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O mercado futuro

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O mercado futuro
Autor: Tiago Teles
Data: 10 de Abril de 2005
Tema: Opinião
 

É necessário democratizar o mundo do vinho. Infelizmente, nos dias que correm, boa parte dos vinhos tornaram-se espantosamente caros, enquanto outros, na sua maioria de preço acessível, teimam em conservar uma imagem demasiado tradicional a par de uma qualidade duvidosa. De certa forma, o mundo do vinho vive uma realidade de extremos.

Este perigoso caminhar para um mercado desigual, de extremos, por um lado snob por outro popular, coloca em causa a saúde futura da indústria do vinho, representando, também, um retrocesso social. Entre outros indicadores esse retrocesso reflecte-se na falta de regras e estratégias comerciais do mercado actual, bem visíveis na inexistência de uma "definição" de preços com base na qualidade, e num literal esquecimento do mercado "jovem". Se por um lado esse desfasamento preço/qualidade limita a renovação e adesão de novos consumidores de vinho, por outro, o esquecimento dos consumidores entre os 20 e 30 anos contribui, a longo prazo, para a diminuição do consumo de vinho em geral.

Este facto é contraditório do ponto de vista estratégico. Isto porque, o caminho mais lógico para o investimento promocional é a aposta no jovem consumidor. As razões são variadas, destacando duas que me parecem determinantes: por um lado este grupo é mais sensível à propaganda por ainda não ter as suas faculdades críticas perante o vinho completamente desenvolvidas; por outro, o tempo transformará estes consumidores num grupo de adultos "treinados" para comprar vinho no futuro. Torna-se evidente serem necessárias medidas para combater a tendência de mercado para o cliente volátil, de moda, que compra aquilo sobre o qual se escreve ou se fala. Ou seja, compra hoje e não compra amanhã.

Para estimular o consumo de vinho de forma equilibrada, invertendo a tendência para a redução de consumo generalizada, proponho um conjunto de 10 medidas, essencialmente, com o objectivo de relançar uma discussão construtiva em volta deste tema.

    1. Sensibilizar o sector produtivo para o interesse estratégico na criação de produtos sérios nas gamas Premium (5 a 10 Euros) e Super Premium (10 a 15 Euros) descritas no relatório Porter.

    2. Apostar na produção de vinhos monocasta, integrados na gama Premium. Desta forma, será mais fácil um consumidor inexperiente realizar uma correcta progressão pedagógica, começando por produtos de menor complexidade, apelativos, directos e caracterizados.

    3. Limitar o estágio em madeira na elaboração dos vinhos referidos na alínea anterior, contribuindo para a pureza singular de cada casta.

    4. Estimular os ideais "jovens" através de rótulos, histórias e imagens diferentes, enaltecendo as potencialidades e raridade das castas nacionais no mercado global.

    5. Conceber e distribuir um copo normalizado, moderno, atraente, resistente, que se identifique com os ideais estéticos e valores da juventude, tendo ao mesmo tempo uma funcionalidade polivalente em bares e discotecas.

    6. Estimular lojas de vinho a organizarem, conjuntamente com produtores, degustações livres de produtos nas gamas referidas no ponto 1.

    7. Generalizar o serviço de vinho a copo em restaurantes.

    8. Explorar o serviço de vinho em bares e discotecas, com conceitos idênticos aos descritos na alínea anterior.

    9. Planear uma campanha agressiva de publicidade que envolva as diversas comissões vitícolas, de forma a promover o vinho no segmento de consumidores entre os 20 e 30 anos.

    10. Estender esse investimento a campanhas promocionais específicas para o ensino das artes do vinho junto da sociedade, de forma a que os portugueses venham a ser um povo educado, sensibilizado e culto para a importante indústria do vinho. Incluir nesta campanha a distribuição em restaurantes, bares e discotecas de um "Guia do Vinho Jovem", simples, descritivo, que inclua sugestões sobre serviço de copos, temperaturas de serviço, conjugações gastronómicas simples, etc. Servirá também de auxiliar a profissionais, potenciando os pontos 7 e 8.