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Batuta 2001
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João Paulo Alsina



Registrado: Terça-Feira, 31 de Agosto de 2004
Mensagens: 331
Localização: Brasília, Brasil

MensagemEnviada: Sex Out 08, 2004 7:13 pm    Assunto: Batuta 2001 Responder com Citação

Algum dos colegas já provou o Batuta 2001?
Em caso positivo, gostaria de saber o que acharam do vinho. Pergunto porque acabei de comprar uma garrafa e temo abrir o dito cujo antes da hora.
O Redoma 2001 tinto, por exemplo, precisa de pelo menos mais um ano de garrafa para limar as arestas.

Conto com a colaboração dos amigos enófilos.

Grande abraço,
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JP
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LMF



Registrado: Terça-Feira, 19 de Novembro de 2002
Mensagens: 87
Localização: Coimbra

MensagemEnviada: Sex Out 08, 2004 7:42 pm    Assunto: Re: Batuta 2001 Responder com Citação

João Paulo Alsina escreveu:
Algum dos colegas já provou o Batuta 2001?
Em caso positivo, gostaria de saber o que acharam do vinho. Pergunto porque acabei de comprar uma garrafa e temo abrir o dito cujo antes da hora.
O Redoma 2001 tinto, por exemplo, precisa de pelo menos mais um ano de garrafa para limar as arestas.

Conto com a colaboração dos amigos enófilos.

Grande abraço,


Já está à venda? Onde o encontrou?

Obrigado,

LMF
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João Paulo Alsina



Registrado: Terça-Feira, 31 de Agosto de 2004
Mensagens: 331
Localização: Brasília, Brasil

MensagemEnviada: Sáb Out 09, 2004 3:52 pm    Assunto: Responder com Citação

Quase todas as garrafeiras da Baixa lisboeta já o vendem.
Comprei na Garrafeira Nacional.
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JP
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luis ferreira



Registrado: Quarta-Feira, 18 de Dezembro de 2002
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Localização: lisboa

MensagemEnviada: Sáb Out 09, 2004 6:01 pm    Assunto: Responder com Citação

Várias vezes. Para mim é só o melhor Batuta de sempre. Uma das 3 melhores coisas feitas até hoje pelo produtor (as outras são Robustus 90 e o Vintage 2000) e o melhor vinho novo português que provei este ano.
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Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Ter Out 12, 2004 9:54 am    Assunto: Responder com Citação

luis ferreira escreveu:
Várias vezes. Para mim é só o melhor Batuta de sempre. Uma das 3 melhores coisas feitas até hoje pelo produtor (as outras são Robustus 90 e o Vintage 2000) e o melhor vinho novo português que provei este ano.
Promete!! Qual é o preço? Hoje em dia, a produção do Batuta situa-se em quantas garrafas? É um produto de exportação ou a maioria fica em Portugal?
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luis ferreira



Registrado: Quarta-Feira, 18 de Dezembro de 2002
Mensagens: 141
Localização: lisboa

MensagemEnviada: Ter Out 12, 2004 12:38 pm    Assunto: Responder com Citação

Caro Tiago

A primeira pergunta-me vai-me arranjar muitos amigos... Mas, do que vi marcado até hoje (140 / 150) diria que a maioria das garrafeiras vende ao triplo do preço no produtor (onde custa exactamente o mesmo que o Charme).
Quantidade: 4400 garrafas + aí umas mil meias garr.s (o que já indicia boa parte para exportação. Aliás, esta questão das meias garrafas de vinhos caros, ou a sua ausência em Portugal, parece-me uma questão curiosa...)

Last but not the least... é um vinho de contrastes incríveis! Uma pequena charada diz quase tudo: 99- 14,5... 00- 14 (ou 15??)... 01- 12,8!!! Com a mesma concentração, etc etc

Abraço amigo
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luis ferreira



Registrado: Quarta-Feira, 18 de Dezembro de 2002
Mensagens: 141
Localização: lisboa

MensagemEnviada: Ter Out 12, 2004 12:45 pm    Assunto: Responder com Citação

PS: sinceramente, ainda não vi nem procurei saber a quanto é que anda por aí o 2001. A resposta baseia-se no que ambos sabemos de anteriores Batutas. Ainda bem que perguntou porque a brincadeira do álcool deu-me uma boa ideia (não digo para quê senão ainda me expulsam por pub indevida...). Ah e desculpe (-me) os erros mas, pressa "oblige"...
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Luis Camisão



Registrado: Quinta-Feira, 2 de Outubro de 2003
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MensagemEnviada: Ter Out 12, 2004 3:00 pm    Assunto: Responder com Citação

Jantar no Capital Hotel, Knightbridge, Londres, em Maio de 2004, e em que um dos vinhos presentes foi exactamente o Batuta 2001.

http://www.wineanorak.com/dinnerwithdirk_2004.htm
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Tiago Teles



Registrado: Segunda-Feira, 21 de Outubro de 2002
Mensagens: 2137
Localização: Portugal

MensagemEnviada: Ter Out 12, 2004 3:12 pm    Assunto: Responder com Citação

Clarifique-me apenas uma dúvida: 140 / 150 euros????
Surprised
luis ferreira escreveu:
Last but not the least... é um vinho de contrastes incríveis! Uma pequena charada diz quase tudo: 99- 14,5... 00- 14 (ou 15??)... 01- 12,8!!! Com a mesma concentração, etc etc
É o que considero uma evolução positiva - no bom caminho! Outro aspecto positivo é que a produção duplicou desde 99.
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João Geirinhas



Registrado: Quinta-Feira, 13 de Março de 2003
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Localização: Lisboa

MensagemEnviada: Ter Out 12, 2004 4:48 pm    Assunto: Batuta Responder com Citação

Tiago Teles escreveu:
Clarifique-me apenas uma dúvida: 140 / 150 euros????
Surprised
luis ferreira escreveu:
Last but not the least... é um vinho de contrastes incríveis! Uma pequena charada diz quase tudo: 99- 14,5... 00- 14 (ou 15??)... 01- 12,8!!! Com a mesma concentração, etc etc
É o que considero uma evolução positiva - no bom caminho! Outro aspecto positivo é que a produção duplicou desde 99.


Esta questão a propósito do Batuta 2001 levanta-me uma dúvida. É que não foi só o grau alcoóllico que mudou, mas todo o seu perfil. E a dúvida é se é «legítimo» a um produtor mudar assim tanto o perfil de vinho ... sem aviso prévio?

Antes de começar a ser a ser bombardeado pelos "guardiões do templo", esclareço que não ponho em causa a qualidade do vinho (que sei muito boa) nem o direito do produtor de fazer os vinhos que lhe apetece.

Mas mal ou bem (eu acho que bem) o Batuta adquiriu por direito próprio um estatuto quase mítico que teve os seus detractores (poucos) e os seus mais entusiastas consumidores (muitos) que se dispuseram a pagar uma pipa de massa por um vinho com aquelas características. E agora que dirão aqueles que vão pagar a mesma pipa de massa e descobrirem que afinal o vinho não tem as caracteristicas que eles esperavam? Mal comparado, estão a ver os consumidores do Chateau Petrus descobrirem que de ano para ano o vinho tem um perfil diferente, porque o enólogo em cada vindima faz experiências?

Não seria melhor, para vinhos deste segmento e deste preço, quando se quer fazer um vinho novo lançar uma marca nova? E manter, com a s devidas adapatções às condições de cada vindima, o perfil de um vinho que já é clássico?
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Luis Camisão



Registrado: Quinta-Feira, 2 de Outubro de 2003
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MensagemEnviada: Ter Out 12, 2004 5:00 pm    Assunto: Re: Batuta Responder com Citação

João Geirinhas escreveu:

Esta questão a propósito do Batuta 2001 levanta-me uma dúvida. É que não foi só o grau alcoóllico que mudou, mas todo o seu perfil. E a dúvida é se é «legítimo» a um produtor mudar assim tanto o perfil de vinho ... sem aviso prévio?


"Legítimo" pode ser, agora "lógico", não sei se será. Rolling Eyes


João Geirinhas escreveu:

Não seria melhor, para vinhos deste segmento e deste preço, quando se quer fazer um vinho novo lançar uma marca nova? E manter, com a s devidas adapatções às condições de cada vindima, o perfil de um vinho que já é clássico?


Uma boa pergunta, pertinente e lógica.
Mas o que terá levado o produtor a mudar radicalmente o produto? Confused
Seria interessante descobrir.
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Artur Hermenegildo



Registrado: Quarta-Feira, 23 de Outubro de 2002
Mensagens: 683

MensagemEnviada: Ter Out 12, 2004 5:28 pm    Assunto: Responder com Citação

Ainda não provei o Batuta 01 mas, relativamente à discussão lançada sobre o perfil do vinho, a minha opinião é que de facto uma marca se devia manter tão fiel quanto possível a um determinado perfil, caso contrário está-se a induzir em erro o consumidor.

aliás, acho que para isso mesmo é que existem marcas, caso contrário bastaria o vinho sair para o mercado com indicação do produtor, enólogo e castas. Uma marca é, por definição, no vinho ou noutro produto, um identificador a que se associam determinadas características.

Já com o Chriseya se passou o mesmo, o segundo ano nada tinha a ver com o primeiro.
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mlpaiva



Registrado: Quarta-Feira, 30 de Outubro de 2002
Mensagens: 4961
Localização: where the streets have no name ;-)

MensagemEnviada: Ter Out 12, 2004 11:20 pm    Assunto: Re: Batuta Responder com Citação

Luis Camisão escreveu:
João Geirinhas escreveu:

Esta questão a propósito do Batuta 2001 levanta-me uma dúvida. É que não foi só o grau alcoóllico que mudou, mas todo o seu perfil. E a dúvida é se é «legítimo» a um produtor mudar assim tanto o perfil de vinho ... sem aviso prévio?


"Legítimo" pode ser, agora "lógico", não sei se será. Rolling Eyes

Caro Luís Camisão, a lógica é irrelevante neste mercado, até porque as premissas não são dogmas.

E legítimo não é de todo, embora legal. Podemos até aqui encetar uma discussão (a exemplo de outra de que ainda não assentou a poeira Cool ) sobre a diferença entre os termos. Por isso, adoro a semântica - a ciência do significado.
De facto, qualquer dicionário nos refere que ambos os termos significam "conforme à lei". Mas um bom dicionário (aliás como o senso comum...) diz-nos que legítimo é mais fundado na razão, na justiça ou no direito. Por isso, a alteração do perfil de um vinho não é legítima. Está, pois, certíssimo, João Geirinhas.

Temos, no entanto, assistido, ao longo do tempo e sem aviso prévio, a alterações de perfil de alguns vinhos; recordo Quinta do Carmo, Tapada do Chaves, Mouchão... só para enumerar alguns. A substituição do proprietário ou do enólogo ou evolução decorrente de adaptação a novas correntes ou solicitações do mercado são motivos compreensíveis.

De mais difícil compreensão é o caso de "vinhos de autor". Mas, por sinal, não é a primeira vez que Dirk Niepoort nos brinda com inflexões deste tipo: comparemos os Redoma tinto de 91 a 94 com os posteriores a 95... Confused
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Jorge Sousa



Registrado: Quarta-Feira, 13 de Novembro de 2002
Mensagens: 163
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MensagemEnviada: Qua Out 13, 2004 9:11 am    Assunto: Responder com Citação

Concordo com todas as opiniões atrás manifestas.

Não deixa no entanto de ser bastante interessante a questão já levantada pelo Luis Camisão..."o que terá levado o produtor a mudar radicalmente o produto?"

Mais ainda...Qual a participação do enólogo (penso que na altura Jorge Serôdio) nessa decisão? Terá sido consensual?

Ainda não provei o vinho em causa mas não deixa de ser curioso testar esta mudança radical e o comportamento dos seus intervenientes perante a mesma.

De qualquer forma penso que em termos genéricos não se está, mais uma vez, a prestar um bom serviço ao consumidor.
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Luis Camisão



Registrado: Quinta-Feira, 2 de Outubro de 2003
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Localização: Lisboa-Baixa

MensagemEnviada: Qua Out 13, 2004 10:31 am    Assunto: Re: Batuta Responder com Citação

mlpaiva escreveu:
[Podemos até aqui encetar uma discussão (a exemplo de outra de que ainda não assentou a poeira Cool ) sobre a diferença entre os termos.


Caro Luis Paiva,

É sempre um prazer lê-lo, pois tem sempre algo que ensinar!
As suas eminentes opiniões, extremamente certeiras, contribuem e muito, para o enriquecimento intelectual, de quem, como eu, tem o deleite de seguir atentamente as suas intervenções.
Como escreveu sobre a diferença entre legitimidade e legalidade, posso deixar-lhe aqui um texto, retirado de Jus Navigandi, e da autoria do Dr. Alexandre Rezende da Silva, especialista em Direito Empresarial.
Espero que lhe agrade.

Um abraço

Luis

"A relação entre legalidade e legitimidade é muito estreita, a ponto de alguns autores as confundirem. O termo legitimidade interessa precisamente à ciência política, mas também é importante a todas as ciências humanas.
A palavra pode designar uma série de situações. Desde a autenticidade de alguma coisa até a justificação com a vontade geral, por meio da lei. Acquaviva explica:
-"Atributo daquilo que se mostra conforme a razão e a natureza. Legalidade é termo de significado muito mais estrito, tem mais particular uso na jurisprudência positiva e parece referir-se a tudo que se faz ou obra segundo o que está determinado nas leis humanas, isto é, guardando as solenidades, formalidades ou condições que elas prescrevem. Em física é legítimo ouro, legítima prata, legítimo diamante o que tem a própria natureza destas substâncias, o que não é contrafeito nem adulterado. Em lógica, é legítimo o raciocínio quando os princípios são verdadeiros e a consequência deduzida segundo as regras. Em moral, são legítimas as acções que conformam com a razão, a equidade e a justiça universal. E finalmente, em jurisprudência são legítimas todas as acções ou omissões que as leis ordenam, etc. Um título é legítimo quando está autenticamente na forma da lei: um testamento é legal quando foi feito com as solenidades da lei, uma prova é legal quando nela se acham verificadas todas as condições que a lei requer, etc." (Marcus Cláudio Acquaviva, Dicionário Jurídico Brasileiro Acquaviva, 9ª edição, Editora Jurídica Brasileira, página 768).
Correntemente se diz legítimo aquilo que se faz de acordo com as regras da sociedade, o que transportando para o Direito, temos que é legítimo tudo que está na conformidade da lei. Por este viés seria legal aquilo que é feito por determinação da lei, o que em Direito se conhece por vinculação à lei.
Uma outra relação que é constantemente feita é a da legitimidade com o poder. Legitimidade é uma qualidade do poder, enquanto legalidade se refere ao exercício do mesmo. Bobbio ensina:
-"Na linguagem política, entende-se por legalidade um atributo e um requisito do poder, daí dizer-se que um poder é legal ou age legalmente ou tem o timbre da legalidade quando é exercido no âmbito ou de conformidade com leis estabelecidas ou pelo menos aceitas. Embora nem sempre se faça distinção, no uso comum e muitas vezes até no uso técnico, entre legalidade e legitimidade, costuma-se falar em legalidade quando se trata do exercício do poder e em legitimidade quando se trata de sua qualidade legal: o poder legítimo é um poder cuja titulação se encontra alicerçada juridicamente; o poder legal é um poder que está sendo exercido de conformidade com as leis. O contrário de um poder legítimo é um poder de fato; o contrário de um poder legal é um poder arbitrário" (Norberto Bobbio, Dicionário de Política, V.2, Editora UNB, Página 674).
Bem visível que há aí a proposição de uma identidade entre legitimidade e juridicidade, em função de o Direito ser sempre, na democracia, uma expressão da vontade geral, a que toda actividade política deve prestar respeito.
É preciso tomar cuidado com esta vinculação da legalidade com a legitimidade, dado que é por aí que se inicia a considerar que a lei jamais deve ser contestada, não obstante sua injustiça, sua inconstitucionalidade e sua antijuridicidade possíveis. Além do que há o problema da legitimidade da própria lei. Realmente são figuras distintas, conquanto bastante ligadas. Ou, com Wolkmer:
-"Cumpre ressaltar que a legalidade reflecte fundamentalmente o acatamento a uma estrutura normativa posta, vigente e positiva. Compreende a existência de leis, formal e tecnicamente impostas, que serão obedecidas por condutas sociais presentes em determinada situação institucional. Como afirma Angel S. de la Torre, a legalidade projecta-se concretamente ‘como a esfera normativa contida em expressões ou signos expressivos dos deveres e direitos dos sujeitos de actividade social, subjectivamente como fidelidade dos sujeitos sociais ao cumprimento de suas actividades dentro da ordem estabelecida necessariamente no grupo humano a que pertencem" (António Carlos Wolkmer, Uma Nova Conceituação Crítica de Legitimidade, RT Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política 05, página 25).
Muito embora não se confunda com a legalidade, não há como se negar que tudo que é legal é presumivelmente legítimo (E até mesmo presumivelmente justo, já que ninguém fará uma lei contra si mesmo, conforme ensina Rousseau), pelo menos na democracia. Na Administração Pública uma e outra se identificam, dado que a lei é, para o administrador, o veículo que transporta a legitimidade à sua função e aos seus actos. Isto equivale a dizer que na administração só é legítimo o que é legal, mas nem tudo que é legal é legítimo. A questão é o alcance dessa legitimidade decorrente de lei. Certamente não á absoluta, como pretendem os defensores da ideia de que o Estado é o produtor único, racional e isento do Direito, uma posição carregada de ideologia. Neste sentido, Luís Fernando Coelho:
-"Com efeito, a imagem ideológica, ou mito, de um direito único elaborado ou adoptado pelo Estado – legislador absoluto e neutro em sua racionalidade – é exigência também racional para que esse direito seja considerado legítimo" (Luiz Fernando Coelho, Teoria Crítica do Direito, 2ª edição, Editora Sérgio António Fabris, página 352).
A legitimidade decorre de um consenso social. Não obstante o enorme valor da lei, o Direito não pode pretender a confusão dos dois institutos, como proposto por Kelsen, para o qual não há que se falar em legitimidade, mas apenas em legalidade, já que Estado e Direito se confundem. Nesta época, a questão era de menor interesse. Assim temos as palavras de Ricardo Lobo Torres:
-"Dessa afirmativa não se deve concluir que antes o problema não fosse discutido. Só que o seu conceito derivava de duas posições básicas e antagónicas, ambas de cunho positivista, que serviam para justificar o próprio autoritarismo e que empolgaram o nosso direito público nas últimas décadas. De um lado a concepção de Max Weber que pretendia chegar à legitimidade pela via empírica e não normativamente, passando dos problemas da eficácia formal do poder para o da dominação-racional (= legal), tradicional ou carismática – na qual prepondera o aspecto da obediência espontânea na legitimidade. De outra parte a doutrina de Kelsen, que procurava superar as ‘ideologias da legitimidade’ identificando o Estado com o Direito, entendido como ordenamento coercitivo da conduta humana, sobre o qual a moral e a justiça nada têm a dizer, com o que restringia o Princípio da Legitimidade à questão da competência dos órgãos ou da validade das normas, sempre dependentes de uma norma superior do ordenamento" (Ricardo Lobo Torres, A Legitimidade Democrática e o Tribunal de Contas, Revista de Direito Administrativo 194, página 31).
Em verdade o Princípio da Legalidade significa antes de tudo um respeito ao Direito, às instituições socialmente consignadas como válidas por meio do instrumento legislativo, o qual, em regra, é elaborado por pessoas autorizadas a tanto, e formulado através de um processo previamente estabelecido. Em outras palavras, importa dizer que o respeito ao Princípio da Legalidade é antes de tudo respeito ao Direito na medida em que este é fruto da vontade geral e a ela se destina, ou como diz Wolkmer:
-"Numa cultura jurídica pluralista, democrática e participativa a legitimidade não se funda na legalidade positiva, mas resulta da consensualidade das práticas sociais instituídas e das necessidades reconhecidas como ‘reais’, ‘justas’ e ‘éticas" (António Carlos Wolkmer, Uma Nova Conceituação Crítica de Legitimidade, RT Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política 05, página 31).
De fato, a ideia de que a legitimidade se produz pelo consenso social ganha cada vez mais corpo, afastando a postura legalista, produzindo um novo conceito. "Hoje, ele [ o conceito de legitimidade ] significa a convicção, realmente, da legitimidade do direito, da obrigatoriedade de determinadas normas ou decisões, ou do valor dos princípios que as justificam. Mas apesar de tudo isso só se conseguiu chegar a uma pergunta: como é possível a convicção rela da legalidade ou da força compulsiva desta decisão quando só alguns é que decidem?" (Niklas Luhman, Legitimação Pelo Procedimento, Editora UNB, página 29). Uma pergunta difícil de ser respondida. Para este autor isto se dá pelo procedimento, cujo conceito se aproxima do que em Direito é conhecido como Devido Processo Legal. Mas mesmo assim pode a pergunta subsistir, e até é bom que isso ocorra, pelo menos enquanto não se puder ter a certeza absoluta de que há responsabilidade social por parte dos que fazem as leis e dos que as aplicam.
A dificuldade está em se certificar deste consenso, ainda mais que é bastante discutível se nos vários sistemas sociais o silêncio pode ser interpretado, tal qual no Direito Privado, como manifestação da vontade. Os mecanismos eleitorais (plebiscitos, referendo, eleição, etc.), em razão de sua previsão normativa, normalmente constitucional, são uma maneira de se perceber qual é a vontade geral. No entanto, por questões de ordem prática e material, os mesmos não são eficientes para todos os problemas que surgem. Neste ponto é que a legitimidade fica menos visível, menos evidente. Para a solução desta questão pode-se socorrer em análises históricas, sociológicas, filosóficas, muito embora aí surja um círculo vicioso, já que esta análise poderá ser ilegítima e também porque dificilmente obrigará ao agente político, ainda que correcta. Entretanto, a legitimidade pode ser constatada por uma investigação científica, já que as condições em que surgiu este ou aquele instituto são passíveis de verificação. A vontade geral não se altera da noite para o dia, por isso é que manter-se fiel aos ideais políticos positivados numa constituição é sempre uma boa técnica de preservação e criação da legitimidade, ainda que esta não se confunda com a lei, dado que modernamente as constituições apresentam, em si mesmas, uma forte conotação política.
Não se pode reduzir a legitimidade à legalidade, mas a dificuldade em se obter um juízo de certeza quanto ao consenso social e dado que a lei, presumivelmente, decorre da vontade geral, é coreto propor que a legalidade é um pressuposto da legitimidade. Esta proposição, bem evidente, é de uma presunção relativa de legitimidade, já que se houver dúvidas quanto à legitimidade da própria lei esta se afastará. Como se percebe até agora, a relação entre legitimidade e legalidade é circular. O que se impõe, e livra a análise do círculo vicioso, é que uma investigação empírica pode fornecer elementos suficientes para se estabelecer ou perceber o consenso social.
Ocorre que o próprio consenso social pode ter sua legitimidade questionada. Isto se percebe facilmente com a constatação do poder da mídia moderna. E isto complica muito a questão já que se o próprio consenso social não for legítimo, nada que nele se embace o será. "Legitimidade então pressupõe consenso mais ou menos generalizado, e legitimação é a tecnologia da obtenção desse consenso dos membros do grupo; considerando-se a sociedade dividida em classes e a existência de um grupo microssocial hegemónico, a legitimidade articula-se com o poder e a dominação" (Luiz Fernando coelho, Teoria Crítica do Direito, 2ª edição, Editora Sérgio António Fabris, página 360). É justamente essa vinculação com o poder e a dominação que tornam tormentosa a tarefa de se verificar a legitimidade do consenso social.
Só que questionar a legitimidade, a validade, do consenso social é sempre uma atitude perigosa, pois pode advir daí um discurso de incapacidade de o povo se autogovernar, o que justificaria um regime totalitário. O convencimento por força de argumentos não ilegítima o consenso social, o que o faz é o apelo fácil do sensacionalismo e do sentimentalismo e mais ainda a informação parcial e tendenciosa. Há um campo em que é possível a chegada a uma legitimidade primeira: a ética. Com efeito, é a ética, por assim dizer, a ciência do bem e do mal, do bom e do mau, do justo e do injusto. Em boa verdade a Ética é a filosofia prática. Usamos a expressão ciência por ela trazer as ideias de reflexão, conhecimento, actividade racional, etc. Tudo o que é ético é conveniente à sociedade, logo é legítimo.
Desta feita o consenso social será legítimo quando alcançado por um convencimento ético, e, de outro lado, será ilegítimo quando atingido por manobras políticas de baixo nível, pela manipulação e ocultação de informações, pelo sensacionalismo, pelas chamadas à emotividade , como aconteceu na formação dos estados nazista e fascista, com o auxílio poderoso, no primeiro caso, da propaganda de Goebbels. Assim, por lógica, temos que se o consenso social é ético, é legítimo, daí as leis são legítimas e, por fim, as condutas calcadas ou impostas pela lei são legítimas.
Por fim a relação entre o Direito e a legitimidade pode ser tanto externa, vale dizer, quando está em consonância com o consenso social, ponto em que o principio jurídico se mostra assaz importante, dado que, como visto, são os princípios o veículo próprio para levar até o Direito aspectos sociais; como interna, quando se diz que é legítima a regra produzida em conformidade com o próprio Direito, em especial a Constituição. Neste ponto uma incursão pela chamada Teoria Crítica do Direito pode ser útil, dado que é a corrente jusfilosófica que mais se ocupou do problema da legitimidade do Direito.
Pois bem, por esta corrente, a legitimidade do Direito é de ser vista por dois aspectos, a saber, a positividade e a juridicidade.
Pelo viés da positividade tem-se que todo Direito que se torna prevalecente em um dado tempo tem a pretensão de ser legítimo, o que significa dizer que pretende realizar um ideal de perfeição cujo conteúdo é produzido pela ideologia. Em outros termos, o Direito pretende-se legítimo pelo fato de ser positivo.
No aspecto da juridicidade todo o Direito anterior torna-se ilegítimo. Como fundamento dessa legitimidade exclusiva surgem dois aspectos: o interno e o externo.
O interno, chamado intrajurídico por Luiz Fernando Coelho, pressupõe que ordenamento estabelece critérios de legitimidade, os quais estão consagrados hoje na teoria da norma fundamental de Kelsen, a qual vem ancorada na lógica kantiana da validade lógica-transcedental de uma primeira proposição, o que em Direito se traduz na Constituição. O aspecto externo, baptizado por aquele professor de meta-jurídico, é a coerência entre as normas e os princípios e valores que, inseridos ou não no ordenamento, se consideram superiores, de validade independente do reconhecimento expresso, vale dizer, da sua transformação em lei. Por fim esta teoria pretende que a legitimidade é a qualidade ética do Direito, como diz o já citado Luiz Fernando Coelho:
-"A legitimidade é a qualidade ética do direito, a maior ou menor potencialidade para que o direito positivo e os direitos não positivos alcancem um ideal de perfeição. Esse ideal, espaço privilegiado da ideologia, pode ser provisoriamente identificado com a justiça, ou certos valores que representam conquistas da humanidade, principalmente os direitos humanos (..) embora tais critérios se apliquem a qualquer ordem jurídica, vale dizer, tanto ao direito positivo quanto aos direitos plurais, a ideologia os concentra na legitimidade do direito estatal. É que a herança positivista alijou do âmbito da teoria do direito, inclusive da filosofia do direito, a investigação acerca da validade e legitimidade dos direitos não positivos, confinando tal estudo ao âmbito da sociologia. Trata-se de uma redução incorrecta dos estudos jusfilosóficos, com uma preocupação ideológica evidente: o que se cumpre enfatizar é a legitimidade do direito oficial, que se apresenta à compreensão da comunidade como uno, estatal, racional e legítimo. E assim, aos pressupostos ideológicos da unicidade , estatalidade e racionalidade do direito positivo, veio somar-se o princípio da legitimidade" (Teoria Crítica do Direito, 2ª edição, Editora Sérgio António Fabris, página 358 e 360).
Disto tudo uma constatação se impõe: a legitimidade absoluta não existe, mas, tal qual a objectividade em ciência, deve ser buscada sempre. Daí Lúcio Levi dizer:
-"Podemos dizer que a legitimidade do Estado é uma situação nunca plenamente concretizada na história, a não ser como aspiração, e que um Estado será mais ou menos legítimo na medida em que torna rela o valor de um consenso livremente manifestado por parte de uma comunidade de homens autónomos e conscientes, isto é, na medida em que consegue se aproximar à ideia limite da eliminação do poder e da ideologia nas relações sociais" (in, Dicionário de Política, Norberto Bobbio, V.2, verbete legitimidade, página 679).
Também aqui se vislumbra que a legitimidade está ligada à vontade geral (consenso), com a ressalva de que esta deve ser livre, não condicionada "ao poder e ao seu discurso.

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