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Descubra o prazer do vinho mantendo-se longe das influências

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Descubra o prazer do vinho mantendo-se longe das influências
Autor: Tiago Teles
Data: 17 de Julho de 2002
Tema: Opinião

Este artigo pretende mostrar que o prazer do vinho assenta em valores simples e intuitivos. A naturalidade das emoções de cada indivíduo é a base para uma opinião independente e pouco influenciável. É descrita uma experiência pessoal e são levantadas várias questões sobre Qualidades e Valores.
Na vida pública e privada acontece muitas vezes que não há simplesmente tempo para coligir os factos relevantes ou para pesar a importância deles. Somos forçados a agir baseados em factos insuficientes e guiados por uma luz consideravelmente menos firme do que a da lógica. Com a melhor vontade do mundo, nem sempre podemos ser completamente verdadeiros ou coerentemente racionais. Tudo o que está em nosso poder é sermos tão verdadeiros e racionais quanto as circunstâncias o permitam, e reagirmos tão bem como pudermos à limitada verdade e aos raciocínios imperfeitos oferecidos à nossa consideração por outros.
Na realidade todos os indivíduos são influenciáveis; a maior ou menor escala.
Podemos com uma certa margem de erro distinguir entre dois tipos de influências: a influência externa (opiniões, revistas, livros, garrafeiras,...), e a influência dos sentidos (vinho, espaço, companhia, dia...). Parece evidente que o prazer puro do vinho está maioritariamente associado à influência dos sentidos. Mas parece também evidente que, de alguma forma, somos muitas vezes guiados pelas influências externas (até certo ponto é saudável).
Vejamos a influência dos sentidos
Nunca mais me esqueço do dia em que fui à apresentação dos vinhos varietais 2001 de um produtor Duriense. A prova dos vinhos de 2001 decorreu antes do jantar e realizou-se no Pinhão. Durante o jantar foram servidos diversos vinhos. Mas houve um vinho que naquela noite estava inesquecível.
Basta perguntar às pessoas que estavam comigo na mesa para perceber que um Touriga Nacional 2000, talvez o nome menos sonante na mesa apesar da sua qualidade, naquela noite, foi o melhor vinho do mundo!! Aquele aroma a flor de laranjeira que se entranhava na memória e perceptível por vezes no próprio aroma do ar, a frescura de boca, a elegância...Enfim, os amigos, o espaço, o ambiente, tudo se conjugou.
Na verdade e após a experiência vivida no Douro, já por diversas vezes me apeteceu beber este Touriga.
Vejamos as influências exteriores (favor consultar o interessante painel de prova do numero 150, Maio 2002, da Revista de Vinhos).
Classificação desse painel de prova: " Alion 95, Ribera Duero (19); Batuta 99, Douro (19); Chryseia 2000, Douro (19); Qta do Vale Meão 99, Douro (19); Qta da Leda 99, Douro (18.5); Vallado Reserva 2000, Douro (18.5); (...).
Dissertemos um pouco
Será que o melhor vinho é aquele que não tem defeitos e apontado pela crítica como o melhor, ou aquele que realmente apetece beber? Quantas vezes o leitor afortunado teve de escolher da sua garrafeira particular um vinho para beber e ficou longe de optar pelos vinhos de 19 nas revistas?
Pior, será que vinhos de 19 que nunca chegam a passar por uma prateleira de uma garrafeira merecem estar num painel de prova? Será justo incluir vinhos com produções ridículas na alta esfera dos vinhos feitos para toda a gente?
Decididamente, julgo que não. Concordo que estes vinhos de garagem são importantes tanto para a industria como para o enófilo. É nele que muitas vezes a experimentação e a inovação ganham forma mas não vale a pena misturar cenários.
Felizmente, na sua grande maioria, a minha garrafeira está repleta de vinhos que me apetecem voltar a beber.
Apenas uma opinião.