Fórum de Discussão Contactos

Últimos vinhos

arrow Bouchard Père & Fils Chassagne Montrachet 2006
arrow Brites de Aguiar 2006
arrow Casa de Santar Reserva branco 2007
arrow Casa do Lago Fernão Pires 2007
arrow Caves São João Reserva 2005
arrow Fiuza Premium Touriga Nacional / Cabernet Sauvignon 2006
arrow Fonseca 20 Anos (Engarrafado em 2007)
arrow Herdade de São Miguel Colheita Seleccionada 2007
arrow Hetszolo Tokaj Late Harvest 2006
arrow Muros Antigos Alvarinho 2007
arrow Pape 2006
arrow Poças Vintage 2005
arrow Quatro Caminhos Reserva 2005
arrow Quinta de Baixo Reserva branco 2006
arrow Quinta do Côro Cabernet Sauvignon 2005
arrow Quinta Vale da Raposa Tinto Cão 2004
arrow Remelluri Reserva 2003
arrow Terras de Lantano Albariño 2006
arrow Venâncio da Costa Lima Moscatel de Setúbal Reserva 2001
arrow Bacalhôa Moscatel Roxo 1998

Para quando a revolução no consumidor de vinhos?

divider
Para quando a revolução no consumidor de vinhos?
Autor: Tiago Teles
Data: 21 de Fevereiro de 2003
Tema: Opinião

Nos meios enófilos é frequente ouvir-se dizer que a década de 90 ficou marcada por uma revolução na enologia em Portugal. O final dos anos 90 e o princípio do novo milénio são apontados como a época de revolução na viticultura, desafiando o tratamento da vinha e a selecção de castas adequadas. Considero, no entanto, que o trabalho de adega ainda tem um longo caminho a percorrer.

Felizmente, não foi necessário contar com a exigência dos consumidores de vinho português para conduzir alguns dos nossos produtores no caminho da disciplina e da responsabilidade. É evidente que muito do bom vinho feito hoje em Portugal é reflexo, para além do potencial da matéria prima existente, de um conjunto de produtores com uma visão alargada do mundo enológico. A esta evolução está por certo associado o contacto com diferentes realidades vinícolas existentes noutros países. Contudo, essas evoluções não atingem todos os produtores ao mesmo tempo. Subsiste sempre uma maioria capaz de nos encher as prateleiras dos supermercados e garrafeiras com vinho de qualidade duvidosa, ou desfasados na relação preço/qualidade (muito frequente nos dias correntes). Paralelamente, assiste-se a uma postura passiva dos consumidores, especialmente daqueles que bebem tudo o que lhes é servido. Nesse sentido não deixo de me questionar: para quando a revolução no paladar do consumidor de vinho português?

É urgente que o consumidor comece a fazer uma seriação dos vinhos com potencial e futuro, e não entregue esse papel a meia dúzia de críticos e produtores bem intencionados.

Penso que a grande maioria dos consumidores de vinho em Portugal não merece o estatuto de apreciador, e muito menos de enófilo. Infelizmente, a nossa sociedade continua interessada em consumir "dietas do McDonald's, Coca-Cola, bebidas energéticas e Cocktail Mix's". Basta olhar para o consumo das variadas comidas "plásticas" vendidas nas nossas numerosas estações de serviço. Ou para os preços dementes de bebidas em bares e restaurantes, sem contudo se reclamar. Tornou-se comum pagar mais de 5 euros por um fundo de copo alcoolizado, especialmente vocacionado para agredir o palato! O pior é que, e quando se trata de vinho, a maioria contentar-se em beber a mediocridade dominante, ao menor preço possível e bem abaixo do preço indispensável à qualidade. Como eu entendo os vossos filhos!!! Quando atingem a idade de consumirem bebidas fermentadas, deparam-se com a vantagem dos "sumos" insípidos, com sabores agressivos e industriais.

Será que o consumidor ainda não percebeu que esta postura apenas "encoraja os produtores a investir em vinhos fáceis, que compreensivelmente permitem um retorno mais rápido do capital"?

Por outro lado, salvo algumas excepções, os críticos de vinho em Portugal têm ajudado pouco na evolução dos consumidores. Têm, seguramente, ajudado na promoção e desenvolvimento do mercado de vinhos, mas estão longe de ensinar os consumidores. Alguns críticos conseguem ir ao ponto de colocar apenas a palavra "Provado" na nota de prova de um vinho. Neste caso, concordemos, estamos a promover a influência do crítico e, por sua vez, a ignorância do consumidor. O crítico não fundamenta as suas opções. Desta forma, educa os consumidores a correrem em busca de "troféus", incentivando a falta de sentido crítico perante o vinho. É também corrente ver textos descritivos pouco condizentes com a nota absoluta atribuída no final.

Uma nota de prova completa deve focalizar a descrição do vinho (aromas, sabores, acidez, taninos, etc), em detrimento da nota absoluta final. A nota absoluta é um indicativo pessoal, até porque o crítico pode ter gostos diferentes dos nossos. Pode gostar de sabores associados à madeira e o leitor de sabores mais frutados. Como enófilos temos o dever de nos esforçar por descobrir os mistérios do vinho. Só com dedicação poderemos ter alguma probabilidade de contribuir para uma revolução do consumidor de vinho. Não nascemos com um sentido de bom gosto mas, se quisermos, podemos cultivá-lo. Pergunto-me, contudo: Será que o tipo de consumidor informado interessa aos poderes comerciais?