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Entrevista com João van Zeller (Quinta de Roriz - Douro)
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Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Qui Nov 29, 2007 7:40 pm    Assunto: Responder com Citação

Rui Vasconcelos escreveu:
Antes de mais, os meus parabéns pela distinção atribuída ao “Quinta de Roriz Reserva 04”.
Ainda não o provei, mas já sim o de 2003 !
Na altura ( Março 07), pareceu-me um vinho apto a entrar no mercado, mas necessitando ainda de mais algum tempo para ganhar melhor estrutura. De qualquer modo, sem dúvida, já um excelente vinho !

Uma questão (particular):

1 - Curioso que, ao levá-lo à boca ressaltou uma “personalidade diferente”, mais "autenticamente douriense" que noutros Douros.
Será essa particularidade, efeito do Terroir, do blend das castas ou dos processos de vinificação ?

2 – Até que ponto será, que pelo facto de estagiar em barricas de 400 l. em vez das habituais, (diferente micro oxigenação... ? ) possamos traçar uma comparação com a diferença que se verifica entre um vinho de magnum e o mesmo de garrafa comum ?

Outra questão (geral):

Inversamente ao acontecido nos anos vitivinícolas anteriores, este último apresentou-se notoriamente diferente :

Inverno relativamente chuvoso, pode ter contribuído, benèficamente para o restabelecimento das reservas de água nos solos.
As chuvas de Maio, pelo contrário, não ajudaram o fruto.
Os imprevistos meses húmidos de Junho e Julho não foram também um bom contributo.
Ainda em Agosto e princípio de Setembro, as temperaturas médias, baixas, não bebeficiaram a situação.
Posteriores dias quentes até meio de Setembro mostraram-se muito benéficos no que respeita a maturações e equilíbrio ácido.
Mais alguns dias chuvosos nos fins da 2ª quinzena de Setembro, teriam porventura contrariado o normal andamento das vindimas (?) dado o seu normal e relativo longo período de duração, no seu conjunto, verificando-se a falha nas previsões iniciais dos efeitos (ausentes) do “aquecimento global previsto” e consequentemente ainda, verificando-se diferentes e irregulares graus de maturações e acidez nas várias parcelas da Quinta.

Por outro lado, os vinhos poderão ter beneficiado dessas mesmas baixa temperatura e alta humidade, permitindo maturações mais lentas (mas conseguidas), melhor frescura e melhor equilíbrio ácido.

Na sua opinião, quais virão a ser as consequências nos seus e nos dos outros “New Douro”, ( Porto e Vt Doc) desta colheita, nas várias “classes” de vinho (Ruby, Vintage, Tawny, Idade, Colheita ) e quais os resultados reais verificados nas produções (quantidades) ?


Caro Rui Vasconcelos,

Muito obrigado pelos seus elogios, que naturalmente me confundem: estão desde já 100% endossados aos enólogos, seus justos destinatários.

A "personalidade diferente" do Quinta de Roriz Reserva 2003 por si detectada, não creio que se desvie muito da personalidade dos Reservas anteriores, e tão pouco da do Reserva 2004, prestes a sair ao mercado. Numa prova vertical feita na Quinta de Roriz a 8 de Setembro deste ano, fui às 07.00 da manhã, em jejum, como sempre, provar as cerca de 80 garrafas abertas. O melhor nessa pré-prova: o Reserva 2001. Quatro horas mais tarde, efectivamente o 2003 e 2004 destacaram-se mais. As uvas deste Reserva 2003 foram colhidas tarde, entre 23 e 29 de Setembro, tendo chegado à adega com baumés ideais e com um mosto consequente de cor impressionante. Sim, o blend das castas foi diferente dos anos anteriores, com 55% de Touriga Nacional, 30% de Touriga Franca, e 15% de Tinta Roriz. Mas todos os anos é diferente, o blend. Os vinhos têm sido sempre muito bons. Possivelmente a diferença para o eventual melhor vai-se fazendo devido à experiência que os enólogos vão acumulando, sem afectar a consistência.

Não creio haver relação entre os efeitos obtidos com as barricas de 400 litros que utilizamos, e a dimensão da garrafa. O uso das barricas de 400 litros deve-se ao desejo de oferecer ao consumidor a "verdade" do vinho, sem excesso, mas apenas com madeira qb. Não tenho experiência, por outro lado, de garrafas magnum, como produtor, e pouca como consumidor: não vejo nessa utilização qualquer afinidade com o que acabo de dizer sobre as barricas.

Quando faz a descrição "deste último ano", creio estar a referir-se a 2007. Quando cheguei à Quinta de Roriz no dia 4 de Setembro passado, na perfeição imaculada das vinhas, das folhas, e dos cachos, pareceu-me adivinhar um grande ano. As condições climatéricas que se desenvolveram ao longo do ano agrícola foram, naquela zona, perfeitas, sem paralelo na minha memória. Houve efectivamente fortes ataques de oídio em outras zonas, que prejudicaram algumas vinhas, pelo facto de se ter atrasado algum tratamento. Em Roriz, o cuidado na observação do potencial de ataque de míldio e oídio é quase obsessivo. Essa obsessão permitiu que, apesar das condições favoráveis a essas doenças, todos os tratamentos tenham sido efectuados por antecipação. Não houve um único sinal de "farinha".

A colheita de 2007 foi, em geral, excelente em qualidade. Todas as classes de Porto vão beneficiar, tal como os VT. Sim, creio que se podem reunir condições para declaração de Vintage Universal. Mas, do not quote me, pedido ridículo pois todos poderem ler este comentário... Torno o pedido extensivo a "todos"...

Curiosamente, à excepcional qualidade da colheita da Quinta de Roriz em 2007, aliou-se um volume acima da média.

Um abraço,

João van Zeller
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Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Qui Nov 29, 2007 7:55 pm    Assunto: Responder com Citação

PortoVintage escreveu:
Caro João van Zeller,

Sei que a Quinta de Roriz não comercializa vinhos brancos.
No entanto, gostaria de saber se existem encepamentos de castas brancas na quinta. Se sim, fazem algum tipo de experiências ou pesquisas para um eventual lançamento no futuro (quer Porto ou Douro)?

Obrigado,


Caro Luís Brás,

Nas Vinhas Velhas encontram-se uvas brancas residuais, assim como nas ramadas onde crescem videiras que produzem uvas de mesa. Salvo esses resíduos, Roriz nunca teve uvas brancas, nem nunca produziu vinhos brancos, nem "de mesa", nem portos.

Aproveito para relatar um episódio passado entre meu Pai e Fernando Nicolau de Almeida, que durante mais de 20 anos supervisionou a enologia dos vinhos de Roriz. FNA chega aos lagares um dia, e encontrando um deles com uma cor carregadíssima interpelou o meu Pai: "Pedro, aposto como puzeste aqui baga de sabugueiro!" (estratagema utilizado durante décadas para fortalecer a cor do vinho). O meu Pai que naturalmente não tinha feito tal coisa, riu-se para dentro e não contou toda a verdade: era o único lagar onde tinham entrado uvas brancas! Sempre que me lembro deste episódio, planeio solicitar a um químico para me dar a explicação científica. O meu Pai dizia que as uvas brancas, quando misturadas com tintas em proprções adequadas, funcionam como uma espécie de lexívia, puxando pela cor tinta.

Não, não tencionamos ter vinhos brancos na Quinta de Roriz.

Um abraço,

João van ZEller
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Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Qui Nov 29, 2007 8:23 pm    Assunto: Responder com Citação

hm escreveu:
Um pouco no seguimento da questão anterior, gostava de saber a sua opinião em relação ao tema das alterações climáticas e o Vinho, quais serão os eventuais impactos na viticultura e nas práticas enológicas em Portugal e em particular na região do Douro?

Da sua experiência nesta área acha que se está a pensar em medidas a tomar num futuro mais ou menos próximo, no sentido de minimizar /contornar esta questão ou não se tem ainda muita consciência desta problemática? ( que muitos dizem ser um perigo real outros que é um exagero)

Vai ter lugar em Barcelona, em Fevereiro de 2008, uma conferência internacional sobre este tema “Cambio Climático y Vino 2008”, em que intervêm diversos especialistas de vários países. Estive a ver se havia algum interveniente de Portugal e não encontrava, só depois vi que participará o Bruno Prats.

O que nos poderá dizer, com base na sua intervenção na gestão vitivinícola, àcerca da sensibilidade ambiental por parte de produtores e enólogos, no sentido de tomar medidas de redução de impactes ambientais, tipo utilização de painéis solares, redução da emissão de carbono, gestão de consumos de água, etc?


Cara Helena Muelle,

A alteração climática que se notou no Douro nos últimos 50 anos, foi consequência da construção das barragens a partir dos anos 50 do séc XX. Deu origem a nevoeiros baixos entre Novembro e Março, que em Dezembro e Janeiro muitas vezes não chegam a levantar, e a um ligeiro aumento de humidade, que será talvez a causa de as vindimas, que há 50 anos começavam na primeira, ou início da segunda da semana de Setembro, terem atrasado 5 a 7 dias.

As térmicas de grande amplitude registadas na Quinta de Roriz (chega aos 45º em Julho, e aos -5º em Fevereiro) não se alteraram, e não estou qualificado para antever o seu comportamento futuro. Mas, salvo alguma catástrofe diluviana, ou semelhante, as correntes de grande calor, muito frio e de humidade que anual e regularmente afunilam pelo Vale do Douro vindas da Meseta espanhola, são uma característica tão fortemente resultantes da orografia e hidrografia da zona, que o assunto da alteração climática global ainda não preocupou (que eu saiba) os vitivinicultores do Douro.

As ausências que detectou na Conferência de Barcelona que refere devem ser resultado, pelo menos em relação ao Douro, do que acima lhe refiro.

A consciência ambiental, no sentido politicamente correcto da expressão, não está infelizmente muito generalizada no Douro (vide lixeiras ao ar livre, cemitérios de automóveis, etc etc). Não estou familiarizado com a utilização de painéis solares naquela zona. Dada a ausência de indústria transformadora, as emissões de carbono da Zona Demarcada do Douro devem ser muito reduzidas. Estes temas não domino, e não a posso satisfazer com uma resposta, e peço que desculpe essas "omissões" culturais.

Quanto à gestão racional de conservação consumos de água, e apesar de toda aquela água que corre pelo Rio Douro, ali mesmo aos nossos pés, ela está absolutamente presente na mente de todos. Por exemplo, no caso da Quinta de Roriz, os tanques de armazenamento de água estão tapados com placas de cimento para minimizar a sua evaporação; a antiga minha de estanho/ouro, encerrada em 1950, funciona nas galerias que lá estão, como uma barragem subterrânea; as nascentes são cuidadas ao extremo, só existindo um caso de quase exaustão, que não foi possível ainda detectar a razão, que é uma nascente de águas férreas. Por outro lado, todo o consumo está tecnicamente racionalizado para evitar o desperdício de água.

Um abraço,

João van Zeller
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Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Qui Nov 29, 2007 8:42 pm    Assunto: Responder com Citação

Chapim escreveu:
Caro João Van Zeller

desde já o meu agradecimento pela sua importantíssima contribuição e disponibilidade para o enriquecimento deste fórum.

Uma simples pergunta: Qual a percentagem de produto que é consumido internamente e exportado? Tintos e VP?

Obrigado e parabéns pelos seus vinhos que são excelentes genuínos.


Caro Rui Figueiredo,

Endosso, com agradecimentos, os seus generosos elogios, aos enólogos que assinam os vinhos e cumprem a estratégia da "verdade".

Tintos: mercado nacional, 25%; exportação, 75%.
Vintages: mercado nacional, 15%; exportação, 85%.

Um abraço,

João van Zeller
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José Tomáz Mello Breyner



Registrado: Quarta-Feira, 27 de Novembro de 2002
Mensagens: 5472
Localização: Estoril

MensagemEnviada: Qui Nov 29, 2007 9:11 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Joni

Parabens pelas respostas, e só espero que agora que estás registado apareças por aqui para dar 2 dedos de conversa.


Um abraço


Zé Tomaz
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Eu Quero Um Rei. E Tu?
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Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Qui Nov 29, 2007 9:35 pm    Assunto: Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
Neste último dia disponível para colocar questões aproveito para felicitar todos aqueles que contribuíram de forma construtiva e, em especial, parabéns ao entrevistado que tanto conhecimento e visão tem “jorrado” neste espaço 2 man down (desde o início das entrevistas on-line que o site tem registado um pico de visitas que começa a colocar em perigo o site da Jancis Robinson!).

Para finalizar, João van Zeller,

- Na sua opinião considera que as vinhas velhas produzem “melhor” vinho que outras vinhas em plena idade madura?

- Existe uma partilha franca e uma comunicação aberta entre diferentes produtores durienses? Provam e comentam os vinhos uns dos outros? Partilham o conhecimento?

- Se não produzisse vinho na região do Douro, qual seria a outra região de eleição?

- Por fim, de todos os vinhos que produziu até hoje, qual é aquele em que sente mais orgulho?


Caro Tiago Teles,

Não lhe sei responder com propriedade. O que sei é que as VV, que são tratadas "com luvas de pelica", sempre foram o "core" dos grandes Vintages da Quinta de Roriz, desde tempos imemoriais. As VV representam apenas 6% do total das vinhas de Roriz. Foram os incentivos à modernização da vinha (apesar dos acidentes de percurso, e de um custo marginal excessivo, haverá que um dia homenagear Luís Valente de Oliveira, que no Governo Cavaco da primeira metade dos anos 80 lançou o PDRITM, medida estrutural tomada no momento exacto, que transformou e viabilizou o Douro) , e a necessidade económica da sua mecanização que, inevitavelmente, fizeram diminuir drasticamente as VV no Douro: mas "you cannot eat the cake, and keep it"... Dada a matéria prima ser tão reduzida, ainda ninguém se atreveu a fazer qualquer transferência dela para os VTs. Creio que bem.

A partilha mais notável que existe no Douro, é ancestral, pouco conhecida do público, de enorme valor económico (apesar de gratuita, como a denominação "partilha" indica), e dá um enorme contributo para alguns equilíbrios e preservação das castas presentes na região. E nem é troca, sequer. É efectiva e real partilha daquilo que se tem para quem daquilo não tem. Efectivamente, todos os anos, durante a poda, cada agricultor vai deixando, ao fundo dos geios, um número indeterminnado de varas (ou sementes) devidamente identificadas pela sua colocação, como sendo da casta X ou Y. Fá-lo, porque todos os anos, todos os vitivinicultores cedem a todos os vitivinicultores, as varas que lá ficaram, para serem recolhidas e depois enxertadas por quem delas necessite. O caseiro recebe todos os anos N telefonemas dizendo " Oh Senhor fulano, tem disponível ainda Touriga Franca? Ou Touriga Nacional? Ou Tinta Amarela? Ou Tinta Francisca?" E o caseiro, se tem, limita-se a dizer quem está a telefonar a vá buscar ao sítio onde as varas da casta ou castas procuradas, se encontra.

Creio haver uma grande abertura entre os produtores durienses na troca/partilha de informação técnica. E, para além disso, na partilha do esforço comercial. Veja-se o caso do grupo dos 18 do NEW DOURO, que de forma totalmente independentemente, fazem importantes exercícios conjuntos de marketing no exterior. Veja-se também o sucesso dos DOURO BOYS (que integram o NEW DOURO), no seu trabalho conjunto tão eficaz e produtivo.

Pergunta-me se não produzisse vinho na região do Douro, qual seria outra região de eleição. O Douro, e Roriz em particular, é para mim é um ónus cultural, que, goste ou não (gosto, claro), tenho o dever moral de cumprir, pois a minha vida profissional pasou-se quase toda nos antípodas do vinho e do Douro. Só me ocupei de Roriz, a partir de 1995, por causa do meu Pai, a quem suspeitei iria prolongar a vida dando-lhe o prazer de recolocar Roriz no patamar em que se encontrava até aos anos 30 do séc XX. Esse "elixir" vingou: nunca vi ninguém ter tanto prazer com o que tem estado a acontecer a Roriz como ele. Desapareceu, creio que feliz, na plena posse das suas faculdades físicas, e sobretudo intelectuais, 11 anos depois, numa sesta de Domingo, com 97 anos. Valeu a pena. Dito isto, o que quero dizer que só o Douro e o meu Pai, e 200 anos anos de história desta Quinta na minha família, me poderia ter levado a dedicar-me a este Projecto.

Enfim, aqui vai a resposta straight forward: se eu tivesse 23, 24 anos, e tivesse vocação para a vitivinicultura, ia para a Austália.

O vinho produzido em Roriz de que mais me orgulho foi o Quinta de Roriz de 1996, o primeiro Tinto, o primeiro êxito.

Um abraço,

João van Zeller
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Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Qui Nov 29, 2007 9:45 pm    Assunto: Responder com Citação

joaorico escreveu:
Caro João Van Zeller,

Last questions...


O seu Quinta de Roriz 1996 foi muito aclamado. Tem provado ultimamente? Como se está a aguentar? É que encontrei algumas dessas belezas perdidas por ai....



Agradeço a sua partifipação e envio-lhe um abraço com votos de continuação de sucesso para a sua Quinta de Roriz e seus vinhos,


João Rico


Caro João Rico,

O QR 1996 está cada vez melhor. Se o encontrar, compre-o, e prove-o. Está a passar um bom momento.

A minha participação foi um prazer, apesar de excessivamente sincopada, o que pode ter prejudicado o ritmo das intervenções tão interessadas e tão interessantes com que me fui deparando: peço desculpa por isso. Mas explico (serve de pouco...): tive uma semana com uma agenda impossível, desde cedo até muito tarde. Fico satisfeito se sente que satisfiz o compromisso de estar presente e responder a esta entrevista on line. Foi a primeira vez. Há uma primeira vez para tudo.

Um abraço reconhecido pelo interesse mostrado por todos,

João van Zeller
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Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Qui Nov 29, 2007 9:49 pm    Assunto: Responder com Citação

José Tomáz Mello Breyner escreveu:
Caro Joni

Parabens pelas respostas, e só espero que agora que estás registado apareças por aqui para dar 2 dedos de conversa.


Um abraço


Zé Tomaz


Caro Zé Tomás,

Obrigado pela tua simpatia. Acho que devemos comemorar este forum no York House, esse monumento de "uniqueness" em Lisboa: desafia o grupo activo e interessado, e terei todo o gosto em participar.

Um abraço,

João van Zeller
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Joao van Zeller



Registrado: Sábado, 24 de Novembro de 2007
Mensagens: 19

MensagemEnviada: Qui Nov 29, 2007 11:41 pm    Assunto: Responder com Citação

luiz otávio peçanha escreveu:
Caro João van Zeller,
Primeiramente meus parabéns pela qualidade do vinhos da Quinta de Roriz.

Gostaria de saber qual a sua visão do mercado Brasileiro para os vinhos Portugueses e principalmente para os vinhos do Douro e os vinhos do Porto?

Na minha visão o mercado Brasileiro é bem receptivo para com os vinhos Portugueses e para o vinho do Porto em particular, mas que o quase total desconhecimento para as várias diferenças entre as regiões e tambem para os diferentes estilos de VP, fazem com que os vinhos do Alentejo e os Tawny e Rubi sejam os mais conhecidos, tambem diretamente proporcional ao preço.
Acredito que um politica mais audaciosa de dar de conheçer os vinhos Portugueses, como a mesma politica de se fazer vender os mesmos vinhos e não simplesmente os ter nas prateleiras, resultaria num ganho de escala significativo, aproveitando o momento que muitas pessoas querem aprender um pouco mais sobre vinhos e sair do lugar comum ( no nosso caso dos Argentinos e Chilenos ).
O estreitamento de parceirias tambem poderiam resultar num preço final mais competitivos, onde se ganharia menos, mas em mais.
Talvez o modelo até sirva para o próprio mercado Português.

O que acha deste meu ponto de vista, no meu caso de consumidor?

Abraços
Luiz Otávio


Caro Luís Otávio,

Acabo de reparar que a resposta que dei à sua questão desapareceu no éter. Peço desculpa pela imprevidência, e pelo consequente atraso.

Aqui vai de novo.

É um prazer ver o Brasil neste fórum. E um cidadão brasileiro que se interessa pelos vinhos portugueses desta forma, é gratificante.

O colossal mercado brasileiro é muito estratificado, nos aspectos económicos, climáticos, culturais, sociais, etc. Os seus Estados apresentam grandes diferenças entre si, e há que optar pelos que oferecem mais potencial. A Quinta de Roriz decidiu começar pelo de São Paulo.

Mas é difícil concorrer com os vinhos chilenos e argentinos, que naturalmente tem muita coisa "vulgar", mas também tem muitos vinhos de grande qualidade. Efectivamente, os custos de produção deles são 4/5 vezes inferiores aos custos de produção dos vinhos do Douro.

E porque é que os vinhos do Alentejo são mais conhecidos no Brasil dos que os do Douro? Porque se encontram nesse mercado há muitos, mas muitos anos mais que os vinhos do Douro. E custam 3/4 vezesmenos a produzir que os do Douro, sendo assim muito mais competitivos.

Os Tawny e os Ruby são Vinhos do Porto competitivos, e fortemente instalados numa cultura de consumo de vinhos que tem muito a ver com a influência da cultura portuguesa no Brasil.

As parcerias que os grandes vinhos do Douro têm de fazer no Brasil é com o consumidor. Encontrando boas cadeias de distribuição. Investindo na promoção. Apostando no estrato consumidor mais elevado, classe média alta, que é o que tem apetência por vinhos de qualidade.

Tive este ano em Roriz, e pela primeira vez, a visita de um grupo de clientes brasileiros. O luso-tropicalismo que nos une esteve nesse dia no auge!

Um abraço reconhecido pelo interesse que tem pelos vinhos portugueses,

João van Zeller
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Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Sex Nov 30, 2007 1:31 pm    Assunto: Responder com Citação

Joao van Zeller escreveu:
Caro Zé Tomás,

Obrigado pela tua simpatia. Acho que devemos comemorar este forum no York House, esse monumento de "uniqueness" em Lisboa: desafia o grupo activo e interessado, e terei todo o gosto em participar.

Um abraço,

João van Zeller


João van Zeller,

Para tal basta inscrever-se neste jantar agendado para 5 de Janeiro 2008: http://www.novacritica-vinho.com/forum/viewtopic.php?t=6218! Partyman
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Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Sex Nov 30, 2007 1:39 pm    Assunto: Responder com Citação

Terminando, reaproveito para agradecer a todos os foristas que desafiaram o “nosso” entrevistado com perguntas de “terroir”. Ao entrevistado, mais uma vez, um enorme obrigado pelo tempo dispensado nas respostas à entrevista, mas também por nos ter transmitido uma visão do mundo do vinho bastante actual e apaixonante, incluindo algumas “confidências” deliciosas.
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mlpaiva



Registrado: Quarta-Feira, 30 de Outubro de 2002
Mensagens: 4961
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MensagemEnviada: Sáb Dez 01, 2007 11:19 pm    Assunto: Responder com Citação

Como que a fechar esta entrevista com chave de ouro, a revista Cubo do semanário Sol publicado hoje, inclui uma excelentíssima reportagem: Antes e Depois Roriz - Uma Quinta à beira Douro.

Absolutamente a não perder, até para que se veja muito do que aqui foi exposto. Wink

Um abraço de parabéns ao João van Zeller! Partyman

Luís Paiva
_________________
Luís Paiva

Never increase, beyond what is necessary, the number of entities required to explain anything.
William of Ockham (1285-1349), Luís Paiva (1950-20??) Snakeman
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Pedro Gomes



Registrado: Segunda-Feira, 25 de Outubro de 2004
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MensagemEnviada: Sáb Dez 01, 2007 11:44 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro João van Zeller... e demais foristas,

Já tive oportunidade de lho transmitir, mas não podia deixar de reforçar, publicamente, as palavras do Tiago e expressar-lhe o nosso agradecimento pela forma como "abraçou" esta iniciativa.

A receptividade manifestada pelos foristas, acredito, constitui a prova irrefutável do interesse que a sua participação despoletou.

Foi muito estimulante e enriquecedor poder perceber como sente e se posiciona no mundo do vinho.

Aos demais foristas, o profundo agradecimento pela curiosidade e interesse manifestados.

A todos, um grande abraço e... até breve!

Pedro
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