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Entrevista com João Nicolau de Almeida (Ramos Pinto)
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NCritica
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Registrado: Segunda-Feira, 22 de Janeiro de 2007
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MensagemEnviada: Seg Mar 24, 2008 10:31 pm    Assunto: Entrevista com João Nicolau de Almeida (Ramos Pinto) Responder com Citação

Nascido na Foz do Douro em 1949, João Nicolau de Almeida é diplomado em Enologia, Química Agrícola e Provas. O seu nome está umbilicalmente ligado à Ramos Pinto, empresa para onde entrou em 1976, assumindo actualmente as funções de Administrador Delegado e Director de Enologia.

Em parceria com José Ramos Pinto Rosas, a ele é devido o profundo e importantíssimo estudo ampelográfico que viria a culminar, em 1981, na selecção das cinco castas de eleição para a elaboração de vinho do Porto e tintos tranquilos na região do Douro. Mas os seus contributos para a viticultura nacional, entre outros, incluem também a plantação de vinhas ao alto nas encostas durienses e as experiências de irrigação de vinhas na Ervamoira. Contributos que levaram a prestigiada revista americana "Wine & Spirits" a considerá-lo como um dos mais influentes enólogos do mundo elegendo-o “Homem do Ano 1998”.

É membro de um vasto número de confrarias e desempenha o cargo de Copeiro-Mor na Chancelaria do Vinho do Porto. Para além de assumir a co-autoria de várias obras versando sobre o vinho, mantém a actividade docente, leccionando actualmente nas universidades de Bordéus e Davis.

Com uma longa tradição na elaboração de vinhos fortificados (Ramos Pinto, Quinta de Ervamoira e Quinta do Bom Retiro), é com João Nicolau de Almeida que esta casa centenária, fundada em 1880, estende a sua actividade aos vinhos tranquilos. Filho de Fernando Nicolau de Almeida, criador do mítico Barca Velha, João Nicolau de Almeida tem o seu nome associado a marcas como o Duas Quintas, Duas Quintas Reserva, Duas Quintas Reserva Especial, Quinta dos Bons Ares e o muito recente Ramos Pinto Collection. Falar de Nicolau de Almeida é falar de homens pacientes e expectantes, é falar de mistério e ousadia, de sofrimento, do calor e do pó, é falar da concentração e riqueza das uvas seleccionadas em quintas com diferentes exposições, altitudes e solos, mas, acima de tudo, é falar do romance do Douro e da paixão pelo vinho!

Para além do enorme privilégio, é com profundo prazer que encetamos esta entrevista com uma figura incontornável da enologia portuguesa. As perguntas poderão ser colocadas até sexta-feira dia 28 de Março.

www.ramospinto.pt/
Participe!

www.novacritica-vinho.com
Pedro Gomes
Tiago Teles
Paulina Mata


Editado pela última vez por NCritica em Seg Mar 31, 2008 8:24 am, num total de 2 vezes
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joaorico



Registrado: Sexta-Feira, 30 de Dezembro de 2005
Mensagens: 784
Localização: Peniche

MensagemEnviada: Seg Mar 24, 2008 11:07 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro João Nicolau de Almeida,

Antes de mais deixe-me estender-lhe os meus sinceros parabéns por mais de 3 décadas dedicadas ao vinho e ao Douro. A si devemos-lhe muito.

Mas vamos então à primeira pergunta:

Arrow Ainda nem há meia dúzia de dias estávamos a falar de longevidade dos vinhos (http://www.novacritica-vinho.com/forum/viewtopic.php?t=6870&postdays=0&postorder=asc&start=0), quando eu teci a minha humilde opinião de que os vinhos do Douro, não deram ainda prova de longevidade. Como vê a longevidade dos Vinhos Portugueses de uma maneira geral e do Douro em particular?


Cumprimentos,
_________________
João Rico

http://pumadas.blogspot.com
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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
Mensagens: 1102
Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Ter Mar 25, 2008 12:59 am    Assunto: Responder com Citação

Caro Engenheiro João Nicolau de Almeida,

Em primeiro lugar quero, em meu nome pessoal e em nome da Nova Crítica-vinho, agradecer-lhe a disponibilidade e o interesse manifestados em participar nesta iniciativa. É uma honra poder "privar" consigo. Muito obrigado!

Contrariamente ao que seria lógico, ou talvez não, vou deixar o vinho para o fim e centrar-me em aspectos de carácter e personalidade. Então é assim:

1- Em que medida é que o seu pai, Fernando Nicolau de Almeida, foi determinante na sua opção "pelo vinho"?

2- Encontro na maioria dos seus tintos tranquilos uma busca de harmonia que nem sempre tem sido apanágio do Douro, sobretudo nos anos mais recentes. Devemos olhar para isso como uma profunda convicção nos ensinamentos de seu pai? E será possivel ir buscar esse equilíbrio numa região de "excessos" como o Douro Superior?

3- Mas, no plano edafoclimático, não estará o Cima Corgo mais habilitado para produzir esse perfil de vinhos?

3- Como acha que reagiria seu pai perante muitos dos tintos hiper-alcoólicos e super-extraídos que proliferam pela região duriense? E qual a sua postura perante essa evidência?

4- O seu filho Mateus está a dar continuidade a uma longa tradição familiar de gentes cuja vida gravita em torno do vinho. Não sei se porventura já o fez mas, se lhe quisesse transmitir o segredo para a elaboração "do grande vinho" que lhe diria?

Um grande abraço e... até ja!

Pedro
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Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Ter Mar 25, 2008 11:41 am    Assunto: Responder com Citação

João Nicolau de Almeida,

O Pedro já fez as honras da casa. Eu apenas posso reforçar esse enorme agradecimento, a si e à Ramos Pinto, e mostrar a minha desmesurada admiração pelo seu trabalho e pelo seu contributo para o vinho português. Todos nós, enófilos e profissionais, devemos imenso aos seus vinhos. Deixo então algumas perguntas.

1- A sua carreira é longa, tendo vivido bem de perto a evolução da enologia e dos vinhos portugueses nos últimos 30 anos. De que forma sente e interpreta esta evolução facilitada pelo domínio das técnicas de vinificação? Que balanço faz desse percurso e do trajecto dos vinhos por si elaborados? Que balanço faz da sua experiência e das mudanças alcançadas da região do Douro? Alegrias e desilusões?

2- O estudo e a selecção das cinco castas recomendadas para a produção de Vinho do Porto e de Vinhos tranquilos da Região do Douro, elaborado em conjunto com José Ramos Pinto Rosas, é um dos legados mais importantes na história da viticultura portuguesa. Eu acrescentaria que este estudo do Terroir e das potencialidades do Douro tem sido determinante na projecção da região e no distanciamento qualitativo aos concorrentes nacionais. O que significa para si este estudo? De que forma foi possível chegar a este número de cinco e a estas castas específicas? Quando olha para trás, repensaria o grupo de cinco castas escolhidas em 1981? Que outras castas “aprecia”? Como encara o interesse de outras regiões nacionais por este grupo de castas e o sucesso de algumas delas em Terroir tão distintos?

3- A marca Duas Quintas (Ervamoira e Bons Ares) é um clássico português que nos últimos anos atingiu uma identidade duriense muito pura e atraente, encontrando a sua linha de conduta e a sua identidade. Para este acerto contribui, na minha humilde opinião, o génio e a visão de quem, desde o início da década de 90, sabe conciliar vinhas frescas, plantadas em solo de granito a maior altitude, com vinhas maduras plantadas em solo de xisto em zonas mais quentes. A Quinta dos Bons Ares (adquirida em 1985) foi escolhida tendo em conta diversos factores determinantes, nomeadamente, a elevada altitude que lhe confere temperaturas mais amenas no Verão. O que significa o vinho Duas Quintas para si? Quais as diferenças entres esses dois terroir e de que forma eles se complementam no copo? Qual a importância de vinhas em altitude para os vinhos tranquilos? Com o aquecimento global poderemos afirmar que a “altitude” é um argumento de peso para uma região?

4- O Terroir é uma união particular entre solo e clima que articulada a uma casta e ao génio humano produz um vinho com carácter vincado e forte individualidade. Fale-nos um pouco dos seus terroir de predilecção? No Douro, entre Baixo Corgo, Cimo Corgo e Douro Superior, onde poderemos encontrar esses terroir de eleição? Será que vinhos elaborados a partir de pequenas parcelas fazem sentido em regiões como o Douro, uma região dotada de 1001 terroir distintos impostos pelas diferentes altitudes e exposições? Não é mais interessante lotear?

5- Apesar de viver os holofotes do mundo do vinho de forma mais discreta, como encara o facto de actualmente um grupo de consumidores dar imensa importância ao papel do enólogo? Ela justifica-se? Qual é para si o papel do enólogo?

Um abraço e até já!
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ramospinto



Registrado: Segunda-Feira, 24 de Março de 2008
Mensagens: 24

MensagemEnviada: Ter Mar 25, 2008 1:04 pm    Assunto: Responder com Citação

joaorico escreveu:
Ainda nem há meia dúzia de dias estávamos a falar de longevidade dos vinhos quando eu teci a minha humilde opinião de que os vinhos do Douro, não deram ainda prova de longevidade. Como vê a longevidade dos Vinhos Portugueses de uma maneira geral e do Douro em particular?


Caro João Rico,
São três décadas a fazer vinho . . . Já me posso considerar um bêbedo inveterado ! . . .
Penso que já há provas de longevidade dos vinhos do Douro. Comecemos pelo Barca Velha ... um vinho que só se podia pôr à venda depois de 7 anos de maturação!...
Nós aqui temos um Tinto Cão 81 que envelhece em grande ...
Também temos os Duas Quintas Reservas, e não só, que têm mostrado um grande potencial de envelhecimento, sobretudo o 92, o 94 e o 97. Vejam-se as provas da Revista de Vinhos de 10 anos.
Quando dou estes vinhos a provar aos franceses, que estão habituados a vinhos velhos, a reacção é sempre boa e mostram uma certa admiração. O mundo novo está pouco habituado a este tipo de vinho. Com o andar dos tempos, o envelhecimento será ainda melhor, pois as técnicas evoluíram. Estou a falar apenas dos vinhos do Douro.
Cumprimentos
João Nicolau de Almeida
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joaorico



Registrado: Sexta-Feira, 30 de Dezembro de 2005
Mensagens: 784
Localização: Peniche

MensagemEnviada: Ter Mar 25, 2008 1:29 pm    Assunto: Responder com Citação

Citação:
São três décadas a fazer vinho . . . Já me posso considerar um bêbedo inveterado ! . . .
Penso que já há provas de longevidade dos vinhos do Douro. Comecemos pelo Barca Velha ... um vinho que só se podia pôr à venda depois de 7 anos de maturação!...
Nós aqui temos um Tinto Cão 81 que envelhece em grande ...
Também temos os Duas Quintas Reservas, e não só, que têm mostrado um grande potencial de envelhecimento, sobretudo o 92, o 94 e o 97. Vejam-se as provas da Revista de Vinhos de 10 anos.
Quando dou estes vinhos a provar aos franceses, que estão habituados a vinhos velhos, a reacção é sempre boa e mostram uma certa admiração. O mundo novo está pouco habituado a este tipo de vinho. Com o andar dos tempos, o envelhecimento será ainda melhor, pois as técnicas evoluíram. Estou a falar apenas dos vinhos do Douro.



Arrow Concordo quando diz que os Barca Velha, Ramos Pinto e junto ainda os Quinta do Côtto e os Reserva Especial, eram vinhos com capacidade de envelhecimentos, mas à altura eram poucos os vinhos tranquilos que se produziam no Douro. Hoje em dia existe uma nova vaga que conta com centenas e centenas de marcas e tipos de vinho do Douro. É a esse Douro que me refiro e na altura comparavamos com os vinhos franceses.

Arrow Não tem a percepção que hoje em dia os vinhos não estão a ser feitos com potencial de envelhecimento, e aqueles que o estão, são "dizimados" na sua infancia devido à necessidade de serem colocados nas prateleiras o mais rapido possivel e pela demanda que têm? Será essa a causa de um certo desconhecimento e alguma falta de respeito pelos vinhos velhos?



Cumprimentos,
_________________
João Rico

http://pumadas.blogspot.com


Editado pela última vez por joaorico em Ter Mar 25, 2008 1:32 pm, num total de 1 vez
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Abílio Neto



Registrado: Quinta-Feira, 1 de Setembro de 2005
Mensagens: 3677

MensagemEnviada: Ter Mar 25, 2008 1:30 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Eng. João Nicolau de Almeida,

Presto-lhe a minha homenagem ao seu percurso e aos seus Vinhos.

Ao assunto. Considerando isto escrito por si, em resposta ao João Rico:

Citação:
Quando dou estes vinhos a provar aos franceses, que estão habituados a vinhos velhos, a reacção é sempre boa e mostram uma certa admiração. O mundo novo está pouco habituado a este tipo de vinho.


Com o sublinhado, também se refere ao consumo português? Sendo assim, sendo este um País de Vinho, o que faltará para se chegar a um mais «democrático» entendimento e valorização dessa nuance (capacidade de envelhecimento) dos n/ (por minha apropriação) vinhos?
Valerá a pena fazer vinhos para «apressados»?

Para terminar, um pouco mais de «chatice», para si o que é o Douro Vinhanteiro, numa frase?

Abraços,

Abílio Neto
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ramospinto



Registrado: Segunda-Feira, 24 de Março de 2008
Mensagens: 24

MensagemEnviada: Ter Mar 25, 2008 1:38 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Pedro,
Eu é que agradeço e espero saber responder ao desafio.

Pedro Gomes escreveu:
1- Em que medida é que o seu pai, Fernando Nicolau de Almeida, foi determinante na sua opção "pelo vinho"?


O meu Pai foi determinante na minha opção "pelo vinho" através do castigo que me dava em pequeno (lavar pipas) e pelas provas constantes aos almoços e jantares.

Pedro Gomes escreveu:
2- Encontro na maioria dos seus tintos tranquilos uma busca de harmonia que nem sempre tem sido apanágio do Douro, sobretudo nos anos mais recentes. Devemos olhar para isso como uma profunda convicção nos ensinamentos de seu pai? E será possivel ir buscar esse equilíbrio numa região de "excessos" como o Douro Superior?


A harmonia deve-se, sem dúvida, ao meu Pai. Ao levar os vinhos para a mesa, lá em casa, era para serem agradáveis, e não espectaculares. Era necessário ter vontade de voltar a beber pois, senão, não passava.
O Douro tem todas as potencialidades para fazer estes vinhos. É como uma pepita de ouro que nasce rústica, mas tem todas as propriedades para ser embelezada e harmonizada. No Douro Superior, e talvez ainda com mais facilidade, acontece o mesmo, pois a sua boa maturação ajuda bastante.

Pedro Gomes escreveu:
3- Mas, no plano edafoclimático, não estará o Cima Corgo mais habilitado para produzir esse perfil de vinhos?


Entre o Douro Superior e o Cima Corgo há uma distinção no carácter do vinho. Considero-os excelentes a ambos e a combinação entre eles poderá ser ainda melhor.

Pedro Gomes escreveu:
3- Como acha que reagiria seu pai perante muitos dos tintos hiper-alcoólicos e super-extraídos que proliferam pela região duriense? E qual a sua postura perante essa evidência?


A importância de um vinho não está no teor alcoólico. O que é necessário é a tal harmonia, ou seja, que o álcool não se sobreponha ao fruto, que os taninos não calem o sabor gostoso final.
Pode haver vinhos com 14-15 graus que são excelentes e outros péssimos.
Quanto à extracção, realmente acho que se exagera um pouco em geral para o dito espectáculo, mas são vinhos que mal se bebe um copo cansam e se poêm de lado. A extracção tem que ter peso e medida. Só a prova pode conduzir esta operação.

Pedro Gomes escreveu:
4- O seu filho Mateus está a dar continuidade a uma longa tradição familiar de gentes cuja vida gravita em torno do vinho. Não sei se porventura já o fez mas, se lhe quisesse transmitir o segredo para a elaboração do grande vinho, que lhe diria?


O Mateus é a 8ª geração a fazer vinho. À nascença, já lhe punhamos alguns taninos no biberão.
Orientação:
1 - Honestidade no trabalho e com o vinho
2 - Paciência. Lutar pelo que acredito
3- Não se deixar influenciar por modas, mas estar atento a elas

Cumprimentos,
João Nicolau de Almeida
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ramospinto



Registrado: Segunda-Feira, 24 de Março de 2008
Mensagens: 24

MensagemEnviada: Ter Mar 25, 2008 4:05 pm    Assunto: Responder com Citação

joaorico escreveu:
Arrow Concordo quando diz que os Barca Velha, Ramos Pinto e junto ainda os Quinta do Côtto e os Reserva Especial, eram vinhos com capacidade de envelhecimentos, mas à altura eram poucos os vinhos tranquilos que se produziam no Douro. Hoje em dia existe uma nova vaga que conta com centenas e centenas de marcas e tipos de vinho do Douro. É a esse Douro que me refiro e na altura comparavamos com os vinhos franceses.


Realmente, acho que há muitos vinhos novos actuais que não vão envelhecer bem. É o que acontece quando se quer agradar a gregos e a troianos.
Um vinho que nasce mal, acaba mal. Para um vinho envelhecer, não se pode estar a olhar para o que o jornalista vai escrever, tem que se compreender o vinho, ver a sua estrutura, a sua força para envelhecer, e saber qual é o tempo em que deve ser bebido (isto é fundamental!!) Queremos fazer um vinho para ter uma boa classificação de imediato ou um vinho que se venha a mostrar excelente com a idade? Dois mundos diferentes - no Douro isso é possível e deve olhar-se mais para a segunda versão, o da seriedade profunda em relação à região.

joaorico escreveu:
Arrow Não tem a percepção que hoje em dia os vinhos não estão a ser feitos com potencial de envelhecimento, e aqueles que o estão, são "dizimados" na sua infancia devido à necessidade de serem colocados nas prateleiras o mais rapido possivel e pela demanda que têm? Será essa a causa de um certo desconhecimento e alguma falta de respeito pelos vinhos velhos?


É verdade que hoje em dia aparecem vinhos do Douro que levam tanta pancada que aquilo que se quis mostrar não tem sustentabilidade para envelhecer. O vinho é como as pessoas, se não nascem com todos os predicados e equilíbrio não envelhecem bem.
Muitos dos New Wine Amateurs não conhecem vinhos velhos. Noto que, muitas vezes, quando abro garrafas velhas, as pessoas querem encontrar os mesmos aromas dos vinhos novos para os quais foram iniciados. Será que a cultura dos vinhos velhos vai acabar? Espero que não!

Cumprimentos
João Nicolau de Almeida
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Rui Lourenço Pereira



Registrado: Terça-Feira, 8 de Janeiro de 2008
Mensagens: 356
Localização: Algures...

MensagemEnviada: Ter Mar 25, 2008 4:12 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Eng.º

Uma ilustre vénia.

Apesar de haver inúmeros e bons enólogos em Portugal, é, a par do José Maria e do João Portugal aquilo que eu chamo o triunvirato de eleição.

Gostaria, na medida do possível, que me ajudasse nas seguintes questões:

- Não se estarão a fazer em Portugal vinhos muito semelhantes, com perfis internacionais, só para se vender, não respeitando todas as características das regiões de proveniência?
- Porque razão penso que escolhe o Alto Douro como a sua sub-região de eleição? Para si quais são os principais factores que a diferenciam das outras (do Douro) sem ser o terroir?
- Os prémios ganhos a nível internacional podem não dizer nada da qualidade do vinho, mas ajudam a vender... Para quando a Ramos Pinto nos píncaros? Há esse objectivo ou por outro lado o grande fim é agradar ao consumidor (defendo esta posição)?
- A Ramos Pinto é das poucas marcas portuguesas de vinho do Porto presente no maior nº de mercados. Para além de todo o trabalho do Jorge Rosas e da sua equipa, acha que esse factor também se deve ao reconhecimento da marca além fronteiras?
- Como convence os portugueses a consumirem vinho do Porto sem ser a gama de entrada? Será que esse trabalho tem vindo a ser feito?

Obrigado e um abraço,
_________________
rlp

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ramospinto



Registrado: Segunda-Feira, 24 de Março de 2008
Mensagens: 24

MensagemEnviada: Ter Mar 25, 2008 4:27 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Sr. Abílio Neto,

Citação:
Quando dou estes vinhos a provar aos franceses, que estão habituados a vinhos velhos, a reacção é sempre boa e mostram uma certa admiração. O mundo novo está pouco habituado a este tipo de vinho.


Sim, também me refiro a uma grande parte do mercado português. Para que o nosso mercado seja conquistado pela complexidade dos vinhos velhos, é necessário que os nossos enólogos não tenham uma visão só a curto prazo e que não se deixem levar pela facilidade e pelos êxitos momentâneos.
As grandes regiões vitícolas mundiais são consideradas pelo poder de envelhecimento dos seus vinhos. A região do Douro já provou que é possível. Não percamos este património.

Douro Vinhanteiro :
“A parte do desafio de minha mulher, o Douro foi o desafio da minha vida”.

Cumprimentos,
João Nicolau de Almeida
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ramospinto



Registrado: Segunda-Feira, 24 de Março de 2008
Mensagens: 24

MensagemEnviada: Ter Mar 25, 2008 4:31 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Tiago,
É um prazer! Obrigado pelos amáveis elogios.

Tiago Teles escreveu:
1 - A sua carreira é longa, tendo vivido bem de perto a evolução da enologia e dos vinhos portugueses nos últimos 30 anos. De que forma sente e interpreta esta evolução facilitada pelo domínio das técnicas de vinificação? Que balanço faz desse percurso e do trajecto dos vinhos por si elaborados? Que balanço faz da sua experiência e das mudanças alcançadas da região do Douro? Alegrias e desilusões?


Muito bem. É evidente que quando se evolui fazem-se erros, mas parar nunca !
Para mim, o balanço da minha carreira foi bom, pois tenho a consciência tranquila de que fiz tudo o que pude. Vejo, sobretudo, que o mercado gosta dos meus vinhos e é esse o meu grande objectivo.
As experiências no Douro foram fantásticas. Estão a ver um jovem enólogo que em 1976 chega ao Douro e pensa que estamos "na idade média"?? É um grande filme ver a passagem para o século XXI.
Alegrias e desilusões sempre me acompanharam. Não é isso a vida? O importante é viver ...

Tiago Teles escreveu:
2- O estudo e a selecção das cinco castas recomendadas para a produção de Vinho do Porto e de Vinhos tranquilos da Região do Douro, elaborado em conjunto com José Ramos Pinto Rosas, é um dos legados mais importantes na história da viticultura portuguesa. Eu acrescentaria que este estudo do Terroir e das potencialidades do Douro tem sido determinante na projecção da região e no distanciamento qualitativo aos concorrentes nacionais. O que significa para si este estudo? De que forma foi possível chegar a este número de cinco e a estas castas específicas? Quando olha para trás, repensaria o grupo de cinco castas escolhidas em 1981? Que outras castas “aprecia”? Como encara o interesse de outras regiões nacionais por este grupo de castas e o sucesso de algumas delas em Terroir tão distintos?


Para mim significa uma mudança radical no Douro. Aliás, os primeiros vinhos foram celebrados no Bom Retiro com 21 morteiros, antecipando a passagem para o século XXI. Foi a antevisão dos vinhos de mesa. Como foi possível, nem eu sei, foi uma loucura. Um trabalho que começou com uma informação preciosa dos avant-garde do Douro - José Rosas, John Smith, Taborda, Soeiro e mais dois ou três que, a meu pedido, me seleccionaram 12 castas que eles consideravam as melhores, mas que tinham imensa dúvida quanto aos resultados obtidos, pois não possuíam tecnologia que os apoiasse.
Sem dúvida. São 5 castas muito diferentes umas das outras e com potencialidades também diferentes. Souzão.
Tudo o que seja para melhorar e que ofereça uma entidade lusa, para mim está OK.

Tiago Teles escreveu:
3- A marca Duas Quintas Ervamoira e Bons Ares é um clássico português que nos últimos anos atingiu uma identidade duriense muito pura e atraente, encontrando a sua linha de conduta e a sua identidade. Para este acerto contribui, na minha humilde opinião, o génio e a visão de quem, desde o início da década de 90, sabe conciliar vinhas frescas, plantadas em solo de granito a maior altitude, com vinhas maduras plantadas em solo de xisto em zonas mais quentes. A Quinta dos Bons Ares (adquirida em 1985) foi escolhida tendo em conta diversos factores determinantes, nomeadamente, a elevada altitude que lhe confere temperaturas mais amenas no Verão. O que significa o vinho Duas Quintas para si? Quais as diferenças entres esses dois terroir e de que forma eles se complementam no copo? Qual a importância de vinhas em altitude para os vinhos tranquilos? Com o aquecimento global poderemos afirmar que a “altitude” é um argumento de peso para uma região?


O Duas Quintas significa muito para mim, pois é uma criação que há 18 anos é querida pelo mercado.
Não sei se se lembra que o Barca Velha vinha de dois sítios. Pois quem sai aos seus não degenera. Foi o que fez seguir as lições do mestre e da cultura do Douro - O Blend!
Os Bons Ares dão fruta, acidez, aromas frescos, vivos e saltitantes. A Ervamoira dá seriedade, profunda maturação, estrutura e um "vrai bouquet de fruits rouges".
Como já disse, para mim o Douro tem que ser visto como um "terroir" de blend, a não ser que façamos 2.000 a 5.000 garrafas. Ao comparar as encostas do Douro com as de Bordéus, Borgonha, etc., fica explicada a diferença de terroir.
Sim, a altitude pode ajudar nos anos mais quentes, mas as mudanças climatéricas são radicais tanto para o calor como para o frio. Veja-se o ano de 2007 !!!

Tiago Teles escreveu:
4- O Terroir é uma união particular entre solo e clima que articulada a uma casta e ao génio humano produz um vinho com carácter vincado e forte individualidade. Fale-nos um pouco dos seus terroir de predilecção? No Douro, entre Baixo Corgo, Cimo Corgo e Douro Superior, onde poderemos encontrar esses terroir de eleição? Será que vinhos elaborados a partir de pequenas parcelas fazem sentido em regiões como o Douro, uma região dotada de 1001 terroir distintos impostos pelas diferentes altitudes e exposições? Não é mais interessante lotear?


Esta resposta vem ao encontro daquilo que escrevi atrás. Vivo a cultura do lote pois é única e só nós é que a temos. O mundo hoje quer vedetas e a imprensa precisa de escrever. O vinho tornou-se moda, o enólogo tem que dar a cara. Acho que o que se passa é um exagero mas a competição é grande e, se desaparecermos, perdemos o comboio. Tento, da minha parte, ter a minha vida privada em paralelo, respeitando a imprensa e o mercado. Há tanto a fazer na vida! Não quero duas palas !! ...

Tiago Teles escreveu:
5- Apesar de viver os holofotes do mundo do vinho de forma mais discreta, como encara o facto de actualmente um grupo de consumidores dar imensa importância ao papel do enólogo? Ela justifica-se? Qual é para si o papel do enólogo?


O papel do enólogo é fazer vinhos honestos, que respeitem o terroir.

Cumprimentos
João Nicolau de Almeida
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DinisGoncalves



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MensagemEnviada: Ter Mar 25, 2008 10:49 pm    Assunto: Responder com Citação

Eng. João Nicolau de Almeida,
desde já gostaria de lhe endereçar a grande estima que tenho por si!
É uma figura marcante, no amadurecimento e continuação, de um já longo e árduo, trabalho exercido na Região Demarcada do Douro.

Prestada a devida homenagem, passo ás minhas questões:

Arrow eu enquanto estudante de enologia, na universidade de trás-os-montes e alto douro, por vezes sinto que a formação e conhecimentos transmitidos não são os suficientes para um mais alargado e necessário conhecimento.(Mesmo pesando o facto de já ter feito estágios de vindima)
Para si qual foi no seu percurso de formação, o factor mais determinante para dar o chamado "salto", ou seja passar de uma fase de aprendizagem (sendo esta contínua), para ocupar o lugar de Enólogo na industria do vinho!
Serão os conhecimentos e vivencia adquiridas nos anos de trabalho?

Arrow Suponho eu que sendo o Douro a sua região de eleição em portugal ( Very Happy ), que outra região em portugal se podeira sentir "atraído" em fazer vinhos? E falando noutros paises, algum pais do "Novo Mundo" vinhateiro lhe poderia despertar maior interesse?

Arrow Que alterações ou que futuro prevê para o Douro e para o resto do Pais! Sendo que cada vez mais vão aparecendo novas marcas, novos produtores, e cada vez de maior dimensão! Será a exportação um destino seguro para muitos? O que falta a Portugal para adoptar uma atitude coorporativista, não seria esta uma política mais acertada para os produtores?

Ficam aqui as minhas questões e desde já um muito obrigado pela sua atenção!

Cumprimentos
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Tiago Teles



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MensagemEnviada: Qua Mar 26, 2008 10:34 am    Assunto: Responder com Citação

João Nicolau de Almeida,

Muito obrigado pela forma célere, solta e apaixonada como respondeu às perguntas do primeiro dia. Iniciemos então o segundo dia de entrevista porque há muito para explorar!

6- O facto da Ramos Pinto pertencer a um grupo internacional, Grupo Roederer, permite ter uma visão mais alargada da indústria do vinho. Que ensinamentos e benefícios retira desta influência francesa? Quais as principais diferenças entre Portugal e França? E com o resto do mundo? A distinção entre Velho Mundo e Novo Mundo é pertinente?

7- Qual é a sua visão do vinho português? Quais as regiões e castas que mais aprecia? Qual pensa ser o caminho a seguir pelos vinhos portugueses nos mercados nacionais e internacionais? Podemos pensar esses dois mercados de forma independente?

8- A sua defesa pelo lote na região do Douro aparece bem espelhada no vinho Duas Quintas Celebração Quinta da Ervamoira, oriundo de um lote original de anos diferentes. Qual é o significado deste vinho? Lotear anos diferentes em vinhos tranquilos faz sentido? Vinhos com esta especificidade poderão ter futuro no mercado?

ramospinto escreveu:
(...)as mudanças climatéricas são radicais tanto para o calor como para o frio. Veja-se o ano de 2007 !!!

9- Fale-nos um pouco das duas últimas colheitas na Ramos Pinto, 2006 e 2007. Como correram, qual a qualidade esperada em tintos, brancos e portos? Poderemos esperar alguma novidade?

10- Qual é para si o papel dos vinhos brancos na região do Douro, uma região mais conhecida pelos seus vinhos tintos? A região tem legitimidade para elaborar vinhos brancos de elevado nível? Quais as castas brancas mais adaptadas à região do Douro? Noto a presença da casta Arinto no lote do Duas Quintas; qual o seu potencial na região do Douro? Para quando um Duas Quintas Reserva Branco?

11- Notei um calor especial pelo vinho Tinto Cão 81 e pela sua particular capacidade de envelhecimento. Mas verifico também que esta casta não entra no lote dos vinhos Duas Quintas, normal e reserva. Qual é a sua opinião sobre esta casta? Potencial? Ela adapta-se melhor ao perfil dos vinhos do Porto?

Um forte abraço,
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ramospinto



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MensagemEnviada: Qua Mar 26, 2008 4:03 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Rui L. Pereira,

Estou muito satisfeito por me ter metido no triunvirato de eleição. Caspite! Na verdade, a nossa geração teve uma importância fundamental para o abanar de uma paralisia instalada no sector do vinho. Eu acrescentaria o Luís Pato na Bairrada.

Rui Lourenço Pereira escreveu:
- Não se estarão a fazer em Portugal vinhos muito semelhantes, com perfis internacionais, só para se vender, não respeitando todas as características das regiões de proveniência?


Penso que Portugal tem todo o interesse em optar por vinhos de "terroir". Se tentarmos fazer vinhos iguais aos outros, à partida estamos em desvantagem, pois os nossos volumes são muito pequenos em relação à concorrência do mundo novo. Devemos optar por vinhos de nicho.

Rui Lourenço Pereira escreveu:
- Porque razão penso que escolhe o Alto Douro como a sua sub-região de eleição? Para si quais são os principais factores que a diferenciam das outras (do Douro) sem ser o terroir?


Não sei a que chama Alto Douro. Hoje, o Alto Douro corresponde ao Douro Superior e Cima Corgo. Gosto muito das duas sub-regiões.
O Douro Superior é ainda bastante virgem, com encostas mais suaves, e com um clima mais homogéneo. As diferenças climáticas entre diferentes anos não são tão radicais e permitem-nos fazer as vindimas antes das chuvas de Setembro, o que pode ser sempre um risco.

Rui Lourenço Pereira escreveu:
- Os prémios ganhos a nível internacional podem não dizer nada da qualidade do vinho, mas ajudam a vender... Para quando a Ramos Pinto nos píncaros? Há esse objectivo ou por outro lado o grande fim é agradar ao consumidor (defendo esta posição)?


Na década de 90, em termos de vinhos de consumo, a Ramos Pinto esteve nos píncaros. Depois, felizmente, começaram a aparecer muitos outros vinhos que, evidentemente, vieram fazer concorrência à Ramos Pinto.
Em 2001, fui nomeado Administrador Geral da Ramos Pinto. Então, propus um business plan até 2010, em que a estratégia base era a consolidação da marca Duas Quintas, em termos de qualidade, quantidade e aceitação do consumidor. Entretanto, fiz aprovar pelo J-C Rouzaud (Presidente da Roederer) um pacote de investimentos.
1. Plantação de 80 novos hectares de vinha distribuídos por Bom
Retiro, Ervamoira e Bons Ares.
2. Constituição de uma nova equipa de enologia fixada no Douro,
constituída por: Teresa Ameztoy, João Luís e Filipa.
Em 2007 o objectivo de marca ficou consolidado e garantido para o
futuro. O plano foi antecipado.
Em 2008 novo business plan baseado no aumento da qualidade.
3. Uma nova adega está em construção (a anterior era de 1987).
Com estes três pontos, temos tudo para chegar novamente aos píncaros.

Rui Lourenço Pereira escreveu:
- A Ramos Pinto é das poucas marcas portuguesas de vinho do Porto presente no maior nº de mercados. Para além de todo o trabalho do Jorge Rosas e da sua equipa, acha que esse factor também se deve ao reconhecimento da marca além fronteiras?


Realmente, a equipa de vendas, chefiada por Jorge Rosas e com a colaboração de Ana Rato, tem feito um óptimo trabalho no estrangeiro. Em Portugal, Rui Neto é o responsável por este mercado que, igualmente, tem feito um trabalho notável com a nossa distribuidora José Maria Vieira.

Rui Lourenço Pereira escreveu:
- Como convence os portugueses a consumirem vinho do Porto sem ser a gama de entrada? Será que esse trabalho tem vindo a ser feito?


É muito difícil pôr as pessoas a beber categorias especiais mas, com provas e muito trabalho, o consumidor começa a dar mais atenção. O Vinho do Porto é fantástico. Um bom apreciador de vinho teria de conhecer estas categorias superiores.

Um abraço,
João Nicolau de Almeida
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