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A dança do terroir

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A dança do terroir
Autor: Tiago Teles
Data: 10 de Fevereiro de 2007
Tema: Opinião

Na indústria do vinho, palavras como carácter e originalidade são cada vez mais caras. A evolução da viticultura e da enologia, associadas a um mundo de informação global e a uma conjuntura económica favorável, permitiram a um grupo de indivíduos formados ter fácil acesso à última receita em voga. De certa forma, fazer um vinho concentrado, robusto, pleno de álcool e fruta, suave, prontinho a beber desde os primeiros anos de vida, em resumo, daqueles que impressionam ao primeiro impacto, corre o risco de se tornar uma trivialidade técnica. A clonagem de géneros é um facto – a alma do vinho sujeita-se a práticas de condicionamento que lhe retiram expressividade – a maioria dos consumidores tem ressentido, nos últimos dois anos, que todos nós bebemos mais do mesmo, além de bebermos menos devido à digestão difícil de vinhos de grau elevado. Em suma, as imitações predominam sobre os originais, as reproduções sobre a essência do vinho.

O desenvolvimento e a estandardização têm efectivamente os seus perigos, essencialmente porque a liberdade e a diversidade são usualmente substituídas por regras e resultados económicos. Aqueles que ainda defendem a originalidade refugiam-se no conceito de terroir, procurando alternativas produtivas que confiram carácter e estilo aos vinhos como, por exemplo, a biodinâmica. Causas nobres que apelam à liberdade de expressão dos vinhos. Mas esse elo é demasiado frágil – não encontramos vinhos da Borgonha que mais parecem exemplares do sul de França? Não encontramos vinhos portugueses que mais parecem vinhos australianos? Serão eles já uma consequência das alterações climáticas?

Quase por antagonismo, os mesmos homens que colaboram para este resultado sentirão a necessidade de inverter essa tendência de uniformização. O mercado já se encontra numa fase de baixo crescimento e de forte concorrência, razão pela qual o futuro será marcado pela competência dos recursos humanos. A palavra crescimento será substituída por rendibilidade. A prioridade será diminuir os custos de produção, elaborando vinhos que fujam às regras do mercado concorrencial. Por exemplo, a utilização de madeira nova para estagiar os vinhos perderá importância. A experimentação de novos terroir (jogando obviamente com a variável casta – novamente a casta no cerne da questão, como nos anos 90, uma segunda vaga é esperada…) e a consequente diferenciação desses produtos fará a diferença, abrindo um novo campo de batalha. As regiões difíceis de imitar manterão a sua tradição, como a Borgonha. Aquelas, onde a tipicidade já se começa a confundir com a de outros locais, terão necessidade de rodar castas, de experimentar novas disposições de terroir. Regiões conhecidas por determinadas castas poderão, no espaço de 30 anos, arranjar outras substitutas de sucesso. Além disso, as alterações climáticas obrigarão a seguir esse caminho, pondo realmente em destaque a capacidade do ser humano.
  

O principal investimento no futuro passa pela competência humana, pela paixão, pela criatividade destes intervenientes. Um quadro estável de pessoas competentes, profissionais, criativas e apaixonadas, ajudará a encontrar soluções para reduzir os custos de produção, aumentando, ao mesmo tempo, a correspondente qualidade dos vinhos. A criatividade será preponderante num mercado onde a diversidade marcará pontos. E essa consequência da globalização, quase que por antagonismo, poderá ser uma boa notícia para a multiplicidade do vinho.