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Entrevista com Rui Reguinga (Enólogo)
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rui reguinga



Registrado: Domingo, 25 de Mai de 2008
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Localização: Santarem

MensagemEnviada: Sex Jun 20, 2008 8:35 am    Assunto: Re: Aposta noutros mercados? Responder com Citação

zepinto escreveu:
Eu sei que a discussão tem estado centrada no mercado doméstico mas além fronteiras... como pensa que o vinho português pode competir com os demais? Ao exportar para outros países (na Ásia) qual a mais valia do vinho português? E do vinho que faz?


Caro Jose

O mercado global do vinho está de facto bastante competitivo, para ter sucesso neste mercado é essencial o primeiro ´passo : termos boa qualidade, e felizmente esse passo ja foi dado, o segundo passo: termos o reconhecimento dessa qualidade; e aqui começam os problemas com o vinho português, pois um consumidor nos USA, pode pagar 150 dolares por um vinho françês, italiano, californiano, etc. mas dificilmente o vai fazer por um vinho português. O trabalho de promoçao que a Viniportugal, tem feito nos ultimos anos, tem ajudado a mudar pouco a pouco, este problema, mas temos que considerar que a imagem de um pais neste mercado global , demora muito tempo.
A mais valia do vinho português , é sem duvida as castas portuguesas, que podem fazer a diferença, para os outros paises produtores, mas também aqui temos que ter a noção, que as "nossas" castas vão levar algum tempo para serem reconhecidas, na minha opinião, o caminho passaria por incentivar a plantação das nossas castas nos outros paises produtores, essencialmente do Novo Mundo. Como exemplo temos o Tempranillo, plantado na Australia; Chile; Argentina; California.
Nos vinhos que faço para o mercado de exportação, utilizo como estrategia, um blend com base nas castas portuguesas, mas utilizando uma pequena percentagem de uma casta dita internacional: cabernet ou syrah, ou merlot, etc.

Um abraço,

RR
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rui reguinga



Registrado: Domingo, 25 de Mai de 2008
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MensagemEnviada: Sex Jun 20, 2008 8:52 am    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
7. O vinho Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs 2005 (80% Syrah, 8%Touriga Franca, 7% Touriga Nacional e 5% Alicante Bouschet) é elaborado com base num lote original, exprimindo com clareza algumas das castas que estão na sua origem. É um vinho especial, volumoso, rico, por vezes no limite do excesso mas que acaba por ser muito Alentejo no estilo apesar de fugir às tradicionais Aragonez e Trincadeira. De que forma interpreta este vinho? Qual é a sua opinião sobre as potencialidades da zona de Arraiolos na produção de vinhos de qualidade? O que a difere de outras regiões alentejanas?


_ Este vinho do Monte da Ravasqueira, é demonstrativo do estilo e do potencial desta marca, porque se este lote é de facto pouco comum no Alentejo, é este o caminho que pretendemos na Ravasqueira, pois que temos que nos diferenciar com originalidade e qualidade neste competitivo mercado. Embora não queiramos de todo fugir a origem ( terroir), do vinho.
Como estou no Alentejo de Norte ( Crato- Herdade do Gamito) a Sul ( Beja-Paço do Conde), posso facilmente comparar a zona de Arraiolos, e de facto está muito mais proxima, nas caracteristicas de clima e solos com o Norte alentejano do que com o Sul. De facto estas caracteristicas refelectessem -se nos vinhos, com mais frescura, mais potencial de evoluçao em garrafa, fruta mais fresca, e menor graduaçao alcoolica ( um factor importante nalguns mercados estrangeiros).
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rui reguinga



Registrado: Domingo, 25 de Mai de 2008
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MensagemEnviada: Sex Jun 20, 2008 9:24 am    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
8. Nos lotes dos vinhos da Casa Cadaval, a Trincadeira surge invariavelmente em posição de destaque. Uma casta que, aliás, deu fama no início dos anos 90 aos vinhos da Casa Cadaval. O lançamento do novo Trincadeira Vinhas Velhas pretende recuperar essa imagem? Qual é a sua visão desta casta? Potencialidades? A introdução recorrente da Touriga Nacional nos lotes da Casa Cadaval não pode retirar algum protagonismo ao perfil da Trincadeira? De que forma gere a forte personalidade aromática da Touriga Nacional?


_ De facto na Casa Cadaval devemos bastante á casta Trincadeira, que foi durante muitos anos o nosso "grande" vinho, sendo depois substituido em 2003 pelo Marquesa de Cadaval. O Trincadeira Casa Cadaval, sempre foi produzido a partir de uma vinha muito velha ( cerca de 60 anos), embora não fizessemos referencia no rotulo, portanto esta nova designação vem dar mais esta informação ao consumidor.
A Trincadeira é uma casta dificil, pois está muito dependente do clima, durante o seu periodo de maturação até a colheita: principalmente se temos chuva (e então não temos Trincadeira). Mas é uma casta com um caracter varietal muito forte e portanto uma personalidade distinta .
A Touriga Nacional, cuja vinha tem actualmente cerca de 12 anos, tem para nós também uma grande importancia pois entra no lote Marquesa de Cadaval numa percentagem elevada ( 70%), sendo 30% de Trincadeira ( vinha velha) e 10% Alicante, portanto são 2 castas fundamentais nos vinhos da Casa Cadaval, e prtendemos manter apenas o Trincadeira como monovarietal, para não lhe retirar o protagonismo, que hoje evidentemente tem.
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rui reguinga



Registrado: Domingo, 25 de Mai de 2008
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MensagemEnviada: Sex Jun 20, 2008 10:07 am    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
9. Os vinhos da Quinta dos Roques fazem a delícia dos consumidores desde a década de noventa. O que significou para si colaborar na reestruturação deste projecto? De que forma convive com o “verdadeiro” carácter da Touriga Nacional no Dão? Qual é a sua visão sobre as potencialidades desta casta?

10. A Quinta dos Roques também é conhecida pela qualidade dos seus brancos, em especial o monocasta Encruzado e uma raridade chamada Barcelo. Elaborar um branco é muito diferente de elaborar um tinto? Qual é o potencial dos vinhos brancos nacionais?


Foi para mim uma honra ser convidado para este projecto, mas também um grande desafio, pois os vinhos da Quinta dos Roques já eram bastante reconhecidos, e eu estava a começar a minha propria emresa de consultoria. Estou bastante satisfeito em ser o enologo deste projecto, que tem de facto um grande potencial, sobretudo nas vinhas de Touriga e Encruzado.
No Dão a casta Touriga Nacional, sente-se em casa, e isso refelcte-se nos vinhos que produz aqui. Já refenceie esta minha opinião, tambem noutras entevistas, e acho que os melhores vinhos monovcrietaois de Touriga Nacional, são produzidos no Dão, e a conjugaçao do clima e solos ( graniticos), permite produzir vinhos de boa concentração e grande elegancia.
Acho que o potencial da casta Touriga Nacional é enorme, e ainda não está totalmente explorada; se reflctirmos um pouco e vericarmos que a grande parte destes grandes Tourigas não são produzidos de vinhas velhas...!
Os brancos são mais dificeis de elaborar, porque estão mais dependentes da tecnologia, e os tintos são menos "exigentes" ( apenas um lagar para fermentar, e pode nascer um grande vinho). Mas ambos estão dependentes de boa materia prima ( uvas).
Os brancos nacionais estao mais limitados, relativamente ao nosso clima, que os tintos; geograficamente temos algumas zonas onde podemos fazer grandes brancos ( o Dão é uma delas), mas temos que de facto concluir que na maioria do territorio temos solos e clima de tintos.
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tombalobos



Registrado: Sábado, 26 de Novembro de 2005
Mensagens: 108
Localização: Portalegre

MensagemEnviada: Sex Jun 20, 2008 12:36 pm    Assunto: Responder com Citação

Meu carissimo amigo,

Já cheguei atrasado já não te posso fazer perguntas, mas não resisti a mandar-te um abraço de parabens pelo execelente trabalho que tens feito nesta e noutras regiões. Ao fim e ao cabo foste tu que me ensinaste a provar vinhos.

Um grande abraço

José Júlio
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mlpaiva



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Localização: where the streets have no name ;-)

MensagemEnviada: Sex Jun 20, 2008 9:53 pm    Assunto: Responder com Citação

Spice Girl escreveu:
Tomei consciência agora que hoje é o último dia para fazer perguntas...

Eu também, e isto foi ontem, mas com a m* do jogo de futebol, esqueci-me e deixei passar a oportunidade... Sad

Aliás, penso que o RR e todos nós fomos muito penalizados pelo facto das mentes estarem sintonizadas para outra(s) onda(s) ou mesmo nenhumas, o que é de lamentar.

Os meus parabéns por, malgré tout, ter bem superado estas contrariedades.

Gostaria, no entanto, de deixar uma reflexão: RR, por diversas vezes, utilizou o termo "consumidor" termo que abomino porque cheira a contribuinte o que, mutatis mutandis, cheira a fatalidade incontornável...
O termo "enófilo" é elitista e, como tal, tem um alcance muito restrito. Haverá outro?
Já agora, qual o primeiro olhar quando a uva chega ao tegão? O vinho possível, provável ou o "consumidor"?
_________________
Luís Paiva

Never increase, beyond what is necessary, the number of entities required to explain anything.
William of Ockham (1285-1349), Luís Paiva (1950-20??) Snakeman
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rui reguinga



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MensagemEnviada: Dom Jun 22, 2008 4:32 pm    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
11. O Tributo é um sonho francês. Porquê um lote com castas utilizadas no vale do Rhone? Que “peça musical” encarna este vinho? Qual é a melodia que pretende transmitir ao consumidor?


O Tributo foi o vinho que eu tinha idealizado fazer um dia : um tinto ribatejano; castas da cote-du-rhone ( syrah, grenache, mouvedre, viognier); pouca tecnologia ( apenas um lagar inox); barricas "premium" de carvalho françês ( seguin moreau, saury, cadus). Apenas o nome não era o que estava previsto, mas com a fatalidade de perder o meu pai no ano em plantamos a vinha, o nome passou a ser sem duvida _ Tributo.
Portanto para além de tudo em termos sentimentais o que este vinho significa para mim, também me orgulho de mostrar um perfil ou um "caminho" diferente dos vinhos tintos ribatejanos : complexos, frescos, suaves e elegantes.
F
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rui reguinga



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MensagemEnviada: Dom Jun 22, 2008 4:45 pm    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
12. O Terrenus vem do norte do Alentejo. Porquê o norte do Alentejo? Porquê este “terreno” de eleição?


Desde o inicio da minha carreira como enologo, que estou envlovido na regiao de Portalegre, por exemplo em 1991 a minha primeira vindima foi feita na Tapada do Chaves (entre outras), e portanto esta minha paixao, nao so pelos vinhos, mas tambem pela regiao ( a Serra de S. Mamede, Marvão, Castelo de Vide, etc,) sempre me despertou para passar aqui grande parte dos meus fins de semana.
Também acho que este "terroir" especial e diferente do Alentejo pode fazer vinhos distintos e com um perfil mais elegante, mais fresco, mais equilibrado.
O nome Terrenus esta relacionado, com tudo isto, e portanto é uma homenagem á terra de Portalegre e ao "terroir" da Serra de S. Mamede.
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MensagemEnviada: Dom Jun 22, 2008 5:10 pm    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
13. Richard Mayson. Porquê uma parceria com um jornalista de renome internacional? O que pode o consumidor esperar deste projecto?


O projecto com o Richard, nasceu pelo facto de sermos amigos á algum tempo e partilharmos uma paixão comum pelos vinhos e a regiao da Serra de S. Mamede. Curiosamente fomos descobrindo que o nosso conceito enologico e o estilo de vinhos preferidos, se aproximava bastante, e constatavamos isso quando nos encontravamos em jantares quer em Londres, quer em minha casa em Santarem.
O projecto iniciou-se em 2004, quando o Richard comprou a Quinta do Centro , situada a 600m de altitude, no melhor "terroir" da Serra de S. Mamede. Em 2005 foi constituida a sociedade Sonho Lusitano Vinhos, onde entro como socio do Richard, e arrendamos os 12 ha de vinha da Quinta . O nosso primeiro vinho foi o Pedra Basta 2005, e lançamos recentemente a colheita 2006.
Com este vinho pretendemos, abranger o consumidor português e o consumidor ingles, e portanto o estilo por um lado tem como base as castas portuguesas ( Aragonez e Trincadeira), mas por outro pretende um estilo internacional, utilizando com menor percentagem as castas ( Alicante e Cabernet) .Conjugando os esforços dos 2 socios, pretendemos comercializar metade da produçao em Portugal e medade em Inglaterra.
Espero sinceramente, que esta parceria com o Richard Mayson, e a colocaçao em Inglaterra de um vinho no segmento medio/alto, possa ajudar a prestigiar os vinhos portugueses nesse mercado extremamente dificil e competitivo.
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MensagemEnviada: Dom Jun 22, 2008 9:04 pm    Assunto: Responder com Citação

Pedro Gomes escreveu:
Caro Rui Reguinga,

Reforçando a ideia inicial transmitida pelo Tiago, é muito gratificante poder contar com uma colaboração tão preciosa como a sua. Certamente que todos teremos a aprender com a visão de alguém com uma tão larga experiência no mundo da enologia.

E passando desde já às perguntas:

1- Já muitos vaticinaram as enormes virtudes da casta Malbec e, efectivamente, grande parte da projecção argentina está a ser conseguida um pouco a reboque desta casta. Que méritos lhe encontra? Quais os maiores contratempos que coloca no plano vitícola? É casta para poder vingar em formato monovarietal, à escala global? Poderá vir a funcionar bem em parceria com algumas das nossas castas? E em caso afirmativo, quais seriam as associações a privilegiar? E as regiões nacionais com maior potencial?

2- Da vasta experiência que tem do mundo do vinho, e em termos de projecção internacional, como definiria a realidade argentina por comparação com o universo nacional?

3- Concorda com a ideia que o Ribatejo ainda não conseguiu produzir um "vinhão"? Em caso afirmativo, a que atribui esse facto?

Um grande abraço e... até já!

Pedro


Caro Pedro

Também lhe quero agradecer o convite e dizer-lhe que tive muito gosto em participar neste forum , infelizmente esta foi uma semana complicada para mim do ponto de vista profissional, e desde que esta entrevista começou á uma semana atrás ja fiz uns largos kms de norte a sul . Também o nosso "desgosto" do futebol, não ajudou moralmente...!
_ Realativamente ao seu comentario da casta Malbec, eu diria mesmo que todo o sucesso e promoçao dos vinhos argentinos assenta nesta casta ( e fará sentido uma campanha de promoçao assentar em varias castas...?). Conheço bem esta casta pela minha experiencia na Argentina, e de facto é a casta mais facil e versatil de trabalhar que eu conheço, isto é, permite elaborar vinhos simples, do dia-a-dia, com fruta, macios, suaves; até grandes vinhos, bastante complexos, encorpados, ricos em taninos e com aptidão ao envelhecimento.
Os argentinos estão neste momento interessados em que a casta tenha projecção mundial ( á semelhança do que eu sugeri anteriormente com a Touriga Nacional!!), e para tal organizaram este ano um concurso mundial de Malbec ( á semelhaça do concurso que a Espanha organiza com a casta Tempranilho).
Relativamente a lotes desta casta com castas portuguesas ainda não lhe posso concluir, mas talvez brevemente essa experiencia venha a ser feita. Acho que a casta Malbec se daria muito bem no sul do Alentejo, pelas semelhanças de clima.
_Podemos aproximar bastante o caso dos vinhos argentinos com os vinhos portugueses, porque foram ambos paises que no passado produziram mais em quantidade que em qualidade. Comparativamente o sucesso da Argentina ( e que faltou ao nosso país) deve-se a: grande investimeno estrangeiro ( França; Italia; Espanha; USA; Chile, ect.) e que obviamente projectou os venhos argentinos para uma distribuição internacional; grande campanha de marketing promovendo simultanreamente a casta Malbec associada á imagem da Argentina ( o Tango; os Andes; a Patagonia; etc); contratando para o país que se pretende a promoção um personagem local que conheça bem os jornalistas, criticos, importadores, etc ( caso de Inglaterra; USA, etc)
_ Relativamente ao "vinhão" ou grande vinho do Ribatejo, julgo já ter respondido entretanto a essa questão, só me resta dizer que "ele" já está a caminho...!
Um abraço,

RR
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MensagemEnviada: Dom Jun 22, 2008 9:31 pm    Assunto: Responder com Citação

Spice Girl escreveu:
Caro Rui Reguinga

Gostava de lhe ter dado as boas vindas ao nosso forum e agradecer a sua disponibilidade para participar nesta entrevista mais cedo, mas não o pude fazer. Mas mais vale tarde que nunca... e aqui estou.

Também lhe queria pôr uma questão. Há uns meses assisti a uma palestra sobre a utilização de gases em enologia. Nela foram referidas diversas aplicações que cobriam toda "a vida do vinho" - da vinha ao copo. Em particular eram usados no arrefecimento, inertização, remontagem e homogeneização, atesto e ajuste de gases dissolvidos. Pelas explicações dadas todas estas utilizações tinham uma justificação perfeitamente lógica do ponto de vista científico. As minhas questões são:

1 - A utilização de gases é importante actualmente em enologia (no mundo real)?

2 - Pelo que entendo permite nomeadamente controlar a fermentação e os fenómenos de oxidação e assim obter um vinho com melhor qualidade. Se é este o caso, os vinhos feitos sem a utilização destas técnicas eram piores ou apenas diferentes?

3 - Lembro-me também que foi apresentado um gráfico sobre as vendas de gases para enologia (de uma dada empresa) e que estas tinham valores bastante altos em Portugas, muito maiores do que na Espanha e Alemanha. Significa isto que em geral as nossas adegas estão tecnologicamente bem equipadas certamente. Mas estão melhor do que nos países referidos ou apenas os fornecedores são diferentes?


Paulina,

Muito obrigada, tive imenso gosto em participar! E fica a promessa de esporadicamente cá voltar!!
_ A tecnologia de utilizaçao de gases inertes em enologia ( Azoto; Argon; CO2), é uma tecnica que vem essencialmente da escola do Novo Mundo. Pessoalmente acho a sua ultilização muito util na produção de vinhos brancos, e sobretudo dos "nossos" brancos provenientes de um clima mediterranico. Tem a vantagem de proteger os vinhos do Oxigenio, responsavel pela oxidaçao e perda de aromas.
_ Obviamente que os vinhos elaborados sem esta tecnologia, podem evoluir mais rapidamente e perder os aromas frutados e frescos. Mas é importante referir que existem grandes vinhos brancos ( exemplo da Borgonha), que não necessitam desta tecnologia, e são grandes vinhos, depende : da casta; do "terroir", e do estilo que se pretende.
_ A razão da utilização destes gases em Portugal ser maior do que na Alemanha, está directamente relacionada com a resposta á questão anterior.



Cumprimentos,

RR
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MensagemEnviada: Dom Jun 22, 2008 10:46 pm    Assunto: Responder com Citação

Spice Girl escreveu:
Rui

Tomei consciência agora que hoje é o último dia para fazer perguntas... Aqui ficam mais umas:

Sempre achei que em relação às comidas tradicionais dos diferentes países se pode dizer quase "diz-me o que comes, dir-te-ei como és".
Numa cozinha criativa acho que muito da personalidade de quem cozinha transparece no seu trabalho. Acho que numa prova cega, tendo uma lista de possíveis autores e conhecendo-os, se consegue na generalidade identificar o autor de cada prato.
Na sua opinião acontece o mesmo com o vinho? Para além das competências técnicas do enólogo, a sua personalidade reflecte-se nos vinhos?

É gratificante trabalhar para o consumidor português? Ou seja o nível de conhecimentos e a sensibilidade permitem-lhes compreender o que lhes quer transmitir com os seus vinhos?


Paulina,

_Julgo que essa questão deve ser abordada directamente a quem consome os vinhos.Do meu ponto de vista como consumidor, consigo muitas vezes identificar pelo estilo o colega que elaborou esse vinho. Para mim é importante que o consumidor consiga identificar os meus vinhos pelo estilo, pelo menos é esse o meu objectivo.
_ A sua questão é bastante interressante!! Felizmente que o consumidor português de vinhos ou seja o enofilo ( acho que já houve reclamaçoes por falar em consumidor..sorry,sorry), tem muito mais conhecimentos, e evoluiu com a evolução da enologia em Portugal. Para um enologo é muito importante que o seu trabalho seja interpretado, neste caso apreciado, e acho sinceramente que já existe uma elevada percentagem dos consumidores que sabe apreciar um bom vinho. Também confesso a minha frustração, quando estou no restaurante e vejo o tipo da mesa ao lado a quem os amigos pedem para escolher o vinho e supostamente é o entendido e pede um vinho de "rotulo", isto é pela marca e não pela qualidade.
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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
Mensagens: 1102
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MensagemEnviada: Seg Jun 23, 2008 11:27 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Rui Reguinga,

Em nome da Nova Crítica-vinho, e em meu nome pessoal, queria voltar a agradecer-lhe a amabilidade e a disponibilidade ao aceitar esta entrevista.

Julgo que o universo de foritas conseguiu ficar com uma visão global relativamente à sua forma de "olhar e sentir" o vinho.

E vamos todos aguardar pelos resultados dos novos projectos em carteira.

Um grande abraço e... até já!

Pedro
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Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
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MensagemEnviada: Seg Jun 30, 2008 12:06 am    Assunto: Responder com Citação

Reforço as palavras do Pedro, agradecendo-lhe a amabilidade e a disponibilidade para participar nesta entrevista. Um reconhecimento muito especial pelo contributo de valor que trouxe a este fórum, contribuindo de forma sinceridade e qualitativa para a discussão de ideias em torno do vinho.

Um forte abraço,
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Spice Girl



Registrado: Quarta-Feira, 4 de Janeiro de 2006
Mensagens: 6059
Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Seg Jun 30, 2008 5:13 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Rui Reguinga


Mais vale tarde que nunca... e não quero deixar de lhe agradecer também a sua disponibilidade para partilhar connosco os seus conhecimentos e experiência.

Um abraço

Paulina
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"Inquisitiveness was a key feature." Heston Blumenthal
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