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Uma calda de intuição Campolargo

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Uma calda de intuição Campolargo
Autor: Tiago Teles
Data: 08 de Outubro de 2007
Tema: Análise e Opinião

No ano de 2000 algo de profundo ocorre na região da Bairrada. Manuel dos Santos Campolargo, o maior proprietário de vinha na região, com cerca de 160ha, quase na totalidade contínua e contígua, até então fornecedor das Caves Aliança, decide experimentar micro-vinificações de castas improváveis como o Pinot Noir e o Cabernet Sauvignon. É o início de uma era marcada pela experimentação e arrojo.

 

Especificidades do terroir

Convicto das semelhanças detectadas entre Bordéus e a Bairrada por consultores gauleses como Michel Rolland, Campolargo segue, de início, a inspiração francesa, criando de raiz um património singular de castas que inclui Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Petit Verdot, Syrah, Baga, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Castelão Nacional, Sousão, Alicante Bouschet, Tinta Francisca, Viognier, Sauvignon Blanc, Bical, Arinto, Sercial.

Uma viagem à região de Bordéus indicia, de facto, semelhanças não negligenciáveis entre as duas regiões. Basta lembrar as florestas de pinheiro da Gafanha e de Mira que protegem as vinhas dos ventos e do sal e moderam as precipitações. A proximidade com o mar que confere um clima igualmente temperado e atlântico. As temperaturas médias e as noites frescas e húmidas que envolvem os solos na zona do Médoc, ou as misturas de argila e calcário na região de Saint-Emilion, têm analogia com a Bairrada.

Os solos na vasta propriedade em volta da imponente Adega de Campolargo são predominantemente ondulados, variando entre suaves e acentuadas inclinações. As exposições também variam, aliás, tal como a altitude. Os solos são argilosos, com maior ou menor teor de calcário, agregando igualmente algumas parcelas com mistura de areia. No topo, quase sobre a rocha base, o solo é mais rico em calcário, enquanto que a riqueza da argila predomina nas zonas intermédias em volta da adega, com um solo mais profundo, misturando fragmentos de sílex e de calcário. Onde predominam os “barros”, mais húmidos e frios, a casta Merlot parece adaptar-se na perfeição.

 

2004 e 2005

Os anos quentes de 2004 e 2005 fazem sobressair os melhores locais. As chuvas de Agosto em 2004 atenuaram um pouco o stress hídrico mas geraram alguma podridão, enquanto o ano seco de 2005 foi desafiante mas benéfico para os profundos solos na Bairrada.

O carácter Campolargo de ambas as colheitas aproxima-se, tanto em estilo como em qualidade. Ambos revelam vinhos com personalidade, puros, apesar de modernos na expressão das castas que compõem os lotes dos diferentes vinhos. O Merlot sobressai no rol de castas, marcando o perfil de vinhos como o Calda Bordaleza e o Vinha da Costa, dois modelos de qualidade. Apesar de na sua juventude a casta mostrar algum peso, a sua matéria é densa e isso possibilita um casamento rápido na garrafa. Anacronicamente, os vinhos elaborados com esta casta neste terroir são vinhos que necessitam de tempo para revelarem o seu comprimento e dimensão. Noutro sentido, a Touriga Nacional, presente nos lotes Termeão, origina vinhos exuberantes, energicamente frutados, mais fáceis e prontos a beber, enquanto as castas Syrah, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot dependendo do ano, afirmam-se como um aliado de peso nos lotes com o Merlot. A casta Pinot Noir revelou-se difícil de trabalhar nos anos quentes de 2004 e 2005, acabando atacada pela podridão. Além disso, “juntar qualquer outra casta à Pinot Noir é, academicamente, considerado um risco”. Uma situação que choca com o notável instinto loteador de Campolargo.

Na prática, este instinto do produtor é determinante numa região onde a heterogeneidade dos solos e a incerteza climática recomendam o lote. Talvez por isso, ao seu jeito, o produtor buscou inspiração, e em boa hora, na “memória sobre os processos de vinificação empregados nos principais centros vinhateiros do reino” para elaborar um vinho de lote carregado de tradição, apesar de original para os tempos actuais. A lista de castas recomendadas na região da Bairrada antes da filoxera incluía 8 castas, a saber: Baga, Castelão, Moreto, Xara, Trincadeira, Bastardo, Souzão e Cidreirinha. O Rol de Coisas Antigas 2005, apesar de vinificado no processo e no espírito modernos, utilizando Touriga, Alfrocheiro e Alicante Bouchet para substituir no lote as castas Moreto, Xara e Cidreirinha, é um vinho surpreendente pela capacidade vibrante do seu corpo e pela sua frescura e definição. É um modelo a seguir.

Nos brancos, as castas Arinto e Bical dão boas indicações enquanto a experiência com a francesa Viognier no Diga? branco 2006 não acrescenta mais valia ao contexto actual: baixo nervo aromático, espessura e gordura resultam num estilo de branco apreciado pelo consumidor.    

Efectivamente, se nos anos 90 Luís Pato teve o mérito de mostrar que a casta Baga não precisava de estar refém dos métodos de vinificação tradicionais, nestes primeiros anos do novo século Campolargo mostra que a Bairrada não precisa de estar refém da omnipresente Baga. Talvez os vinhos possam ser acusados de modernos no meio tradicional da Bairrada, mas são eles que vão conseguir chamar novos consumidores para uma região que vive uma longa agonia. Campolargo já é uma referência incontornável no mundo enófilo.

 

O estilo

O estilo dos vinhos de Campolargo é conciso e sério. A expressão aromática de cada casta é intuitiva, a sua contribuição identifica-se espontaneamente no lote. É justamente no domínio do lote que Campolargo tem demonstrado a sua enorme intuição prática. Outra particularidade marcante deste produtor é o enorme cuidado na maturação dos taninos – apesar da extracção e da riqueza tanínica presente nos diversos vinhos da gama, a textura dos vinhos é exemplarmente suave e graciosa. São vinhos peculiares no panorama nacional, de enorme valia qualitativa, que emanam instinto, atraindo pela forma segura e definida como se apresentam no copo. O Calda Bordaleza afirma-se como um vinho individualista que tem a característica dos grandes vinhos: é irreproduzível.

Calda Bordaleza 2004
Calda Bordaleza 2005
Termeão PB 2004
Termeão PB 2005
Termeão PV 2004
Termeão PV 2005
Os Corvos da Vinha da Costa 2004
Vinha da Costa 2004
Diga 2004?
Diga 2005?
Diga branco 2006?
Campolargo 2004
Campolargo CC 2004
Rol de Coisas Antigas 2005
Campolargo Arinto 2005
Campolargo Bical 2005
Entre II Santos 2005
Entre II Santos branco 2006
Contra a Corrente 2004
Campolargo Pinot Noir rosé 2006

Para mais detalhes consultar: www.campolargovinhos.com.