NovaCrítica-vinho.com - Índice do Fórum NovaCrítica-vinho.com
Forum de Discussão
 
 FAQFAQ   PesquisarPesquisar   MembrosMembros   GruposGrupos   RegistrarRegistrar 
 PerfilPerfil   Entrar e ver Mensagens ParticularesEntrar e ver Mensagens Particulares   EntrarEntrar 

Entrevista c/ Filipa T. da Costa e Vasco P. Garcia :Bacalhôa
Ir à página Anterior  1, 2, 3, 4, 5  Próximo
 
Novo Tópico   Este Tópico está Bloqueado. Você não pode editar mensagens ou responder    NovaCrítica-vinho.com - Índice do Fórum -> Entrevistas On-line
Exibir mensagem anterior :: Exibir próxima mensagem  
Autor Mensagem
Vascopg



Registrado: Terça-Feira, 19 de Fevereiro de 2008
Mensagens: 9

MensagemEnviada: Qua Fev 20, 2008 1:49 pm    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
filmar77 escreveu:
Já estou sem folgo a responder a tantas perguntas!


Filipa Tomaz da Costa,

É precisamente esse o objectivo. Aguardamos também com ansiedade a entrada do Vasco Penha Garcia! Sei que o fôlego não chegou para responder às minhas primeiras perguntas mas deixo-lhe mais algumas...não vá recuperar o fôlego…eh, eh!

Arrow A Quinta da Bacalhôa é um expoente de qualidade e história do vinho português. O que significa esta Quinta e este vinho para vocês? No meu entender é eventualmente o único exemplar nacional que consegue verdadeiramente encarnar o estilo aristocrático de Bordéus mas adicionando-lhe um toque de sensualidade sulista.

Arrow A Bacalhôa trabalha com inúmeras castas tintas, desde o Castelão, à Touriga Nacional, passando pela Syrah, Touriga Franca, Cabernet Sauvignon, Merlot, Alfrocheiro, Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouchet, etc. Qual é a vossa visão sobre o comportamento destas castas em cada região? Quais as que melhor se adaptam à região de Setúbal? De onde podem surgir as surpresas em termos de qualidade e originalidade? Podemos esperar novidades no futuro?

Arrow No site internet encontrei também referências á Petit Verdot e ao Tinto Cão? Existem resultados?

Arrow Sempre achei o vinho Meia Pipa muito curioso e uma referência muito segura no mercado. A sua ligação de 50% Cabernet Sauvignon e 50% Castelão produz um vinho equilibrado e diferente. Como surgiu a ideia deste lote? É um bom compromisso para o mercado internacional?

Arrow O que significa a casta e o vinho Moscatel para vocês?



Bom dia a todos, bom dia Tiago,
Depois de uns dias mais perto das vinhas e da chuva...que do teclado cá estou para iniciar a minha primeira participação num forum de internet!
Felizmente a Filipa, minha guru de computadores, me ensinou os rudimentos que me permitem arrancar....

Alguns comentários sobre a Quinta da Bacalhôa...
Concordo inteiramente que é talvez o exemplo mais forte do conceito de "chateau" em Portugal. Foi aliás o próprio conceito de "chateau" que esteve na origem do projecto desta nova fase da história vínica da Quinta (há registos de vinhas já por volta de 1300!).

Tudo partiu da paixão de duas pessoas pelos vinhos de Bordéus. Thomas Scoville neto da "salvadora" deste património (que restaurou nos anos 30 as ruínas que comprou...) e António de Avillez, o visionário que concretizou os mais belos e arrojados projectos desta região ( e que me dizia que Bordéus é como a Meca dos enólogos...quem puder vá lá todos os anos...eu lá tento ir de 2 em 2..).
Pois decidiram fazer juntos o primeiro Cab-Merlot de Portugal no inicio dos anos 70.

Para mim a Quinta da Bacalhôa é o lugar em Portugal que talvez tenha mais significado para a minha maneira de olhar e amar o vinho.
Muito pela beleza do local - os azulejos, o jardim de bucho, a vinha, a casa do lago, a vista da serra de Sintra,...- mas acima de tudo pelas inúmeras provas que aí vivi e vivo. De todas descrevo umas de recordações bem fortes...........
Foi na mesa de pedra da loggia do jardim de bucho que ao longo de mais de 15 almoços provei os melhores Cabs, Merlots, Chards, ... Pinots do mundo. Quando digo melhores, é mesmo os melhores, os míticos, os vinhos de sonho... Lafite...Romanée-C....Stags...Le Pin...
Todos os anos o Tom trazia da cave da sua casa em Washington estas preciosidades que eram provadas com o toque despretencioso, generoso e chique que só uma família sofisticada americana consegue. A prova era previamente anunciada e muitas vezes organizada por Fax (já também saudoso e de papel então efémero)... e nesse dia eram confrontados o Bacalhôa e o Cova da Ursa lançados nesse ano...um mano a mano com os grandes...
Tenho grandes recordações desses almoços... O menu era sempre igual: torta de peixe, salada c/flores da Quinta (no tempo em que não havia em Portugal "nouvelles" ou fusions"...), queijos de Portugal...Esta teimosia no menu foi também um dos factores importantes na força desses almoços...
o ritual de abrir as garrafas com veneração... as primeiras cheiradas...o primeiro Romanée... os convidados de todo o mundo (o dono do Ravenswood com quem conheci os grandes Zifandeis..).. o "buffet de vinhos" - normalmente mais de uma dúzia de grandes garrafas que eram provadas e re-provadas ao longo da refeição...as discussões animadas entre os defensores da potência e os da elegância...as cortinas de esteira nos dias mais solarengos...
E depois os comentários escritos com uma mistura de emoção e suave etilismo, no belíssimo livro encadernado da Bacalhôa.
Todos os anos dizia que aquele tinha sido o melhor almoço da minha vida...
Espero que não tenha provocado nenhum sentimento forte de inveja!


Castas usadas na Bacalhôa

Responder à sua questão daria uma páginas...
alguns comentários:
A região de Setúbal e mais particularmente a zona de Azeitão tem um conjunto edafo-climático, ou seja, solos, geologia, relevo, clima, que lhe permite dar uma boa expressão a provavelmente todas as castas do mundo. Há calor, noites frias, exposição a norte, solo calcário... qualquer casta aqui medra. Quais as melhores??? Talvez aquelas que aqui atingem elegância/potência: as castas de Bordéus, as castas do norte de Portugal, e muito especialmente, qualquer casta branca. Outras coisas falariamos se pensassemos nas planícies arenosas.. então lá falaria do Syrah e da Periquita (Castelão)...
No Alentejo, para além das clássicas (bem... clássicas desde os estudos de há pouco mais de 20 anos feitos pelo saudoso Prof. Colaço do Rosário)
a Touriga parece a grande nova entrada que irá balancear os lotes (sou devoto assumido) e a Syrah é a casta de resultados mais consistentes.
Na Estremadura, mas na Estremadura marítima, a zona de Óbidos onde temos a Quinta dos Loridos, a minha preferida nos brancos é o Alvarinho. Nos tintos (pós aquecimento global..) o Merlot tem dado belíssimas surpresas...


sobre P.Verdot e T.Cão.
O Petit Verdot é uma casta muito boa e muito adaptada a Setúbal. É essencial no lote do Palácio da Bacalhôa - é a nossa casta "incognita".
O Tinto Cão tem dado resultados menos consistentes - anos bons e anos maus - mas ainda estamos a conhece-la.

sobre o Meia Pipa.
Agora é 33% Castelão,33%Cab e 33% Syrah.
O projecto Meia Pipa tem uma história engraçada.
Nos anos oitenta fazia-se um lote de cab e periquita que se guardava em meias pipas (265litros) para a cantina e os amigos da casa (confrades da nossa confraria).
Não era por isso um vinho do nosso porfolio. Teve-se a ideia de vender essas meia pipas. Por um preço fixo, o comprador podia mandar engarrafar o "seu" vinho quando entendesse com rótulo personalizado. Um dos compradores, importador no Reino Unido, pediu que se lançasse uma marca - e assim foi nasceu o "Meia Pipa".

permita-me Tiago que guarde a resposta do Moscatel para mais tarde ... esta é das tais que dá pano...

Prometo voltar.Vasco
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail
Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Qua Fev 20, 2008 2:53 pm    Assunto: Responder com Citação

filmar77 escreveu:

Caro Tiago,
O folgo "folego" era só uma brincadeira. Hoje espero começar pelas suas perguntas! Desculpem o meu Português!!!
Filipa



Filipa Tomaz da Costa,

Eu também estava a brincar. Tentei apenas provocar um pouco para obter as respostas! Isto de ser dinamizador do fórum dá nestas coisas! Estou a gostar imenso da entrevista. As respostas têm texto e muita substância.

Obrigado.
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail Visitar a homepage do Usuário
Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Qua Fev 20, 2008 2:54 pm    Assunto: Responder com Citação

Vascopg escreveu:
Bom dia a todos, bom dia Tiago,
Depois de uns dias mais perto das vinhas e da chuva...que do teclado cá estou para iniciar a minha primeira participação num fórum de Internet!
Felizmente a Filipa, minha guru de computadores, me ensinou os rudimentos que me permitem arrancar....

Prometo voltar.Vasco


Vasco,

E que grande estreia num fórum Internet. Obrigado pelas magníficas passagens históricas. O vinho é história.

Uma vez quebrado o enguiço…força!
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail Visitar a homepage do Usuário
Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Qua Fev 20, 2008 3:02 pm    Assunto: Responder com Citação

Vou carregar mais um pouco porque amanhã já é o último dia para colocarmos perguntas!

Arrow Ser enólogo de um produtor com a dimensão da Bacalhôa Vinhos é um enorme desafio. De que forma se preparam para cada colheita? Já tiveram momentos complicados? Histórias engraçadas durante a vindima?

Arrow Em tempos ouvi um produtor dizer que a qualidade de cada colheita e do respectivo vinho dependia da alegria com que se vivia a vindima desse ano. Vindima alegre igual a bom vinho, vindima triste igual a mau vinho! Já aconteceu na Bacalhôa tal coincidência?

PS – não esqueçam as perguntas que coloquei na primeira página! Very Happy
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail Visitar a homepage do Usuário
filmar77



Registrado: Segunda-Feira, 18 de Fevereiro de 2008
Mensagens: 25

MensagemEnviada: Qua Fev 20, 2008 5:54 pm    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
Vou carregar mais um pouco porque amanhã já é o último dia para colocarmos perguntas!

Arrow Ser enólogo de um produtor com a dimensão da Bacalhôa Vinhos é um enorme desafio. De que forma se preparam para cada colheita? Já tiveram momentos complicados? Histórias engraçadas durante a vindima?

Arrow Em tempos ouvi um produtor dizer que a qualidade de cada colheita e do respectivo vinho dependia da alegria com que se vivia a vindima desse ano. Vindima alegre igual a bom vinho, vindima triste igual a mau vinho! Já aconteceu na Bacalhôa tal coincidência?

PS – não esqueçam as perguntas que coloquei na primeira página! Very Happy


Tiago,

Tendo já respondido às primeiras aqui estou eu ainda com folego!!!
Claro que uma nova vindima é um motivo de grande alegria mas também de grande ansiedade. A partir de junho, julho esta ansiedade é cada vez maior uma vez que NÃO HÁ VINDIMAS IGUAIS e por muito que se façam previsões não conseguimos adivinhar!!!
Quanto à preparação:
Primeiro avaliamos na primavera verão as produções das vinhas, a sanidade das mesmas, por casta e quinta e continuamente.
Durante o verão acompanha-se através de amostragens para analise e visitas a evolução de cada casta em cada quinta diferente.
São aprovisionados os materiais enológicos necessários às diversas vinificações e preparadas as pessoas e/ou maquinas para a vindima.
Finalmente uma lavagem profunda a toda a adega.
E ainda em Agosto normalmente começamos as vindimas.
Para nós e toda a equipe envolvida é uma alegria, pois trabalho sem gosto não interessa a ninguém.
~Há medida que a uva entra ou ficamos muito alegres ou apreensivos.
Nesta altura as previsões do tempo são a nossa luz e a chuva a inimiga principal. Qualquer semana sem chuva transforma-se numa esperança!!!
São momentos sempre presentes mas sempre diferentes. Eu pessoalmente costumo envolver a outra parte da empresa(contabilidades, admnistração, vendas,etc...) no que vai acontecendo!!! dou a provar, converso.... ajuda-me a acalmar e descarregar a ansiedade.
Quanto a histórias temos sempre algumas.
Normalmente as brincadeiras com borras, pés a fermentar (os estudantes que nos ajudam recolhendo amostras dos tanques aparecem sempre sujos e nós dizemos que têm os pés a fermentar), banhos de vinho etc... são divertidos....
Agora tenho que parar
até logo
Filipa
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail
Vascopg



Registrado: Terça-Feira, 19 de Fevereiro de 2008
Mensagens: 9

MensagemEnviada: Qua Fev 20, 2008 6:22 pm    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
Arrow O que significa a casta e o vinho Moscatel para vocês?


Cá estou novamente para tentar responder à última questão sobre o Moscatel de Setúbal.

Antes de tudo é importante dizer que considero sem patriotismos descabidos, que os vinhos "Setúbal" são os melhores vinhos licorosos da casta Moscatel de Alexandria (sinónimo mundial da nossa Moscatel de Setúbal) do Mundo!!!

Gosto de os chamar simplesmente "Setúbal" e não "Moscateis de Setúbal" Moscateis há muitos por esse Mundo fora mas "de Setúbal" só há um !
Provem os outros - Os de Valencia, de Málaga, os Zibbibo da Sicilia, os de Panteleria, os da Austrália, os Hannepot da África do Sul.... - e depois vejam lá se não tenho razão.

Os outros são normalmente pastosos, pesados, com aromas dominados pela passa, normaçlmente desiquilibrados na sua acidez baixa e nos aromas cozidos e "queimados".

Os "Setúbal" são mais complexos, os aromas lembram "marmelade", flor de laranjeira, casca de tangerina, chá "Earl Grey, mel de laranjeira. Na boca encontramos um equilibrio único entre acidez, doçura e amargo.

Porquê? Serão os enólogos? Será a casta?
Não. É o terroir e a nossa maneira de os vinificar.

O moscatel de Alexandria (ou de Setúbal) é o mesmo em tantos outros e os enólogos dos outros lugares até podem ser melhores.
Mas onde é que no resto do Mundo se escolheram solos pobres, encostas viradas a Norte, e depois se deixam as películas a macerar durante quase 6 meses, como aqui.
Esta casta é tardia e nos outros locais deixa-se a uva sobre amadurecer até se queimar todos os aromas mais finos.
Aqui onde plantamos esta casta temos que a apanhar antes das chuvas - nessa altura as uvas têm 12 a, no máximo, 13% de álcool potencial.
A natureza obriga-nos a apnhar as uvas "frescas" e depois de pararmos a fermentação com aguardente deixamos as películas a macerar. Resultado desta maceração enriquecemos o vinho exponencialmente nos aromas das películas e extraimos "amargos" cruciais para o balanço não enjoativo.
O resultado é aquele que poderão sentir se hoje mesmo comprarem um bom "Setúbal"!
E depois se tiverem a sorte de apanharem um com 10 ou 20 anos de envelhecimento.... Porque não o Moscatel de Setúbal Superior 1983 20 anos da nossa casa? Ou um Roxo com 20 ou 30anos dos nossos vizinhos José Maria da Fonseca?
Provem e digam-me lá como é possivel termos mais de 200g/L de acúcar natural e uma tal frescura e complexidade?

Até logo Vasco
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail
valtercosta72



Registrado: Segunda-Feira, 5 de Março de 2007
Mensagens: 313

MensagemEnviada: Qua Fev 20, 2008 7:50 pm    Assunto: Responder com Citação

Vascopg escreveu:

Cá estou novamente para tentar responder à última questão sobre o Moscatel de Setúbal.

E moscateis roxos mais antigos?
A Bacalhoa não tem moscateis roxos com 20 anos ou mais perdidos na adega?
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
mlpaiva



Registrado: Quarta-Feira, 30 de Outubro de 2002
Mensagens: 4961
Localização: where the streets have no name ;-)

MensagemEnviada: Qua Fev 20, 2008 11:04 pm    Assunto: Responder com Citação

Tive a honra e o prazer de, há mais de 10 anos e após um almoço com o seu administrador Paiva Raposo Very Happy , visitar a JP em visita guiada pelo próprio António d'Avillez Very Happy Wink Embarassed .
Foi, como costuma dizer-se, uma tarde e peras... Cool .

Sempre acompanhei os vinhos da JP mas hoje, parece-me, o impacte dos seus vinhos já não é o mesmo junto dos jovens enófilos.

Para além do Catarina, excepção que parece confimar a regra, por que razão vinhos como o Cova da Ursa, Má Partilha, Qtª da Bacalhôa não são tão impactantes quanto deviam ser?

Relação preço/qualidade, distribuição, marketing, etc... será que tudo está a correr como planeado? Ou será que sim, só que o target é mais... seniores? Rolling Eyes
_________________
Luís Paiva

Never increase, beyond what is necessary, the number of entities required to explain anything.
William of Ockham (1285-1349), Luís Paiva (1950-20??) Snakeman
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail Visitar a homepage do Usuário
filmar77



Registrado: Segunda-Feira, 18 de Fevereiro de 2008
Mensagens: 25

MensagemEnviada: Qua Fev 20, 2008 11:53 pm    Assunto: Responder com Citação

valtercosta72 escreveu:
Vascopg escreveu:

Cá estou novamente para tentar responder à última questão sobre o Moscatel de Setúbal.

E moscateis roxos mais antigos?
A Bacalhoa não tem moscateis roxos com 20 anos ou mais perdidos na adega?


Não infelizmente não temos Moscateis Roxo mais velhos que 20 anos.
Há mais de 20 anos a area de vinha disponivel era muito pequena e as produções foram pequenissimas. Daí se terem plantado novas vinhas nos anos 90 e agora já no novo século com esta casta.
Obrigada
Filipa TC
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail
frexou



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
Mensagens: 1202
Localização: Porto

MensagemEnviada: Qua Fev 20, 2008 11:55 pm    Assunto: Responder com Citação

filmar77 escreveu:
frexou escreveu:
Só agora intervenho pois quis deixar a entrevista rolar um pouco para testar uma tese minha...

Ainda ninguém falou no vinho Má Partilha...

Eu assumo desde já, que é o vinho que mais gosto da vossa casa, exceptuando os moscatéis claro está. Sou mesmo um apaixonado do Má Partilha.

No entanto, julgo que o consumidor português não lhe acha muita piada. Participo regularmente em algumas provas cegas, e já por duas vezes o Má Partilha esteve no painel. Pelas duas vezes, houve sempre enófilos que disseram mal do vinho, uns que tinha defeito, outros que cheirava mal... Houve até um enófilo que tem um blog na Internet que o desclassificou.

As minhas perguntas são:
Concordam que o Má Partilha é um vinho que se não está de todo enquadrado no gosto do Português?
Que feedbacks sentem sobre o Má Partilha?


Bom Dia Paulo,
Concordo consigo. Eu também gosto muito do Má Partilha e acho que o seu perfil é muito ao estilo "bordelais". Estes Merlot europeus são vinhos
muito diferentes dos jovens Merlot do novo mundo mais frutados e redondos e talvez mais agora ao novo gosto Português em que os vinhos tintos são consumidos super jovens.
O Má Partilha é um vinho com um perfil mais complexo, que além de fruta tem por vezes alguns aromas um pouco mais vegetais e de especiarias o que o tornam talvez com um sabor estranho ou diferente para a maior parte das pessoas. Já agora recomendo a colheita de 2005 que começou agora a ser lançada no mercado a qual eu gosto muito.
Gosto de ter vinhos diferentes embora possam por algumas temporadas não estarem na moda, e que proporcionem ao consumidor a possibilidade de variar senão qualquer dia é a massificação.
Obrigada
Filipa Tomaz da Costa


Entre 2001 e 2005 não vai sair nenhum Má Partilha para o mercado??

É que eu apenas vejo o 2001 à venda...
_________________
Um abraço
Paulo Silva
http://vinhodacasa.blogspot.com
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail Visitar a homepage do Usuário MSN Messenger
jsalavessa



Registrado: Sexta-Feira, 30 de Junho de 2006
Mensagens: 341
Localização: Lisboa / Cebolais de Cima

MensagemEnviada: Qui Fev 21, 2008 1:06 am    Assunto: Responder com Citação

Caro Vascopg,

tendo já comparado o Moscatel de Setúbal com o de outras regiões do mundo, gostaria de saber também qual a sua opinião relativamente ao Moscatel de Favaios e o popular "best-seller" Favaito Question

Cumprimentos,
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
Spice Girl



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
Mensagens: 6060
Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Qui Fev 21, 2008 1:47 am    Assunto: Responder com Citação

Vasco, obrigada por ter aceite o nosso desafio e pela sua participação.

O seu post sobre os Moscatéis deu-me vontade de sair e ir comprar uma garrafa. Very Happy

Tanto quanto me tenho apercebido na produção de vinho há uma mistura de diversos factores a considerar, de que se podem destacar a criatividade individual (arte), os aspectos científicos e técnicos (ciência) e os aspectos económicos. Relativamente aos dois primeiros aspectos (arte e ciência), há certamente uma ligação forte entre eles. Imagino que para produzir vinhos com qualidade e personalidade, ou seja para que o "artista" consiga expressar o que pretende, tem que dispor das condições técnicas necessárias e dominá-las com algum à vontade. Como pensa que se posiciona a indústria de vinhos portuguesa, nesta época de grande inovação tecnológica, por comparação com a mesma indústria noutros países?
Como é, e como considera que seria desejável que fosse, a ligação entre a indústria de vinhos e a comunidade científica em Portugal?

Um dos assuntos que tem sido discutido frequentemente aqui no fórum tem sido o dos vedantes usados no vinho, e em particular a utilização ou não de rolhas de cortiça. São discussões geralmente com uma grande carga emotiva. Qual é o seu ponto de vista em relação a este assunto?
_________________
"Inquisitiveness was a key feature." Heston Blumenthal
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail
Abílio Neto



Registrado: Quinta-Feira, 1 de Setembro de 2005
Mensagens: 3677

MensagemEnviada: Qui Fev 21, 2008 12:13 pm    Assunto: Responder com Citação

Caros, Filipa Tomaz da Costa e Vasco Garcia,

Ainda na sequência dos comentários do Frexou (bem visto, o Má Partilha) e do Luís Paiva (bem visto, o perfil geral dos vinhos tranquilos), realmente existe um «distanciamento» das V/ marcas relativamente a um determinado segmento de consumo, a Filipa Tomaz da Costa assume-o, para minha satisfação pessoal Cool :

Filipa Tomaz da Costa escreveu:
Gosto de ter vinhos diferentes embora possam por algumas temporadas não estarem na moda, e que proporcionem ao consumidor a possibilidade de variar senão qualquer dia é a massificação.


Agora a minha pergunta, indo um poucochinho mais longe que o Luís Paiva, até onde pretendem ir para chegar aos «novos enófilos», concebem a ideia de lançar novas marcas? Marcas que pudessem funcionar tão bem, nesse sentido, nos tintos, como funciona o Catarina (que é, realmente, um fenómeno!)?

Voltando ao Moscatel. O Vasco Garcia escreve uma autêntica declaração de amor ao que se faz, e muito bem na península, contudo, tendo tanta qualidade, que tem, porque razão a sua projecção internacional não é comparável, p/ ex., aos moscateis (a algumas marcas...) das outras regiões estrangeiras que mencionou?

Vasco Garcia escreveu:
Antes de tudo é importante dizer que considero sem patriotismos descabidos, que os vinhos "Setúbal" são os melhores vinhos licorosos da casta Moscatel de Alexandria (sinónimo mundial da nossa Moscatel de Setúbal) do Mundo!!!

Provem os outros - Os de Valencia, de Málaga, os Zibbibo da Sicilia, os de Panteleria, os da Austrália, os Hannepot da África do Sul.... - e depois vejam lá se não tenho razão.

Os outros são normalmente pastosos, pesados, com aromas dominados pela passa, normaçlmente desiquilibrados na sua acidez baixa e nos aromas cozidos e "queimados".

Os "Setúbal" são mais complexos, os aromas lembram "marmelade", flor de laranjeira, casca de tangerina, chá "Earl Grey, mel de laranjeira. Na boca encontramos um equilibrio único entre acidez, doçura e amargo.


Faz todo o sentido o que diz, mas tenho de lhe comentar que, como sabe, são esses «outros» moscateis os que «marcam» a forma como se entende a casta e os seus generosos / vinhos de sobremesa internacionalmente! Apesar das evidentes diferenças de estilo, também gosto bastante do MR e do Molino Real...

Abraços,

Abílio Neto
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
joaorico



Registrado: Sexta-Feira, 30 de Dezembro de 2005
Mensagens: 784
Localização: Peniche

MensagemEnviada: Qui Fev 21, 2008 12:35 pm    Assunto: Responder com Citação

Caros Filipa e Vasco,

Já que se estava a falar do Moscatel Roxo, lembrei-me de uma casta pouco utilizada e que pode dar um vinho de excelência. A casta Bastardo.


Arrow Nunca fizeram nada com esta casta, presumo, no entanto gostava de perguntar se existe plantada e se equaciona-se fazer algo com ela?


Arrow O moscatel, tal como me disse, tem concorrentes de peso que ainda por cima também são nossos, no entanto existe sempre a possibilidade de inovar mesmo contrariando técnicas ancestrais.
A bacalhôa na pessoa dos seus reponsáveis técnicos acredita que o moscatel tem margem para alguma inovação ou que a receita ancestral já tem tudo o que esse vinho precisa?


Arrow O que tem feito a Bacalhôa no sentido de atrair jovens e novos publicos para este vinho?


Cumps,
_________________
João Rico

http://pumadas.blogspot.com
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
Vascopg



Registrado: Terça-Feira, 19 de Fevereiro de 2008
Mensagens: 9

MensagemEnviada: Qui Fev 21, 2008 12:38 pm    Assunto: Responder com Citação

jsalavessa escreveu:
Caro Vascopg,

tendo já comparado o Moscatel de Setúbal com o de outras regiões do mundo, gostaria de saber também qual a sua opinião relativamente ao Moscatel de Favaios e o popular "best-seller" Favaito Question

Cumprimentos,


Caro jsalavessa , Caro(a) João? José? Joana?

Ainda bem que pergunta, como se costuma dizer.
Não falei do Favaios como de outros tantos. Particularmente este é feito com uma casta diferente da do Setúbal. É o Moscatel do Douro (o Muscat Petit Grain de França). A tecnologia também é diferente e não inclui o longo período de maceração pós-fermentativa. Também é normalmente envelhecido durante menos tempo que os daqui.
A sua personalidade é por estas razões bem diversa da do Setúbal.
É um bom vinho licoroso Português mas, perdoem-me as minhas queridas e queridos amigos do Douro, normalmente não chega aos calcanhares dos bons Setúbal. Digo normalmente porque já bebi um vinho Moscatel muito velho do Douro de perder a cabeça - agora vá lá a encontrar outros por aí?
Tanto o método de produção mais simplificado como a ausência de grande estágio permite lançar vinhos de preço muito competitivo. O engenho comercial da Ad.Coop.Favais ainda maximizou este factor ao lançar a mono-dose, o agora famoso Favaito, que compete com "Martinito".
Parabéns a Favaios!
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail
Mostrar os tópicos anteriores:   
Novo Tópico   Este Tópico está Bloqueado. Você não pode editar mensagens ou responder    NovaCrítica-vinho.com - Índice do Fórum -> Entrevistas On-line Todos os horários são GMT + 1 Hora
Ir à página Anterior  1, 2, 3, 4, 5  Próximo
Página 3 de 5

 
Ir para:  
Enviar Mensagens Novas: Proibido.
Responder Tópicos Proibido
Editar Mensagens: Proibido.
Excluir Mensagens: Proibido.
Votar em Enquetes: Proibido.


Powered by phpBB © 2001, 2005 phpBB Group
Traduzido por: Suporte phpBB