Existem compromissos agrícolas que asseguram com maior rigor a originalidade de um vinho, atestando a expressão de um Terroir. Algumas correntes contemporâneas destacam a utilidade de práticas biológicas, incluindo a biodinâmica, que se baseiam na exclusão de herbicidas, insecticidas, bem como de outros produtos químicos que destruiriam directa ou indirectamente a vitalidade de um solo, ou na rejeição de práticas enológicas como a trasfega, filtração, passagens ao frio, leveduras artificiais, adição de sulfuroso e outras operações arbitrárias.
No entanto, e à força de se repetir que com uvas provenientes de uma agricultura própria o vinho se faz sozinho, encontramos hoje um elevado número de vinhos vulgares, bem ao ponto do idealismo se sobrepor ao bom senso. Sem a intervenção humana um vinho transforma-se rapidamente em vinagre. A natureza selvagem também necessita de disciplina! Quebrar repentinamente com uma herança de gerações, famílias que passaram anos a aperfeiçoar determinados gestos para tornar o vinho mais civilizado, é também um desrespeito pelo Terroir e pelas tradições associadas. Na prática, muitos ideólogos sem preparação científica desviam da videira e do vinho alguns ingredientes necessários ao seu bom desenvolvimento e equilíbrio.
Independentemente da prática assumida pelo produtor, que hoje também tem muito de marketing, o valor mais importante é o respeito e o contacto permanente com a natureza e com as tradições que a rodeiam. O homem deve aproximar-se da natureza, deve viver ao seu lado, deve trabalhar a vinha diariamente, evitando soluções de conveniência. A prática que melhor expressa um Terroir é uma forte dedicação e o trabalho humano no quotidiano. Não espanta que práticas vanguardistas como a biodinâmica, que misturam misticismo, sejam não só materializadas por homens e mulheres com uma boa dose de cepticismo cartesiano, postura que lhes permite praticar a biodinâmica de forma científica, mas também por pessoas que vivem a vinha com uma intensidade suplementar.
Porventura, tentar ser o mais biológico possível mas de forma pragmática é um bom compromisso. Existem também castas que encontram com maior naturalidade a desejada mineralidade, deixando falar o Terroir e a colheita. Mas tudo isso só é possível quando a natureza habita solos vivos, onde a biodiversidade ainda se sente, ainda convive...ou quando não limitamos os vinhos do mundo a “míseras” dez castas num universo de milhares!