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Entrevista com João van Zeller (Quinta de Roriz - Douro)
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NCritica
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Registrado: Segunda-Feira, 22 de Janeiro de 2007
Mensagens: 212
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Dom Nov 25, 2007 9:52 pm    Assunto: Entrevista com João van Zeller (Quinta de Roriz - Douro) Responder com Citação

O primeiro entrevistado na área do vinho é João van Zeller, Presidente do Conselho de Administração da Quinta de Roriz e, simultaneamente, membro do Conselho Superior do Instituto do Vinho do Porto e do Douro. Uma escolha que se justifica não só pela projecção que a Quinta de Roriz tem alcançado no mundo do vinho mas também porque, devido ao seu trajecto na área de comunicação, João van Zeller tem uma visão global do mundo da Internet e do seu potencial de comunicação.

Nascido a 15 de Outubro de 1941, e licenciado em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, desde 1968 que João van Zeller vem desenvolvendo uma vasta carreira e experiência profissionais, nas áreas da gestão e consultoria empresariais, tanto em Portugal como no estrangeiro.

Reconhecido pelos seus méritos profissionais, João van Zeller assume-se como um fervoroso adepto e praticante de golf, ténis e vela. Mas, parece ter sido no vinho que encontrou o seu “desporto” favorito. Efectivamente, em meados dos anos 90 abraça o projecto Quinta de Roriz e, escassa década volvida, a marca assume-se como uma referência obrigatória da região duriense.

O impacto mediático gerado em torno do seu Quinta de Roriz 1996, à altura elaborado por António Agrellos da Quinta do Noval, criou uma grande expectativa junto dos consumidores. Mas, simultaneamente, colocou a fasquia muito alta para um projecto tão novo. O tempo tem-se encarregado de confirmar a consistência deste projecto e, actualmente, com a assessoria enológica de Charles Symington e Pedro Correia, o prestígio do nome Roriz estende-se ao vinho do Porto e a uma segunda marca com grande solidez e reconhecimento junto dos consumidores: o Prazo de Roriz.

Ainda recentemente, num comparativo promovido pela revista espanhola Sobremesa e pela portuguesa Revista de Vinhos, juntando numa única prova os melhores vinhos das regiões vinícolas banhadas pelo rio Douro, nos dois lados da fronteira (15 portugueses e 15 espanhóis), o Quinta de Roriz Reserva 2004 foi o 2º classificado (melhor tinto português).

Atento às conjunturas nacional e internacional, o nosso entrevistado é um interlocutor privilegiado para nos dar uma visão global do vinho: do seu… e dos outros.

Caros foristas, na primeira pessoa… João van Zeller.

A entrevista está aberta.
Participem!

Web site: www.roriz.com


Editado pela última vez por NCritica em Dom Dez 02, 2007 9:18 pm, num total de 2 vezes
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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
Mensagens: 1102
Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Seg Nov 26, 2007 2:31 am    Assunto: Responder com Citação

Caro João van Zeller,

Em primeiro lugar permita-me que em meu nome pessoal e em nome da Nova Crítica-vinho o congratule por ter aceite este desafio de se disponibilizar para responder às perguntas dos foristas. Esperemos que outros lhe sigam o exemplo. O consumidor merece...

E, sem mais rodeios coloco-lhe duas questões:

O seu Quinta de Roriz Reserva 2004 acaba de "brilhar" no duelo Douro/Duero, arrebatando um 2º lugar (94 pontos em 100) num total de 30 grandes tintos ibéricos. É este o Quinta de Roriz que idealizou como supra-sumo dos seus vinhos? Até que ponto é possível ir mais longe...?

Prevê, no espaço de uma década, mudanças significativas no perfil geral dos grandes tintos durienses? Em que sentido? E porquê?

Um grande abraço

Pedro
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Abílio Neto



Registrado: Quinta-Feira, 1 de Setembro de 2005
Mensagens: 3677

MensagemEnviada: Seg Nov 26, 2007 9:40 am    Assunto: Responder com Citação

Caro João Van Zeller,

1º, congratulo-me com a sua disponibilidade para neste espaço ajudar-nos a compreender melhor ainda o Vinho, particularmente, os seus, que, para mim, a cada colheita, vão sendo já imperdíveis.

Uma pergunta simples: num país pequeno como Portugal, e até num grande, sendo o Vinho também um negócio, julga possível e útil a existência de uma crítica de vinhos «impolutamente» indenpendente?

Abraços,

Abílio Neto
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José Tomáz Mello Breyner



Registrado: Quarta-Feira, 27 de Novembro de 2002
Mensagens: 5470
Localização: Estoril

MensagemEnviada: Seg Nov 26, 2007 10:07 am    Assunto: Responder com Citação

Caro Joni

Em primeiro lugar os meus parabens pela continuação da obra de teu Pai, bem como pelas boas classificações dos teus vinhos que mostram que um bom gestor é sempre um bom gestor seja em que área fôr.

Gostava de perguntar na tua qualidade de produtor como vês a possibilidade de alcançarmos maior notoriedade no Estrangeiro uma vez que temos uma enorme profusão de marcas e prodizimos muitos vinhos mas em pouca quantidade?

Um abraço amigo

Zé Tomaz
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joaorico



Registrado: Sexta-Feira, 30 de Dezembro de 2005
Mensagens: 784
Localização: Peniche

MensagemEnviada: Seg Nov 26, 2007 10:36 am    Assunto: Responder com Citação

Caro João Van Zeller

Ainda ontem estavamos à conversa queando indicou os vinhos de Bordéus como sendo os melhores vinhos do mundo, no seu entender. (Smile)
Sabendo que a máquina de marketing francesa e mais propriamente a bordalesa, está muito bem montada, gostaria de saber a sua opinião sobre a qualidade do marketing dos vinhos durienses bem como da qualidade de acção prestada pelo IVDP, IVV e Viniportugal.

No seguimento da mesma conversa, mostrou-nos a reacção de seu pai quando você começou por vender uma colheita inteira de vintage ainda novo. Costuma consumir vintages em novos? Acha que se devem beber também em novos?


Por ultimo uma curiosidade minha e que pergunto a muitos produtores...
Gosta mais de Vintages ou de Colheitas?



Abraço e muitos parabéns pelo merecido reconhecimento de um grande vinho, que me agrada sobremaneira.


João Rico
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João Rico

http://pumadas.blogspot.com
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Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Seg Nov 26, 2007 4:35 pm    Assunto: Responder com Citação

É com muito gosto que o recebemos neste espaço de partilha com o consumidor. Um enorme agradecimento por ter aceite este desafio. Sigo então para as questões:

Como definiria um vinho puramente Douro, um vinho que em prova cega nos faz de imediato dizer, isto é um Douro?

Um vinho deve exprimir o carácter de um local ou o carácter do seu criador?
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alentejano



Registrado: Domingo, 27 de Outubro de 2002
Mensagens: 4168
Localização: Vila Viçosa

MensagemEnviada: Seg Nov 26, 2007 8:11 pm    Assunto: Responder com Citação

Como é feita a gestão das melhores uvas a quando da escolha do seu destino, seja para Vintage ou para o Reserva ?
Há maior tendência em colocar as melhores uvas para Vintage ou para Reserva ?
Nunca se teve a tentação de em ano excepcional se optar por aumentar a produção de um tipo de vinho em relação a outro ?
_________________
João Pedro Carvalho
Alentejo, uma paixão.
http://copod3.blogspot.com
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frexou



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
Mensagens: 1202
Localização: Porto

MensagemEnviada: Seg Nov 26, 2007 8:18 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro João Van Zeller,

Gostava de ouvir as suas palavras sobre o terroir da Quinta de Roriz. Consegue descrevê-lo?
Em que é que a Quinta de Roriz se pode diferenciar (pontos fortes, atributos...) em relação às outras quintas do Douro?
_________________
Um abraço
Paulo Silva
http://vinhodacasa.blogspot.com
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Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Seg Nov 26, 2007 9:31 pm    Assunto: Responder com Citação

Pedro Gomes escreveu:
Caro João van Zeller,

Em primeiro lugar permita-me que em meu nome pessoal e em nome da Nova Crítica-vinho o congratule por ter aceite este desafio de se disponibilizar para responder às perguntas dos foristas. Esperemos que outros lhe sigam o exemplo. O consumidor merece...

E, sem mais rodeios coloco-lhe duas questões:

O seu Quinta de Roriz Reserva 2004 acaba de "brilhar" no duelo Douro/Duero, arrebatando um 2º lugar (94 pontos em 100) num total de 30 grandes tintos ibéricos. É este o Quinta de Roriz que idealizou como supra-sumo dos seus vinhos? Até que ponto é possível ir mais longe...?

Prevê, no espaço de uma década, mudanças significativas no perfil geral dos grandes tintos durienses? Em que sentido? E porquê?

Um grande abraço

Pedro


Caro Pedro,

A sua interpelação é a primeira: muito obrigado a si, e a todos os que a si se lhe seguirem, pelo interesse na Quinta de Roriz.

No "duelo" Douro/Duero, sabe bem uma vitória global dos vinhos do Douro português sobre os vinhos do Duero espanhol... (velhas guerras...)E sendo a prova céga, nessa vitória os taninos são mais expressivos!

Devo confessar que na Quinta de Roriz se tem tentado ir acima do que aconteceu com o Roriz Rereva 2004. Uma das tentativas tem sido um modelo semelhante ao do vencedor absoluto, que apenas produz 1500 garrafas que põe no mercado acima de €300, um valor mais de dez vezes superior ao Roriz Reserva. Ou seja, uma mini produção onde o génio do enólogo pode ser satisfeito ao limite, encontrando o desenho perfeito para a matéria prima de que dispõe, materializando o vinho com que sonha. As mini-vinificações realizadas com esse objectivo têm acabado por ser lotadas no Reserva, melhorando-lhe o nível de qualidade.

Mas a aposta continua.

Quanto a mudanças significativas no perfil dos VT do Douro nos próximos 10 anos: só posso antever melhorias, que espero sejam visíveis e consolidadas. Não podemos esquecer que os VT DOC de grande qualidade do Douro só começaram a ser produzidos há cerca de 10 anos (com uma excepção marcante que todos conhecemos). E nestes 10 anos passados, muitos enólogos estiveram ainda a melhorar e a aperfeiçoar os seus conhecimentos em relação ao comportamento dessa novidade que é o VT Douro DOC em geral, e a enriquecer o conhecimento das complexas características de muitas castas menos utilizadas. Os vinhos do Douro vão certamente beneficiar muito dessa experiência adicional.

Um abraço do

João van Zeller
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Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Seg Nov 26, 2007 11:41 pm    Assunto: Responder com Citação

Abílio Neto escreveu:
Caro João Van Zeller,

1º, congratulo-me com a sua disponibilidade para neste espaço ajudar-nos a compreender melhor ainda o Vinho, particularmente, os seus, que, para mim, a cada colheita, vão sendo já imperdíveis.

Uma pergunta simples: num país pequeno como Portugal, e até num grande, sendo o Vinho também um negócio, julga possível e útil a existência de uma crítica de vinhos «impolutamente» indenpendente?

Abraços,

Abílio Neto


Caro Abílio Neto,

Na vida profissional dedicada aos media (1992-2005), tanto dentro da minha empresa, como representando os media portugueses na respectiva Confederação, creio ter sido pública e notória a minha intransigente defesa da independência editorial das redações e dos jornalistas.

Na experiência vivida na área do wine writing, tanto do lado dos media, como do lado do vitivinicultor, tenho um nível alto de satisfação com o grau de independência e profissionalismo que tenho encontrado em Portugal no domínio da crítica de vinhos. Mais: creio que a actividade vitivinícola portuguesa deve muito à qualidade e quantidade de jornalismo, literatura e edição vinícola que é publicada em Portugal.

Um abraço

João van Zeller
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Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Ter Nov 27, 2007 12:11 am    Assunto: Responder com Citação

José Tomáz Mello Breyner escreveu:
Caro Joni

Em primeiro lugar os meus parabens pela continuação da obra de teu Pai, bem como pelas boas classificações dos teus vinhos que mostram que um bom gestor é sempre um bom gestor seja em que área fôr.

Gostava de perguntar na tua qualidade de produtor como vês a possibilidade de alcançarmos maior notoriedade no Estrangeiro uma vez que temos uma enorme profusão de marcas e prodizimos muitos vinhos mas em pouca quantidade?

Um abraço amigo

Zé Tomaz


Caro Zé Tomás,

Fico muito sensibilizado por recordares a obra do meu Pai. Sem esse "campeão" do Douro (fez cerca de 60 vindimas na Quinta de Roriz) a minha vida profissional, que decorreu em grande parte no estrangeiro, sem qualquer relação com o vinho, jamais teria adquirido o interesse que adquiriu pelo Douro e por Roriz nestes últimos 12 anos.

A resposta à pergunta é difícil.

Entre muitas, uma possível (e com um exemplo concreto) é a qualidade da comunicação. A Quinta de Roriz está envolvida, com mais 17 produtores de referência, num Projecto denominado "New Douro", em que, de forma totalmente independente, nos apresentamos conjuntamente no estranjeiro à imprensa, ao trade, e aos escanções. O último evento teve lugar em Londres, há menos de um mês, no andar panorâmico (o último) da "Tate Modern", esse extraordinário Museu que está na margem direita do Tamisa, mesmo em frente à Catedral de São Paulo, ocasião em que apresentámos ao mercado britânico os nossos vinhos de 2005. A afluência e a qualidade dos interessados excedeu as expectativas, e permite alguma margem de optimismo para aquele dificílimo mercado. Razões do êxito: massa crítica na elevada qualidade dos vinhos apresentados, PR muito bem conduzidas, local de prestígio, percepção da marca "Douro". Houve 2 seminários de muito nível sobre o Douro e os seus vinhos, que tiveram a plateia cheia, interessada, e encorajada pela qualidade das intervenções.

Outra resposta possível: a aposta na qualidade por parte de um número mais alargado de produtores, por forma a que nas prateleiras de Nova York, Londres, Genève, Amsterdam, São Paulo, etc etc, quando o consumidor vai repetir a compra do vinho português do Douro (por exemplo) que gostou, se não encontra o mesmo, encontre outro de igual qualidade.

Um abraço amigo do

João van Zeller
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mlpaiva



Registrado: Quarta-Feira, 30 de Outubro de 2002
Mensagens: 4960
Localização: where the streets have no name ;-)

MensagemEnviada: Ter Nov 27, 2007 12:40 am    Assunto: Responder com Citação

Joao van Zeller escreveu:
(...) Ou seja, uma mini produção onde o génio do enólogo pode ser satisfeito ao limite, encontrando o desenho perfeito para a matéria prima de que dispõe, materializando o vinho com que sonha.


Caro João van Zeller,

1) Pegando nas suas próprias palavras, um grande vinho será necessariamente de produção diminuta ou, havendo matéria prima qb, e sabendo que cesteiro que faz um cesto faz um cento, cai por base o argumento de que só podemos ser grandes internacionalmente quando produzirmos grandes vinhos em grandes quantidades?
Dizendo de outro modo, será que os nossos vinhos seriam mais bem cotados pelos críticos internacionais se fossem produzidos em quantidades maiores?

2) É sabido que o vinho se faz na vinha e, consequentemente, na adega. Mas... é suficiente? Qual o papel dos media (críticos incluídos) na "criação"/"incubação" de "GRANDES VINHOS"?

3) Salvo as conhecidas excepções, a história dos vinhos do Douro mal começou. Quais as expectativas da actual mainstream conduzir a vinhos memoráveis e de grande longevidade, dadas algumas notícias de expectativas defraudadas ao fim de poucos anos de garrafa em vinhos que, supostamente, deveriam trazer muitas e mais alegrias daqui a dez ou vinte (ou mesmo mais) anos?

Um abraço,

Luís Paiva

PS: Peço desculpa pelas questões um pouco taninosas...
_________________
Luís Paiva

Never increase, beyond what is necessary, the number of entities required to explain anything.
William of Ockham (1285-1349), Luís Paiva (1950-20??) Snakeman
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Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Ter Nov 27, 2007 12:58 am    Assunto: Responder com Citação

joaorico escreveu:
Caro João Van Zeller

Ainda ontem estavamos à conversa queando indicou os vinhos de Bordéus como sendo os melhores vinhos do mundo, no seu entender. (Smile)
Sabendo que a máquina de marketing francesa e mais propriamente a bordalesa, está muito bem montada, gostaria de saber a sua opinião sobre a qualidade do marketing dos vinhos durienses bem como da qualidade de acção prestada pelo IVDP, IVV e Viniportugal.

No seguimento da mesma conversa, mostrou-nos a reacção de seu pai quando você começou por vender uma colheita inteira de vintage ainda novo. Costuma consumir vintages em novos? Acha que se devem beber também em novos?


Por ultimo uma curiosidade minha e que pergunto a muitos produtores...
Gosta mais de Vintages ou de Colheitas?



Abraço e muitos parabéns pelo merecido reconhecimento de um grande vinho, que me agrada sobremaneira.


João Rico


Caro João Rico,

Tive grande prazer em conversar ontem consigo, no excelente evento organizado pela Essência do Vinho no Convento do Beato.

Tenho dificuldade em responder à primeira questão com propriedade, pois tenho estado pouco ligado às iniciativas que essas Instituições, com muito mérito, levam a cabo. Apesar disso, não tenho dúvida em dizer que deve ser reconhecido que as acções das Instituições que refere são fundamentais para o sector, muitas delas conduzidas com grande empenho, apesar das grandes dificuldades que, com frequência, têm de contornar (entre outras, as orçamentais).

Quanto à questão dos Vintages novos, devo reconhecer que em 2001, quando a Quinta de Roriz declarou o seu Vintage de 1999, o meu Pai, nessa altura com uns jovens 93 anos, ficou indignado. Ele era um intelectual que eu apelaria de "contemporâneo", convivendo com o mundo do séc XXI com total à vontade. E como tal, depois de provados e comparados à exaustão o aquele Vintage com o 1970, e o 1985, acabou por reconhecer que o mercado americano tinha tido enorme mérito em descobrir e dar a conhecer ao mundo o significado da excelência de um Vintage Novo. Pelo que a mim me toca, encontro nos Vintages novos de referência características do prazer encontrado na sua degustação, só equivalentes a alguns dos melhores vinhos que encontrei no mundo, nomeadamenente alguns millésimés de Bordéus. Os Vintages velhos são, por outo lado, o ex-libris do Douro. São mais licorosos que os novos, e dão um prazer na degustação muito diferente. Menos musculados, talvez, onde os sabores à vegetação que são o entorno da vinha estão mais diluídos. No entanto, um bom 1927 ou um bom 1970, deixa o apreciador em êxtase. Os novos, são mais atrevidos, mais intensos, mais exigentes, mais complexos: quando bons, são uma experiência única.

Ao considerar o Porto Vintage o Rolls Royce dos Portos, percebe imediatamente como os comparo com os Colheitas.

Agradeço a si os parabéns pelo reconhecimento dos vinhos da Quinta de Roriz. Endosso-os com prazer ao agrónomo e aos enólogos que têm com saber e dedicação, materializar esse reconhecimento.

Um abraço,

João van Zeller
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Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Ter Nov 27, 2007 1:31 am    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
É com muito gosto que o recebemos neste espaço de partilha com o consumidor. Um enorme agradecimento por ter aceite este desafio. Sigo então para as questões:

Como definiria um vinho puramente Douro, um vinho que em prova cega nos faz de imediato dizer, isto é um Douro?

Um vinho deve exprimir o carácter de um local ou o carácter do seu criador?


Meu caro Tiago Teles,

Nada tem de me agradecer. Para mim é uma honra poder partilhar este espaço consigo e com consumidores esclarecidos e interessados como os que vejo participarem nesta plataforma tão estimulante como é a NovaCrítica-vinho.com.

Definir é uma ciência. Permita-me que me limite a tentar, apenas, transmitir como identifico um vinho do Douro. Em primeiro lugar as castas, algumas das quais estão coladas à região, como a Touriga Franca, a Touriga Nacional, a Tinta Barroca, a Tinta Roriz, o Sousão, a Tinta Amarela, a Tinta Francisca, etc, quando nadas e criadas no xisto e nas condições climáticas do Douro Cima Corgo, dão aos vinhos que originam, BI próprio do Douro. Não sou capaz de adjectivar uma prova, como o fazem os enólogos habilitados ou os escritores inspirados pela complexidade e beleza de um bom vinho. Mas, na minha qualidade de modesto consumidor algo esclarecido, consigo muitas vezes encontrar no que acima refiro o "isto é um Douro", e o que faz a diferença vis à vis vinhos de outras regiões/ países. O que não impede obviamente que, numa prova cega, eu me possa facilmente deixar surpreender.

Quanto à dualidade local/criador: os vinhos do Douro de qualidade( e de muitas outras regiões de forte identidade), exprimem obviamente o local, seja quem ou qual for o criador. Ao criador compete dar o melhor da sua arte à matéria prima que tem disponível. Ou seja, neste exemplo: terra, primeiro; criador, em paralelo, para dar glória àquilo que lhe é concedido criar.

Um abraço reconhecido do

João van Zeller
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Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Ter Nov 27, 2007 2:03 am    Assunto: Responder com Citação

alentejano escreveu:
Como é feita a gestão das melhores uvas a quando da escolha do seu destino, seja para Vintage ou para o Reserva ?
Há maior tendência em colocar as melhores uvas para Vintage ou para Reserva ?
Nunca se teve a tentação de em ano excepcional se optar por aumentar a produção de um tipo de vinho em relação a outro ?


Estimado Alentejano,

As castas variam de comportamento de ano para ano. As parcelas onde essas castas se situam, e as condições climatéricas de cada ano aliadas à respectiva exposição, são factores de variação também "comportamental" das vinhas.

Chegado a meados de Agosto, iniciam-se análises exaustivas das uvas, em função das castas, em função das parcelas e da respectiva exposição. Essas análises de maturação permitem definir uma cronologia de vindima, e um destino das uvas, ou para VT ou para VP. Como regra na Quinta de Roriz têm sido seleccionadas para Vintage as uvas das vinhas velhas ("Vale do João Clemente" e "Olival Roubado") que têm uma idade média de 60 anos. Os enólogos responsáveis pela vindima têm decidido, em função de uma série de dados técnicos relativos às castas mais apropriadas naquele ano para o Vintage, adicionar às uvas das vinhas velhas, uvas de outras vinhas. Para o Reserva, têm sido seleccionadas as uvas da vinha dos "Linhares", que tem diversas castas plantadas por separado em parcelas relativamente pequenas. Há uma selecção adicional que segue um critério exclusivamente técnico. Os resultados destes métodos de selecção têm sido excelentes.

A Quinta de Roriz produz os seus vinhos exclusivamente com uvas da própria Quinta, todas escolhidas à mão na vide, e depois reseleccionadas no tapete de escolha da recepção. As opções do tipo de VTs a que se destinam as uvas depende dos critérios de qualidade dos enólogos, em função de objectivos teóricos de produção que conhecem de antemão. Acrescente-se que uma percentagem variável de vinho, tanto VT como VP, e que não preenche as características de qualidade estipuladas, não é engarrafado com as marcas da Quinta de Roriz (VT Reserva, VT Prazo, e VP Vintage), mas sim vendido a granel.

Em matéria de tentações, a que refere nunca ocorreu, por questões de rigor.

Um abraço duriense,

João van Zeller
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