro? Syrah, Cabernet Sauvignon, Chardonnay, etc. É verdade que á cada vez mais destas uvas no Douro? Plantaria estas castas na sua vinha?

Penso que não faz sentido em termos de volume, já há suficientes vinhos de cabernet bons no mundo não precisam dos do Douro. Temos que assumir a nossa diferença e aproveitar a enorme riqueza que é a diversidade de castas que temos.

Agora para aprender acho bem, eu por exemplo tenho 600 plantas de cabernet na minha quinta.

falmeida escreveu:
O desenho do rótulo tem algum significado escondido?

O desenho é um tubo de um aspirador (para aspirar a poeira) que muda de posição todos os anos para tentar transmitir que o Poeira apesar de ter sempre o mesmo perfil vai ter variações de ano para ano.

falmeida escreveu:
Onde é que vai buscar inspiração para as frases do contrarótulo do Pó de Poeira? São extraordinárias.

A amigos, a do Poeira foi o Luis Antunes e a do Pó foi o Rui Falcão, aos quais estou muito grato

falmeida escreveu:
Vai voltar a haver J?


Um abraço

Jorge
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
JoãoL.P.



Registrado: Segunda-Feira, 2 de Junho de 2008
Mensagens: 29
Localização: douro

MensagemEnviada: Qua Dez 10, 2008 1:09 pm    Assunto: vindima 07 Responder com Citação

jorge moreira escreveu:
As vindimas em 2007 correram muito bem


Foram espectaculares! Very Happy

Um abraço de mais um grande fã do Poeira
_________________
João L. Pinto
Taste the Vineyeard
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail
jorge moreira



Registrado: Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008
Mensagens: 35
Localização: douro

MensagemEnviada: Qua Dez 10, 2008 1:13 pm    Assunto: Responder com Citação

Abílio Neto escreveu:
Obrigado pelas respostas. Volto.

- Se um estrangeiro lhe pedisse que lhe indicasse 5 vinhos portugueses da sua preferência que não fossem do Douro, quais seriam? E se o mesmo estrangeiro lhe pedisse o mesmo nº de vinhos portugueses, ainda fora do Douro, para guarda, quais indicaria?


Soalheiro primeiras vinhas 2007 e muros de Melgaço 2007

Pâpe 2005 do Álvaro de castro

Quinta do mouro rótulo dourado 2005

Quinta dos roques reserva 96

Abílio Neto escreveu:
- Faz sentido fazer-se Colheitas Tardias em Portugal, eu acho que sim, qual é a sua opinião?
Muito obrigado e parabéns.

Se forem bem feitas, como por exemplo as da real acho que sim.

Obrigado,

Abraço
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
jorge moreira



Registrado: Segunda-Feira, 8 de Dezembro de 2008
Mensagens: 35
Localização: douro

MensagemEnviada: Qua Dez 10, 2008 1:26 pm    Assunto: Responder com Citação

Chapim escreveu:
Caro Jorge,
obrigado desde já por esta fantástica entrevista.
O Poeira é de facto um vinho que me preenche e é para mim um excelente exemplo de um dos muitos perfis que eu acho a que o Douro pode chegar. Não posso deixar de salientar o que afirmou ao tentar fixar o preço do Poeira no intervalo que ele ocupa, ao pensar no investimento a médio prazo e não em loucuras como muitos outros novos produtores.

Algumas questões:
1 - Porquê escolher o Alvarinho como uma das castas brancas plantadas? Quando o visitei (em Agosto de 2007) fiquei fascinado com um vinho feito de Alvarinho (na altura referiu que eram cerca de 350 garrafas se não me engano). Haverá algo do género de 2007 ou 2008?

Na minha quinta apenas 1 há tinha condições para plantar uma vinha de uvas brancas, como a quantidade é pequena tinha que ser de uma casta só. A casta branca portuguesa que penso ser mais completa é o alvarinho que por acaso também é a que gosto mais, assim a escolha foi fácil.

Nessa altura provou a primeira produção do alvarinho de 2006, em 2007 está no Pó de poeira

Chapim escreveu:
2 - O J (confesso que não achei o Pó assim tão semelhante ao J mas pode ser somente da colheita) é outro vinho com o qual me identifico e que utilizo normalmente para comidas difíceis (para mim cai ou caiu perfeitamente bem com uma cabidela por exemplo). O Pó nos próximos anos terá um perfil semelhante ao J de 2005?

Sim, como expliquei anteriormente é o mesmo vinho. O “J” quando o lancei também estava difícil, o ano é muito diferente mas se tiver paciência volte a provar o Pó.

Chapim escreveu:
3 - O primeiro contacto que tive com o Poeira foi através do excelente livro 12 vinhos 12 histórias editado pelo Público com organização geral do Luis Ferreira. Fiquei logo fascinado. Imaginando que se fazia agora outra edição quais seriam alguns dos vinhos que gostaria de ver lá retratados?

Há muitas histórias no vinho que valem a pena ser contadas, mas penso ser melhor deixar isso para os jornalistas Laughing

Chapim escreveu:
4 - A vertical do EVS foi belíssima. Parabéns. Adorei sentir a empatia entre os 2 projectos Pintas e Poeira. Acha que faria algum sentido tentarem um projecto a 2 ou seria algo sem sentido?

O Jó é dos meus melhores e mais antigos amigos e um enólogo que admiro, já falámos varias vezes dessa possibilidade.

Obrigado eu pelo seu interesse.

Um abraço

Jorge
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
Mostrar os tópicos anteriores:   
Novo Tópico   Este Tópico está Bloqueado. Você não pode editar mensagens ou responder    NovaCrítica-vinho.com - Índice do Fórum -> Entrevistas On-line Todos os horários são GMT + 1 Hora
Ir à página Anterior  1, 2, 3, 4, 5  Próximo
Página 3 de 5

 
Ir para:  
Enviar Mensagens Novas: Proibido.
Responder Tópicos Proibido
Editar Mensagens: Proibido.
Excluir Mensagens: Proibido.
Votar em Enquetes: Proibido.


Powered by phpBB © 2001, 2005 phpBB Group
Traduzido por: Suporte phpBB