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Mais perguntas que respostas

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Mais perguntas que respostas
Autor: Tiago Teles
Data: 8 de Julho de 2003
Tema: Opinião

Nos últimos tempos fizemos um esforço por inventariar os contactos dos produtores com vinhos, nacionais e estrangeiros, classificados no site Os5às8. Foi interessante observar duas realidades distintas. Na maioria dos casos, os produtores estrangeiros tinham uma página na Internet dedicada à apresentação e divulgação das suas marcas. No caso nacional, a ordem é inversa, ou seja, a maioria não tem uma página na Internet para divulgação dos seus produtos e marcas. Que pode isto significar? Atraso tecnológico? Desconhecimento? Falta de vontade? Indiferença?

A resposta não é linear mas suspeito de um certo atraso tecnológico e técnico e de um profundo desconhecimento das potencialidades da actual sociedade de informação. Certamente que a tendência do negócio familiar também não ajuda a ultrapassar o actual estado de indiferença.

No contexto actual de Internet, não interessa apenas ter uma "página", mas sim uma "montra" organizada e detalhada. É importante que o Site responda a questões elementares do tipo: Contactos do produtor (o email é um contacto permanente); Historial; Espólio de vinhos; Hierarquia de marcas e respectivas propostas; Onde encontrar o vinho "X" da marca "X"; Diferenças para outros vinhos; Filosofia e detalhes técnicos de cada vinho; Pessoas envolvidas no projecto; Notícias; etc..

Recentemente, vi-me confrontado com a dificuldade em encontrar determinados vinhos, na Cidade do México, de três produtores chilenos. Bastou um contacto por email, solicitando essa informação, para que passados dois dias estivesse em contacto directo com os distribuidores mexicanos dos respectivos vinhos. Para minha felicidade, vim a descobrir que, muito perto do local onde resido, existe uma garrafeira especializada onde posso encontrar todas essas marcas.

Se caso idêntico acontecesse em Portugal a situação complicar-se-ía imenso. Os produtores de vinho português G7 têm espaços dedicados aos seus vinhos na Internet. Mas o restante panorama enológico português é desértico de informação. Por exemplo: se alguém quiser saber a história do produtor Álvaro Castro, no Dão, como é que sabe? Vale Meão? Niepoort? Quinta do Crasto? Vallado Reserva? Tapada de Coelheiros? Vinhos de João Portugal Ramos? etc.. Simplesmente não tem a opção de consultar uma página Internet, ficando irremediavelmente na ignorância.

Nesse aspecto, e uma vez mais, os Australianos representam a vanguarda. Basta consultar a página da Wynns (http://www.wynns.com.au), ou da D'Arenberg (http://www.darenberg.com.au), para se perceber que afinal estes produtores têm muita história e vinhos com enormes potencialidades. Consultem também a página dum produtor chileno, Concha y Toro (http://www.conchaytoro.com) e aperceber-se-ão que o "pseudo" terceiro mundo afinal é mais desenvolvido que o nosso país no que toca a questões de exportação, divulgação e imagem.

O avanço faz-se a todos os níveis e a Internet é hoje uma arma muito forte de informação e divulgação. Para além de ser mais vantajosa do ponto de vista económico. Portugal já perdeu o comboio da revolução industrial e prepara-se agora para, ao nível da enologia, perder o comboio da revolução das tecnologias de informação. O maior impedimento ao desenvolvimento é a falta de preparação social, cultural e tecnológica - a falta de conhecimentos e de competência técnica. Se querem atacar o mercado americano, como aconselhou Porter, é melhor actualizarem-se. A natureza não está nas coisas. As coisas estão (movem-se) na natureza.

Logicamente que tudo isto cria um paradoxo: a revolução das tecnologias de informação aproximou mais o mundo, tornou-o mais pequeno e mais homogéneo. Mas, a mesma revolução fragmentou o globo ao separar os vencedores e os perdedores. De que lado estamos nós?