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Entrevista com João Nicolau de Almeida (Ramos Pinto)
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ramospinto



Registrado: Segunda-Feira, 24 de Março de 2008
Mensagens: 24

MensagemEnviada: Sex Mar 28, 2008 12:20 pm    Assunto: Responder com Citação

Cara Spice Girl,

A sua foto está esplêndida !!!

Spice Girl escreveu:
1 - Li, no texto introdutório da entrevista, que em paralelo com a sua actividade principal tem leccionado nas universidades de Bordéus e Davies.
Porque não também em Portugal?


"Santos da casa não fazem milagres", conforme diz o velho ditado português.
Não foi por desleixo meu, tentei desinteressadamente tudo o que pude, inclusive trouxe cá por duas vezes o Reitor da Universidade de Bordéus para ver se conseguia estabelecer uma parceria com Vila Real. Pelas duas vezes foi um grande fracasso e uma vergonha.

Spice Girl escreveu:
2 – Já disse numa das respostas que a Universidade de Trás-os-Montes já foi um grande avanço na Enologia em Portugal mas que não evoluíu no sentido moderno, em que as universidades têm que estar muito mais perto da realidade das empresas e das suas necessidades.
Penso que este é em geral um problema do ensino. Mas esta adaptação parece-me um processo difícil e relativamente lento, ainda para mais considerando todo o processo de mudança que tem decorrido nos últimos anos nas universidades portuguesas.
Para além deste aspecto, ou mesmo considerando-o, como compara o ensino da enologia em Portugal com o das universidades em que lecciona e conhece?


Bom, eu não sou professor, apenas sou convidado para falar da minha experiência no Douro.

Spice Girl escreveu:
3 - Pensa que programas como o Erasmus, que permitem aos estudantes fazer parte do seu curso numa universidade noutro país, podem ser um factor de enriquecimento e evolução?


O ensino a que fui habituado em Bordéus e em Davies é fruto de fortes e intensas pesquisas dos docentes para resolverem os problemas do sector.
O ensino de que me apercebi aqui em Portugal (neste sector) é fruto de pesquisas dos docentes para resolverem os seus problemas da universidade.
Sim, acho que, dar possibilidade aos alunos de saírem desta novela, é dar-lhes uma visão totalmente diferente do panorama.
Gosto muito do grupo "Genesis", que têm uma música que eu adoro, e que diz: "You have to get out to get in".

Spice Girl escreveu:
4 - Como é, e como considera que seria desejável que fosse, a ligação entre a indústria de vinhos e a comunidade científica em Portugal?


A relação entre a Universidade e a Indústria dos Vinhos deveria ser de franca parceria de parte a parte. Acho que a Universidade deve estar cada vez mais virada para fora, dar a conhecer que existe e procurar informar-se como pode ser útil.
O sector do vinho está desde há muito tempo de pé atrás em relação à altivez que a Universidade tem demonstrado. Ultimamente, tem havido directrizes do Governo para tentar alterar esta forma de estar. Espero que evoluam.

Spice Girl escreveu:
5 – Ao longo de três décadas a fazer vinho, teve certamente oportunidade de se aperceber também da evolução das características do consumidor. Como a caracteriza?
É gratificante trabalhar hoje para o consumidor português? Ou seja, o nível de conhecimentos e a sensibilidade permite-lhe compreender o que lhe quer transmitir com os seus vinhos?


O consumidor português mudou muito nestes últimos anos. Antes, era a imagem e as possibilidades de acesso a bons ou maus vinhos que contava. Só uma classe muito privilegiada conhecia e distinguia os bons vinhos. Agora, houve uma democratização em termos de acesso e conhecimento. Sendo nós um país que sempre teve a cultura do vinho, com esta nova fase, houve como que uma explosão de moda e os consumidores começam a conhecer muito melhor os vinhos e a saber distingui-los. Hoje, o consumidor tem uma escolha muito maior e muito mais acessível.

Spice Girl escreveu:
6 - Diz numa das suas respostas:
Citação:
Será que a cultura dos vinhos velhos vai acabar? Espero que não!

Pensa que numa época, como esta em que vivemos, em que se vive essencialmente o presente, com uma grande mobilidade (em termos físicos e da vida em geral), caracterizada pela busca do prazer imediato e pela impaciência e a busca da novidade, e em que, para além disto, os espaços são cada vez menores e mais caros (nas habitações e no comércio), a cultura dos vinhos velhos têm alguma hipótese? (A não ser, claro, para alguns consumidores com características especiais.)


Tem toda a razão em relação aos comentários que faz sobre os vinhos velhos e novos. Hoje, muito poucas pessoas têm possibilidade de fazer uma garrafeira, mas os produtores é que terão que ter as suas garrafeiras e então lançar esses vinhos velhos, para serem bebidos de imediato.
Na Ramos Pinto, este ano, vamos precisamente lançar alguns Bons Ares, Duas Quintas, Duas Quintas Reservas desde 90, 91, 92, etc.
Neste sentido, penso que a cultura dos vinhos velhos vai continuar.

Spice Girl escreveu:
7 - Qual é a sua opinião quanto à forma como os vinhos são tratados na restauração e à sua ligação à comida?
Tenho-me apercebido cada vez mais que raras são as pessoas com competências sólidas em ambas as áreas (sólidos e líquidos). Como optimizar as coisas?


A ligação de sólidos/líquidos é realmente muito difícil mas, quando cai bem, até as estrelas estremecem ...
Assim como nos vinhos, a restauração tem melhorado e evoluído bastante nestes últimos anos. Aquele teatro e ballet à volta da mesa está a acabar e esta geração já se apresenta com muito maior capacidade de informação.

Spice Girl escreveu:
8 - Neste momento cada vez são mais comuns menus com "wine pairing". Acha uma boa opção?


Acho excelente o "wine pairing". Um assunto a desenvolver. A comida e o vinho não são um prazer??

Cara Spice, Peter Barham tem razão. Ainda me lembro do fígado que me obrigavam a comer, assim como a nata do leite.

Um abraço,
João Nicolau de Almeida
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ramospinto



Registrado: Segunda-Feira, 24 de Março de 2008
Mensagens: 24

MensagemEnviada: Sex Mar 28, 2008 1:32 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Tiago,

Tiago Teles escreveu:
18- Notei algum receio com o perfil adoptado por alguns vinhos modernos, digamos, exemplares mais sobre maduros e prontinhos a consumir desde os primeiros anos de vida. Qual é a razão que leva o mercado a seguir este caminho? O mercado tem sempre razão?


Na questão anterior sobre os Vintages foquei este ponto. Não penso que os vinhos devam ser sobremaduros. Estes não têm capacidade de envelhecimento. Bebem-se bem mas a evolução pode ser difícil.
O que eu acho é que um vinho feito com uvas bem maduras é outra coisa. São frutados, suaves e envelhecem.
O mercado em geral tem razão, mas é necessário oferecer novas facetas para seu alimento.

Tiago Teles escreveu:
19- Pensa que os vinhos actuais no Douro e noutras regiões portuguesas perderam algum carácter imprevisto, algumas contradições que em tempos faziam deles vinhos especiais, vinhos com identidade? Estarão os vinhos hoje mais iguais entre si? Ou ganharam simplesmente em coerência e inteligência mantendo as suas diferenças? É possível confidenciar-nos alguns vinhos com identidade produzidos em Portugal?


Penso que, actualmente, no Douro há de tudo. Há vinhos que tendem a ficar iguais a qualquer outra região (muito perigoso!), outros que estão ainda num mundo passado, com defeitos técnicos, etc. Outros ainda tentam desesperadamente entrar nas modas e rebentam com os próprios vinhos e, por fim, outros que têm a noção de "terroir" e se esforçam de oferecer ao consumidor a pureza que aquele sítio único pode dar. Penso que este deve ser o caminho do Douro. Não podemos perder o carácter, a personalidade, aquilo que fará a diferença.
Peço desculpa, mas não é dos meus hábitos criticar os vinhos dos outros.

Tiago Teles escreveu:
20- A tradição refere um estado de espírito e não um simples gesto isolado. Ainda existem traços ou espaço para sentimentos de tradição na enologia moderna regida por uma forte concorrência? Existem no Douro práticas ou observações herdadas dos pais e avós? Poderia deixar alguns exemplos recebidos do seu Pai?


Como já está habituado, o meu tema é "blend". Assim sendo, adoro o blend do conhecimento empírico com o científico.
O conhecimento empírico é-me muito mais caro, pois foi adquirido pela experiência e uso durante muitos anos, séculos, etc.
O conhecimento científico está constantemente e mudar.
Talvez um blend de 60% de empírico e 40% de científico.
Como exemplo de meu Pai, recebi a franqueza, a resolução imediata, a decisão inequívoca, não deixando para depois o que se pode fazer hoje, a higiene, e o respeito pela opinião dos quadros inferiores.
Os lagares são qualquer coisa única, mística, que me faz lembrar desde pequeno a limpeza que o meu Pai exigia à volta disto, o controle básico de temperaturas que se fazia na altura. A escolha de uma boa equipa para pisar é essencial. Com o mesmo número de pessoas pode fazer-se um óptimo ou um péssimo vinho. O meu Pai sempre me passou a ideia de vinhos frutados, limpos, com corpo e um bom final.

Tiago Teles escreveu:
21- Poderá um monocasta Touriga Nacional ser um grande vinho e ter pretensões à longevidade?


Touriga Nacional pode ser um grande vinho mas, tal como uma pessoa, uma outra amiga pode sempre ajudar a ir mais longe na idade.
No caso da Touriga Nacional, precisa também de outra para não cair com o envelhecimento. Nas experiências que tenho desde 77, é o que a Touriga Nacional revela. Apoio de uma outra para envelhecer bem.

Tiago Teles escreveu:
22- A Ramos Pinto não tem nenhum rosé na sua gama. É intencional? O que pensa deste tipo de vinho?


Não temos rosés pois a nossa prioridade e os nossos esforços nos últimos anos foram para preparar o futuro dos vinhedos e dos vinhos que já temos. Quem sabe, depois deste ciclo se fechar, teremos tempo para outras coisas? Não sou contra.

Tiago Teles escreveu:
23- Nos 80 hectares plantados recentemente com castas nacionais, e deduzindo que a maioria será com as 5 castas tintas recomendadas, existe alguma surpresa nacional? Algum outsider que nos possa confidenciar?


O nosso plano está em curso. É prematuro estar a falar de resultados. É caso para dizer, "Prognósticos só no fim". Não gosto de tirar coelhos da cartola. O que vier, será a consequência deste esforço. Numa região milenária e de qualidade não fica mal um certo conservadorismo.

Tiago Teles escreveu:
24- E, finalmente, de forma simples, quais os adjectivos que utilizaria para descrever as “suas” castas recomendas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Francesa, Tinta Barroca e Tinto Cão. E qual o contributo de cada uma delas no lote?


Touriga Nacional - a rainha
Tinta Roriz - a prostituta
Touriga Francesa - a potência
Tinta Barroca - a suavidade
Tinto Cão - a sprinter

Tiago, à Saúde! Quando vier por aqui ou pelo Douro terei muito prazer em convidá-lo, assim como a todos os intervenientes. Cá vos espero.

Abraço,
João Nicolau de Almeida
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luiz otávio peçanha



Registrado: Quarta-Feira, 19 de Janeiro de 2005
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MensagemEnviada: Sex Mar 28, 2008 3:10 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro João Nicolau de Almeida,
Seus vinhos tem uma imagem muito boa e forte aqui no Brasil. Parabéns.

Só que sinto que no Brasil, o vinho do Porto é pouco conhecido ( as suas diferenças, ficando mais nos Ruby e Tawnies ) e normalmente apreciados por pessoas mais velhas, que foram acostumadas com o aperitivo ou digestivos.

A nova geração daqui pareçe não dar muita atenção ao vinho do Porto, focando mais em outros tipos de vinhos.
Não sei se esta minha visão está correta, mas se estiver, acho que os produtores ( como os distribuidores ) deveriam se esforçar mais em conquistar esta parcela do mercado, não deixando que se perca esta herança que foi transmitidas dos nossos avós para nossos pais, e uma parte dos filhos, mas que não encontra muito eco nos nossos próprios filhos.
Espero estar errado.

Saudações,
Luiz Otávio
_________________
De vinho em vinho vamos aprendendo um pouquinho.
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ramospinto



Registrado: Segunda-Feira, 24 de Março de 2008
Mensagens: 24

MensagemEnviada: Sex Mar 28, 2008 3:17 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Tiago,

Hoje em dia, há realmente muitos consumidores que querem ir mais longe no conhecimento, "The Wine Lovers", mas a grande maioria o que quer é beber um bom vinho.
É por isso que eu acho que não podemos ter um rótulo completamente sarrabiscado por coisas do tipo "Se beber 15 garrafas seguidas, morre". É neste sentido que mais me preocupo. Acho um exagero mas, para aqueles se interessam, toda a informação deve ser dada de uma forma simples e sucinta.
O facto de o consumidor querer descobrir e viver os mistérios do vinho é uma vantagem substancial para o sector dos vinhos. Para além disso, este consumidor esclarecido pode dar muita ajuda ao lado "Produção".
Eu sempre achei que nos cursos de enologia deveria haver um pequeno estágio (?) do lado do consumidor. É verdade que a complexidade atrai o consumidor. No caso do Vinho do Porto e Douro, para mim, a complexidade está no blend da região. Daí advêm todas as categorias de Vinho do Porto.

Obrigado, Tiago, e até já.
João Nicolau de Almeida
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joaoredrose



Registrado: Segunda-Feira, 5 de Março de 2007
Mensagens: 66
Localização: Douro Valley

MensagemEnviada: Sex Mar 28, 2008 3:24 pm    Assunto: Responder com Citação

Hello João,

Parabéns pelo trabalho e também por esta entrevista, truly interesting.

Quase sempre fico siderado com a forma poética como falas e vives o vinho. Tenho pena que a frieza do teclado e screen e, probably, a falta da energia, o ver a cara do outro lado, não o façam ser tão perceptível nesta tua escrita.

Não querendo repetir o que já está dito, parece-me necessário reforçar o facto dos Duas Quintas Reserva serem dos pouc(quíssim)os vinhos do Douro que envelhecem bem.

Salientar, também, a importância da Ramos Pinto na viticultura do Douro. Hoje é um chavão (although mais dito que feito) que um bom vinho começa na vinha. Na Ramos Pinto isso é verdade há muitos anos.
O trabalho do Sr. Rosas e do João, por exemplo nos campos de ensaio da Quinta do Bom Retiro, foi fundamental para as múltiplas realidades que fazem o Douro hoje.
Nesta área acho que é preciso acrescentar um nome, que remete para a UTAD e a sua importância, Nuno Magalhães.

Sobre a ligação à Roederer (deve dar gozo poder abrir unas botellitas del Cristal sin precisar de una fecha muy especial ;-) tenho duas perguntas:
Trouxe alguma influência à viticultura da Ramos Pinto?
Vejo em France, praticamente em todos os cavistas 2-3 Portos Ramos Pinto, de longe a presença mais assídua de todas as marcas que trabalham este segmento. Começa a ver-se também vinhos DOC Douro. Podes dar uma ideia da aceitação e evolução do negócio para estes vinhos?

Podes dar algumas pistas sobre como vai ser a nova adega?

Fiquei surpreso (assim, à moda do Douro :-) com a tua ligação Bons Ares tinto e queijos. IMHO, queijos ou brancos ou generosos.
Há algumas ligações menos comuns (tipo Vintage e Stilton, ...) que aches muito boas com Vinho do Porto (tanto Vintage com Tawny velho).

Una meia piadita meia provocación. Não trabalhaste na Casa Ferreirinha com o teu Pai.
O Mateus não trabalha na Ramos Pinto contigo.
Há alguma razão? E como é que a Teresa encaixa nisto?

y, nada, gracias y saludos,
joão roseira
_________________
comidinha p'ró papinho
www.gotaepinga.blogspot.com
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Spice Girl



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
Mensagens: 6060
Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Sex Mar 28, 2008 4:30 pm    Assunto: Responder com Citação

Olá

Cá estou de novo!

Citação:
A sua foto está esplêndida !!!

De facto... uma das melhores que tenho. Very Happy Very Happy Very Happy

Citação:
"Santos da casa não fazem milagres", conforme diz o velho ditado português.
Não foi por desleixo meu, tentei desinteressadamente tudo o que pude, inclusive trouxe cá por duas vezes o Reitor da Universidade de Bordéus para ver se conseguia estabelecer uma parceria com Vila Real. Pelas duas vezes foi um grande fracasso e uma vergonha.

Pois... e tantas vezes era bom que se olhassem para os santos da casa... em geral têm condições para fazer mais milagres que os de fora...

Citação:
Gosto muito do grupo "Genesis", que têm uma música que eu adoro, e que diz: "You have to get out to get in".

É mesmo!

Citação:
A relação entre a Universidade e a Indústria dos Vinhos deveria ser de franca parceria de parte a parte. Acho que a Universidade deve estar cada vez mais virada para fora, dar a conhecer que existe e procurar informar-se como pode ser útil.
O sector do vinho está desde há muito tempo de pé atrás em relação à altivez que a Universidade tem demonstrado. Ultimamente, tem havido directrizes do Governo para tentar alterar esta forma de estar. Espero que evoluam.

Eu também. Sei bem do que fala. Mas vai ter mesmo que haver uma evolução, não há outro caminho.

Citação:
Tem toda a razão em relação aos comentários que faz sobre os vinhos velhos e novos. Hoje, muito poucas pessoas têm possibilidade de fazer uma garrafeira, mas os produtores é que terão que ter as suas garrafeiras e então lançar esses vinhos velhos, para serem bebidos de imediato.
Na Ramos Pinto, este ano, vamos precisamente lançar alguns Bons Ares, Duas Quintas, Duas Quintas Reservas desde 90, 91, 92, etc.
Neste sentido, penso que a cultura dos vinhos velhos vai continuar.

Não duvido que seja uma das formas de resolver a situação, mas sendo o espaço e o dinheiro caros poderão muitos dos produtores manter essas garrafeiras? O vinho demora uns anitos a envelhecer... Não estará isso apenas ao alcance dos produtores mais bem estabelecidos e com maior disponibilidade económica? Os outros terão outra hipótese senão fazer vinhos para consumo imediato?

Citação:
Assim sendo, adoro o blend do conhecimento empírico com o científico.
O conhecimento empírico é-me muito mais caro, pois foi adquirido pela experiência e uso durante muitos anos, séculos, etc.
O conhecimento científico está constantemente e mudar.
Talvez um blend de 60% de empírico e 40% de científico.

E o conhecimento empírico não tem muito de científico? Nas coisas das comidas e cozinhas tem-se provado que sim...

Quanto ao conhecimento científico mudar... diria mais evoluir... mais dados - uma visão mais aprofundada (pelo menos idealmente...).
E o empírico, não mudará também... está implícito na definição... Very Happy

Hoje já não devo conseguir voltar aqui antes da meia noite... quero agradecer-lhe mais uma vez a óptima entrevista.

Um beijinho

Paulina
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"Inquisitiveness was a key feature." Heston Blumenthal
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ramospinto



Registrado: Segunda-Feira, 24 de Março de 2008
Mensagens: 24

MensagemEnviada: Seg Mar 31, 2008 12:13 pm    Assunto: Responder com Citação

Olá, olá!

Quanto à evolução das Universidade, oxalá que tenha razão, pois é básico !!! Sobre os santos da casa, temos que acreditar nos milagres.

Acho que o facto de ser pequeno ou grande não representa diferença. O que muda são as quantidades, tendo em conta o tamanho e o capital existente. Qualquer um pode ter a sua garrafeirita à medida.
Esta pequena reserva servirá também para trabalhar a promoção e a imagem.

Penso que o conhecimento empírico é mais intuitivo, uma selecção de experiências, ao contrário do científico, que é uma experiência selectiva.
Nas comidas, o assunto é muito mais individual e humano. Nem todos temos a percepção dos mesmos sabores, felizmente!!! Não percebo como nas coisas das cozinhas e das comidas se têm provado o contrário. A evolução dos nossos gostos depende de nós, normalmente. A não ser que estejamos a falar de hamburgers, em que tudo é estudado segundo estatísticas, inquéritos, e sei lá que mais, e depois faz-se à medida do standard. No vinho isto também acontece.

Está correcto, o conhecimento científico evolui (bem ou mal, não sei), e não muda. Será que às vezes muda de rumo? Tudo isto é muito complicado. A teoria do big bang expande-se, evolui, mas agora descobriram que também se retrai. Será que muda de direcção? Penso que só com um bom vinho podemos resolver este assunto.

Como conclusão, penso que tudo muda e foi por isso que Sócrates disse "Só sei que nada sei".

Eu é que agradeço a sua intervenção e espero que possamos resolver este problema universal.

Dois beijinhos,
João Nicolau de Almeida,
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ramospinto



Registrado: Segunda-Feira, 24 de Março de 2008
Mensagens: 24

MensagemEnviada: Seg Mar 31, 2008 12:19 pm    Assunto: Responder com Citação

Hi, John!

Gostei imenso de ter visto e lido a tua entrada neste circuito. Infelizmente, no último dia, estive muito atrapalhado por causa da doença da minha Mãe.

Meu Caro, na verdade, o José Rosas sempre foi um lutador para livrar a viticultura Duriense do marasmo. Quando eu cheguei de Bordéus, o desafio e a pressa que ele tinha para resolver estas coisas, contagiou-me deveras. A grande obsessão que tinha para o conhecimento de todas as fases da viticultura atirou-me para um mundo fantástico. Ele dizia-me: Agora tens que resolver isto !!!
Eu ficava aflitíssimo, ao vê-lo vermelho, na sua impotência de quebrar este muro.
Então, assumi realmente dos pés à cabeça, e foram anos gloriosos de empenho e dedicação. Na altura, não tinha quem me ajudasse. Então, fui à UTAD e pedi um estagiário, e eis que finalmente me aparece um aventureiro - o Carlos Peixoto. Ele ainda hoje está connosco e é o meu braço direito no Douro. Montámos 4 campos experimentais ao longo do Douro, plantando 12 variedades aconselhadas pelos Srs. Rosas, Taborda, etc.
Daí para a frente, foi um gozo de trabalho desde a nascença à microvinificação, estudando-as para Porto e Douro.
O Nuno Magalhães e mais outros na área dos solos, climatologia, etc. foram sem dúvida uma ajuda fundamental para o desenvolvimento da região. É pena que a ligação vinha-vinho tenha sido travada por interesses que não percebemos e que a Enologia não pusesse os pés dentro do lagar.
A ligação à Roederer, sem dúvida, que abriu uma porta no mundo das maravilhas mas o que dá raiva é ver que eles têm umas produções brutais, mecanizações totais, e vendem uma garrafa 100 vezes mais cara do que nós !...
A influência da Roederer na Ramos Pinto não existe directamente. Nós somos autónomos em todas as áreas, mas é evidente que é preciso prestar contas no Conselho de Administração e, nessa altura, discute-se tudo.
Actualmente estamos a pensar haver mais transversalidade, aproveitando o know-how de todas as partes.
Os nossos Portos no Canal Horeca, especialidade da distribuição Roederer, são muito bem aceites pela clientela francesa. Quanto aos vinhos do Douro, serão mais os Portugueses que vivem em França? Não são os Franceses chauvinistas com os seus produtos? A verdade é que se vende muito bem e a um bom preço/qualidade.
A nossa nova adega será um prolongamento da já existente nos Bons Ares, construída em 1987.
O grande objectivo é diminuirmos o tempo de vindima das nossas quintas para metade do tempo actual, para podermos vindimar rapidamente na altura certa, não deixando assim queimar as uvas que estão à espera.
As cubas velhas desaparecerão e irá entrar um muito maior número de cubas mais pequenas para se poder separar o trabalho de micro-estudo das diferentes parcelas.
Fundamentalmente será isto, com a adaptação a todos os mecanismos, bombas, tubagens, etc., modernos.
O Bons Ares é um vinho muito vigoroso e, por isso, necessita de barriga cheia e proteínas para equilibrar os taninos.
Quanto aos Portos, não tenho dúvida de que o Vintage vai bem com os queijos, mas também com chocolate. A questão dos chocolates é muito complexa. Uma vez no Brasil fiz uma prova de diferentes chocolates e Vintages de diferentes idades. O tipo de chocolate é muito importante em relação à idade do Vintage. É um assunto que se deveria desenvolver mais. Eu tive essa experiência, que achei fantástica, mas não sou capaz de desenvolver esse assunto. Vamos propor ao IVDP para fazer uma sessão?
Os Tawnies são muito mais versáteis. Até aos 10 anos são umas crianças, ainda não estão formados. É a eterna questão de fazer Tawnies novos. Serão estes Tawnies?
O 10 anos (teenager) está a passar de cores vermelhas para cores mais evoluídas, atijoladas, amareladas, douradas, etc., conferindo ao vinho sabores a frutos vermelhos, frescos, primários, mas também nuances de frutos secos, cacau, marmelada.
Estamos então perante um vinho muito versátil, que poderá funcionar como vinho a acompanhar um foie grãs (fresco, q 18º.), mas também que se adapta a sobremesas à base de ovos, frutos secos, cremes, etc.
O 20 anos (adulto) para mim é um Tawmy clássico, pois a grande parte do vermelho depositou-se já na pipa. O vinho ganha finesse, elegância e espiritualidade.
Aqui, são os frutos secos que dominam com notas de laranja, especiarias, uma complexidade que se prolonga na boca, sob uma forma de "essência". Sorvetes de frutos secos, figo, amêndoas, avelãs, bolos ou pudins de laranja, cremes queimados, e por aí fora ... É já um vinho leve mas estruturado, e com longo final de boca que não se torna pesado no fim de um lauto jantar.
Os 30/40 anos são os "idosos" e, como tal, há idosos que evoluem bem e outros mal. Aqueles que envelhecem bem, são uma enciclopédia de ensinamentos, têm muitas histórias para contar, para reflectir, para subir aos Céus. São vinhos que entram numa área mais complexa, volátil, etérea, espirituosa, com concentrações aromáticas diversas. Devido a estas forças, o vinho torna-se um pouso mais pesado e daí ser um vinho para beber aos golitos, depois de jantar, com um bom charuto, café, e levar a conversa para o mundo da filosofia.
Platão, Sócrates e Arquimedes devem ter tomado estes vinhos para facilitar as ligações "In Vino Veritas".
É verdade a nossa relação pais e filhos. O sangue que corre nas guelras é o mesmo de Pai e Filho. Às vezes pode dar curto-circuito ... Não há necessidade de arriscar relações tão boas de Pai e Filho. O mundo não é só vinho.
A Teresa encaixa naturalmente. É compreensível, desta forma até temos muito mais relação vínica e tudo o resto.

Um abraço,
João Nicolau de Almeida
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ramospinto



Registrado: Segunda-Feira, 24 de Março de 2008
Mensagens: 24

MensagemEnviada: Seg Mar 31, 2008 12:30 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Otávio,

Muito obrigado pela sua intervenção..

Realmente, a Ramos Pinto tem no Brasil mais um património cultural muito grande e não queremos, de forma alguma, perder este tesouro.
Como diz, este conhecimento da Ramos Pinto está mais focado nas pessoas mais velhas. Isto é muito mau, em termos de futuro. Teremos que fazer um esforço muito maior para que a nova geração tenha conhecimento quer da história e relação à Ramos Pinto – Brasil, quer da modernidade desenvolvida por nós nos vinhos Douro e Porto.
A sua visão está correcta, não podemos perder a herança deixada pelos nossos antepassados.
Tivemos alguns problemas com a distribuição num passado recente e pensamos que agora vamos retomar a nossa posição no nosso Porto Adriano, Vintages e também nos vinhos Douro, o Duas Quintas, o Collection, o Reserva, etc..

Um abraço,
João Nicolau de Almedia
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Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
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MensagemEnviada: Seg Mar 31, 2008 1:46 pm    Assunto: Responder com Citação

João Nicolau de Almeida,

Queria apenas agradecer-lhe em nome da NovaCritica-vinho, a si e à Ramos Pinto, a disponibilidade e o empenho que colocaram nesta entrevista. A experiência com estas “conferências” tem sido muito gratificante e um contributo de valor para o consumidor. Acabam por ser bem diferentes das entrevistas "normais" porque os entrevistados transmitem muito mais deles e do que pensam. Por isso, um enorme obrigado pelo que transmitiu nos seus textos. Agradeço também o amável convite, esperando um dia passar pelo Douro e ter o enorme privilégio de o conhecer pessoalmente.

Um forte abraço,


Editado pela última vez por Tiago Teles em Seg Mar 31, 2008 4:39 pm, num total de 1 vez
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ramospinto



Registrado: Segunda-Feira, 24 de Março de 2008
Mensagens: 24

MensagemEnviada: Seg Mar 31, 2008 2:11 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Tiago,

Em primeiro lugar, quero agradecer-lhes a excelente oportunidade que me deram para entrar no vosso blog (NovaCrítica).
A minha vida tem sido bastante atribulada e, por azar, esta última semana complicou-se mais devido às deslocações que tive que fazer e à falta de saúde de um Familiar muito próximo.
Não queria deixar de manifestar o prazer que tive em responder às vossas perguntas interessantíssimas. Foi um desafio engraçado e, com muita pena minha, não pude dar seguimento imediato quando sentia que a coisa estava a pegar.
A vida não acaba hoje e gostava de agradecer também a todos os intervenientes e convidá-los para uma visita ao Bom Retiro durante a próxima vindima, com estadia de uma noite e com pisa a pedal. Proponho, desde já, a semana de 1 a 7 de Setembro. Aguardo confirmação e sugestões.

Um grande abraço para si e para todos.
João Nicolau de Almeida
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Spice Girl



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
Mensagens: 6060
Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Ter Abr 01, 2008 12:11 am    Assunto: Responder com Citação

João

Muito obrigada pela sua entrevista.

Sabe, quando começámos com esta iniciativa esperava que fosse interessante, mas devo dizer-lhe que tem superado as minhas expectativas. Em termos do que vamos aprendendo com as vossas respostas, mas sobretudo pelo ambiente descontraído e simpático em que têm decorrido.
(O trabalho de "entrevistadora" também tem sido um desafio. É difícil por vezes, sobretudo quando o tempo é pouco, mas também tem sido uma experiência muito interessante.)

As pessoas das entrevistas da gastronomia conhecia todas já, mas dos vinhos não. Por isso para mim a experiência desse ponto de vista tem sido inclusivamente diferente com uns e outros. É bom passar a associar a um projecto, a uns vinhos... um nome e uma cara (eu tento antes de fazer perguntas googlar um pouco para encontrar as caras Laughing e tenho conseguido em geral, gosto de ver a cara da pessoa com que estou a falar Laughing ).
Depois destas entrevistas tudo passa a ter um significado diferente, mais personalizado, mais humano. E eu gosto mesmo disso. Very Happy

Muito, muito obrigada e ... até Setembro.

Beijinho

Paulina

PS
E agora que está inscrito e lhe tomou o gosto, apareça de vez em quando por aqui para conversar, nós estamos quase sempre por cá...
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hm



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MensagemEnviada: Ter Abr 01, 2008 10:40 am    Assunto: Responder com Citação

Caro Eng. João Nicolau de Almeida

A semana passada não tive tempo para intervir, vim de viagem no meio da semana e depois andava meio “adormecida”. De qualquer forma não queria deixar de lhe dar os parabéns pela sua longa carreira e uma palavra de reconhecimento pelo seu trabalho que tem dado muitos frutos! Gostei muito de ler a sua entrevista.

Gostava também de lhe contar um pequeno episódio que se passou comigo há uns tempos. Num Natal há 2 ou 3 anos duas pessoas quiseram oferecer-me uma garrafa de vinho do Porto. Sabiam que eu gostava de tawnies e então resolveram pedir uma sugestão em garrafeiras diferentes de um bom tawny. O que é que aconteceu? Recebi duas garrafas de Quinta do Bom Retiro 20 anos!!! Devo dizer que estavam fantásticos! Very Happy Very Happy Very Happy

Gostava muito de participar nessa visita ao Bom Retiro Very Happy

Cumprimentos
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Helena Muelle
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ramospinto



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MensagemEnviada: Ter Abr 01, 2008 3:52 pm    Assunto: Responder com Citação

Cara Helena Muelle,

Seja bem-vinda a bela adormecida!...

É com todo o gosto que fica incluída nos nossos contos ...

Até lá.

Cumprimentos,

João Nicolau de Almeida
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Tiago Teles



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MensagemEnviada: Ter Abr 01, 2008 4:09 pm    Assunto: Responder com Citação

João Nicolau de Almeida e Ramos Pinto,

Agradecemos imenso o convite que endereçam aos participantes neste fórum. Participar numa vindima no Douro Superior, sentir a natureza, viver a azafama, contactar com as pessoas que idealizam o vinho, é um sonho tornado realidade. Depreendo também que existirá um limite máximo de pessoas que beneficiarão da estadia, não da oportunidade de vindimar. Por isso, propomos aos interessados que se enderecem directamente à Ramos Pinto (ramospinto@ramospinto.pt), a/c eventualmente de Ana Rato.

Um abraço e mais uma vez obrigado.
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