NovaCrítica-vinho.com - Índice do Fórum NovaCrítica-vinho.com
Forum de Discussão
 
 FAQFAQ   PesquisarPesquisar   MembrosMembros   GruposGrupos   RegistrarRegistrar 
 PerfilPerfil   Entrar e ver Mensagens ParticularesEntrar e ver Mensagens Particulares   EntrarEntrar 

Entrevista com João van Zeller (Quinta de Roriz - Douro)
Ir à página Anterior  1, 2, 3  Próximo
 
Novo Tópico   Este Tópico está Bloqueado. Você não pode editar mensagens ou responder    NovaCrítica-vinho.com - Índice do Fórum -> Entrevistas On-line
Exibir mensagem anterior :: Exibir próxima mensagem  
Autor Mensagem
Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Ter Nov 27, 2007 10:50 am    Assunto: Responder com Citação

mlpaiva escreveu:
Joao van Zeller escreveu:
(...) Ou seja, uma mini produção onde o génio do enólogo pode ser satisfeito ao limite, encontrando o desenho perfeito para a matéria prima de que dispõe, materializando o vinho com que sonha.


Caro João van Zeller,

1) Pegando nas suas próprias palavras, um grande vinho será necessariamente de produção diminuta ou, havendo matéria prima qb, e sabendo que cesteiro que faz um cesto faz um cento, cai por base o argumento de que só podemos ser grandes internacionalmente quando produzirmos grandes vinhos em grandes quantidades?
Dizendo de outro modo, será que os nossos vinhos seriam mais bem cotados pelos críticos internacionais se fossem produzidos em quantidades maiores?

2) É sabido que o vinho se faz na vinha e, consequentemente, na adega. Mas... é suficiente? Qual o papel dos media (críticos incluídos) na "criação"/"incubação" de "GRANDES VINHOS"?

3) Salvo as conhecidas excepções, a história dos vinhos do Douro mal começou. Quais as expectativas da actual mainstream conduzir a vinhos memoráveis e de grande longevidade, dadas algumas notícias de expectativas defraudadas ao fim de poucos anos de garrafa em vinhos que, supostamente, deveriam trazer muitas e mais alegrias daqui a dez ou vinte (ou mesmo mais) anos?

Um abraço,

Luís Paiva

PS: Peço desculpa pelas questões um pouco taninosas...


Caro Luís Paiva,

Nada tem por que se desculpar. O adjectivo "taninoso" é uma metáfora perfeitamente identificada com a pertinência das suas questões.

1-A sua primeira contém, na realidade, duas questões. 1 (a): creio que só podemos ter verdadeira percepção internacional se a qualidade se desenvolver para um volume expressivo, sem derrapar. Só uma massa crítica que responda ao sucesso da procura alavancada na qualidade, pode dar consistência a essa procura. Creio que o Douro reune condições para isso. 1 (b): não creio em absoluto que as cotações dos críticos sejam influenciadas pelo volume.

2-Tem sido importantíssimo o papel dos media na construção progressiva da percepção dos vinhos portugueses, através da divulgação dos vinhos, "grandes", e "menos grandes". A nível nacional isso é visível em muitas plataformas: na imprensa, não só generalista, como na especializada, também na televisão ("A Hora de Baco", por exemplo), na rádio, e aqui, na net. No estrangeiro, a importância é mais visível na imprensa especializada. A percepção internacional do Douro, em especial, devemo-la naturalmente aos níveis de qualidade atingidos (a realidade) acompanhada da atenção de grandes títulos norte-americanos, britânicos, holandeses, belgas, alemães, holandeses, etc (a percepção). Como de diz habitualmente: "sem percepção, não há realidade".

3-Creio podermos ser optimistas. O processo de acumulação do conhecimento dos vinhos tintos do Douro está na sua infância: apenas cerca de 10 anos. Mesmo assim, têm-se já estado a produzir nesse período vinhos memoráveis. A consistência dos vinhos mais consagrados tem sido mais a regra que a excepção, creio eu. Quanto a expectativas defraudadas de longevidade, sim, podem ter-se dado alguns casos, que creio não serem muitos. Mas não se pode esquecer que no Douro estamos na infância da arte. 10/12 anos em matéria de longevidade é pouco/nada. Gostava de ter a bola de cristal para lhe dizer como vai estar o primeiro DOC Tinto da QR (o de 1996)daqui a dez anos. Até agora, é com surpreendida satisfação que o vejo a ter 10/10 em comportamento.

Um abraço,

João van Zeller
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Visitar a homepage do Usuário
Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Ter Nov 27, 2007 11:27 am    Assunto: Responder com Citação

João van Zeller,

Resistiu com notável bravura à primeira noite de entrevista!
Uma entrevista séria e apaixonante. Parabéns.

Vou-me juntar ao Luis Paiva na vertente taninosa (dos bons)!

Joao van Zeller escreveu:
Outra resposta possível: a aposta na qualidade por parte de um número mais alargado de produtores, por forma a que nas prateleiras de Nova York, Londres, Genève, Amsterdam, São Paulo, etc etc, quando o consumidor vai repetir a compra do vinho português do Douro (por exemplo) que gostou, se não encontra o mesmo, encontre outro de igual qualidade.


Pegando na passagem de cima sigo para um tema que me persegue, globalização e consequências! Pensa que os vinhos actuais perderam algum carácter imprevisto, algumas contradições que em tempos faziam deles vinhos especiais e longevos? Estarão os vinhos hoje mais iguais entre si? Ou ganharam simplesmente em coerência e inteligência mantendo as suas diferenças?

Qual a sua visão do conceito de biodinâmica?
Seria viável a sua aplicação na Quinta de Roriz?
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail Visitar a homepage do Usuário
luiz otávio peçanha



Registrado: Quarta-Feira, 19 de Janeiro de 2005
Mensagens: 1403
Localização: piracicaba/sp/brasil

MensagemEnviada: Ter Nov 27, 2007 1:44 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro João van Zeller,
Primeiramente meus parabéns pela qualidade do vinhos da Quinta de Roriz.

Gostaria de saber qual a sua visão do mercado Brasileiro para os vinhos Portugueses e principalmente para os vinhos do Douro e os vinhos do Porto?

Na minha visão o mercado Brasileiro é bem receptivo para com os vinhos Portugueses e para o vinho do Porto em particular, mas que o quase total desconhecimento para as várias diferenças entre as regiões e tambem para os diferentes estilos de VP, fazem com que os vinhos do Alentejo e os Tawny e Rubi sejam os mais conhecidos, tambem diretamente proporcional ao preço.
Acredito que um politica mais audaciosa de dar de conheçer os vinhos Portugueses, como a mesma politica de se fazer vender os mesmos vinhos e não simplesmente os ter nas prateleiras, resultaria num ganho de escala significativo, aproveitando o momento que muitas pessoas querem aprender um pouco mais sobre vinhos e sair do lugar comum ( no nosso caso dos Argentinos e Chilenos ).
O estreitamento de parceirias tambem poderiam resultar num preço final mais competitivos, onde se ganharia menos, mas em mais.
Talvez o modelo até sirva para o próprio mercado Português.

O que acha deste meu ponto de vista, no meu caso de consumidor?

Abraços
Luiz Otávio
_________________
De vinho em vinho vamos aprendendo um pouquinho.
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular MSN Messenger
Spice Girl



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
Mensagens: 6060
Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Ter Nov 27, 2007 3:44 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro João van Zeller

Em primeiro lugar gostaria de lhe agradecer ter aceite este nosso desafio, assim como a sua participação nesta entrevista cuja leitura me está a dar muito prazer.

Gostaria de lhe deixar também algumas questões, no entanto tenho que reconhecer que me sinto um pouco inibida pois os meus conhecimentos sobre vinho são menos do que básicos. Leia as minhas questões tendo isto em conta. No entanto, todos os dias leio este fórum e, pelo menos, fui-me apercebendo do muito que há para saber e da complexidade que existe em todos os aspectos da produção e consumo do vinho.

Tanto quanto me tenho apercebido na produção de vinho há uma mistura de diversos factores a considerar, de que se podem destacar a criatividade individual (arte), os aspectos científicos e técnicos (ciência) e os aspectos económicos. Relativamente aos dois primeiros aspectos (arte e ciência), há certamente uma ligação forte entre eles. Imagino que para produzir vinhos com qualidade e personalidade, ou seja para que o "artista" consiga expressar o que pretende, tem que dispor das condições técnicas necessárias e dominá-las com algum à vontade. Como pensa que se posiciona a indústria de vinhos portuguesa, nesta época de grande inovação tecnológica, por comparação com a mesma indústria noutros países?
Como é, e como considera que seria desejável que fosse, a ligação entre a indústria de vinhos e a comunidade científica em Portugal?

Um dos assuntos que tem sido discutido frequentemente aqui no fórum tem sido o dos vedantes usados no vinho, e em particular a utilização ou não de rolhas de cortiça. São discussões geralmente com uma grande carga emotiva. Qual é o seu ponto de vista em relação a este assunto? Como está a indústria de vinhos a lidar com este problema?

A um país/região produtor de vinhos está geralmente associado uma componente turística que, tendo em conta o interesse que o vinho actualmente desperta um pouco por todo o mundo, pode ter uma grande expressão económica. Este aspecto de “valor acrescentado” da produção de vinhos, tanto quanto me apercebo, não tem sido suficientemente explorado em Portugal. Qual a sua opinião sobre este assunto e sobre as suas potencialidades?

Como vê a relação existente no casamento, que deveria ser natural, entre os vinhos e a gastronomia? O que fazer para que este casamento se torne mais harmonioso e interessante?

E a lista de perguntas já vai longa...é melhor ficar por aqui...
_________________
"Inquisitiveness was a key feature." Heston Blumenthal
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail
Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Qua Nov 28, 2007 8:19 am    Assunto: Responder com Citação

frexou escreveu:
Caro João Van Zeller,

Gostava de ouvir as suas palavras sobre o terroir da Quinta de Roriz. Consegue descrevê-lo?
Em que é que a Quinta de Roriz se pode diferenciar (pontos fortes, atributos...) em relação às outras quintas do Douro?


Caro Paulo Silva,

À palavra "terroir" eu atribuo, como alguns, o significado de um espaço de terra, cujas características lhe emprestam uma identidade própria, específica, e distinta, particularmente apta à plantação da vinha e produção de vinho.

Os registos históricos da Quinta de Roriz, numerosos e bicentenários, aliados ao que lá hoje se constata, permite-me qualificar Roriz como um autêntico "terroir". Por dois motivos: (1) no perímetro da propriedade, e a cerca de 350 metros acima do nível do rio Douro, existe uma mina de estanho, com muitos resíduos auríferos, cuja início da exploração deve datar da presença romana na Lusitânia. Foi intensamente explorada antes e durante a segunda guerra mundial, e encerrada em 1950. Como resultado disso, os resíduos dessa exploração encontram-se espalhados pelos solos xistosos da maioria das vinhas (que se encontram a uma altitude inferior). Os analistas de diversas especialidades chamam sistematicamente a atenção para o facto de essas componentes geológicas dos solos onde crescem as vinhas emprestarem aos vinhos da Quinta de Roriz uma personalidade muito vincada. Estes pontos de vista vêm-se emitidos no séc XIX e XX, relacionados com o prestígio e os elevados preços atingidos pelos Vinhos do Porto da Quinta de Roriz (sobretudo no séc XIX), e com muita frequência, depois de iniciada a produção do primeiro VT em 1996. (2) A Quinta de Roriz está situada ao longo de cerca de 3 km da margem sul do rio Douro, uns 8 quilómetros a montante do Pinhão. A propriedade que se eleva do rio até ao alto dos montes, e ao contrário da paisagem predominante no Cima Corgo, que é relativamente alcantilada sobre o rio, abre-se numa ampla concha ao longo do rio Douro. Essa concha, com numerosos vales entre as extremas de jusante e de montante, confere uma excepcional exposição ao sol, à humidade, à chuva, e aos ventos, que muito beneficia o processo vegetativo das vides que ali estão plantadas, e das uvas que delas nascem.

Sim, isso é o que creio permitir particularizar, dentro do "terroir" xistoso que é a Zona Demarcada do Douro, um terroir único na Quinta de Roriz, com características de que não conheço réplica.

Além da forte componente histórica da propriedade (eu sou a 7ª geração na posse da propriedade, a qual, por fruto de circunstâncias pouco usuais, sempre se transmitiu de Pai para filho, até hoje), amplamente documentada, e sobre a qual se está a preparar um livro após 4 anos de pesquisa na documentação da casa, há duas castas que marcam a propriedade. Uma marca a diferença: é a Tinta Francisca. Importada da Borgonha pelo fundador escocês da Quinta, por volta de 1760, deve-se ter extinto, pois na segunda metade do séc XIX o meu bisavô Christiano van Zeller, voltou a trazer da Borgonha a mesma casta. O meu Pai, creio que nos anos 60/70, notando de novo o progressivo desaparecimento da FRancisca, foi às Vinhas Velhas do Vale do João Clemente e identificando na mistura de castas dessas vinha as vides da Tinta Francisca, seleccionou as varas, que foram reclonadas. Graças a isso, a Quinta de Roriz tem cerca de 6% de vides da casta Tinta Francisca. Esta casta, segundo analistas da época, foi o motor da fama dos grandes vinhos do Porto da Quinta de Roriz no séc XIX e primeira metade do séc XX. Tem como efeito predominante, um prolongamento do processo de envelhecimento dos vinhos em que é incluída.

Outra casta que marca a propriedade e a marca Roriz é a Tinta Roriz. Trazida de Espanha pelo meu bisavô Christiano (trata-se do tempranillo), a casta vingou particularmente bem na Quinta, e começou a ser procurada, primeiro pelos vizinhos, e depois de forma mais alargada. De onde vinha? De Roriz. Boa Tinta!, (diz-se de um bom tinto no norte). tinta de Roriz, Tinta Roriz.

Um abraço,

João van Zeller
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Visitar a homepage do Usuário
Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Qua Nov 28, 2007 9:00 am    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
João van Zeller,

Resistiu com notável bravura à primeira noite de entrevista!
Uma entrevista séria e apaixonante. Parabéns.

Vou-me juntar ao Luis Paiva na vertente taninosa (dos bons)!

Joao van Zeller escreveu:
Outra resposta possível: a aposta na qualidade por parte de um número mais alargado de produtores, por forma a que nas prateleiras de Nova York, Londres, Genève, Amsterdam, São Paulo, etc etc, quando o consumidor vai repetir a compra do vinho português do Douro (por exemplo) que gostou, se não encontra o mesmo, encontre outro de igual qualidade.


Pegando na passagem de cima sigo para um tema que me persegue, globalização e consequências! Pensa que os vinhos actuais perderam algum carácter imprevisto, algumas contradições que em tempos faziam deles vinhos especiais e longevos? Estarão os vinhos hoje mais iguais entre si? Ou ganharam simplesmente em coerência e inteligência mantendo as suas diferenças?

Qual a sua visão do conceito de biodinâmica?
Seria viável a sua aplicação na Quinta de Roriz?


Caro Tiago Teles,

A globalização, e o aparecimento das Novas Economias (Médio Oriente, Índia, China) pode encorajar a massificação ainda mais significativa da produção vinícola no Novo Mundo. Aí é possível encontrar vastas extensões de terra disponível para a plantação de vinha e, com custos de produção muito baixos, onde se produzam mais vinhos muito competititivos, de interessante qualidade média, que satisfaçam a emergente e muito diferente procura que se desenha.

Ao mesmop tempo, na UE vai-se encorajar o arranque de cerca de 200.000 hectares de vinha (eram 400.000...). Esta medida passa muito pela constatação da inviabilidade económica de muitas explorações, com custos de produção pouco ou nada competitivos, e vinhos de qualidade média baixa, ou baixa.

Estas são questões de mercado, produto da globalização.

Naqueles vinhos massificados do Novo Mundo creio encontrarem-se muitos mais iguais entre si, apesar de provenientes de meridianos distantes em milhares e milhares de quilómetros.

Apesar disso, no Novo Mundo, produzem-se muitíssimos vinhos "coerentes" ,"inteligentes", que mantêm as diferenças.

Na Europa, os produtores têm que procurar ser competitivos com esse gigantesco desafio do Novo Mundo, e o emergir dos Novos Mercados. E nas diferentes plataformas de qualidade e preço em que se movem, têm condições para manter os perfis que decidiram estabelecer para os seus vinhos, sem perder a especialidade por que optam. E ter sucesso.

Dito isto, concluímos sempre de forma semelhante: o que faz a longevidade, a especialidade, a diferença? Uma única coisa: a busca incessante da qualidade. Ou seja, na qualidade, com independência do que acima fica dito sobre os efeitos das Novas Economias/Globalização/Novo Mundo, continuará a encontrar-se sempre o imprevisto que satisfaz a expectativa, que ajuda a descobrir a coerência do produto que satisfaz a opção do apreciador, a identificar inteligência que surpreende o conhecedor.

Sobre biodinâmica, se me desculpar, apesar de o poder teoricamente fazer, não me pronuncio por insatisfatório conhecimento da matéria.

Um abraço,

João van Zeller
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Visitar a homepage do Usuário
Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Qua Nov 28, 2007 9:40 am    Assunto: Responder com Citação

Spice Girl escreveu:
Caro João van Zeller

Em primeiro lugar gostaria de lhe agradecer ter aceite este nosso desafio, assim como a sua participação nesta entrevista cuja leitura me está a dar muito prazer.

Gostaria de lhe deixar também algumas questões, no entanto tenho que reconhecer que me sinto um pouco inibida pois os meus conhecimentos sobre vinho são menos do que básicos. Leia as minhas questões tendo isto em conta. No entanto, todos os dias leio este fórum e, pelo menos, fui-me apercebendo do muito que há para saber e da complexidade que existe em todos os aspectos da produção e consumo do vinho.

Tanto quanto me tenho apercebido na produção de vinho há uma mistura de diversos factores a considerar, de que se podem destacar a criatividade individual (arte), os aspectos científicos e técnicos (ciência) e os aspectos económicos. Relativamente aos dois primeiros aspectos (arte e ciência), há certamente uma ligação forte entre eles. Imagino que para produzir vinhos com qualidade e personalidade, ou seja para que o "artista" consiga expressar o que pretende, tem que dispor das condições técnicas necessárias e dominá-las com algum à vontade. Como pensa que se posiciona a indústria de vinhos portuguesa, nesta época de grande inovação tecnológica, por comparação com a mesma indústria noutros países?
Como é, e como considera que seria desejável que fosse, a ligação entre a indústria de vinhos e a comunidade científica em Portugal?

Um dos assuntos que tem sido discutido frequentemente aqui no fórum tem sido o dos vedantes usados no vinho, e em particular a utilização ou não de rolhas de cortiça. São discussões geralmente com uma grande carga emotiva. Qual é o seu ponto de vista em relação a este assunto? Como está a indústria de vinhos a lidar com este problema?

A um país/região produtor de vinhos está geralmente associado uma componente turística que, tendo em conta o interesse que o vinho actualmente desperta um pouco por todo o mundo, pode ter uma grande expressão económica. Este aspecto de “valor acrescentado” da produção de vinhos, tanto quanto me apercebo, não tem sido suficientemente explorado em Portugal. Qual a sua opinião sobre este assunto e sobre as suas potencialidades?

Como vê a relação existente no casamento, que deveria ser natural, entre os vinhos e a gastronomia? O que fazer para que este casamento se torne mais harmonioso e interessante?

E a lista de perguntas já vai longa...é melhor ficar por aqui...


Estimada Paulina Mata,

A sua primeira questão é simples de responder: creio que a indústria de vinhos portugueses está, em geral, muito bem apetrechada sob o ponto de vista técnico, acompanhando muito de perto o que se faz fora.

A sua segunda questão é spicy e controversa. A Jancis Robinson publicou um magnífico artigo no Financial Times do passado dia 17 de Novembro. A Paulina Mata vai-me permitir que eu contorne aquilo a que a Jancis chama guerra santa entre a rolha natural e o scewcap. Recomendo-lhe a leitura do artigo: é polémico e, como sempre, erudito, e muito bem escrito. Limitarei a dizer-lhe que a Quinta de Roriz continuará a optar pela rolha de cortiça de topo de gama, vedante que satisfaz os vinhos de qualidade que, produzidos, entregamos vedados de forma muito satisfatória ao consumidor. Índice de sinistralidade no TCA: talvez 3%.

Seu segundo ponto: O turismo enológico em Portugal é muito marcante no Vinho do Porto. As caves de Gaia registam centenas de milhares de visitantes por ano, com interessantes resultados de vendas, ou seja, com objectivo e significativo valor acrescentado. O turismo enológico, noutras áreas e modelos, tem interessantes experiências, mas ainda está balbuciante. Futuro? Sim, se os investimentos forem orientados para o visitante classe AA.

Quanto ao casamento entre o vinho e a gastronomia? Fundamental que seja abençoado pela sua gestão criteriosa. Seria importante que a restauração, seja a de topo, seja a média, criasse condições mais eficazes para a produtividade do casamento: formação de escanções; cartas de vinhos elaboradas com critérios objectivos dos vinhos escolhidos que produzam apetência ao consumidor; identificação sistemática do ano de produção; informação numa linha que conduza o consumidor a uma escolha apropriada para o prato que escolhe; selecções semanais e sérias de vinho a copo, etc. E finalmente, com aplicação de margens que, pela sua moderação, encorajem o cliente, e não não o deixem intimidado pelo preço do vinho (mesmo que caro) que gostaria de beber para integrar o menu escolhido. Ou seja, a restauração só tem a ganhar se trabalhar com critérios consistentes a sua gastronomia com os vinhos que oferece, aperfeiçoando a forma como os oferece, ao cliente.

Um abraço,

João van Zeller
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Visitar a homepage do Usuário
Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Qua Nov 28, 2007 11:38 am    Assunto: Responder com Citação

Joao van Zeller escreveu:
...permite-me qualificar Roriz como um autêntico "terroir".


Eu adicionaria ainda um terceiro motivo para distinguir o terroir da Quinta de Roriz: a sua enorme beleza natural e o seu historial, um local onde as vinhas se devem sentir em perfeita harmonia com a vida que as rodeia, com o seu passado. Quem já subiu o rio Douro de barco ou de comboio, quem já visitou as redondezas, quem conhece a história do vale do Douro, compreenderá o sentido deste terceiro motivo (isto tem um pouco de biodinâmica...apesar da minha formação científica, não me custa crer que uma planta possa ter “sentimento”, que se sinta melhor em determinados espaços e ambientes, que olhe para o seu passado com orgulho!).

- Para além de outros requisitos, não se cozinha bem se não se for provando, ou se não se tiver uma ideia clara do resultado final. Ao pensar neste binómio - provar para sentir a evolução e ter provado para conhecer o objectivo – aproveito para lhe colocar uma primeira pergunta. Porque considero que o aspecto da prova tem um forte impacto no produto final, quais são, para si, os vinhos portugueses e do mundo que mais o marcaram na vida? Quais os estilos que mais aprecia? Quais os perfis que o emocionam?

- No mesmo sentido, pergunto se o estilo da Quinta de Roriz já “existe” ou se ele está em constante adaptação, em constante reinvenção?

- E, terminando por hoje, um dos aspectos mais inquietantes da evolução dos vinhos modernos é o constante aumento do grau alcoólico. De que forma vive a Quinta de Roriz este aspecto?
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail Visitar a homepage do Usuário
Rui Vasconcelos



Registrado: Quinta-Feira, 15 de Julho de 2004
Mensagens: 1126
Localização: Porto

MensagemEnviada: Qua Nov 28, 2007 4:56 pm    Assunto: Responder com Citação

Antes de mais, os meus parabéns pela distinção atribuída ao “Quinta de Roriz Reserva 04”.
Ainda não o provei, mas já sim o de 2003 !
Na altura ( Março 07), pareceu-me um vinho apto a entrar no mercado, mas necessitando ainda de mais algum tempo para ganhar melhor estrutura. De qualquer modo, sem dúvida, já um excelente vinho !

Uma questão (particular):

1 - Curioso que, ao levá-lo à boca ressaltou uma “personalidade diferente”, mais "autenticamente douriense" que noutros Douros.
Será essa particularidade, efeito do Terroir, do blend das castas ou dos processos de vinificação ?

2 – Até que ponto será, que pelo facto de estagiar em barricas de 400 l. em vez das habituais, (diferente micro oxigenação... ? ) possamos traçar uma comparação com a diferença que se verifica entre um vinho de magnum e o mesmo de garrafa comum ?

Outra questão (geral):

Inversamente ao acontecido nos anos vitivinícolas anteriores, este último apresentou-se notoriamente diferente :

Inverno relativamente chuvoso, pode ter contribuído, benèficamente para o restabelecimento das reservas de água nos solos.
As chuvas de Maio, pelo contrário, não ajudaram o fruto.
Os imprevistos meses húmidos de Junho e Julho não foram também um bom contributo.
Ainda em Agosto e princípio de Setembro, as temperaturas médias, baixas, não bebeficiaram a situação.
Posteriores dias quentes até meio de Setembro mostraram-se muito benéficos no que respeita a maturações e equilíbrio ácido.
Mais alguns dias chuvosos nos fins da 2ª quinzena de Setembro, teriam porventura contrariado o normal andamento das vindimas (?) dado o seu normal e relativo longo período de duração, no seu conjunto, verificando-se a falha nas previsões iniciais dos efeitos (ausentes) do “aquecimento global previsto” e consequentemente ainda, verificando-se diferentes e irregulares graus de maturações e acidez nas várias parcelas da Quinta.

Por outro lado, os vinhos poderão ter beneficiado dessas mesmas baixa temperatura e alta humidade, permitindo maturações mais lentas (mas conseguidas), melhor frescura e melhor equilíbrio ácido.

Na sua opinião, quais virão a ser as consequências nos seus e nos dos outros “New Douro”, ( Porto e Vt Doc) desta colheita, nas várias “classes” de vinho (Ruby, Vintage, Tawny, Idade, Colheita ) e quais os resultados reais verificados nas produções (quantidades) ?
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
PortoVintage



Registrado: Quinta-Feira, 24 de Fevereiro de 2005
Mensagens: 667
Localização: Porto

MensagemEnviada: Qua Nov 28, 2007 6:14 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro João van Zeller,

Sei que a Quinta de Roriz não comercializa vinhos brancos.
No entanto, gostaria de saber se existem encepamentos de castas brancas na quinta. Se sim, fazem algum tipo de experiências ou pesquisas para um eventual lançamento no futuro (quer Porto ou Douro)?

Obrigado,
_________________
Luís Brás
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail
hm



Registrado: Quinta-Feira, 6 de Setembro de 2007
Mensagens: 651
Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Qua Nov 28, 2007 6:17 pm    Assunto: Responder com Citação

Um pouco no seguimento da questão anterior, gostava de saber a sua opinião em relação ao tema das alterações climáticas e o Vinho, quais serão os eventuais impactos na viticultura e nas práticas enológicas em Portugal e em particular na região do Douro?

Da sua experiência nesta área acha que se está a pensar em medidas a tomar num futuro mais ou menos próximo, no sentido de minimizar /contornar esta questão ou não se tem ainda muita consciência desta problemática? ( que muitos dizem ser um perigo real outros que é um exagero)

Vai ter lugar em Barcelona, em Fevereiro de 2008, uma conferência internacional sobre este tema “Cambio Climático y Vino 2008”, em que intervêm diversos especialistas de vários países. Estive a ver se havia algum interveniente de Portugal e não encontrava, só depois vi que participará o Bruno Prats.

O que nos poderá dizer, com base na sua intervenção na gestão vitivinícola, àcerca da sensibilidade ambiental por parte de produtores e enólogos, no sentido de tomar medidas de redução de impactes ambientais, tipo utilização de painéis solares, redução da emissão de carbono, gestão de consumos de água, etc?
_________________
Helena Muelle
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
Chapim



Registrado: Sexta-Feira, 22 de Setembro de 2006
Mensagens: 622
Localização: Lisboa/Porto

MensagemEnviada: Qua Nov 28, 2007 6:27 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro João Van Zeller

desde já o meu agradecimento pela sua importantíssima contribuição e disponibilidade para o enriquecimento deste fórum.

Uma simples pergunta: Qual a percentagem de produto que é consumido internamente e exportado? Tintos e VP?

Obrigado e parabéns pelos seus vinhos que são excelentes genuínos.
_________________
Rui Figueiredo

pelo vinho!
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Qui Nov 29, 2007 1:46 pm    Assunto: Responder com Citação

Neste último dia disponível para colocar questões aproveito para felicitar todos aqueles que contribuíram de forma construtiva e, em especial, parabéns ao entrevistado que tanto conhecimento e visão tem “jorrado” neste espaço 2 man down (desde o início das entrevistas on-line que o site tem registado um pico de visitas que começa a colocar em perigo o site da Jancis Robinson!).

Para finalizar, João van Zeller,

- Na sua opinião considera que as vinhas velhas produzem “melhor” vinho que outras vinhas em plena idade madura?

- Existe uma partilha franca e uma comunicação aberta entre diferentes produtores durienses? Provam e comentam os vinhos uns dos outros? Partilham o conhecimento?

- Se não produzisse vinho na região do Douro, qual seria a outra região de eleição?

- Por fim, de todos os vinhos que produziu até hoje, qual é aquele em que sente mais orgulho?
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Enviar E-mail Visitar a homepage do Usuário
joaorico



Registrado: Sexta-Feira, 30 de Dezembro de 2005
Mensagens: 784
Localização: Peniche

MensagemEnviada: Qui Nov 29, 2007 3:42 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro João Van Zeller,

Last questions...


O seu Quinta de Roriz 1996 foi muito aclamado. Tem provado ultimamente? Como se está a aguentar? É que encontrei algumas dessas belezas perdidas por ai....



Agradeço a sua partifipação e envio-lhe um abraço com votos de continuação de sucesso para a sua Quinta de Roriz e seus vinhos,


João Rico
_________________
João Rico

http://pumadas.blogspot.com
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular
Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Qui Nov 29, 2007 7:03 pm    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
Joao van Zeller escreveu:
...permite-me qualificar Roriz como um autêntico "terroir".


Eu adicionaria ainda um terceiro motivo para distinguir o terroir da Quinta de Roriz: a sua enorme beleza natural e o seu historial, um local onde as vinhas se devem sentir em perfeita harmonia com a vida que as rodeia, com o seu passado. Quem já subiu o rio Douro de barco ou de comboio, quem já visitou as redondezas, quem conhece a história do vale do Douro, compreenderá o sentido deste terceiro motivo (isto tem um pouco de biodinâmica...apesar da minha formação científica, não me custa crer que uma planta possa ter “sentimento”, que se sinta melhor em determinados espaços e ambientes, que olhe para o seu passado com orgulho!).

- Para além de outros requisitos, não se cozinha bem se não se for provando, ou se não se tiver uma ideia clara do resultado final. Ao pensar neste binómio - provar para sentir a evolução e ter provado para conhecer o objectivo – aproveito para lhe colocar uma primeira pergunta. Porque considero que o aspecto da prova tem um forte impacto no produto final, quais são, para si, os vinhos portugueses e do mundo que mais o marcaram na vida? Quais os estilos que mais aprecia? Quais os perfis que o emocionam?

- No mesmo sentido, pergunto se o estilo da Quinta de Roriz já “existe” ou se ele está em constante adaptação, em constante reinvenção?

- E, terminando por hoje, um dos aspectos mais inquietantes da evolução dos vinhos modernos é o constante aumento do grau alcoólico. De que forma vive a Quinta de Roriz este aspecto?


Caro Tiago,

A si, e aos que se seguem, as minhas desculpas por estar a demorar a responder: agenda excessiva... Mas aqui estou, valendo mais tarde, que nunca!

Sim, omiti o elemento de beleza da Quinta quando tentei descrever Roriz como um terroir. Do terroir, talvez como em tudo onde joga o "perception", faz parte a boa embalagem. Sim, a embalagem da Quinta de Roriz deve ser das mais espectaculares do Douro, uma complementaridade apenas do monumental do conjunto que é a Região Demarcada. A honrosa apreciação que o Tiago faz à propriedade tem tido tons semelhantes em numerosos documentos publicados, desde os meados do séc XIX até hoje.

Quanto a vinhos que me impressionaram particularmente, tive uma situação única e inolvidável, não em Portugal, nem com vinhos portugueses, mas em Pauillac. Esse grande Senhor que é Jean Michel Cazes recebeu-me a mim, à minha mulher, e a um grupo de amigos num almoço no Château Pichon Longueville, aqui há uns 6 ou 7 anos, e serviu-nos uns millésimés de Pichon Longueville, e de Lynche Bages que, até hoje, ficaram na memória das minhas papilas gustativas. Os quatro vinhos servidos, com uma gastromomia feita à sua medida, eram da década de 80, mas não posso precisar quais anos. Porque é que isto marcou tanto? Respondo: vinhos perfeitos e íntegros, temperatura ambiente correcta, companhia esclarecida em enologia e na cultura que a envolve, ambiente tranquilo, sem barulho, ausência de fumo, gastronomia leve, para deixar sobressair os vinhos, e a personalidade e talento de quem nos recebia. Com vinhos portugueses nunca tive uma experiência semelhante. Mas, se calhar, e no tempo em que a Tinta Pinheira era muito utilizada na região do Dão, o vinho tinto que primeiro me marcou e que nunca esqueci foi um Dão de 1962 da `garrafeira particular da Casa da Ínsua: eu teria 20, 22 anos. Mas certamente o que mais marcou o meu in e subconciente "enológico" foi uma colher de vintage de 1927 que me puzeram na boca 12 horas depois de ter nascido: uma tradição familiar que até hoje se mantém com os recém nascidos. Destes exemplos, os estilos: os Bordéus: aveludados, prolongados, densos, superlativos na elegância; o Dão de 1962, com essa casta essencial Tinta Pinheira que conferia personalidade absolutamente inconfundível aos vinhos dessa região, e eu denominaria o estilo apenas como "inconfundível". Do Vintage 1927 da Quinta de Rorizainda ainda existem umas 20 garrafas: o estilo é de um metafórico Rolls Royce Vintage.

O estilo e a personalidade dos vinhos da Quinta de Roriz parece, ao fim de 10 colheitas de VT, estar a aparecer com consistência para a qual, e vou pedir que me desculpe, não vou utilizar adjectivos. As castas que compõem o Prazo, o Reserva e o Vintage têm variado de ano para ano em cada um deles, em percentagem de cada, e até na própria presença. Isto deve-se ao comportamento, todos os anos diferente, de cada casta. Os´talentosos enólogos que têm assinado os vinhos de Roriz têm sabido gerir as variantes comportamentais das castas para ir refinando o estilo, e consolidar a consistência. O esforço para refinar um estilo próprio, que já é identificado por muitos apreciadores e wine writers, vai continuar.

O teor alcoólico dos vinhos tintos da Quinta de Roriz só excepcionalmente excedeu, e marginalmente, os 14º. A QR vai-se manter nessa linha, as vinhas, as uvas e São Pedro o permitam.

Um abraço,

João van Zeller
Voltar ao Topo
Ver o perfil de Usuários Enviar Mensagem Particular Visitar a homepage do Usuário
Mostrar os tópicos anteriores:   
Novo Tópico   Este Tópico está Bloqueado. Você não pode editar mensagens ou responder    NovaCrítica-vinho.com - Índice do Fórum -> Entrevistas On-line Todos os horários são GMT + 1 Hora
Ir à página Anterior  1, 2, 3  Próximo
Página 2 de 3

 
Ir para:  
Enviar Mensagens Novas: Proibido.
Responder Tópicos Proibido
Editar Mensagens: Proibido.
Excluir Mensagens: Proibido.
Votar em Enquetes: Proibido.


Powered by phpBB © 2001, 2005 phpBB Group
Traduzido por: Suporte phpBB